Gagueira sob uma perspectiva que articula linguagem, subjetividade e sociedade.
30 outubro 2006
DIAG em São Paulo - Minhas Considerações
O melhor deste tipo de evento é a troca de experiências; é conhecer pessoas que viveram coisas muito parecidas com as suas; é poder transmitir mensagens incentivadoras de que a gagueira não é o bicho de sete cabeças que costumamos pintar e que existe tratamento eficaz para o indivíduo.
No quesito pessoas, a galera de São Paulo é muito legal!!! Eu já tinha alguns amigos por lá, do Grupo de Apoio da ABRA GAGUEIRA, do qual participei uma vez ano passado, e desta vez pude ampliar o leque de amizades. Neste evento pude conhecer a atual presidenta da ABRA, Daniela Verônica, as fonoaudiólogas Eliana Nigro, Ignês, Polyana, Ísis Meira e Fernanda Papaterra. Conheci também o colega Tiago Pereira, que palestrou sobre genética, e Elaine Gonçalves, que prestou seu depoimento, o qual me causou bastante impacto. Foi através dele que soube do desejo dela de não querer ter filhos com receio de transmitir a gagueira para ele, já que eu sua família há diversas pessoas que gaguejam. Entendo a situação dela, mas é muito triste saber disso. Caso o possível filho dela apresentasse algum sinal de gagueira, ela poderia levâ-lo a um fonoaudiólogo capacitado para tratar gagueira, que muito possivelmente seria curado.
É por causa dessas realidades que eventos como este, que ocorre em todo o Brasil, são extremamente importantes. Aos poucos vai-se transmitindo conhecimentos e desensibilizando as pessoas em relação à gagueira. Muito possivelmente Elaine não vivenciou experiêcias deste tipo anteriormente. Desta forma, ela carregou sozinha, por muito tempo, o peso da gagueira, o estereótipo de "gaga", o preconceito da sociedade e talvez tenha se visto muitas vezes sozinha, apesar da família ter diversos casos de gagueira. Atualmente, as pessoas que procuram ajuda (ou se ajudar), tratamentos, etc., têm grandes possibilidades de reverter o quadro, antes que ele torne-se insuportável ou motivo de restrições sociais.
Neste evento, eu pude observar bem esta busca pelo conhecimento: um casal estava procurando informações para seu filho, de 14 anos aproximadamente, com gagueira. Isto foi particularmente interessante porque eu pude me imaginar com 14 anos e relacionar com meus pais tentando me ajudar procurando profissionais da fonoaudiologia para me tratar. Assim que eu sentei atrás desse casal e seu filho (o filho sentado no meio dos dois), eu senti o que eles estavam pretendendo. O pai mais questionador fazia perguntas em todas as palestras, a mãe era mais quieta e o filho muitas vezes parecia está mais interessado em, talvez, sair dali. Infelizmente, quando somos adolescentes perdemos oportunidades únicas. Pude trocar uma idéia com o pai e tentei orientá-lo em razão da minha experiência vivida.
Ao final do evento, uma repórter do Conselho Regional de Fonoaudiologia 2ª Região - São Paulo (creio que foi deste conselho) procurou-me e me entrevistou. Não sei se minha entrevista vai ser publicada (espero que sim!), caso seja vocês terão notícias.
Como sugestão para a comissão organizadora, para qual inclusive eu já falei pessoalmente, é de deixar mais espaço para as palestras científicas sobre gagueira. Isto poderia ser organizado, caso o evento seja iniciado às 9h e terminado às 17h. Quando começávamos a gostar da palestra, a entendê-la, o tempo estava esgotado. Como por exemplo, a palestra sobre Gagueira e Psicanálise, de Roberta Ecleide. Foi muito rápida. Comprometendo o entendimento.
Espero que vocês tenham participado do DIAG em suas cidades e gostado como eu gostei do de São Paulo. Que tal vocês me contarem como foi? Deixem um comentário! Agradeço desde já!
