27 abril 2006

Grupo de Auto-Ajuda de Natal - Quarto Encontro

O quarto encontro ocorrerá no próximo sábado, dia 29/04. Muito possivelmente será realizado novamente e provisioriamente (o provisório que vai tornando-se permantente) no Parque das Dunas, Natal-RN, às 9h da matina. Ponto de encontro é no portão principal do parque e a entrada custa R$1,00. A pedido de membros do grupo, a reunião é restrita a pessoas que gaguejam.

Nesta oportunidade, discutiremos o texto "Ressignificar a Imagem de Falante", da Fonoaudióloga Silvia Friedman, que está no saite Gagueira - Novos Paradigmas. É importante, principalmente para aqueles que comparecerão à reunião, a leitura do mesmo. Se for possível imprimi-lo e levá-lo, será um facilitador na hora da discussão.

Aqui um breve trecho do texto:

As reações de não aceitação do padrão disfluente de fala tem
efeito no funcionamento discursivo, porque desviam a atenção do falante do sentido para a forma do dizer e porque o levam a querer controlar a forma espontânea de falar para ser aceito socialmente. A tentativa de controlar o espontâneo leva o falante a prever os lugares em que a gagueira ocorrerá. Antecipar os lugares de ocorrência da gagueira na fala que ainda não foi falada, dá ao falante a ilusão de poder controlar a fluência e, desse modo, ele se permite continuar falando. Com isso, freqüentemente cria truques para “driblar” a gagueira que havia previsto, como trocar palavras; inspirar brevemente antes de uma palavra temida, etc. Essa forma de funcionamento gera rupturas bizarras na fluência, gestos de fala tensos e tensões no corpo. Isso aumenta ou mantém as reações de não aceitação, bem como as tentativas de controlar o espontâneo, aprisionando o falante a essa forma de funcionamento.

Sobre o provisório que vai tornando-se permanente, quero esclarecer que estou fazendo algo para realmente ser provisório. Mês passado enviei, com o auxílio e a pedido da Fonoaudióloga Priscilla Silveira, um ofício, para uma universidade local, solicitando a cessão de um espaço (uma sala de aula) para que possamos realizar nossos encontros com mais conforto e infra-estrutura. Até o presente momento não tenho respostas. Quem sabe pro mês que vem?!?!

Quero também salientar que achei interessante modificar o tipo do grupo. Passando-o de Grupo de Apoio para Grupo de Auto-Ajuda. Dessa forma, coloca-se o indivíduo frente ao seu próprio senso de responsabilidade, de forma tal que lhe permita encarar os fatos e utilizar o seu poder de escolha. Vou levar esta idéia para o pessoal. Estou também à procura de um nome para este grupo. Se alguém tiver alguma sugestão...

25 abril 2006

Indicações da Stuttering Foundation

Por acaso encontrei uma indicação de algumas fonoaudiólogas brasileiras.

Apesar de serem somente cinco profissionais, em quatro cidades brasileiras, espero que possa ajudar alguém.

Aproveito a oportunidade para divulgar mais um endereço na coluna "Vínculos". É a Stuttering Foundation. Uma organização sem fins lucrativos que ajuda pessoas que gaguejam, desde 1947. Têm muitas coisas interessantes. Dentre estas, vejam uma lista de pessoas que tornaram-se famosas mesmo tendo enfrentado dificuldades com a fala.

Nesta lista, alguns dos mais famosos são: Tiger Woods (melhor jogador de golfe do mundo), Bruce Wills (ator), Julia Roberts (atriz), Winston Churchill (estadista e orador), Anthony Quinn (ator), entre outros. Serve como incentivo.

Não deixe que a gagueira segure você.

Convite para Depoimento

Fui convidado para escrever o meu depoimento sobre a minha convivência com a gagueira, para ser publicado em um livro. Claro que este terá outros indivíduos, outro depoimentos, teoria sobre o assunto, etc. Não sei se posso divulgar algo além disso, mas, independentemente, gosto de fazer surpresas. Assim que o negócio estiver bem concreto e praticamente lançado todos saberão mais novidades.

Estou bem empolgado com isto. Pretendo fazer o meu melhor. Depois vou querer a opinião do vocês.

