08 agosto 2005

Penso que vou gaguejar e gaguejo

O texto abaixo é de autoria da Fonoaudióloga Mariângela Zulian, participante do "Grupo Gagueira", pela qual passei a ter apreço devido às suas colocações nas discussões do grupo.
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A gagueira é um comportamento que a pessoa desenvolve durante o período de aquisição da linguagem, mais especificamente a linguagem verbal, o que ocorre numa fase muito importante da apropriação da realidade, da tomada de consciência do seu mundo e de si mesma. Ao mesmo tempo em que está desenvolvendo a linguagem e outras capacidades a criança está se apropriando da ideologia e dos valores do seu grupo, vivendo em uma relação carregada de emoção.
Um indivíduo se torna um gago pelas relações de comunicação que tem com os seus outros significativos que vivem e impõem a ele a ideologia do bem falar, colocando-o numa situação paradoxal, pois lhe solicitam que fale direito e para isso ele se esforça, o que torna a sua fala tensa e difícil.
A fala sendo um automatismo contém elementos que estão alienados da consciência, ou seja, quando falamos, pensamos em “o que falar” e não nos movimentos articulatórios ou no “como falar”. Estes estão alienados da nossa consciência.
Gaguejar é normal ao ser humano, mas em determinadas pessoas se torna patológico devido ao valor que se dá à fala totalmente fluente, dentro da visão de mundo dos seus grupos e que elas assumem como sendo a sua própria.
Quando está aprendendo a falar, a criança vive a possibilidade de erros, hesitações e repetições que são componentes da própria fala em função da aptidão de cada um e das situações de emoção que envolvem o ato de falar.
Se isso não é compreendido e aceito pelas pessoas responsáveis por ela, ela é solicitada a falar direito. Não tendo condições de operacionalizar essa mensagem, pela falta de consciência dos movimentos articulatórios, desenvolve um padrão de fala inadequado.
Encontra-se diante de duas alternativas: “parar de falar” ou “se esforçar para falar bem“. A primeira é inviável, portanto parte para a segunda. Neste processo vai tomando consciência de si como mau falante, acreditando na sua incapacidade articulatória, idéia que se reforça sempre, pois, quanto mais se esforça, mais conselhos ouve sobre o seu modo de falar : “calma“ , “fale devagar”.
Com a freqüência destas situações vive momentos de frustração e ansiedade para conseguir ter o desempenho que lhe é cobrado. Com isso, desenvolve a fala num padrão de tensão, que se incorpora e começa a acontecer antes mesmo de começar a falar.
Falar se torna uma situação difícil, para a qual a pessoa tem que se preparar. Antecipando a sua falha, o que significa duvidar do seu potencial para falar, aumenta o seu esforço para vencer a sua dificuldade.
Portanto, o gago tenta solucionar o seu problema partindo de uma premissa falsa, que é a sua irreal incapacidade de falar bem. Esse plano de fundo na sua mente interrompe a sua fala espontânea.
Pensa constantemente que vai gaguejar e, portanto, gagueja, porque coloca o elemento tensão em movimentos que são naturalmente soltos.
Sua mente trabalha para não gaguejar e a emoção negativa o leva de encontro ao se esforçar para falar bem, e, então, gaguejar.
Dessa forma, o gago só se verá livre disso quando mudar o seu pensamento; quando sensibilizar-se para mudar a sua falsa premissa, vivenciando a sua possibilidade de soltura.
Mudando o seu ponto de vista a respeito de sua fala, não se envolverá mais com valores antigos e se desvinculará da força.
Quando se perceber como um falante normal, que tem lutado contra uma idéia falsa, pois é capaz de falar bem, então, estará experimentando a sua verdadeira possibilidade de estar no mundo como falante.
Saindo do paradoxo de tentar falar bem fazendo esforço, o gago percebe como ele próprio produz o seu comportamento e começa a viver com uma nova perspectiva que é a de poder falar isento de emoções negativas e viver a sua fala espontânea que também comporta a gagueira, mas sem tensões.