29 outubro 2006
Minhas Perguntas e Suas Respostas
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Primeira Pergunta:
Anelise, com relação às causas neurofisológicas tenho lá minhas dúvidas ainda com relação a este ponto. As neuroimagens mencionadas em seu texto, creio que foram fotografadas de cérebros de indivíduos adultos que gaguejam. Para uma pessoa que gagueja, como você sabe, falar não é simplesmente "abrir a boca e falar". Falar envolve uma série de fatores como o julgamento do interlocutor, de si mesmo como falante, se vai conseguir transmitir a mensagem, etc. Creio que todos esses pensamentos juntos devam interferir no momento da captação da neuroimagem. Logo, em minha primeira opinião, a imagem não seria um sinal de uma falha de determinada área do cérebro, simplesmente. O que comprovaria, em minha opinião, a deficiência na ativação normal do lóbulo temporal do hemisfério esquerdo, seria esta detectação antes mesmo do individuo, ainda criança, apresentar sinais de gagueira. Portanto, gostaria de saber se essas imagens já foram detectadas/estudadas neste grupo de pessoas. Agradeço.
Primeira Resposta:
Olá Wladimir, gostei muito desta tua pergunta. Ela me dá a oportunidade de entrar um pouco em assuntos que são mais complexos, e que requerem uma linguagem um pouco mais técnica do que a pretendida pelo Fórum.
Primeiro, como bem podes imaginar, é muito difícil fazer pesquisa de neuroimagens em crianças. Precisa haver concordância da família, a criança precisa ser submetida a uma série de procedimentos complexos, a captação da imagem através da ressonância magnética funcional exige que o sujeito se mantenha o mais imóvel possível dentro de um tubo, receba contrastes específicos, entre tantos. Nada disso é muito facilitador. Os cientistas têm desenvolvido técnicas que mostram a atividade cerebral de crianças com e sem gagueira, para efeitos de comparação, através de formas menos invasivas, como o eletroencefalograma (EEG) e a magnetoencefalografia (MEG).
As investigações têm focado aspectos como lentidão de maturação cerebral, assimetrias de hemisférios, e mudanças de atividades neuronais durante estados de hiperventilação e repouso. Diferenças significativas nestas áreas têm sido relatadas na literatura, especialmente nas regiões parieto-ocipital e fronto-central do cérebro, na comparação entre cérebros de crianças com e sem gagueira.
Essas investigações vão em busca de diferenças em cérebros ainda em crescimento, justamente para se tentar achar algumas respostas para perguntas como a que fazes. Uma das mais instigantes é saber se as diferenças fisiológicas vistas nas comparações entre adultos com e sem gagueira, são provocadas pela gagueira ao longo do tempo ou se estão lá desde sempre.
Como o cérebro aprende por repetição, alguns pensam que de tanto gaguejar, a gagueira faz lá suas "marcas". Outros dizem que se os aspectos genéticos são significativos no aparecimento da gagueira, então essas marcas já estariam lá.
Claro que nada em gagueira é assim tão simples e definido. A quantidade de fatores intervenientes é muito grande. Por isso, sempre é bom lembrar que, para que a fala seja fluente é necessária uma sincronia muito fina entre todos estes aspectos. E esta sincronia começa num comando central, que está no cérebro.
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Segunda Pergunta:
Nadia, em sua opinião, por que é que uma pessoa que gagueja, não gagueja em determinadas situações, como por exemplo quando está sozinha, diante do espelho, com crianças, animais e quando estão bem seguras de si? - O que ocorre, também, quando a pessoa desenvolve certas crenças de que gagueja quando fala palavras começadas com determinadas letras, por exemplo? Como modificar esta crença? Agradeço pela atenção.
Segunda Resposta:
Oi, Wladimir,
Sob a ótica da Análise do Discurso, as situações que você descreve e muitas outras são condições de produção geradoras de fluência que, é claro, dependem da história de cada pessoa. Em princípio, o ouvinte não crítico, como a criança ou o animal não traz o efeito da gagueira, porque está claro que este interlocutor não colocado na posição de quem julga e rotula a pessoa que gagueja.
