20 agosto 2005

O Homem Não Nasceu Para Gaguejar...


... portanto, se você está chateado, triste, deprimido, insatisfeito, desapontado, ou qualquer outra coisa do gênero, com a sua gagueira (e por tabela, com você mesmo) eu digo-lhe:

Levante-se, saia dessa inércia, dessa acomodação e assuma a posição de fazer algo para melhorar, para triunfar! Existem muitas pessoas especializadas para tratar gagueira. Encontre a sua e se ajude! O que você não pode é ficar parado. Até quando você vai ficar assim, sendo passageiro da vida?



"la 'buena vida' es cara por definición... La hay más barata, pero ya no es lo mismo."
(A "boa vida" é cara por definição...existe a mais barata, mas não é vida")

18 agosto 2005

O Homem Nasceu para Triunfar



“Josué, levante-se, saia da inércia, desse lugar de acomodação, de preguiça, de medo, de morte, e assuma a posição para a qual eu lhe designei”.

Palavras de Deus para Josué, diante da postura deste, após a morte de Moisés.

11 agosto 2005

Quer ver o outro lado? Faça alguma coisa!



O texto da postagem anterior, da fonoaudióloga Mariângela Zulian, reforça em muito o tipo de tratamento que estou fazendo, bem como o que vivenciei e estou vivenciando na minha terapia, com a Fga. Priscilla Silveira. Apesar de ser um artigo escrito em 1989, portanto há 16 anos, muita coisa nele é importante ser refletida.

Muito possivelmente seja comum entre todos os gagos, na infância, no aparecimento das primeiras disfluências, a presença de pessoas que tentando ajudar, acabaram por fazer o inverso. Quantas vezes não fomos solicitados a falar direito? Ou a respirar e/ou pensar antes de falar? Infelizmente, naquela época não sabiamos o que era certo ou errado, não podíamos mandar essas pessoas calarem a boca e parar de falar besteira. Com isso fomos desenvolvendo um padrão de falar equivocado. Nosso cérebro acostumou-se a comandar uma fala truncada, com bloqueios, com força, cheia de tensão. Nessa fase também, com as interpelações das pessoas, passamos a ter 'o outro' como alguém que avalia a nossa fala, que nos repreende. Padrão que até hoje é comum em nossas mentes. Não vamos a uma padaria porque imaginamos que o padeiro vai nos julgar, nos criticar, nos zombar. Não fazemos um curso superior com um 'pré-medo' das apresentações em sala de aula. Desistimos muito de nossos sonhos por causa dos outros. Particularmente, recordo-me de uma situação que recusei um emprego de comprador, de um hotel, porque considerava aquela profissão inviável para mim. Realizar constantemente ligações, negociar preços, solicitar mercadorias, parecia-me impossível. Duvidei do meu potencial, principalmente por causa da fala. Julgava-me incapaz como falante, incapaz de falar bem.


Sempre antes de falar, nas situações que julgava mais críticas, eu planejava o que iria dizer, imaginando até o que o ouvinte iria responder, para assim já ter algo para uma segunda fala. Acreditava que iria gaguejar, ficava nervoso por causa disto, tensionava meus músculos, perdia o controle sobre mim, sobre minha fala. Não sabia eu que com todas essas crenças negativas, com todos esses comportamentos tentando controlar a fala, eu nunca iria realmente conseguir controlá-la. Porque a fala é um movimento espontâneo. Para sair direito, não tem que ser controlada.


Falar isso para pessoas que não fazem terapia fonoaudiológica, ou que não são capazes de se auto-avaliar (eu também não era) é algo bem utópico, praticamente impossível. Muitos dizem que é difícil, realmente é. Mas é difícil se não estamos com as armas corretas nas mãos. Difícil mesmo é querer falar e não conseguir. Difícil é ser chacotado a todo momento que fala. Difícil é calar-se na hora que quer participar. Isso sim é uma barreira gigantesca.

