Gagueira sob uma perspectiva que articula linguagem, subjetividade e sociedade.
15 setembro 2005
Gagueira Infantil
Devido às exigências do ouvinte, a criança tenta se auto-corrigir e antecipa a sua fala , apresentando falhas e utilizando como recurso movimentos associados de face e/ou corpo (piscar os olhos, balanceio de determinadas partes do corpo) simultaneamente a fala. Além disso, pode-se dispor de outros mecanismos como “forçar” a saída da fala. No entanto, quando utiliza-se deste meio, acaba por apresentar repetições, prolongamentos, bloqueios, hesitações e pausas de sons, sílabas, palavras e/ou frases. Diante disso, podem ocorrer dificuldades de fala antecipatórias que se tornam, muitas vezes, uma condição necessária, para que possa dar continuidade a fala, pois a partir de então, consegue comunicar-se com o outro por meio da comunicação oral.
No que diz respeito à terapia há diferentes abordagens terapêuticas para o tratamento das gagueiras infantis. Cada caso deve ser analisado individualmente. O êxito no tratamento depende das características da criança/família, da motivação, cooperação e também do conhecimento e competência do profissional. O profissional indicado para realizar este tratamento é o Fonoaudiólogo. Muitas vezes é necessário que a fonoterapia seja realizada em conjunto com o atendimento psicológico, já que fatores emocionais, quando não são desencadeantes, podem funcionar como mantenedores do quadro associado a outros fatores etiológicos.
Mesmo a criança realizando tratamento especializado os pais, familiares e professores podem auxiliar na fluência das crianças da seguinte forma: utilizar frases curtas e palavras simples; não completar a fala da criança; não demonstrar ansiedade na frente da criança; evitar chamar a criança de “gago”, pois isso faz com que se identifique como tal; escutar com paciência o que a criança tem para falar prestando atenção no que está falando, e não no modo como está realizando seu discurso, e evitar situações que possam deixá-la ansiosa, nervosa.
Texto escrito pela Fga. Adriana Braga Grandin - CRFª 8291
12 setembro 2005
Crer para ver!
"A ausência de gagueira num lugar novo e entre pessoas desconhecidas permite-nos ressaltar também a importância da história de vida das situações habituais para a ativação da forma habitaul de produção de si. Permite-nos lembrar ainda que Van Riper (1971) já sugeria a seus pacientes modificações aparentemente inócuas e periféricas à gagueira, como ir a lugares novos, usar roupas diferentes, etc., para que eles se vissem de uma maneira diferente; achava que assim ajudava-os a reconfigurar a imagem de falante ou, usando a linguam dele, a reconfigura a motricidade."
Experimentarmos situações desse tipo, nos comprovam que temos potencial e plenas condições para superar a gagueira. Parece que quando estamos no lugar desconhecido estamos vivendo um sonho e ao voltarmos para a nossa cidade, voltamos para a realidade. Isso é bem verdade porque em nosso local moram também todos os nossos pensamentos e emoções. Mas se somos gagos, não era para sermos da mesma forma em todos os cantos?! Vale outra reflexão: o que pensamos e como nos vimos no outro local, foi o mesmo que fazemos no lugar habitual?
O fato é que nos identificamos como gagos e muitas vezes não conseguimos modificar essa nossa identidade. Imaginamos a identidade como algo estático, permanente e eterno. É bem verdade que a não transformação é possível, afima Silvia. "O sujeito como ator de si mesmo, está impedido de se transformar e é forçado a reproduzir a mesmice de si. Este é o caso da gagueira sofrimento, para a qual descrevemos o ciclo vicioso entre o movimento dos conteúdos da consciência, a atividade de fala do indivíduo e a dinâmica social, caracterizando o modo de produção do personagem gago", acrescenta a autora.
Porém, Silvia Friedman, no livro acima, acredita que o gago pode ser curado a partir de uma série de mudanças comportamentais e de consciência. Eu também estou acreditando em tal teoria. Creio que só mudaremos a nossa condição, depois de modificarmos o modo como vemos os outros, o mundo, a nossa fala e a nós mesmos. Para isso, é necessário muita dedicação e acreditar. Ao contrário do ditado de São Tomé que precisa ver para crer, nós devemos crer primeiro para que depois possamos ver a transformação.
08 setembro 2005
O Monociclo e a Gagueira
A fluência não deve ser nosso objetivo final, pois se o for, fracassaremos, mais cedo ou mais tarde. Para alcançarmos a "fluência" devemos nos preocupar muito mais com o meio-pelos-quais, do que com o fim. Quem se preocupa com o fim (com a fluência), dificilmente chegará lá. As nossas posturas, nossas crenças, nossos pensamentos, nossos comportamentos é que devem ser trabalhados e modificados. "Consertando-se" isso, o objetivo final pode ser alcançado mais facilmente, ou pelo menos a gagueira deixará de ser um sofrimento.O indivíduo que está aprendendo a andar de monociclo, em virtude do medo decair que o domina, instintivamente estica a cabeça para trás, o que perturba o equilíbrio e provoca uma queda inevitável. Para andar de monociclo é preciso perder o medo de cair, posicionar a cabeça para frente e pra cima e forçar as nádegas para baixo. Agindo-se dessa forma, voltando-se para os meios-pelos-quais pedalar o monociclo, consegue-se pedalá-lo por longos trechos. Caso o pensamento do indivíduo estivesse focado em pedalar o veículo, fatalmente nunca conseguiria.
