31 agosto 2005

Amigos em São Paulo


Amigos, desculpem-me pela ausência de postagens novas. O motivo foi uma viagem que fiz, junto com minha namorada, a São Paulo. Fomos terça-feira retrasada e voltamos no domingo. Além de andar bastante de metrô, de ônibus e a pé por vários pontos da cidade, tive a oportunidade de conhecer várias pessoas que fazem as listas de discussões "Gagueira" e "Discutindo-Gagueira". Com certeza, o melhor da viagem foi as pessoas que mantivemos contato. Particularmente gostei muito de ter conhecido Olavo, Dudu, Roberto Tadeu, Diogo, Marcelo Estima, Eleide, Sandra e Hélio. Com exceção do primeiro, que conversamos prazeirosamente no Shopping Eldorado, os demais conheci no Grupo de Apoio da ABRA Gagueira, no qual foi discutido o tema "Ansiedade e Gagueira". Encontro este que eu não poderia perder estando em São Paulo e em pleno último sábado do mês (dia de realização dos grupos). Cheguei com uma hora de atraso, mas deu para sentir a seriedade do grupo e a simpatia de todos os presentes. Podem ficar certos que todos vocês que conversei serão inesquecíveis. Espero que o mais breve possível possamos nos reencontrar pessoalmente.

20 agosto 2005

Associe-se Você Também!


É importante que a ABRA GAGUEIRA tenha cada vez mais associados, para que tenha cada vez mais recursos; para que possa cada vez mais agir em nome dos gagos e gagas do Brasil; para que possa ser porta-voz dos nossos desejos e clamores; para que possa divulgar cada vez mais os nossos desejos de uma sociedade mais aberta/receptiva/compreensiva aos gagos; para que possa realizar campanhas melhores e maiores para conscientizar um número cada vez maior de pessoas; para que possa ajudar e/ou facilitar numa pesquisa de profissionais capacitados para tratar a gagueira, entre outras atividades, facilidades e apoios.

Não é isso que muitos de nós desejamos? Para isso cada um tem que fazer a sua parte. A mais fácil é se associando à ABRA GAGUEIRA. São somente R$60 anuais! Isso mesmo, ANUAIS. Qualquer pessoa tem condições de ser associado.

Pensem nisso! Para associar-se basta entrar em contato com a ABRA GAGUEIRA
, através de Eleide Gonçalvez ou Sandra Merlo.

O Homem Não Nasceu Para Gaguejar...


... portanto, se você está chateado, triste, deprimido, insatisfeito, desapontado, ou qualquer outra coisa do gênero, com a sua gagueira (e por tabela, com você mesmo) eu digo-lhe:

Levante-se, saia dessa inércia, dessa acomodação e assuma a posição de fazer algo para melhorar, para triunfar! Existem muitas pessoas especializadas para tratar gagueira. Encontre a sua e se ajude! O que você não pode é ficar parado. Até quando você vai ficar assim, sendo passageiro da vida?



"la 'buena vida' es cara por definición... La hay más barata, pero ya no es lo mismo."
(A "boa vida" é cara por definição...existe a mais barata, mas não é vida")

18 agosto 2005

O Homem Nasceu para Triunfar



“Josué, levante-se, saia da inércia, desse lugar de acomodação, de preguiça, de medo, de morte, e assuma a posição para a qual eu lhe designei”.

Palavras de Deus para Josué, diante da postura deste, após a morte de Moisés.

11 agosto 2005

Quer ver o outro lado? Faça alguma coisa!



O texto da postagem anterior, da fonoaudióloga Mariângela Zulian, reforça em muito o tipo de tratamento que estou fazendo, bem como o que vivenciei e estou vivenciando na minha terapia, com a Fga. Priscilla Silveira. Apesar de ser um artigo escrito em 1989, portanto há 16 anos, muita coisa nele é importante ser refletida.

Muito possivelmente seja comum entre todos os gagos, na infância, no aparecimento das primeiras disfluências, a presença de pessoas que tentando ajudar, acabaram por fazer o inverso. Quantas vezes não fomos solicitados a falar direito? Ou a respirar e/ou pensar antes de falar? Infelizmente, naquela época não sabiamos o que era certo ou errado, não podíamos mandar essas pessoas calarem a boca e parar de falar besteira. Com isso fomos desenvolvendo um padrão de falar equivocado. Nosso cérebro acostumou-se a comandar uma fala truncada, com bloqueios, com força, cheia de tensão. Nessa fase também, com as interpelações das pessoas, passamos a ter 'o outro' como alguém que avalia a nossa fala, que nos repreende. Padrão que até hoje é comum em nossas mentes. Não vamos a uma padaria porque imaginamos que o padeiro vai nos julgar, nos criticar, nos zombar. Não fazemos um curso superior com um 'pré-medo' das apresentações em sala de aula. Desistimos muito de nossos sonhos por causa dos outros. Particularmente, recordo-me de uma situação que recusei um emprego de comprador, de um hotel, porque considerava aquela profissão inviável para mim. Realizar constantemente ligações, negociar preços, solicitar mercadorias, parecia-me impossível. Duvidei do meu potencial, principalmente por causa da fala. Julgava-me incapaz como falante, incapaz de falar bem.