08 agosto 2005

Penso que vou gaguejar e gaguejo

O texto abaixo é de autoria da Fonoaudióloga Mariângela Zulian, participante do "Grupo Gagueira", pela qual passei a ter apreço devido às suas colocações nas discussões do grupo.
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A gagueira é um comportamento que a pessoa desenvolve durante o período de aquisição da linguagem, mais especificamente a linguagem verbal, o que ocorre numa fase muito importante da apropriação da realidade, da tomada de consciência do seu mundo e de si mesma. Ao mesmo tempo em que está desenvolvendo a linguagem e outras capacidades a criança está se apropriando da ideologia e dos valores do seu grupo, vivendo em uma relação carregada de emoção.
Um indivíduo se torna um gago pelas relações de comunicação que tem com os seus outros significativos que vivem e impõem a ele a ideologia do bem falar, colocando-o numa situação paradoxal, pois lhe solicitam que fale direito e para isso ele se esforça, o que torna a sua fala tensa e difícil.
A fala sendo um automatismo contém elementos que estão alienados da consciência, ou seja, quando falamos, pensamos em “o que falar” e não nos movimentos articulatórios ou no “como falar”. Estes estão alienados da nossa consciência.
Gaguejar é normal ao ser humano, mas em determinadas pessoas se torna patológico devido ao valor que se dá à fala totalmente fluente, dentro da visão de mundo dos seus grupos e que elas assumem como sendo a sua própria.
Quando está aprendendo a falar, a criança vive a possibilidade de erros, hesitações e repetições que são componentes da própria fala em função da aptidão de cada um e das situações de emoção que envolvem o ato de falar.
Se isso não é compreendido e aceito pelas pessoas responsáveis por ela, ela é solicitada a falar direito. Não tendo condições de operacionalizar essa mensagem, pela falta de consciência dos movimentos articulatórios, desenvolve um padrão de fala inadequado.
Encontra-se diante de duas alternativas: “parar de falar” ou “se esforçar para falar bem“. A primeira é inviável, portanto parte para a segunda. Neste processo vai tomando consciência de si como mau falante, acreditando na sua incapacidade articulatória, idéia que se reforça sempre, pois, quanto mais se esforça, mais conselhos ouve sobre o seu modo de falar : “calma“ , “fale devagar”.
Com a freqüência destas situações vive momentos de frustração e ansiedade para conseguir ter o desempenho que lhe é cobrado. Com isso, desenvolve a fala num padrão de tensão, que se incorpora e começa a acontecer antes mesmo de começar a falar.
Falar se torna uma situação difícil, para a qual a pessoa tem que se preparar. Antecipando a sua falha, o que significa duvidar do seu potencial para falar, aumenta o seu esforço para vencer a sua dificuldade.
Portanto, o gago tenta solucionar o seu problema partindo de uma premissa falsa, que é a sua irreal incapacidade de falar bem. Esse plano de fundo na sua mente interrompe a sua fala espontânea.
Pensa constantemente que vai gaguejar e, portanto, gagueja, porque coloca o elemento tensão em movimentos que são naturalmente soltos.
Sua mente trabalha para não gaguejar e a emoção negativa o leva de encontro ao se esforçar para falar bem, e, então, gaguejar.
Dessa forma, o gago só se verá livre disso quando mudar o seu pensamento; quando sensibilizar-se para mudar a sua falsa premissa, vivenciando a sua possibilidade de soltura.
Mudando o seu ponto de vista a respeito de sua fala, não se envolverá mais com valores antigos e se desvinculará da força.
Quando se perceber como um falante normal, que tem lutado contra uma idéia falsa, pois é capaz de falar bem, então, estará experimentando a sua verdadeira possibilidade de estar no mundo como falante.
Saindo do paradoxo de tentar falar bem fazendo esforço, o gago percebe como ele próprio produz o seu comportamento e começa a viver com uma nova perspectiva que é a de poder falar isento de emoções negativas e viver a sua fala espontânea que também comporta a gagueira, mas sem tensões.




Mariângela Zulian
Fonoaudióloga Clínica
(este texto foi elaborado em grupo de estudos com a Dra. Silvia Friedman, sob sua orientação - 1989)
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Na próxima postagem farei alguns comentários sobre este texto.

03 agosto 2005

Aceitação

A aceitação do indivíduo como gago é o primeiro passo para ter a consciência de que precisa fazer algo para melhorar. É relativo o número de gagos(as) que não se caracterizam desta forma. Tomando-me como exemplo, antes de fazer parte do Grupo Gagueira, como eu costumo afirmar, eu era tudo, menos gago! Eu era "disfluente", "tinha dificuldade em falar", qualquer outra coisa, mas gago não! Percebo que outros colegas recém chegados aos grupos que faço parte também apresentam este comportamento. No momento que encontrei o grupo Gagueira comecei a me dessensibilizar neste aspecto. O próprio nome da lista já ajuda. Acessá-la todos os dias, ver pessoas debatendo o assunto, ler as palavras gago, gagueira diariamente, ajudam na quebra da não aceitação.

Gustavo Boog, neste endereço, fala muito bem sobre aceitação. Ele afirma que
"aceitar é confundido com passividade, com paralisia, com falta de interesse ou com falta de ação; o conceito na realidade é exatamente o inverso, pois quando eu aceito as coisas como elas são, eu resgato minha força e poder de transformar. Aceitar significa ficar aberto às mudanças, a rever referenciais e formas de perceber e agir. Quando isto ocorre saímos do papel de vítimas das circunstâncias, para podermos realizar com disposição as mudanças que precisam ocorrer. Quando não aceito integralmente, com a mente e o coração, estou tentando, muitas vezes em desespero, restaurar o padrão ou situação anteriores, que talvez eram cômodos e confortáveis. O encarar e aceitar a dificuldade que estamos vivenciando é o primeiro e decisivo passo para tomar as decisões certas para as mudanças. Num tempo como o nosso, de rápidas e profundas mudanças, deixar de aceitar a realidade é abdicar do direito de fazer escolhas conscientes. Aceitar uma realidade é como ingressar num rito de passagem: deixar o velho e ingressar no novo. A aceitação é um aviso que nos diz que agora é preciso mostrar fibra e coragem. É um presente que nos convida a agir. Cynthia Kemp Scherer tem afirmado tantas vezes “everything is perfect” (tudo está perfeito). Eu levei muito tempo para entender que a perfeição não significa “obra acabada”, significa que a pessoa está passando pela experiência que tem que passar e que o Universo a presenteia com a oportunidade de decidir o que tem que ser decidido e agir, realizando as ações que necessitam ser tomadas. Tudo está perfeito significa você aceitar totalmente a experiência que está passando e agir em cima disto, mobilizando as ações que precisam ser tomadas."