Mariângela Zulian
Fonoaudióloga Clínica
(este texto foi elaborado em grupo de estudos com a Dra. Silvia Friedman, sob sua orientação - 1989)
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Na próxima postagem farei alguns comentários sobre este texto.

03 agosto 2005

Aceitação

A aceitação do indivíduo como gago é o primeiro passo para ter a consciência de que precisa fazer algo para melhorar. É relativo o número de gagos(as) que não se caracterizam desta forma. Tomando-me como exemplo, antes de fazer parte do Grupo Gagueira, como eu costumo afirmar, eu era tudo, menos gago! Eu era "disfluente", "tinha dificuldade em falar", qualquer outra coisa, mas gago não! Percebo que outros colegas recém chegados aos grupos que faço parte também apresentam este comportamento. No momento que encontrei o grupo Gagueira comecei a me dessensibilizar neste aspecto. O próprio nome da lista já ajuda. Acessá-la todos os dias, ver pessoas debatendo o assunto, ler as palavras gago, gagueira diariamente, ajudam na quebra da não aceitação.

Gustavo Boog, neste endereço, fala muito bem sobre aceitação. Ele afirma que
"aceitar é confundido com passividade, com paralisia, com falta de interesse ou com falta de ação; o conceito na realidade é exatamente o inverso, pois quando eu aceito as coisas como elas são, eu resgato minha força e poder de transformar. Aceitar significa ficar aberto às mudanças, a rever referenciais e formas de perceber e agir. Quando isto ocorre saímos do papel de vítimas das circunstâncias, para podermos realizar com disposição as mudanças que precisam ocorrer. Quando não aceito integralmente, com a mente e o coração, estou tentando, muitas vezes em desespero, restaurar o padrão ou situação anteriores, que talvez eram cômodos e confortáveis. O encarar e aceitar a dificuldade que estamos vivenciando é o primeiro e decisivo passo para tomar as decisões certas para as mudanças. Num tempo como o nosso, de rápidas e profundas mudanças, deixar de aceitar a realidade é abdicar do direito de fazer escolhas conscientes. Aceitar uma realidade é como ingressar num rito de passagem: deixar o velho e ingressar no novo. A aceitação é um aviso que nos diz que agora é preciso mostrar fibra e coragem. É um presente que nos convida a agir. Cynthia Kemp Scherer tem afirmado tantas vezes “everything is perfect” (tudo está perfeito). Eu levei muito tempo para entender que a perfeição não significa “obra acabada”, significa que a pessoa está passando pela experiência que tem que passar e que o Universo a presenteia com a oportunidade de decidir o que tem que ser decidido e agir, realizando as ações que necessitam ser tomadas. Tudo está perfeito significa você aceitar totalmente a experiência que está passando e agir em cima disto, mobilizando as ações que precisam ser tomadas."

Na gagueira, aceitar-se não significa sair falando para todo mundo o que você é ou deixa de ser. A aceitação é compreender que os interlocutores de conversas podem não estar informados sobre gagueira, com isso podem reagir de formas diversas. Porém, elas não podem ter reações que impliquem em falta de respeito, ridicularização, gozação ou discriminação (vide a segunda postagem, sobre Direitos e Responsabilidades das Pessoas que Gaguejam). Se a ridicularização ocorrer, cabe ao ridicularizado exigir o respeito necessário e impor-se. O indivíduo gago que não se aceita como tal, diante de uma situação de desrespeito encontra como saída a depressão, o choro, a tristeza, ou qualquer outra emoção negativa. Portanto, não podemos baixar nossas cabeças para as reações das pessoas. Bem como também, se observarmos, na maioria das vezes, as pessoas ficam simplesmente surpresas diante de um falante "diferente", não sabem como se comportar e, assim, tentam "ajudar". Está dessensibilizado é importante para não termos recaídas, principalmente recaídas emocionais.

