15 julho 2005

Direitos e Responsabilidades das Pessoas que Gaguejam


O artigo abaixo foi traduzido pelas Fgas. Claudia Regina Furquim de Andrade e Fernanda Chiaron Sassi, publicado na Pró-Fono Revista de Atualização Científica, 13(1), 2001.


  • o direito de gaguejar ou ser fluente na medida da possibilidade ou escolha do indivíduo;
  • o direito de ser tratado com dignidade e respeito por outros indivíduos, grupos, instituições e pela mídia, independentemente do grau de severidade da gagueira;
  • o direito de estar protegido pelas leis e regulamentos da sociedade independentemente do grau de severidade da gagueira;
  • o direito de ser informado sobre programas terapêuticos, incluindo informações sobre estimativas de sucesso, de falha ou de recidiva;
  • o direito de protesto para que os termos das leis lhe garantam um tratamento de dignidade e respeito;
  • o direito de receber terapia adequada, respeitando as necessidades e características individuais, fornecida por profissionais especialmente treinados para o tratamento da gagueira e problemas associados;
  • o direito de escolher e participar da terapia - a escolha de não participar ou a escolha de trocar de metodologia ou de terapeuta sem sofrer qualquer prejuízo ou penalidade;
  • a responsabilidade de compreender que os ouvintes ou parceiros de conversa podem não estar informados sobre a gagueira e suas ramificações, ou que eles podem ter uma visão diferente sobre a gagueira do que a maioria das pessoas que gaguejam;
  • a responsabilidade de diferenciar as reações dos ouvintes ou parceiros de conversa que resultam da falta de percepção ou falta de conhecimento adequado sobre a gagueira (exemplo: reação de surpresa ou comentários que visam ajudar a pessoa que gagueja, sendo estes apropriados ou não) daquelas reações que resultam da falta de respeito e justiça (exemplo: ridicularização, gozação ou discriminação);
  • a responsabilidade de ingressar numa parceria com um provedor de serviço clínico qualificado com quem o indivíduo tenha um contrato, escrito ou não, e assumido de livre e espontânea vontade, para um relacionamento clínico colaborativo;
  • a responsabilidade de fazer o que for possível para superar as dificuldades da vida que surgiram em decorrência da gagueira, incluindo o desenvolvimento de uma percepção realista dos pontos fortes e fracos individuais, e o desenvolvimento de um senso de humor saudável a respeito de si mesmo;
  • a responsabilidade de auxiliar sempre que possível na educação do público sobre a gagueira e alterações associadas;
  • a responsabilidade de levar em consideração e tratar os indivíduos que tenham diferenças, problemas, inabilidades ou impedimentos com justiça, com dignidade e respeito, independente da natureza de suas condições.

Fonte: http://www.disfluencia.cjb.net/

(O sítio da minha fonoaudióloga, Dra. Priscilla Silveira)

09 julho 2005

Charles Van Riper

A pessoa que recebe o título da primeira postagem deste blog foi um grande estudioso a cerca do tema gagueira. Nascido em 01º de dezembro de 1905, em Michigan (EUA), Charles sofreu por sua gagueira severa desde pequeno. Na época de estudante, sua tartamudez se agravou bastante, levando-o a tentar diversas vezes o suicídio. Mas foi graças a sua coragem e alegria que ele combateu de frente seu principal adversário. Graduou-se em psicologia. Escreveu muitos artigos e deu palestras por todo o mundo. Ninguém havia, até então tido a preocupação de estudar e aprender sobre a gagueira. Em 1936 fundou uma das primeiras clínicas da fala nos Estados Unidos, a qual dirigiu até um enfarte em 1967, que o obrigou a deixar a função. O Dr. Van morreu em 25 de setembro de 1994, aos 88 anos em sua casa. Em suas batalhas contra a gagueira, descobriu que deixando de lutar contra ela, gaguejava mais fácil e fluidamente. Também descobriu que ela piorava em virtude do poder que ele dava aos seus ouvintes.

A frase que dá título a este espaço é dele. Ele descobriu que na condição de gago tinha que "aceitar a gagueira, e aceitar a responsabilidade de fazer algo para melhorar". Seguindo seu conselho, crio este blog.

Sejam todos bem-vindos!

Para saber mais sobre Van Riper, acesse o Grupo de Autoajuda de Gagos das Astúrias.