22 setembro 2005

Antes e Depois

Eu não tenho dúvidas que o assunto "Gagueira" não vai ser o mesmo, depois da semana de 16 a 22 de outubro. Um mundo de possibilidades está se abrindo. Quem viver, verá! Quem buscar, encontrará! Só não vale ficar parado(a), calado(a) vendo o mundo passar! Não sei se estou sendo muito pretensioso, mas para mim Uma Nova Era está se iluminando. Pegue a sua vela!

Parabéns à Comissão Organizadora:

Ignês Maia Ribeiro,

Eliana Maria Nigro Rocha,

Sandra Merlo e

Daniela Verônica Zackiewicz

Parabéns também aos que souberem aproveitar as oportunidades.

Dia 22 de Outubro é o DIA INTERNACIONAL DE ATENÇÃO À GAGUEIRA.

*2005*
"Gagueira não tem graça. Tem tratamento.”

Na semana de 16 a 22 de outubro, serão realizadas ações dirigidas à população em geral buscando contribuir para o conhecimento, o respeito e dignidade das pessoas que gaguejam e de seus familiares.

Realização:

CEFAC - Centro de Especialização em Fonoaudiologia Clínica -
www.cefac.br
ABRA GAGUEIRA - Associação Brasileira de Gagueira - www.abragagueira.org.br
HSPE - Hospital do Servidor Público Estadual - www.iamspe.sp.gov.br

Comissão Organizadora: Ignês Maia Ribeiro, Eliana Maria Nigro Rocha, Sandra Merlo e Daniela Verônica Zackiewicz

Eventos Programados:

1 - De 16 a 22 de outubro de 2005, fórum on-line: com resumos sobre as abordagens fonoaudiológicas no tratamento da gagueira. O fórum estará aberto a questões. Sítio: www.abragagueira.org.br

Fonoaudiólogas participantes:

Profa. Dra. Ana Schiefer - Processamento Auditivo Central
Profa. Dra. Beatriz Fierolli - Análise do Discurso
Profa. Dra. Claudia Andrade – Promoção da fluência
Profa. Dra. Cláudia Cunha - Psicanálise
Profa. Dra. Isis Meira – Fenomenologia
Profa. Dra. Mônica Brito – Psicolingüística
Profa. Dra. Silvia Friedman – Psicologia Social
Profa. Dra. Regina Jakubovikz – Prevenção Primária da Gagueira


2 - De 16 a 22 de outubro de 2005, ampla divulgação na mídia: sobre a gagueira, suas características e possibilidades de tratamento.


3 - 22 de outubro de 2005:
“Encontro de Atenção à Gagueira na Cidade de São Paulo”

Local: CEFAC - Centro de Especialização em Fonoaudiologia Clínica
(Rua Caiowaá, 664, Perdizes, São Paulo, SP) - Entrada Franca
Horário: das 9:00 às 13:30 hrs.
Inscrições antecipadas pelo 3615.1677 ou www.cefac.br
Programação:
- Palestras proferidas por conceituados profissionais especializadas na área de fluência sobre as abordagens fonoaudiológicas no tratamento da gagueira.

Participantes:
Profa. Dra. Ana Schiefer - Processamento Auditivo Central
Profa. Dra. Beatriz Fierolli - Análise do Discurso
Profa. Dra. Cláudia Cunha - Psicanálise
Profa. Dra. Isis Meira - Abordagem Corporal
Profa. Dra. Monica Brito - Linguagem

- Coffee-break

- Depoimentos de pessoas que gaguejam. Depoentes:
Profa. Dra. Ana Flávia L.M. Gerhardt, Dr. Carlos Habenchuss, Professor Sérgio Henrique Bunioto e Doutorando Thiago Zaqueu de Lima.


Público-alvo: todos os interessados no tema.