Uma outra questão é a crença na inabilidade articulatória, como você indica. A pessoa j chega à clínica com uma lista de “impossibilidades de dizer” e identifica sons e palavras que, em princípio, considera improváveis de serem articulados. Ao mesmo tempo, fala muito bem estes fonemas e palavras em seu relato. Isto necessita ser enfocado e trabalhado cuidadosamente na terapia fonoaudiológica, porque é a partir da quebra destas metáforas que o trabalho discursivo se dá.
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Terceira Pergunta:
Polyana, partindo-se do ponto que o corpo também é simbólico, como você afirmou em seu texto, como poderemos transformar um corpo simbólico "negativo" em um corpo simbólico "positivo"?
Terceira Resposta:
A transformação se dar dentro de um processo terapêutico no qual o que se fala está ligado com o corpo-fala. Para a clínica fonoaudiológica não-tradicional, a terapêutica não é prescrever exercícios, reeducar o movimento, modelar o comportamento, embora tais procedimentos possam ser abraçados por falantes que gaguejam em busca de uma solução para a gagueira. Não há problema nisso, pois nenhuma clínica dá conta, totalmente, da complexidade do humano. Em outras palavras: toda e qualquer clínica é sempre para alguns.
A clínica comprometida com o sujeito-linguagem, não negligencia o corpo, pois ele é a instância material onde a palavra (gaguejada/fluente) se inscreve, faz seu movimento, surpreende (porque se esperava gaguejar e não aconteceu), trai (porque se esperava falar fluentemente e a gagueira surgiu).
O que ela defende é que na abordagem do corpo-fala (voz, respiraão, musculatura, fonoarticulaão, tensão-soltura, som-silêncio, etc etc) busca-se a desalienaão da fala gaguejada, remetendo o dizer de uma forma que falha para formas de fala, produzindo sentidos (sempre singulares), dando sustentaão ao sofrimento (de quem gagueja e vive numa sociedade onde a ética e o respeito estão bastante fragilizados) e curando, no sentido de contrastar com o que se vivia antes, de libertar, de não mais se prender na/pela gagueira.
São efeitos que se produzem no corpo simbólico do sujeito-linguagem, para que a gagueira não mais se perpetue...... "e eu fiquei assim, calado, sem latim, coisas da vida" (Milton Nascimento).
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Quarta Pergunta:
Sandra, parabéns pelo seu trabalho. Gostaria de questioná-la em alguns aspectos do seu texto. - Como é que ficou comprovada a deficiência neurofisiológica de determinadas partes do nosso corpo? Como foram realizados os testes e a pesquisa com a população a ser estudada? Em quais situações de fala elas eram analisadas? - Seria possível a detecção desta deficiência em uma criança, mesmo antes desta apresentar qualquer sinal de gagueira? - Como seriam receitados medicamentos para combater a gagueira? Em quais situações a pessoa deveria fazer uso deles? Gera dependência? Agradeço a atenção.
Quarta Resposta:
A hipoativação dos núcleos da base foi demonstrada através de exames de neuroimagem funcional. Estudos compararam as ativações encefálicas de pessoas com e sem gagueira durante atividades indutoras de fluência (como cantar e ler em coro). A diferença de ativação estava justamente nos núcleos da base (principalmente no estriado), o qual, mesmo durante fluência induzida, permanecia pouco ativo.
Estudos farmacológicos também vêm sugerindo alterações nos núcleos da base, porque as drogas que melhoram ou pioram a gagueira tendem a ser drogas que modificam direta ou indiretamente a concentração de dopamina (o principal neurotransmissor nos núcleos da base).
A hipótese para o envolvimento dos núcleos da base na gagueira é relativamente recente, sendo que ainda não se discutiu a possibilidade de detectar a alteração em crianças que não desenvolveram gagueira. Mas penso que, neste sentido, talvez o marcador seja a própria dopamina.
Diversos medicamentos já foram testados para a gagueira, mas ou não surtiram efeitos positivos ou os efeitos colaterais impossibilitaram o uso a longo prazo. Neste momento, o medicamento em fase de testes é o pagoclone. Caso o pagoclone realmente se mostre uma droga eficaz e segura, os critérios para receitar o medicamento provavelmente virão dos estudos que ainda estão sendo executados. Em termos gerais, já se demonstrou que estimulantes de dopamina tendem a melhorar a fluência de pessoas com gagueira pura, enquanto que bloqueadores de dopamina tendem a melhorar a fluência de pessoas com gagueira e taquifemia. Ou seja, neste caso, o diagnóstico clínico seria um dos guias para a seleção da medicação; entretanto, sabe-se que os estimulantes geram dependência e os bloqueadores produzem efeitos colaterais indesejáveis.