A partir deste exemplo, é possível traçar um paralelo com a gagueira. O medo de cair e colocar a cabeça esticada para trás faz o indivíduo cair. Ter medo de falar com pessoas, imaginar que vai gaguejar, ficar nervoso por antecipar a situação, tensionar os músculos, criar truques para tentar falar faz a pessoa gaguejar. É preciso não ter medo para falar, não ficar nervoso, não tensionar os músculos na intenção de não gaguejar, não criar truques para tentar falar. Muitas dessas coisas o gago, por ter passado por situações vexatórias, cria para tentar falar melhor e defender-se de futuros risos e contratempos. Só que isso é meio paradoxal, porque em muito a disfluência é proveniente desses atalhos labirínticos. O ato de falar deve ser o máximo espontâneo. É assim com nossos amigos, familiares, namoradas(os), vizinhos, enfim, com todos os "outros". Devemos nos preocupar com os meios-pelos-quais, com os sintomas da nossa gagueira e não com o fim, e não com a fluência.
Obviamente eu não sei andar de monociclo. Li toda aquela teoria sobre ele no livro que já mencionei aqui (O Aprendizado do Corpo - introdução à técnica de Alexander) e fiz a minha analogia. Será que faz sentido? Vocês têm as suas opiniões. Depositem-nas!
06 setembro 2005
O que é importante não muda
Tenha sempre em mente que a pele enruga, o cabelo embranquece e os dias convertem-se em anos...Mas o que é importante não muda.
A sua força e convicção não tem idade O seu espírito é como qualquer teia de aranha. Atrás de cada linha de chegada há sempre uma de partida.
Atrás de cada conquista, vem um novo desafio. Enquanto estiver vivo, sinta-se vivo...Se sentir saudades do que fazia volte a fazer.
Não viva de fotografias amarelecidas... Continue quando todos esperam que desista.
Não deixe que enferruje o ferro que existe em você. Faça com que em vez de pena tenham respeito por você.
Quando não conseguir correr através de seus sonhos, caminhe! Quando não conseguir caminhar use uma bengala...
Mas nunca se deixe deter...
(MADRE TERESA DE CALCUTÁ)
02 setembro 2005
Gagueira não tem graça, tem tratamento

Prezados amigos,
Dia 22 de Outubro é o DIA INTERNACIONAL DE ATENÇÃO À GAGUEIRA. Neste ano, nosso tema será: "Gagueira não tem graça. Tem tratamento".
Na semana de 16 a 22 de outubro, serão realizadas ações dirigidas à população em geral buscando contribuir para o conhecimento, o respeito e dignidade das pessoas que gaguejam e de seus familiares.
Realização: CEFAC - Centro de Especialização em Fonoaudiologia Clínica; ABRA GAGUEIRA - Associaçao Brasileira de Gagueira e HSPE - Hospital do Servidor Público Estadual.
Comissão Organizadora: Ignês Maia Ribeiro, Eliana Maria Nigro Rocha, Sandra Merlo e Daniela Verônica Zackiewicz.
Eventos Programados:
1 - De 16 a 22 de outubro de 2005, fórum on-line: com resumos sobre as abordagens fonoaudiológicas no tratamento da gagueira. O fórum estará aberto a questões. Sítio: www.abragagueira.org.br
2 - De 16 a 22 de outubro de 2005, divulgação na mídia: sobre a gagueira, suas características e possibilidades de tratamento.
3 - 22 de outubro de 2005, Encontro de Atenção à Gagueira na Cidade de São Paulo Local: CEFAC - Centro de Especialização em Fonoaudiologia Clínica (Rua Caiowaá, 664, Perdizes, São Paulo, SP)
Entrada Franca.
Programação:
- Palestras proferidas por conceituados profissionais na área de fluência sobre as abordagens fonoaudiológicas no tratamento da gagueira.
- Coffee-break
- Depoimentos de pessoas que gaguejam.
Público-alvo: todos os interessados no tema.
Fonoaudiólogas responsáveis pela campanha em outras cidades:
Ana Maria Oliveira - Brasília (DF)
Anelise Junqueira Bohnem - Porto Alegre (RS)
Marta Chiquetto - Florianópolis (SC)
OBS:
- Os fonoaudiólogos que estejam interessados em estender o movimento às suas cidades entrem em contato conosco pelo e-mail: ignes@uol.com.br
- Qualquer colaboração e patrocínio será muito bem-vindo!
Abraços da Comissão Organizadora