A programação dos eventos de todas as cidades serão disponibilizados nos sites oficiais da campanha:

CEFAC (www.cefac.br);
ABRAGAGUEIRA (www.abragagueira.org.br) e
Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (www.iamspe.sp.gov.br)

Fonoaudiólogas co-organizadoras da campanha em outras cidades:

Fga. Alessandra Luppi – Vitória – (ES)
Fga. Ana Maria Oliveira - Brasília (DF)Fga. Anelise Junqueira Bohnem - Porto Alegre (RS)
Fgas. Beatriz Ferriolli e Patrícia Mandrá – Ribeirão Preto (SP)
Fgas. Cláudia de Lucca e Beth Willianms - Manaus (AM)
Fga. Cristiane Canhetti de Oliveria – Marília (SP)
Fga. Daniela Papich – Ipiranga do Sul (RS)
Fga. Daniella Curriel – Cuiabá (GO)
Fga. Erika Queiroga – Belo Horizonte (MG)
Fga. Ivone Marques – Ilhéus (BA)
Fga. Marta Chiquetto - Florianópolis (SC)
Fgas. Mônica Britto Pereira e Prsicila Starosky – Rio de Janeiro (RJ)
Fga. Nádia Azevedo – Recife (PE)
Fga. Patrícia Sanine – Itaí – (SP)
Fga. Priscilla Silveira – Natal (RN)
Fga. Raquel Azevedo – Salvador (BA)
Fga. Tânia Ribas – Goiânia (GO)
Fgas. Verena Maiorino Degiovanni e Maurien Senhorini – São José dos Campos (SP)


Comissão Organizadora

20 setembro 2005

"Engraçado e Esquisito"


Lá nos grupos de discussão que participo, uma colega relatou uma experiência que a mesma denomina como algo "engraçado e esquisito". Ela, que mora em Fortaleza-CE, passou um final de semana em Manaus-AM. No seu relato da vivência em terras manauenses, ela nos conta que não ficou calada um minuto, mesmo gaguejando mais do que em sua terra natal. Fala também que "em nenhum momento, me senti intimidada a deixar de falar por causa da gagueira, pelo contrário, eu gagueijei mais por lá, mas não sentia vergonha da minha fala." Porém, só foi chegar à Cidade do Sol para voltar "tudo ao normal", para voltar a ter vergonha de sua fala.

Essa situação merece uma reflexão. Por que ela, apesar de ter gaguejado até mais, não se sentiu constrangida com isso? A resposta talvez seja simples: "É porque ela estava em um lugar desconhecido, com pessoas desconhecidas", diriam muitos. Isso é bem verdade. Simplista, mas verdadeiro. Porém, pode haver outros desdobramentos. Eu acredito que o fato dela não ter se envergonhado está muito mais ligado ao fato dela ter se visto diferente, em um lugar também diferente, do que por simplesmente está com pessoas estranhas e que talvez nunca mais as veja novamente. Tenho essa impressão pois é comum, nós gagos, ao viajarmos para outros lugares, termos muitos momentos de fluência; alguns apresentam fluência durante todo o período fora, mas quando retornam ao lar "volta tudo". Se percebermos, estamos jogando a "culpa" das nossas fluências, também, nos outros. Mas é por nos olharmos com outros olhos, nos percebermos de outra forma, por nos desligarmos das nossas crenças, por apresentarmos outros comportamentos, que apresentamos significativas melhoras em nossa fala. Isso mostra que temos capacidade para nos livrarmos da gagueira.

Para corroborar comigo, repito um trecho do livro de Silvia Friedman, que coloquei na postagem, do dia 12/09, "Crer para ver!":

"A ausência de gagueira num lugar novo e entre pessoas desconhecidas permite-nos ressaltar também a importância da história de vida das situações habituais para a ativação da forma habitual de produção de si. Permite-nos lembrar ainda que Van Riper (1971) já sugeria a seus pacientes modificações aparentemente inócuas e periféricas à gagueira, como ir a lugares novos, usar roupas diferentes, etc., para que eles se vissem de uma maneira diferente; achava que assim ajudava-os a reconfigurar a imagem de falante ou, usando a linguam dele, a reconfigurar a motricidade."