Após ler a passagem do texto de Boog, onde ele afirma que a aceitação "é um presente que nos convida a agir", recordo-me de um momento do meu tratamento: após mais ou menos seis meses de terapia, a minha fonoaudióloga percebendo meu nível de fluência e percepção diante da gagueira, solicitou-me a trocar algumas experiências com outros pacientes ainda sensíveis e cheios de crenças. Na preparação do que eu poderia transmitir no encontro, veio-me um pensamento, que infelizmente acabei me esquecendo de proferí-lo, mas que agora tenho a oportunidade de fazê-lo para mais "ouvintes-leitores". É o seguinte: "a gagueira é uma dádiva divina. Só descobre isso quem é capaz de superá-la. Quando começamos a falar bem, olhando para trás percebemos quantos obstáculos foram transpostos e o quanto é prazeroso poder falar bem."

Sejamos como o pote rachado depois que descobriu ser o responsável pelo caminho de flores do caminho.

02 agosto 2005

O Pote Rachado - Defeito ou Qualidade?

Um carregador de água na Índia levava dois potes grandes, ambos pendurados em cada ponta de uma vara a qual ele carregava atravessada em seu pescoço. Um dos potes tinha uma rachadura, enquanto o outro era perfeito e sempre chegava cheio de água no fim da longa jornada entre o poço e a casa do chefe. O pote rachado chegava apenas pela metade.

Foi assim por dois anos, diariamente, o carregador entregando um pote e meio de água na casa de seu chefe. Claro, o pote perfeito estava orgulhoso de suas realizações. Porém, o pote rachado estava envergonhado de sua imperfeição, e sentindo-se miserável por ser capaz de realizar apenas a metade do que havia sido designado a fazer.

Após perceber que por dois anos havia sido uma falha amarga, o pote falou para o homem um dia, à beira do poço:
- Estou envergonhado, quero pedir-lhe desculpas.
- Por quê?, perguntou o homem. - De que você está envergonhado?
- Nesses dois anos eu fui capaz de entregar apenas metade da minha carga, porque essa rachadura no meu lado faz com que a água vaze por todo o caminho da casa de seu senhor. Por causa do meu defeito, você tem que fazer todo esse trabalho, e não ganha o salário completo dos seus esforços, disse o pote.

O homem ficou triste pela situação do velho pote, e com compaixão falou:
- Quando retornarmos para a casa do meu senhor, quero que percebas as flores ao longo do caminho.

De fato, à medida que eles subiam a montanha, o velho pote rachado notou flores selvagens ao lado do caminho, e isto lhe deu ânimo. Mas ao fim da estrada, o pote ainda se sentia mal porque tinha vazado a metade, e de novo pediu desculpas ao homem por sua falha. Disse o homem ao pote:

- Você notou que pelo caminho só havia flores no seu lado do caminho??? Notou ainda que a cada dia, enquanto voltávamos do poço, você as regava??? Por dois anos eu pude colher flores para ornamentar a mesa do meu senhor. Sem você ser do jeito que você é, ele não poderia ter essa beleza para dar graça à sua casa.


Autor desconhecido

29 julho 2005

A Gagueira e a Técnica de Alexander II



A analogia que fiz entre a Técnica de Alexander e a Gagueira é muito em decorrência do que percebi da terapia, que segue a linha desenvolvida por Silvia Friedman, que venho frequentando a mais ou menos oito meses. Aparentemente não existe relação alguma entre essas duas coisas. Porém, na essência, possuem suas convergências. Assim como a técnica de Alexander surgiu da observação de um comportamento errado e da busca para corrigi-los, acredito que Friedman realizou pesquisas comportamentais com pessoas gagas e percebeu diversos hábitos e costumes, da mesma forma equivocados, que só levam as pessoas a gaguejarem mais e mais. Só para melhor ilustrar: no livro "O aprendizado do Corpo", tem uma passagem que afirma que os pacientes de Alexander ficavam surpresos ao entrar no consultório e não ser pedido a eles que tirassem a roupa para verificar um problema na coluna. Da mesma forma eu fiquei surpreso, na clínica da minha fonoaudióloga, a não ser induzido a assoprar língua da sogra, aparelhos de respiração, realizar técnicas de relaxamento..."métodos" que exercitei com três fonos anteriores e que não preciso afirmar que em muito pouco melhoraram a minha fluência.

