É impressionante como as pessoas adoram fazer graça com a gagueira alheia. Tenho certeza que esses que riem, não suportariam passar um dia que seja tomados por uma "boa" gagueira.
Dia 25/01, quarta-feira passada, no programa Vídeo Show (show?!?!?) foi mostrada uma matéria com diversos personagens gagos que já passaram pela novelas da Rede Globo, com um enfoque maior no personagem "Fladson", da novela "Belíssima". Como era de se esperar (porém não é compreendido por nós o porquê de sempre ser assim), o assunto foi tratado na base da gracinha, da palhaçada, do riso fácil. O apresentador do programa, o narrador das matérias, a mãe do personagem (Jussara Freire), o próprio ator (Marcelo Médici), todos ficaram gagos esforçando-se para serem engraçados. Bem diferente do que ocorreu na novela "América", na qual o personagem cego de Marcos Frota tornou-se uma espécie de ídolo e porta-voz dos deficientes visuais no Brasil. Semelhança com a gagueira não ocorre. Por quê?
Não podemos mais aguentar calado essas "brincadeiras". Creio que já passou da hora e que deve haver algo que impeça coisas desse tipo. Devemos nos organizar melhor e, como disse o amigo Roberto Tadeu, "agir de forma mais clara e forte como movimento social".
Alem do que, eu não consigo entender o motivo de associações ligadas à fonoaudiologia já não terem agido neste sentido. Os profissionais desta área sabem o sofrimento que é querer falar, não conseguir se expressar e ser motivo de riso por causa disso. Mesmo sabendo de tudo isso, ainda não quiseram, ou não se organizaram suficientemente para modificar o quadro aqui descrito.
A ABRA Gagueira tem e terá um papel fundamental nesta jornada. Para isso é necessário que mais pessoas se associem. Pois, só assim seremos fortes. Organizados, desenvolveremos mais ações e de forma mais ostensiva.
Com o Grupo de Apoio de Natal, espero que consigamos pensar algo que vá de encontro ao tipo de matéria veiculada no programa em questão e em outros, que com certeza virão.
Gagueira sob uma perspectiva que articula linguagem, subjetividade e sociedade.
27 janeiro 2006
24 janeiro 2006
Gagueira tem tratamento fácil e eficiente
Meu nome é Wladimir Damasceno, sou Fonoaudiólogo especializado no tratamento da gagueira. Ultimamente estou mais dedicado ao Instagram Espaço Bom Falante (link aqui). Para mais informações pode entrar em contato comigo no instagram ou no email wladimirdamasceno@gmail.com (realizo atendimentos no modo à distância) Em 21 de março de 2022.
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19 janeiro 2006
Grupo de Apoio em Natal-RN
O Grupo de Apoio de Natal finalmente se organizou. Ontem, dia 18, foi a nossa primeira reunião. Éramos quatro e mais a fonoaudióloga Priscilla Silveira. Definimos que nossas reuniões serão, seguindo o exemplo do Grupo de Apoio de São Paulo, no último sábado do mês, às 14h, com duas horas de duração. O primeiro passo já foi dado. Com certeza precisamos amadurecer em muitas coisas. Para isso contaremos com as experiências dos grupos paulista, soteropolitano, carioca e manauara. Com certeza trocaremos muitas experiências.Em virtude do carnaval, nossa próxima reunião será dia 18, penúltimo sábado do mês. Como definição para este próximo encontro cada membro se apresentará, falará das suas particularidades. Quem desejar participar é só entrar em contato. Deixe um comentário com o endereço que eu entro em contato.
11 janeiro 2006
Como Contratar um(a) Fonoaudiólogo(a)
Há alguns aspectos que o próprio paciente pode investigar antes de iniciar uma terapia fonoaudiológica:- número de pacientes (crianças, adolescentes e adultos) que o profissional já tratou;
- qual a linha de trabalho (embasamento teórico da prática clínica);
- quais os objetivos principais da terapia (o profissional deve citar pelo menos um desses aspectos: diminuição da freqüência da gagueira, redução da tensão envolvida na gagueira, diminuição dos comportamentos de evitação de situações ou palavras, aprender mais sobre a gagueira, etc.);
- quais os textos/livros sobre gagueira que o profissional indica para leitura ou quais se utiliza para embasar o tratamento (assim você pode saber qual a abrangência de conhecimento que o profissional possui);
- quais os cursos, palestras, especialização, mestrado que o(a) fonoaudiólogo(a) possui relacionados à gagueira;
- perguntar se o(a) fono possui publicações no assunto (este não é um item essencial, visto que muitos profissionais exclusivamente clínicos são muito atualizados, mesmo sem desenvolverem pesquisas na área).
Com essas orientações já temos uma boa noção do(a) profissional que estamos procurando para tratar de um problema tão importante.
É preciso lembrar que o(a) fonoaudiólogo(a) deve fazer uma avaliação fonoaudiológica completa e, com base nessa avaliação, selecionar a sua conduta. Alguns exercícios que não servem para diminuir a gagueira podem ser úteis para o fortalecimento muscular, para melhorar a articulação, a respiração, etc.
Com relação especificamente à gagueira, não há comprovação científica de que exercícios como falar de cabeça para baixo, assoprar, vibrar lábios e língua, por exemplo, tenha efeito na diminuição da gagueira (lembrando que o sopro ou as vibrações são ótimos exercícios em outros casos).
O mais importante é saber exatamente a função do exercício proposto e qual o resultado que se espera com a realização dele, para isso é necessário ter um canal de diálogo sempre aberto e ativo com o profissional.