Sempre antes de falar, nas situações que julgava mais críticas, eu planejava o que iria dizer, imaginando até o que o ouvinte iria responder, para assim já ter algo para uma segunda fala. Acreditava que iria gaguejar, ficava nervoso por causa disto, tensionava meus músculos, perdia o controle sobre mim, sobre minha fala. Não sabia eu que com todas essas crenças negativas, com todos esses comportamentos tentando controlar a fala, eu nunca iria realmente conseguir controlá-la. Porque a fala é um movimento espontâneo. Para sair direito, não tem que ser controlada.


Falar isso para pessoas que não fazem terapia fonoaudiológica, ou que não são capazes de se auto-avaliar (eu também não era) é algo bem utópico, praticamente impossível. Muitos dizem que é difícil, realmente é. Mas é difícil se não estamos com as armas corretas nas mãos. Difícil mesmo é querer falar e não conseguir. Difícil é ser chacotado a todo momento que fala. Difícil é calar-se na hora que quer participar. Isso sim é uma barreira gigantesca.

08 agosto 2005

Penso que vou gaguejar e gaguejo

O texto abaixo é de autoria da Fonoaudióloga Mariângela Zulian, participante do "Grupo Gagueira", pela qual passei a ter apreço devido às suas colocações nas discussões do grupo.
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A gagueira é um comportamento que a pessoa desenvolve durante o período de aquisição da linguagem, mais especificamente a linguagem verbal, o que ocorre numa fase muito importante da apropriação da realidade, da tomada de consciência do seu mundo e de si mesma. Ao mesmo tempo em que está desenvolvendo a linguagem e outras capacidades a criança está se apropriando da ideologia e dos valores do seu grupo, vivendo em uma relação carregada de emoção.
Um indivíduo se torna um gago pelas relações de comunicação que tem com os seus outros significativos que vivem e impõem a ele a ideologia do bem falar, colocando-o numa situação paradoxal, pois lhe solicitam que fale direito e para isso ele se esforça, o que torna a sua fala tensa e difícil.
A fala sendo um automatismo contém elementos que estão alienados da consciência, ou seja, quando falamos, pensamos em “o que falar” e não nos movimentos articulatórios ou no “como falar”. Estes estão alienados da nossa consciência.
Gaguejar é normal ao ser humano, mas em determinadas pessoas se torna patológico devido ao valor que se dá à fala totalmente fluente, dentro da visão de mundo dos seus grupos e que elas assumem como sendo a sua própria.
Quando está aprendendo a falar, a criança vive a possibilidade de erros, hesitações e repetições que são componentes da própria fala em função da aptidão de cada um e das situações de emoção que envolvem o ato de falar.
Se isso não é compreendido e aceito pelas pessoas responsáveis por ela, ela é solicitada a falar direito. Não tendo condições de operacionalizar essa mensagem, pela falta de consciência dos movimentos articulatórios, desenvolve um padrão de fala inadequado.
Encontra-se diante de duas alternativas: “parar de falar” ou “se esforçar para falar bem“. A primeira é inviável, portanto parte para a segunda. Neste processo vai tomando consciência de si como mau falante, acreditando na sua incapacidade articulatória, idéia que se reforça sempre, pois, quanto mais se esforça, mais conselhos ouve sobre o seu modo de falar : “calma“ , “fale devagar”.
Com a freqüência destas situações vive momentos de frustração e ansiedade para conseguir ter o desempenho que lhe é cobrado. Com isso, desenvolve a fala num padrão de tensão, que se incorpora e começa a acontecer antes mesmo de começar a falar.
Falar se torna uma situação difícil, para a qual a pessoa tem que se preparar. Antecipando a sua falha, o que significa duvidar do seu potencial para falar, aumenta o seu esforço para vencer a sua dificuldade.
Portanto, o gago tenta solucionar o seu problema partindo de uma premissa falsa, que é a sua irreal incapacidade de falar bem. Esse plano de fundo na sua mente interrompe a sua fala espontânea.
Pensa constantemente que vai gaguejar e, portanto, gagueja, porque coloca o elemento tensão em movimentos que são naturalmente soltos.
Sua mente trabalha para não gaguejar e a emoção negativa o leva de encontro ao se esforçar para falar bem, e, então, gaguejar.
Dessa forma, o gago só se verá livre disso quando mudar o seu pensamento; quando sensibilizar-se para mudar a sua falsa premissa, vivenciando a sua possibilidade de soltura.
Mudando o seu ponto de vista a respeito de sua fala, não se envolverá mais com valores antigos e se desvinculará da força.
Quando se perceber como um falante normal, que tem lutado contra uma idéia falsa, pois é capaz de falar bem, então, estará experimentando a sua verdadeira possibilidade de estar no mundo como falante.
Saindo do paradoxo de tentar falar bem fazendo esforço, o gago percebe como ele próprio produz o seu comportamento e começa a viver com uma nova perspectiva que é a de poder falar isento de emoções negativas e viver a sua fala espontânea que também comporta a gagueira, mas sem tensões.




Mariângela Zulian
Fonoaudióloga Clínica
(este texto foi elaborado em grupo de estudos com a Dra. Silvia Friedman, sob sua orientação - 1989)
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Na próxima postagem farei alguns comentários sobre este texto.