A linha de Silvia Friedman leva o paciente a ser agente de suas ações; a conhecer o ciclo vicioso da gagueira (pensa que vai gaguejar --> gera tensão --> cria truques para falar bem --> gera emoções negativas --> gagueja); a verificar seus comportamentos típicos de gago e buscar eliminá-los; a se ver como bom falante; a valorizar os momentos de fluência que todos temos; a levar a confiança para ocasiões que julgamos críticas; a se aceitar melhor diante da gagueira, entre outros valores.

Como é que podemos nos curar da gagueira, se não mudamos os nossos hábitos de gagos? Como pode uma pessoa invejosa deixar de ser, se mantém os mesmos pensamentos, as mesmas reações diante das outras pessoas? Dessa forma é impossível! Sei que é difícil. Não é de uma hora para outra, muitas pessoas gaguejam e pensam como gago a décadas, o cérebro tomou isso como padrão. Mas a recompensa é proporcional ao esforço. Para alterar isso, existe uma frase que ilustra muito bem: "primeiro você faz o hábito, depois o hábito te faz".

22 julho 2005

A Gagueira e a Técnica de Alexander


Há pouco tempo, comprei o livro "O Aprendizado do Corpo - Introdução à Técnica de Alexander", de Michael Gelb. A compra foi motivada por um comentário que surgiu no Grupo Gagueira. Não me recordo ao certo o que foi dito sobre o livro, talvez algo relacionado a uma mudança de postura, de hábitos para alcançar determinado objetivo. Talvez o comentário tenha sido neste sentido, porque foi isso o que eu pude sentir do livro.

Frederik Matthias Alexander, australiano, nascido em 1869, amante de cavalos e teatro, aos vinte e poucos anos decidiu dedicar-se à carreira de ator e declamador, ocupações nas quais logo ganhou excelente reputação. Era especializado em apresentar, sozinho, quadros dramáticos e humorísticos, sempre com grande ligação com Shakespeare. Porém, ele apresentava uma tendência persistente à rouquidão e problemas respiratórios, prejudicando a qualidade de sua voz durante os recitais. Após procurar ajuda de médicos e professores de impostação de voz, ele começou a se observar e questionar seus comportamentos. Percebeu que o problema aparecia somente quando declamava. Nos momentos de fala do dia-a-dia nada acontecia. Colocou-se frente a um espelho e quando começou a declamar percebeu três coisas: enrijecia o pescoço, fazendo com que a cabeça se retraísse; forçava excessivamente a laringe para baixo; e aspirava o ar de uma forma ofegante. Concluindo que tais comportamentos eram os responsáveis pelo seu problema, decidiu tentar evitá-los. Com isso, a qualidade de sua voz havia melhorado. Desenvolvendo, com o passar do tempo, a Técnica de Alexander.

