27 setembro 2005

Mito



O assunto gagueira é tão mitificado, tão amedrontador, que até muitos de nós, gagos, têm vergonha de enviar o panfleto do DIAG para amigos, familiares e conhecidos.

É...o assunto é muito sério. Se fosse o Dia Internacional de Atenção ao Estupro, todos enviariam o panfleto. Sem pensar duas vezes!

26 setembro 2005

Truques na Fala



- Encurtar frase;
- Silenciar;
- Trocar palavras;
- Planejar a fala;
- Engolir;
- Aspirar pela boca;
- Fechar os olhos;
- Tensionar músculos;
- Prolongar sílabas;
- Uso de objetos amuletos;
- Palavras bengalas ou desnecessárias;
- Omissão de fonemas;
- Comportamentos disparadores da fala; entre outros.

Esses são alguns truques que elenquei após uma análise pessoal, leituras e troca de experiências com outras pessoas que gaguejam. Os truques são bastante utilizados por nós, como uma maneira que encontramos para tentar falar sem gaguejar. A origem de recorrermos a tais acessórios para falar remota das privações, vergonhas e podações que sofremos quando desejávamos falar algo. Era sempre uma reação negativa dos nossos ouvintes: pare!, pense!, respire!, fique calmo, risos, zombações... Em muitas oportunidades as pessoas agiram dessa forma na inocência de nos ajudar. Outras na pura falta de respeito e de civilidade. Logo, fomos tentando colocar nossas falas dentro "do padrão aceitável" pelos outros. Fomos interferindo no espontâneo da fala. Mas essas interferências em nada nos ajudam. Quanto mais criarmos truques para falar bem, menos falaremos.


Sílvia Friedman, a esse respeito, diz o seguinte:


"a interferência no automatismo da fala determina um movimento de consciência que permite antecipar ou pressupor a ocorrência de novas falhas, o que colabora para a formação de tensão no falar. Conduz também à busca de mecanismo para evitar as falhas previstas, como troca de palavras, interposição de palavras desnecessárias, omissão de fonemas, movimentos associados ao corpo, enfim, toda sorte de comportamentos que a mente puder inventar e que são usados como truques para alcançar um padrão de fala idealizado e aceito pelo outro".

22 setembro 2005

Antes e Depois

Eu não tenho dúvidas que o assunto "Gagueira" não vai ser o mesmo, depois da semana de 16 a 22 de outubro. Um mundo de possibilidades está se abrindo. Quem viver, verá! Quem buscar, encontrará! Só não vale ficar parado(a), calado(a) vendo o mundo passar! Não sei se estou sendo muito pretensioso, mas para mim Uma Nova Era está se iluminando. Pegue a sua vela!

Parabéns à Comissão Organizadora:

Ignês Maia Ribeiro,

Eliana Maria Nigro Rocha,

Sandra Merlo e

Daniela Verônica Zackiewicz

Parabéns também aos que souberem aproveitar as oportunidades.

Dia 22 de Outubro é o DIA INTERNACIONAL DE ATENÇÃO À GAGUEIRA.

*2005*
"Gagueira não tem graça. Tem tratamento.”

Na semana de 16 a 22 de outubro, serão realizadas ações dirigidas à população em geral buscando contribuir para o conhecimento, o respeito e dignidade das pessoas que gaguejam e de seus familiares.

Realização:

CEFAC - Centro de Especialização em Fonoaudiologia Clínica -
www.cefac.br
ABRA GAGUEIRA - Associação Brasileira de Gagueira - www.abragagueira.org.br
HSPE - Hospital do Servidor Público Estadual - www.iamspe.sp.gov.br

Comissão Organizadora: Ignês Maia Ribeiro, Eliana Maria Nigro Rocha, Sandra Merlo e Daniela Verônica Zackiewicz

Eventos Programados:

1 - De 16 a 22 de outubro de 2005, fórum on-line: com resumos sobre as abordagens fonoaudiológicas no tratamento da gagueira. O fórum estará aberto a questões. Sítio: www.abragagueira.org.br

Fonoaudiólogas participantes:

Profa. Dra. Ana Schiefer - Processamento Auditivo Central
Profa. Dra. Beatriz Fierolli - Análise do Discurso
Profa. Dra. Claudia Andrade – Promoção da fluência
Profa. Dra. Cláudia Cunha - Psicanálise
Profa. Dra. Isis Meira – Fenomenologia
Profa. Dra. Mônica Brito – Psicolingüística
Profa. Dra. Silvia Friedman – Psicologia Social
Profa. Dra. Regina Jakubovikz – Prevenção Primária da Gagueira


2 - De 16 a 22 de outubro de 2005, ampla divulgação na mídia: sobre a gagueira, suas características e possibilidades de tratamento.


3 - 22 de outubro de 2005:
“Encontro de Atenção à Gagueira na Cidade de São Paulo”

Local: CEFAC - Centro de Especialização em Fonoaudiologia Clínica
(Rua Caiowaá, 664, Perdizes, São Paulo, SP) - Entrada Franca
Horário: das 9:00 às 13:30 hrs.
Inscrições antecipadas pelo 3615.1677 ou www.cefac.br
Programação:
- Palestras proferidas por conceituados profissionais especializadas na área de fluência sobre as abordagens fonoaudiológicas no tratamento da gagueira.

Participantes:
Profa. Dra. Ana Schiefer - Processamento Auditivo Central
Profa. Dra. Beatriz Fierolli - Análise do Discurso
Profa. Dra. Cláudia Cunha - Psicanálise
Profa. Dra. Isis Meira - Abordagem Corporal
Profa. Dra. Monica Brito - Linguagem

- Coffee-break

- Depoimentos de pessoas que gaguejam. Depoentes:
Profa. Dra. Ana Flávia L.M. Gerhardt, Dr. Carlos Habenchuss, Professor Sérgio Henrique Bunioto e Doutorando Thiago Zaqueu de Lima.


Público-alvo: todos os interessados no tema.

A programação dos eventos de todas as cidades serão disponibilizados nos sites oficiais da campanha:

CEFAC (www.cefac.br);
ABRAGAGUEIRA (www.abragagueira.org.br) e
Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (www.iamspe.sp.gov.br)

Fonoaudiólogas co-organizadoras da campanha em outras cidades:

Fga. Alessandra Luppi – Vitória – (ES)
Fga. Ana Maria Oliveira - Brasília (DF)Fga. Anelise Junqueira Bohnem - Porto Alegre (RS)
Fgas. Beatriz Ferriolli e Patrícia Mandrá – Ribeirão Preto (SP)
Fgas. Cláudia de Lucca e Beth Willianms - Manaus (AM)
Fga. Cristiane Canhetti de Oliveria – Marília (SP)
Fga. Daniela Papich – Ipiranga do Sul (RS)
Fga. Daniella Curriel – Cuiabá (GO)
Fga. Erika Queiroga – Belo Horizonte (MG)
Fga. Ivone Marques – Ilhéus (BA)
Fga. Marta Chiquetto - Florianópolis (SC)
Fgas. Mônica Britto Pereira e Prsicila Starosky – Rio de Janeiro (RJ)
Fga. Nádia Azevedo – Recife (PE)
Fga. Patrícia Sanine – Itaí – (SP)
Fga. Priscilla Silveira – Natal (RN)
Fga. Raquel Azevedo – Salvador (BA)
Fga. Tânia Ribas – Goiânia (GO)
Fgas. Verena Maiorino Degiovanni e Maurien Senhorini – São José dos Campos (SP)


Comissão Organizadora

20 setembro 2005

"Engraçado e Esquisito"


Lá nos grupos de discussão que participo, uma colega relatou uma experiência que a mesma denomina como algo "engraçado e esquisito". Ela, que mora em Fortaleza-CE, passou um final de semana em Manaus-AM. No seu relato da vivência em terras manauenses, ela nos conta que não ficou calada um minuto, mesmo gaguejando mais do que em sua terra natal. Fala também que "em nenhum momento, me senti intimidada a deixar de falar por causa da gagueira, pelo contrário, eu gagueijei mais por lá, mas não sentia vergonha da minha fala." Porém, só foi chegar à Cidade do Sol para voltar "tudo ao normal", para voltar a ter vergonha de sua fala.