Contrariamente ao que afirmou Silvia, a colega não experimentou a "ausência de gagueira", mas experimentou da aceitação, o que é um passo importante para sair da gagueira sofrimento. Não tenho certeza, pois ela não tocou nesse assunto, se ela também não tentou colocar a fala em um local idealizado, através dos famigerados truques. Caso ela tenha feito isso, de acordo com a minha experiência e com a teoria de Friedman, posso dizer que com mais algum tempo ela seria uma outra pessoa.

Tenho para mim que se essa colega ficasse uns dois meses em Manaus, agindo como agiu no final de semana (aceitando suas disfluências, aceitando sua fala e aceitando-se), as disfluências com um certo tempo ficariam sem tensão, perderiam forças, ficariam leves, tendo em vista que ela não interferiu no espontâneo, não entrou no ciclo vicioso da gagueira (pensa que vai falar, usa truques para "falar direito", gera tensão, gagueja, usa mais truques, fica decepcionado...), com isso, muito possivelmente ela ganharia uma nova dinâmica verbal.

19 setembro 2005

Parte de Nós

O poema abaixo foi a mim enviado por Olavo Borges. Achei-o interessante e por este motivo decidi publicá-lo aqui para dividi-lo com vocês. Talvez sirva como um conforto e reflexão para os que sofrem com a gagueira. O autor é desconhecido.


Parte de Nós

Espero que você possa aceitar as coisas como elas são...
Sem pensar que tudo conspira contra você...
Porque parte de nós é entendimento....
Mas a outra parte é aprendizado...

Que você possa ter forças para vencer todos os seus medos...
Que no final possa alcançar todos os seus objetivos...
porque parte de nós é cansaço...
mas a outra parte é vontade...

Que tudo aquilo que você vê e escuta possa lhe trazer conhecimento...
Que essa escola possa ser longa e feliz...
Porque parte de nós é o que vivemos...
Mas a outra parte é o que esperamos...

Que a manhã possa lhe oferecer todo dia a divina luz..
Que você possa fazê-la seu único e verdadeiro caminho...
Porque parte de nós é dúvida...
Mas a outra parte é crença...

Que você possa aprender a perder sem se sentir derrotado...
Que isso possa fazer você cada vez mais guerreiro...
Porque parte de nós é o que temos...
mas a outra parte é sonho...

Que durante a sua vida você possa construir sentimentos verdadeiros...
que você possa aceitar que só quem soube a sombra; pode saber a luz...
Porque parte de nós é angústia...
Mas a outra parte é conforto...

Que você nunca deixe de acreditar...
Que nunca perca sua fé...
Porque parte de Deus é amor...
E a outra parte também!

15 setembro 2005

Gagueira Infantil

A gagueira é uma desordem que ocorre na fala e, por isso,não faz parte do desenvolvimento normal de linguagem. Não apresenta uma causa única, nem tão pouco definida, pois, resulta da interação de fatores biológicos, sociais e psicológicos. A frequência e severidade com que ocorre variam dependendo da quantidade de “estresse comunicativo” a que o indivíduo é exposto, ou seja, às exigências impostas para que se torne “um bom falante”.

Devido às exigências do ouvinte, a criança tenta se auto-corrigir e antecipa a sua fala , apresentando falhas e utilizando como recurso movimentos associados de face e/ou corpo (piscar os olhos, balanceio de determinadas partes do corpo) simultaneamente a fala. Além disso, pode-se dispor de outros mecanismos como “forçar” a saída da fala. No entanto, quando utiliza-se deste meio, acaba por apresentar repetições, prolongamentos, bloqueios, hesitações e pausas de sons, sílabas, palavras e/ou frases. Diante disso, podem ocorrer dificuldades de fala antecipatórias que se tornam, muitas vezes, uma condição necessária, para que possa dar continuidade a fala, pois a partir de então, consegue comunicar-se com o outro por meio da comunicação oral.