20 abril 2006

Fundación Americana de La Tartamudez

Mais um vínculo! E assim vamos ampliando nossa rede de pesquisa e de conhecimento.



De agora em diante, a Fundação Americana de Gagueira estará presente na coluna Vínculos, aqui do lado direito. O saite é em espanhol. Muitas coisas dá para lermos, pois são diversos os termos idênticos. Para quem não sabe tartamudez é gagueira e tartamudo é pessoa que gagueja.

19 abril 2006

Texto para a Wikipédia

Agradeço aos amigos Arnoud e Olavo que incentivaram-me (nos comentários) a escrever sobre gagueira e incrementar o assunto na Wikipédia. Não prometo realizar isso dentre em breve, mas amadurecerei a idéia. Apesar de acreditar que ficaria mais embasado se o trabalho fosse feito por alguma fonoaudióloga, também tenho convicção que alguma pessoa que gagueja pode fazer bem feito.

12 abril 2006

A gagueira está nos ouvidos dos pais, dos professores...


“Um menino de quatro anos de idade que apresenta um desenvolvimento de fala normal. Até que num determinado dia Timothy hesita um pouco mais do que o normal (considerando que todas as pessoas, principalmente as crianças pequenas, hesitam enquanto falam) e com alguma tensão. É claro que ele, ao contrário de sua mãe, não o percebe.

No outro dia, a mãe esquece-se de tudo, até a hora em que Timothy apresenta um leve sinal de tensão em uma de suas muitas palavras.

Após alguns meses, a tensão persiste e aí, a mãe tem "certeza" de que Timothy tem uma gagueira.

A mãe tenta, então, convencê-lo a parar com isso, e quando ele gagueja ela lhe diz: “Não tenha pressa”, “Respire fundo antes de falar”, ou “Por que você está falando assim ?”.

Timothy que não havia percebido que fazia alguma coisa diferente, agora, quando gagueja um pouquinho e a mãe faz algum comentário, ele também começa a tomar consciência da sua gagueira.

Quanto mais ela se preocupa, mais ele se preocupa. Tenta então não “fazer isso”. Quanto mais tenta, mais “isso” piora. Ele acaba por fazer “isso”, porque “isso” existe, mas não pode fazê-lo porque deseja que sua fala seja agradável aos pais; quer a aprovação deles. Esse é o conflito. Aí está o início de uma verdadeira gagueira para Timothy que, agora, poderá nunca mais sentir os prazeres de uma comunicação fluente”.


Texto retirado da monografia de conclusão de curso de especialização em linguagem, de autoria de Daniela Leite Gomes.

Para ler o trabalho na íntegra clique aqui.

11 abril 2006

Contribuir para a Wikipédia

Quero lançar mais um desafio. Este agora é direcionado para fonoaudiólogas(os) e pesquisadoras(res) que investigam o tema Gagueira.

É gritante a diferença entre as páginas em espanhol e em inglês, da página em português sobre gagueira (disfemia), na Wikipédia. O assunto desenvolvido em português está muito pobre. Para comprovar basta clicar aqui para ler em espanhol, ou aqui para ler em inglês. Agora compare com a em português.

O que achou?
Eu, como disse antes, considero que a em português está bem carente. Apresenta muito potencial para crescer.


Já que a Wikipédia é feita pelos próprios leitores/escritores, espero que as pessoas que pesquisam sobre gagueira no Brasil, ou em outro país de idioma português, contribuam para a Wikipédia. Não precisa necessariamente ser uma cópia, uma tradução literal das outras páginas. Na página principal da Wikipédia, na coluna do lado direito, estão disponibilizadas algumas dicas para ajudar a Enciclopédia Livre. Descubra "Como contribuir para a Wikipédia".

05 abril 2006

Gagueira e Deficiência

A questão de considerar a gagueira como uma deficiência é uma grande polêmica entre as pessoas que gaguejam. Alguns que possuem uma gagueira mais severa e/ou que já se sentiram prejudicados em alguma prova oral e/ou concurso público, tendem a pensar, ver e sentir a gagueira como uma deficiência. Por outro lado, os que conseguiram transcender as dificuldades comunicativas, mas que de uma forma ou outra ainda gaguejam, são completamente contra a inclusão da gagueira no rol das deficiências fisicas legalmente reconhecidas.