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Quinta Pergunta:
Silvia, sua teoria aborda muito a questão de crenças, valores e auto-conceito. Diante desta situação, como você analisaria o uso da Programação Neurolinguística em terapias fonoaudiológicas?
Quinta Resposta:
Sobre como o uso de teorias da Programaão Neurolinguística em terapias fonoaudiológicas, de modo geral, penso que não se pode fazer os já bastante criticados empréstimos de teoria para aplicaões pouco fundamentadas. Do ponto de vista da minha proposta, que fundamenta de modo detalhado o funcionamento subjetivo e discursivo do modo gaguejado de falar, penso que a abordagem da Programação Neurolinguística faz bastante sentido e ela me serve de apoio para o manejo terapêutico no modo como ela está formulada por Bandler e Grinder por exemplo, no livro Sapos em Príncipes, da editora Summus.
19 outubro 2006
Programação DIAG em São Paulo
9:00 hs - Abertura
9:15 hs - Depoimentos vivenciais. Cada depoimento terá 20 minutos com mais 10 minutos para perguntas e comentários.
- Bianca Lisboa Jacom
- Elaine Gonçalvez
- Pablo Delmond Carballeira
- Sandra Mª Rodrigues Pereira de Oliveira
11:15 hs – Mini-Coffee
11:30 hs - Apresentações teóricas. Cada apresentação terá 20 minutos com mais 10 minutos para perguntas e comentários.
- Genética: Tiago Pereira
- Neurofisiologia: Sandra Merlo
- Psicanálise: Roberta Ecleide
- Psicologia Social: Polyana Oliveira
13:30 hs - Coffee-break
14:00 hs - Debate final
14:55 hs - Encerramento
Data: 21 de outubro (sábado). Local: CEFAC: Rua Caiowaá, 664, Perdizes - São Paulo - SP Inscrições: por telefone (11) 3675.1677 ou por e-mail (cefac@cefac.br)
Entrada franca. Vagas limitadas.
Comissão Organizadora Nacional: Ignês Maia Ribeiro, Eliana Maria Nigro Rocha, Sandra Merlo, Daniela Verônica Zackiewicz
Eu tentarei gravar o áudio de todas as palestras, para futuramente colocar aqui e dividir com vocês. Por enquanto, a informação que tenho é que não vai ser possível fazer qualquer gravação. Falarei lá, que diversos colegas do "...Fazer Algo Para Melhorar!" desejam ter conhecimento do que se passou por aqui (São Paulo). Para isso gostaria de ter comentários de vocês com esta solicitação.
Programação DIAG em Brasília
- 20 de outubro - a partir das 19h30min - no auditório da UNIPLAN (913 Sul - próximo a Cínica Escola de Fonoaudiologia - subsolo) - palestra sobre gagueira e depoimento de pessoas que gaguejam (experiência do enfrentamento do problema).
- 21 de outubro – 10h às 22h – no Pátio Brasil Shopping – campanha de sensibilização, fornecendo informações ao público em geral sobre gagueira, distribuindo panfletos informativos e sorteando brindes.
- 22 de outubro - 9h às 15h - no Parque da Cidade, numa ação conjunta com a ONG Instituto Meta Social no II Festival SER DIFERENTE É NORMAL, que ocorrerá simultaneamente. Campanha de sensibilização, fornecendo informações ao público em geral sobre gagueira, distribuindo panfletos informativos e sorteando brindes.
Eu consegui esta programação no Orkut da fonoaudióloga Ana Maria Oliveira, Coordenadora Regional da Campanha no Distrito Federal.