Se você for pesquisar sobre esta técnica, perceberá que ela está muito voltada para pessoas com problemas nas costas, rigidez no pescoço, asma, dores de cabeça, na intenção se ter uma reeducação corporal, de postura. Então talvez você esteja se perguntando: “por que Wladimir trouxe este assunto pra este blog que fala sobre gagueira?” Respondo da seguinte maneira: o livro leva as pessoas a se observarem (no meu caso, adaptei à minha gagueira), verificando os hábitos e costumes que desenvolvem de maneira quase que automática. Comportamentos estes que muitas vezes são as causas do problema. Percebi que o problema deve ser combatido no meio e não no fim. Modificando-se o que gera, combate-se a conseqüência. Para vencer a gagueira, é necessário romper com antigos hábitos. Com este pensamento destaquei algumas partes do livro:

“A função principal do intelecto é controlar a eficácia do hábito e determinar onde devem se feitas as mudanças.”
“O intelecto pode tornar-se um auxiliar competente, ao invés de patrão incompetente.”
“O corpo é nosso instrumento para a realização de nosso objetivo no mundo. Esse instrumento pode ser grosseiro e pesado ou harmonioso e receptivo – cabe a nós escolher.”
“Alexander percebeu que seu problema vocal não era simples resultado inadequado de seu mecanismo vocal, mas era causado por uma resposta de seu corpo como um todo.”
“As informações de que ‘tudo está bem’ são recebidas pelo cérebro quando, na verdade, tudo vai mal.”
“É uma questão de recusar-se conscientemente a reagir de uma forma estereotipada, para que a verdadeira espontaneidade possa então manifestar-se. Como pode acontecer o certo se estamos fazendo sempre o errado? Obviamente, é preciso, antes de mais nada, parar de fazer o errado. Isso é muito fácil de compreender, mas muito difícil de ser colocado em prática.”
“Sei que, quando estou estressado, começo a apresentar alguns padrões habituais de reação. (...) Algumas horas antes, percebi que o padrão estava começando a tomar conta de mim. (...) Desta vez percebi-o antes que a adrenalina começasse a fazer-me latejar, e fui capaz de dizer ‘não’.”
“A prática contínua levou-o, finalmente, ao ponto em que sua instrução consciente e racional passou a dominar sua instrução irracional e instintiva.”
“Precisamos até mesmo parar de pensar em ficar eretos. Pensar nisso é fatal, pois ao fazê-lo associamo-nos à idéia de prática de um hábito de postura errada já estabelecido. (...) Precisamos começar a fazer outra coisa que, por um lado, nos iniba de ficar na postura incorreta habitual e que, por outro lado, seja o início de uma série de atos que possam levar-nos à postura correta.”


Na próxima postagem, eu tentarei expor a minha analogia entre a gagueira e a Técnica de Alexander.

19 julho 2005

Questionar, criticar e analisar.

É preciso ter muito cuidado com o que se diz por aí sobre a gagueira. Os mitos parecem ser o principal obstáculo para o pleno conhecimento deste problema. Se os gagos desconhecem sobre o assunto, o que dizer dos não-gagos... Recentemente, no Grupo Gagueira realizaram uma pesquisa para saber se os gagos do grupo são destros, canhotos ou ambidestros. Não entendi a razão de tal questionamento. Fiquei me perguntando se a pessoa que criou tal enquete imagina que possa haver alguma relação em ser destro/canhoto/ambidestro e ser gago. Fiz a pergunta ao grupo mas nao fui respondido.

Ao ler, ouvir e/ou ver alguém falando algo sobre a gagueira é necessário ficar alerta e não tomar aquilo como verdade absoluta sem antes questionar, criticar e analisar tal afirmação.

Uma colega do grupo ficou tão impressionada com aquela pesquisa que escreveu-me afirmando que ficara "pensativa", pois ela, o primo, a ex-cunhada e o pai são todos canhotos e gagos. Terminou o email lamentando-se: "se eu fosse direita, quem sabe não seria gaga?!". Diante da situação respondi-lhe: "Não faça disso uma verdade. Será mais um mito pra você acreditar. Será que você não conhece nenhum canhoto que não seja gago? Sabe o Bill Clinton? Ele é canhoto. Ele é gago? Com certeza existem centenas de milhões de pessoas no mundo que são canhotas e não são gagas." No final, ela percebeu que em sua família há primos e tias canhotos e não-gagos. É que ela "não tinha prestado atenção nesse detalhe."