Inclu-o me no segundo grupo. Não considero a gagueira como uma deficiência física. Creio que a gagueira do desenvolvimento é uma espécie de comportamento adquirido. Toda criança apresenta, em suas idades mais remotas, alguma dificuldade no amadurecimento da fala. Porém, o meio ambiente vivido e alguma predisposição genética levaram alguns a desenvolverem a gagueira sofrimento. A partir deste sofrimento, aspectos emocionais, comportamentais e psíquicos foram sendo criados no cérebro do indivíduo, de maneira que induziu este órgão a considerar aquelas informações como "normais". Reprogramar o cérebro em relação à fala, não é nada simples. Principalmente se o indivíduo pensa de tal maneira durante décadas. Mas existe tratamento adequado.

Querendo discutir esta questão, publico aqui algumas palavras da respeitada fonoaudióloga Ana Maria, de Brasília-DF, onde ela nos relata uma situação de um paciente que sentiu-se despretigiado em um concurso público e pretendia recorrer da situação baseando-se no Decreto Nº 3.298. Além do mais, a fonoaudióloga nos compartilha uma nota, publicada em Correio Braziliense, na qual uma leitora questiona um Procurador da Fazenda sobre a questão dos concursos.

Quem desejar debater e ter o seu texto aqui publicado, é só deixar um comentário com endereço eletrônico que entrarei em contato.

As palavras da Fonoaudióloga Ana Maria:


Outro dia fui procurada para analisar o Decreto Nº 3.298, de dezembro de 1999, pois o paciente se sentia prejudicado num processo seletivo em uma empresa privada. Passou em todas as provas objetivas e práticas, porém foi reprovado na entrevista e dinâmicas de grupo. Segundo ele, o motivo da reprovação era o seu desempenho comunicativo por causa da falta de fluência. Apesar de achar isso não tinha subsídios para provar que a gagueira o desclassificou.

Como pretendia prestar concurso público soube deste decreto e queria pleitear uma vaga como deficiente, porém, precisava de um laudo de um profissional da área para provar que se enquadrava nos parâmetros da deficiência do decreto.

Informei-o que a gagueira não se enquadrava no que é considerado deficiência pelo decreto, pois a referência que se faz a comunicação é nos casos de deficiência mental que compromete todo o desenvolvimento do indivíduo, inclusive suas habilidades comunicativas. Logo, a gagueira não estaria enquadrada e ele não poderia concorrer a essas vagas reservadas.

Na mesma semana saiu no jornal uma nota de um advogado respondendo a um questionamento de uma pessoa que gagueja sobre o assunto. Esta nota transcrevo abaixo:

"Eu sou gaga, em algumas situações a minha fala é muito ruim. Gostaria de saber se esse problema poderia ser alegado como falta de capacidade para o exercício de cargo público em que seja necessário o atendimento ao público. Já existe algum caso semelhante a esse na jurisprudência brasileira?”

A gagueira é normalmente considerada uma disfunção da fala. A gagueira é, na verdade, uma condição extremamente complexa que envolve mais do que a repetição das palavras, prolongamentos das sílabas e outras "disfunções" da fala. A gagueira afeta a pessoa como um todo e é mais adequadamente descrita como uma combinação de disfunções de fala, comunicação e comportamento. Por outro lado, a investidura em cargo público pressupõe como requisito básico a aptidão física e mental. Entendo que a gagueira por si só não deve ser tida com óbice para tal investidura, ainda mais porque seria necessária previsão legal para tanto, o que desconheço. Assim sendo, em uma hipótese remota de ocorrer desclassificação no concurso em face de tal distúrbio, entendo que seria plenamente o ajuizamento de uma ação no sentido de coibir tal abuso."


Correio Braziliense, Guia de Concursos, 12/02/2006.
Resposta dada pelo Procurador da Fazenda Nacional Leonardo Felipe Bueno Tierno.

Espero ter contribuído. Sei que o assunto é polêmico e já foi por muitas vezes discutido, mas também acho que ainda existem muitas lacunas na lei, nas ciências, nas terapias, na sociedade que merecem reflexões e lutas pela diminuição das diferenças.

Um grande abraço a todos.
Ana Maria Oliveira
Fono - Brasília