Na gagueira, aceitar-se não significa sair falando para todo mundo o que você é ou deixa de ser. A aceitação é compreender que os interlocutores de conversas podem não estar informados sobre gagueira, com isso podem reagir de formas diversas. Porém, elas não podem ter reações que impliquem em falta de respeito, ridicularização, gozação ou discriminação (vide a segunda postagem, sobre Direitos e Responsabilidades das Pessoas que Gaguejam). Se a ridicularização ocorrer, cabe ao ridicularizado exigir o respeito necessário e impor-se. O indivíduo gago que não se aceita como tal, diante de uma situação de desrespeito encontra como saída a depressão, o choro, a tristeza, ou qualquer outra emoção negativa. Portanto, não podemos baixar nossas cabeças para as reações das pessoas. Bem como também, se observarmos, na maioria das vezes, as pessoas ficam simplesmente surpresas diante de um falante "diferente", não sabem como se comportar e, assim, tentam "ajudar". Está dessensibilizado é importante para não termos recaídas, principalmente recaídas emocionais.

Após ler a passagem do texto de Boog, onde ele afirma que a aceitação "é um presente que nos convida a agir", recordo-me de um momento do meu tratamento: após mais ou menos seis meses de terapia, a minha fonoaudióloga percebendo meu nível de fluência e percepção diante da gagueira, solicitou-me a trocar algumas experiências com outros pacientes ainda sensíveis e cheios de crenças. Na preparação do que eu poderia transmitir no encontro, veio-me um pensamento, que infelizmente acabei me esquecendo de proferí-lo, mas que agora tenho a oportunidade de fazê-lo para mais "ouvintes-leitores". É o seguinte: "a gagueira é uma dádiva divina. Só descobre isso quem é capaz de superá-la. Quando começamos a falar bem, olhando para trás percebemos quantos obstáculos foram transpostos e o quanto é prazeroso poder falar bem."

Sejamos como o pote rachado depois que descobriu ser o responsável pelo caminho de flores do caminho.

02 agosto 2005

O Pote Rachado - Defeito ou Qualidade?

Um carregador de água na Índia levava dois potes grandes, ambos pendurados em cada ponta de uma vara a qual ele carregava atravessada em seu pescoço. Um dos potes tinha uma rachadura, enquanto o outro era perfeito e sempre chegava cheio de água no fim da longa jornada entre o poço e a casa do chefe. O pote rachado chegava apenas pela metade.

Foi assim por dois anos, diariamente, o carregador entregando um pote e meio de água na casa de seu chefe. Claro, o pote perfeito estava orgulhoso de suas realizações. Porém, o pote rachado estava envergonhado de sua imperfeição, e sentindo-se miserável por ser capaz de realizar apenas a metade do que havia sido designado a fazer.

Após perceber que por dois anos havia sido uma falha amarga, o pote falou para o homem um dia, à beira do poço:
- Estou envergonhado, quero pedir-lhe desculpas.
- Por quê?, perguntou o homem. - De que você está envergonhado?
- Nesses dois anos eu fui capaz de entregar apenas metade da minha carga, porque essa rachadura no meu lado faz com que a água vaze por todo o caminho da casa de seu senhor. Por causa do meu defeito, você tem que fazer todo esse trabalho, e não ganha o salário completo dos seus esforços, disse o pote.

O homem ficou triste pela situação do velho pote, e com compaixão falou:
- Quando retornarmos para a casa do meu senhor, quero que percebas as flores ao longo do caminho.

De fato, à medida que eles subiam a montanha, o velho pote rachado notou flores selvagens ao lado do caminho, e isto lhe deu ânimo. Mas ao fim da estrada, o pote ainda se sentia mal porque tinha vazado a metade, e de novo pediu desculpas ao homem por sua falha. Disse o homem ao pote:

- Você notou que pelo caminho só havia flores no seu lado do caminho??? Notou ainda que a cada dia, enquanto voltávamos do poço, você as regava??? Por dois anos eu pude colher flores para ornamentar a mesa do meu senhor. Sem você ser do jeito que você é, ele não poderia ter essa beleza para dar graça à sua casa.


Autor desconhecido