Sobre a Gagueira
Aqui em São Paulo, ganhei de presente, da amiga Eleide (Secretária da ABRA GAGUEIRA), o livro "Sobre a Gagueira" de Anelise Junqueira Bohnen (Fonoaudióloga que está no Fórum Online). É um livro de bolso muito interessante, bem baratinho, como diversas curiosidades e informação sobre a gagueira.Para início de conversa ela levanta o assunto: "gago ou pessoa que gagueja?" Ela toma partido pela expressão pessoa que gagueja (variações e suas respectivas siglas, como por exemplo, adulto que gagueja - AQG, criança que gagueja - CQG, entre outras)
Para Anelise, ao se rotular uma pessoa, "corremos o risco de ser injustos e reducionistas". Além disso, ao "chamar uma pessoa de gago(a) significa que só se vê nela a sua dificuldade de comunicação e ignoram-se todas as suas qualidades, capacidades e habilidades".
Por outro lado, continua a autora, "quando se usa a palavra pessoa na posição inicial da expressão, enfatiza-se que é a pessoa que vem em primeiro lugar." Ser uma pessoa que gagueja permite ao indivíduo "fazer muitas coisas, além de, em alguns casos, gaguejar."
Indico o livro para todos os leitores deste blog. Não esperem a salvação para todos os males. O livro e qualquer outro estão longe disso. É apenas mais uma ferramenta para esclarecimentos e orientações tanto para a população em geral, como para as pessoas que gaguejam.
À medida que eu for lendo e considerando algo interessante para ser postado, colocarei aqui. Mas eu preciso saber se é isso mesmo que vocês querem. Comentem abaixo.
Compre-o para podermos debatê-lo com mais propriedade. De ante-mão, boa leitura!
17 outubro 2006
Maceió Está Trabalhando
"Em Maceió, a campanha está sendo coordenada pelas professoras Sabrina Pimentel e Michelle Rocha da Faculdade de Fonoaudiologia da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal).
"Durante a campanha, estaremos visitando as escolas públicas onde promoveremos ações informativas para educadores e estudantes quanto a aceitação da criança que tem gagueira", disse Sabrina.
Segundo a fonoaudióloga, além das escolas, serão visitados professores e alunos de psicologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) para a formação de parcerias. "Queremos divulgar que a gagueira tem cura e que o preconceito só aumenta o sofrimento de quem é portador da deficiência", completou.
...
Não existe medicamento para tratar a gagueira, mas existem tratamentos que podem ser aliados a terapia psicológica. "Cada profissional adota uma linha de tratamento que pode ser pela questão motora da fala ou discursiva. A evolução do tratamento depende das questões emocionais que envolvem a pessoa que tem gagueira" explicou Sabrina, ao dizer que o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza o tratamento para a população."
Leia a matéria completa em: Tribuna de Alagoas.
16 outubro 2006
Fórum Online Aberto. Participem!
Esta oportunidade é única. Só ocorre de ano em ano. É o metro quadrado mais repleto de fonoaudiólogas competente em gagueira, na internet brasileira.
Aproveite.
Se você não participar, só você ficará de fora.
13 outubro 2006
Cidades Participantes do DIAG
No saite da ABRA GAGUEIRA há uma relação de outras cidades, onde ocorrerão uma série de eventos e manifestações. Esta é a hora, para quem exige da população uma maior consciência sobre a gagueira, de se mobilizar e fazer acontecer. Como dizia Geraldo Vandré, "quem sabe faz a hora, não espera acontecer". O momento é este, a hora é agora. Não vacile! Veja quem está organizando a campanha na sua cidade e junte-se a eles! Confira aqui.
Para quem é de Cuiabá, veja o que ocorrerá em sua cidade.
Viagem a São Paulo
Desejo a todos que se envolvam de alguma forma na campanha, pois só assim a população em geral ficará um pouco mais consciente sobre os problemas e causas da gagueira. É isso que todos nós queremos. Chegou a oportunidade!
Abraços e até breve!