Daniela Verônica
Vice-Presidente da ABRA GAGUEIRA
daniela.veronica@itelefonica.com.br
Observação do blog: estas dicas foram retiradas do Grupo Gagueira.
Observando um Gago - Parte IV
OBSERVANDO UM GAGO
(PARTE IV DE IV - Hélio Beraldo*)
...continuando
Quando o gago começa a tratar-se com alguém que não possui a noção do que isso significa, ele vai ficar mais pobre, porque o dinheiro que consegue ganhar, será gasto com alguém que vai apenas frustrá-lo.
Quando ele começa um tratamento, cria expectativas de como vai melhorar, de como vai sarar. Cria a ilusão de como passará a agir assim que puder se comunicar naturalmente (falar assim como os outros falam). E, através dessa ilusão, vem a desilusão. Essas frustrações e desilusões repetidas acabam criando a convicção de que não há cura, de que para ele não há lugar nessa terra. Ele jamais vai falar como os outros. Ele não é igual aos outros, pois parece que ele tem um karma, alguma coisa que se apossa dele a fim de humilhá-lo. Ele ficou mais pobre tanto financeiramente quanto nos seus sonhos.
Precisamos levar esse paciente a compreender o que é a gagueira e passarmos a tratar de cada sentimento, de cada emoção; precisamos reestruturar a sua personalidade e, ainda, tratar de sua gagueira através de técnicas de obtenção de fluência (capazes de formar novos condicionamentos operantes), ou seja, esse ser humano precisa ser tratado como um todo, através de terapia corporal a fim de que ele perceba o quanto tenciona seus músculos, para aprender a relaxá-los. Em casos mais sérios podemos usar a farmacologia com um método auxiliar através do uso de ansiolíticos ou anti-depressivos.
Precisamos levá-lo a buscar o auto-conhecimento a fim de que ele possa melhorar a sua auto-estima e a sua auto-confiança. Enfim, trabalharmos as questões de timidez, de insegurança, dos medos, da vergonha etc.
Podemos usar técnicas de visualização, de imaginação, auxiliando-o a perceber o mundo de forma mais natural e a seu favor, para que ele perceba e entenda de forma diferente, tendo uma nova postura diante da fala e da vida.
FINAL
*Hélio Beraldo é Psicólogo e também é gago.
05 janeiro 2006
Observando um Gago - Parte III
OBSERVANDO UM GAGO
(PARTE III DE IV - Hélio Beraldo)
...continuando
Esse viver de maneira a esconder que é gaga, começa a associar-se até ao seu nome – Eu sou...!. Eu sou quem? O gago tem de se esconder e, como o nome o identifica, revela quem ele é, ele passa a ter dificuldade nas coisas mais simples como: dizer seu nome, dizer o número de seu telefone, pedir informações, responder “presente” em uma sala de aula, fazer leituras, apresentar trabalhos, pedir alimento em um restaurante, falar ao telefone ou interfone etc. E, assim, vai se sucedendo uma fase por fase até chegar às situações mais exageradas, quando o cérebro passa a disparar o alarme de perigo naquelas situações em que é convocado a falar. Nesse momento, aparecem todos os sintomas do ataque de ansiedade (taquicardia, sufoco, tremor nas mãos, suor, descontrole de raciocínio e vontade de fugir). Ele não consegue compreender mais porque aquilo, que seria simplesmente o ato de falar, passa a representar um perigo tão grande, que aparece de maneira tão automática. A pessoa não raciocina assim, mas simplesmente acontece. Ela nem mesmo sabe que esses são sintomas de ansiedade. Simplesmente, numa sala de aula ou em qualquer lugar público, quando pedem que ela se apresente, ela tem um ataque de ansiedade tão grande, que ela acha que está ficando louca. “Por que tudo isso acontece? Eu sei que sou uma pessoa normal, “diz ela. – “Eu não tenho medo de escuro, de ficar sozinho, estar na multidão, nem de água, nem de viajar etc... Posso trabalhar, exercer qualquer profissão.... Por que, então, na hora de falar eu sou um covarde?”
No fundo, essa pessoa sabe que não é covarde, mas não entende porque seu cérebro dispara o sinal de perigo. Ela tem consciência de que esse não é um problema físico, mas que é o fato de que sua condição de gaga será revelada, ou seja, o que ela quer esconder será revelado. É a sensação de humilhação, de ser diferente, de saber que será interpretada como insegura, incapaz, incompetente. Essa é a situação do gago.
Isso tudo vai se tornando cada vez mais forte. Quando essa pessoa procura ajuda, é difícil encontrar um profissional realmente preparado, pois existem poucos terapeutas em condições de tratar um gago severo. Muitos se dispõem a tratá-lo, mas poucos se preparam para isso. Poucos são o que realmente sabem o que é ser gago.
Na realidade, quem realmente mais entende de gagueira é o próprio gago. Entretanto, o terapeuta que se propõe a tratá-lo deveria dedicar-se a estudar, a compreender o que é o sofrimento de querer falar e não poder fazê-lo. Esse profissional se põe a tratá-lo sem compreender que a gagueira é apenas a ponta do iceberg, que representa apenas o sintoma, e que submersos estão muitos sentimentos, muitas emoções, que vão desde a fobia social, a timidez, a ansiedade, a insegurança, a baixa auto-estima - fantasias que precisariam ser tratadas como um todo. Atrás daquela fala gaguejada está um ser humano que, apesar dessa grande dificuldade, é capaz de estudar, trabalhar, amar, constituir família, ou seja, alguém com grande potencial.
continua...
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