18 Novembro 2006

O Que é o Bem Falar?

Rementendo-nos à postagem anterior, gostaria de tocar no assunto "Bem Falar". Bem Falar é diferente de Falar Bem. O Bem Falar seria colocar prazer no ato de falar, procurar sentir despretensiosamente a articulação, os movimentos, os sons... Seria perceber que as palavras podem fluir sem haver a presença da tensão, do nervosismo, da ansiedade, do medo... Por enquanto que "Falar Bem" está mais voltado para pronunciar as palavras corretamente, sem erros de português, com discurso coerente e coesivo, entonação adequada e, por final, conseguir transmitir a mensagem para o público-alvo.

As pessoas que gaguejam podem desenvolver estas duas habilidades. Porém, para se alcançar a segunda, tem-se primeiro que passar pela primeira. Condições nós temos! Só falta-nos a orientação adequada. Esta postagem está longe disso. Trata-se de somente algumas reflexões pessoais, baseadas na terapia fonoaudiológica que frequentei durante um ano e um mês.


É bastante comum ouvirmos/vermos que a pessoa que gagueja quando fala diante do espelho e sozinha, fala perfeitamente. Também temos conhecimento que diante de crianças e animais a gagueira também tende ao desaparecimento. Nestas situações estamos sentido o "Bem Falar". Não estamos preocupados com outra coisa se não com a mensagem. A forma fica de lado. O conteúdo nessas horas é mais importante. Ocorre uma interrupção da imagem que temos de mal falantes. Não há dúvidas. Só certezas!


Vamos fazer uma brincadeira? Depois eu explico a razão dela. Você vai ter que pensar em tudo que eu descrever abaixo. Vamos a ela: pense em um fusca amarelo, cor de ouro, bem novinho e brilhando. Escostado no fusca está um vendedor de picolés, com os bolsos volumosos, possivelmente cheios de dinheiro. Ele está de boné vermelho, camisa amarela e calção preto. Pronto! Final da brincadeira. Tenho a certeza de que você visualizou perfeitamente tudo que foi aqui descrito. Criou tudo na mais profunda realidade, como se estivesse vendo o fusca, o vendedor de picolés e sua vestimenta. Esta brincadeira serve para demonstrar que não há diferença entre o que é visualizado e o que é real. Nosso cérebro forma as duas imagens do mesmo jeito.

Então, quando perdemos a imagem de mal falante estamos liberando-nos para e sentido o "Bem Falar". A imagem que fazemos de nós, duvindando da nossa condição de bom falante, é real para o nosso cérebro. Ele passa a acreditar nisso cegamente. Quem já não se pegou falando "fluentemente" e quando percebeu este "algo de errado" e começou a gaguejar? Estranhamos até mesmo o nosso principal sonho, que é "falar fluente" (não há ninguém fluente o tempo todo). Devemos trabalhar para, como disse Sílvia Friedman (veja a postagem anterior) "estranhar esse estranhamento de si mesmo fluente e fortalecer a fé na imagem de si fluente".

A dúvida de nós como falantes ocorre em decorrência da perda da espontaneidade de nossas falas. O ato de falar é espontâneo por natureza. A fala é automática. Não é necessário haver planejamentos, preocupações, crenças negativas, enfim, quaisquer espécie de controle. A fala não funciona dessa forma. O que ocorre é que a imagem que possuímos de nós mesmos, termina por influenciar na maneira como falamos, na antecipação da gagueira, na previsão de não conseguir pronunciar determinada palavra...

Portanto, trabalhar o "bem falar" é essencial. Falar com crianças, animais, consigo... Perceber o quanto a fala pode ser prazerosa. Deixar que ela saia se amarras, muito possivelmente lhe levará a uma outra condição. Sem enganação, claro que este processo não é fácil, nem rápido. Persistência e mudança andam juntas.

Para maiores esclarecimentos, é necessário um acompanhamento fonoaudiológico especializado em gagueira.

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09 Novembro 2006

Exercícios Para Sentir o Bem Falar

No saite da Fonoaudióloga Sílvia Friedman, encontrei o exercício abaixo. Quem desejar conhecer melhor o contexto em que ele foi proposto, poderá fazê-lo na seção "Internautas . Dialogos", na conversa do dia 26 de julho de 2006.

O exercício é mais destinado para aquelas pessoas que se estranham quando estão falando fluente, pois acreditam que a gagueira se manifestará. As orientações têm como objetivo proporcionar ao falante a percepção do automatismo da fala. Como mesmo afirmou a referida fonoaudióloga, “os exercícios são para sentir o bem falar e não para falar bem”.

Vamos a eles:

“Os exercícios que valem a pena de ser feitos são:
1- perceber a presença da imagem de mal falante, ou seja, a sensação de que vai haver gagueira na fala que ainda não aconteceu e a relação dela com a produção efetiva da gagueira (exercício mental);
2- estranhar o estranhamento de si mesmo fluente (exercício mental);
3- fortalecer a fé na imagem de si fluente, apoiado na compreensão de que a fala é automática e deixando-a acontecer. Para esse último item é importante começar a sentir a fala, enquanto você fala. Sentir, assim como você pode sentir neste momento tuas pernas, teus pés, o contato da roupa com o corpo...
Falar lentamente, como uma brincadeira voluntária, pode ser um meio para desenvolver a capacidade para sentir a fala como processo automático, ou seja, como movimentos que vão se sucedendo uns aos outros sem que saibamos como.
Outra estratégia pode ser dublar a fala de alguém. Isso pode ser feito em frente ao televisor. Simplesmente escute atentamente o que o falante diz e trate de fazer os movimentos para falar, ao mesmo tempo que ele(a), só que sem voz. Imediatamente você começará a perceber o automático da fala.” Sílvia Friedman.

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