Diálogos com Internautas
Reflitam sobre um trecho que escolhi:
"...teu problema não é, exatamente, gaguejar e sim a imagem de falante que se organizou em tua mente e influencia teu modo de falar. Assim, gaguejar é a consequência da certeza (por antecedência) que vc tem de que irá gaguejar e da subsequente tentativa de controlar o falar para, justamente, não gaguejar, já que isso te parece bem feio (estigma)." Sílvia Friedman
10 outubro 2006
Fórum Online
"Em breve no site da ABRA GAGUEIRA terá início o 2º Fórum Online, este ano com o tema "Causas da Gagueira". Não deixem de participar e enviar perguntas para diversos especialistas no assunto.
Encontro vocês lá!
Um grande abraço
Daniela Verônica Zackiewicz"
PARTICIPEM!!!
Revista da Fonoaudiologia
Para baixar e ler a matéria completa acesse: Instituto Brasileiro de Fluência
Fonoaudiologia da São Lucas alerta sobre gagueira
"A percepção pela criança da dificuldade para articular as palavras gera sinais de ansiedade (tiques), como fazer caretas ou bater o pé. "Nestes casos, onde a criança tem consciência do problema e percebe que sua fala está sendo julgada como fora do padrão normal, ela pode ter sua auto-estima prejudicada", acentua Elisangela Hermes, orientando aos pais para que não interferiram ou chamem a atenção para o fato. "A contribuição dos pais está em proporcionar uma linguagem simples e com fluxo calmo, assim como ter paciência e tempo disponíveis para permitir à criança organizar a coordenação de seus pensamentos com a fala", esclarece."
Fonte: Rondonotícias
09 outubro 2006
A Faca e o Queijo
Aproveito esta oportunidade para tentar responder a um comentário deixado na postagem anterior, por um "anônimo". Quem desejar ler o comentário dele, basta clicar em "comentários" da postagem "Vídeos Disfluentes".

Amigo, Entendo sua angústia e preocupação em relação ao seu futuro. Também passei por isso. Se eu passei por isso, significa que "Gagueira Tem Tratamento".
Esta afirmação é muito importante, pois é muito comum lermos afirmações e até mesmo termos o pensamento que "fonoaudiólogo só quer ganhar dinheiro" ou que "fonoaudiólogo não sabe tratar gagueira", entre outras semelhantes. Em relação à sentença em destaque acima, eu a reformularia para: Gagueira Tem Tratamento Fonoaudiológico Adequado. Desta forma, estamos definindo que não são todos os tratamentos fonoaudiológicos que resultam em melhoras para o indivíduo que gagueja e, portanto, não são todos os profissionais da fonoaudiologia que estão capacitados adequadamente para o trato desta nossa patologia.
Na faculdade, este e outros distúrbios de linguagem são vistos muitas vezes de maneira rápida. Se o futuro profissional desejar adquirir maiores conhecimentos, é importante a realização de uma pós-graduação, na qual terá melhores possibilidades de estudar e desenvolver novos métodos ou aprimorar os já existentes.
Diante deste quadro, deve surgir a seguinte pergunta: como saber se o fonoaudiólogo que vou procurar é capacitado ou não para me tratar? Para responder a esta pergunta, é preciso fazer uma série de outras perguntas diretamente para o eventual profissional.
Perguntas do tipo:
- Qual sua linha de tratamento?;
- Qual sua experiência com pacientes com gagueira?;
- Quais os resultados obtidos com estes pacientes?;
- O que posso esperar de um provável tratamento?;
- Tem pós-graduação? Em que? Estudou gagueira?;
- Possui trabalhos apresentados em congressos? (esta pergunta se respondida negativamente, não siginifca que ele não sabe tratar pacientes com gagueira. É só um diferencial);
- Qual é o "Dia Internacional de Atenção à Gagueira"?;
- Entre outras que você mesmo poderá elaborar ao pesquisar na internet sobre gagueira. Na coluna vínculos, aqui do lado direito, você terá boas opções para conhecer mais sobre o seu distúrbio.
Estes questionamentos são vitais para evitarmos fonoaudiólogos não preparados, os quais nos tratam com língua de sogra, rolha de vinho, balão de encher, mudança de tom de voz, etc. Além do mais, o profissional perceberá que você sabe o que está procurando e você também perceberá o grau de capacitação dele nesta área. A contratação de um fonoaudiólogo é um ato extremamente importante, mais até do que a de um médico "qualquer". O médico, geralmente, você o verá uma vez ou duas (no retorno), no máximo. Já o fonoaudiólogo, para tratar gagueira, será visitado pelo menos uma vez por semana, durante, possivelmente, por no mínimo um ano.