No que diz respeito à terapia há diferentes abordagens terapêuticas para o tratamento das gagueiras infantis. Cada caso deve ser analisado individualmente. O êxito no tratamento depende das características da criança/família, da motivação, cooperação e também do conhecimento e competência do profissional. O profissional indicado para realizar este tratamento é o Fonoaudiólogo. Muitas vezes é necessário que a fonoterapia seja realizada em conjunto com o atendimento psicológico, já que fatores emocionais, quando não são desencadeantes, podem funcionar como mantenedores do quadro associado a outros fatores etiológicos.

Mesmo a criança realizando tratamento especializado os pais, familiares e professores podem auxiliar na fluência das crianças da seguinte forma: utilizar frases curtas e palavras simples; não completar a fala da criança; não demonstrar ansiedade na frente da criança; evitar chamar a criança de “gago”, pois isso faz com que se identifique como tal; escutar com paciência o que a criança tem para falar prestando atenção no que está falando, e não no modo como está realizando seu discurso, e evitar situações que possam deixá-la ansiosa, nervosa.
Texto escrito pela Fga. Adriana Braga Grandin - CRFª 8291

12 setembro 2005

Crer para ver!

É bastante comum, vivenciarmos a situação a seguir ou ouvirmos e/ou lermos relatos de gagos que viajam para um lugar desconhecido e experimentam nesse lugar situações de plena fluência. A esse respeito Silvia Friedman, em A Construção do Personagem Bom Falante, fala algo que considero muito importante:

"A ausência de gagueira num lugar novo e entre pessoas desconhecidas permite-nos ressaltar também a importância da história de vida das situações habituais para a ativação da forma habitaul de produção de si. Permite-nos lembrar ainda que Van Riper (1971) já sugeria a seus pacientes modificações aparentemente inócuas e periféricas à gagueira, como ir a lugares novos, usar roupas diferentes, etc., para que eles se vissem de uma maneira diferente; achava que assim ajudava-os a reconfigurar a imagem de falante ou, usando a linguam dele, a reconfigura a motricidade."

Experimentarmos situações desse tipo, nos comprovam que temos potencial e plenas condições para superar a gagueira. Parece que quando estamos no lugar desconhecido estamos vivendo um sonho e ao voltarmos para a nossa cidade, voltamos para a realidade. Isso é bem verdade porque em nosso local moram também todos os nossos pensamentos e emoções. Mas se somos gagos, não era para sermos da mesma forma em todos os cantos?! Vale outra reflexão: o que pensamos e como nos vimos no outro local, foi o mesmo que fazemos no lugar habitual?

O fato é que nos identificamos como gagos e muitas vezes não conseguimos modificar essa nossa identidade. Imaginamos a identidade como algo estático, permanente e eterno. É bem verdade que a não transformação é possível, afima Silvia. "O sujeito como ator de si mesmo, está impedido de se transformar e é forçado a reproduzir a mesmice de si. Este é o caso da gagueira sofrimento, para a qual descrevemos o ciclo vicioso entre o movimento dos conteúdos da consciência, a atividade de fala do indivíduo e a dinâmica social, caracterizando o modo de produção do personagem gago", acrescenta a autora.

Porém, Silvia Friedman, no livro acima, acredita que o gago pode ser curado a partir de uma série de mudanças comportamentais e de consciência. Eu também estou acreditando em tal teoria. Creio que só mudaremos a nossa condição, depois de modificarmos o modo como vemos os outros, o mundo, a nossa fala e a nós mesmos. Para isso, é necessário muita dedicação e acreditar. Ao contrário do ditado de São Tomé que precisa ver para crer, nós devemos crer primeiro para que depois possamos ver a transformação.