Anônimo, desculpe-me chamá-lo assim, mas não sei o seu nome, em seu comentário você se queixa de maiores dificuldades para falar com pessoas conhecidas (quando elas são estranhas você não gagueja) e ao telefone. Creio que no seu íntimo ocorra uma guerra entre dois personagens: um bom falante e outro mal falante. Quando a pessoa não lhe conhece intimamente, não sabe que você gagueja, você libera o "bom falante" dentro de você. Aos poucos, você "permite" que o mal falante tome conta. Seus pensamentos, limitações e crenças (não falar bem ao telefone, por exemplo) lhe empurram cada vez mais para baixo.
Essas crenças que desenvolvemos geram mais gagueira. Já ouviu falar que somos aquilo que pensamos? Que a palavra tem poder? Pois é! Como nos libertaremos para falar ao telefone se toda vez que ele toca nossos pensamentos nos torturam? Como falaremos com conhecidos com desenvoltura, se temos a certeza de que a partir do momento que a barreira estranho/conhecido é quebrada "aí começo a gaguejar"?
Perceba o quanto você interfere em sua fala. O que deveria ser um ato espontâneo, está recheado de interferências indevidas. O "pense antes de falar" e "respire antes de falar" são exemplos disso. Em minha bem sucedida terapia, percebi que ninguém, dos ditos fluentes, possuía as mesmas preocupações que eu. Ninguém pensava antes de falar ou respirava antes de falar sem que lhe fosse espontâneo. A partir disso, elaborei a seguinte teoria: se eu quero falar como eles, tenho que agir/pensar como eles.
A mudança de tom de voz, realmente nos proporciona maior fluência. Existem pseudos-tratamentos que incentivam isso. Porém, não nos garantem melhoras a longo prazo, por isso devem ser evitados. A mudança de tom de voz é um truque que temos para falar bem. É a quebra do espontâneo. Sem falar que a artificialidade gerada por uma mudança de tom é muito grande. Há tempos tentei fazer isso e parecia não ser eu falando.
Você também se refere a medicamentos. Não incentivo este tipo de atitude. Principalmente, sem receita médica. Tomá-los em uma situação estressante, como ter que falar em público, dar uma palestra, é aceitável. Alguns palestrantes não acostumados com a situação fazem uso de calmantes, tranquilizantes... Para nós, não faz sentido algum nos medicarmos para irmos a uma padaria comprar pão, por exemplo.
Você afirma que tem esperança de falar fluentemente. Eu acredito que somos capazes. Entretanto, cuidado com este desejo! Falar fluentemente significa não ter bloqueios, prolongamentos, hesitações, repetições... Isso, nem o melhor dos oradores consegue. A fala é um ato motor extremamente delicado. Ao caminhar torpeçamos, ao falar também estamos sujeito a alguns tropeções. O que não significa ficarmos depressivos, tristes, desenganados quando eles acontecem. No um ano e um mês de terapia, eu tinha algumas recaídas, o que é normal do processo evolutivo. Logo no início, as minha recaídas eram na fluência e no meu psicológico. Com o passar dos meses, passei a sentir somente recaídas na fluência. O abalo emocional já estava pequenininho. O que gera cada vez mais fluência.
"Será que a gagueira vai ser o maior obstáculo, a qual impedirá a minha realização profissional e a dos meus sonhos?" A reposta para esta pergunta, amigo, está dentro de você. Faça de tudo para quando, futuramente, você olhar para trás, ver que fez o que tinha de ser feito. Nossa vida não é fácil, mas, depois que você transcende a gagueira, com muita luta, muita disposição, pode sorrir e afirmar categoricamente: valeu a pena!
Amigo, espero ter lhe dado a faca e o queijo, conforme você solicitou. Agora só falta cortá-lo. De contra-partida gostaria que você, futuramente, me procurasse, estarei na internet ou em algum outro local que discuta gagueira, e me dissesse como foi que você cortou o queijo.