Essa situação merece uma reflexão. Por que ela, apesar de ter gaguejado até mais, não se sentiu constrangida com isso? A resposta talvez seja simples: "É porque ela estava em um lugar desconhecido, com pessoas desconhecidas", diriam muitos. Isso é bem verdade. Simplista, mas verdadeiro. Porém, pode haver outros desdobramentos. Eu acredito que o fato dela não ter se envergonhado está muito mais ligado ao fato dela ter se visto diferente, em um lugar também diferente, do que por simplesmente está com pessoas estranhas e que talvez nunca mais as veja novamente. Tenho essa impressão pois é comum, nós gagos, ao viajarmos para outros lugares, termos muitos momentos de fluência; alguns apresentam fluência durante todo o período fora, mas quando retornam ao lar "volta tudo". Se percebermos, estamos jogando a "culpa" das nossas fluências, também, nos outros. Mas é por nos olharmos com outros olhos, nos percebermos de outra forma, por nos desligarmos das nossas crenças, por apresentarmos outros comportamentos, que apresentamos significativas melhoras em nossa fala. Isso mostra que temos capacidade para nos livrarmos da gagueira.

Para corroborar comigo, repito um trecho do livro de Silvia Friedman, que coloquei na postagem, do dia 12/09, "Crer para ver!":

"A ausência de gagueira num lugar novo e entre pessoas desconhecidas permite-nos ressaltar também a importância da história de vida das situações habituais para a ativação da forma habitual de produção de si. Permite-nos lembrar ainda que Van Riper (1971) já sugeria a seus pacientes modificações aparentemente inócuas e periféricas à gagueira, como ir a lugares novos, usar roupas diferentes, etc., para que eles se vissem de uma maneira diferente; achava que assim ajudava-os a reconfigurar a imagem de falante ou, usando a linguam dele, a reconfigurar a motricidade."


Contrariamente ao que afirmou Silvia, a colega não experimentou a "ausência de gagueira", mas experimentou da aceitação, o que é um passo importante para sair da gagueira sofrimento. Não tenho certeza, pois ela não tocou nesse assunto, se ela também não tentou colocar a fala em um local idealizado, através dos famigerados truques. Caso ela tenha feito isso, de acordo com a minha experiência e com a teoria de Friedman, posso dizer que com mais algum tempo ela seria uma outra pessoa.

Tenho para mim que se essa colega ficasse uns dois meses em Manaus, agindo como agiu no final de semana (aceitando suas disfluências, aceitando sua fala e aceitando-se), as disfluências com um certo tempo ficariam sem tensão, perderiam forças, ficariam leves, tendo em vista que ela não interferiu no espontâneo, não entrou no ciclo vicioso da gagueira (pensa que vai falar, usa truques para "falar direito", gera tensão, gagueja, usa mais truques, fica decepcionado...), com isso, muito possivelmente ela ganharia uma nova dinâmica verbal.

19 setembro 2005

Parte de Nós

O poema abaixo foi a mim enviado por Olavo Borges. Achei-o interessante e por este motivo decidi publicá-lo aqui para dividi-lo com vocês. Talvez sirva como um conforto e reflexão para os que sofrem com a gagueira. O autor é desconhecido.


Parte de Nós

Espero que você possa aceitar as coisas como elas são...
Sem pensar que tudo conspira contra você...
Porque parte de nós é entendimento....
Mas a outra parte é aprendizado...

Que você possa ter forças para vencer todos os seus medos...
Que no final possa alcançar todos os seus objetivos...
porque parte de nós é cansaço...
mas a outra parte é vontade...

Que tudo aquilo que você vê e escuta possa lhe trazer conhecimento...
Que essa escola possa ser longa e feliz...
Porque parte de nós é o que vivemos...
Mas a outra parte é o que esperamos...

Que a manhã possa lhe oferecer todo dia a divina luz..
Que você possa fazê-la seu único e verdadeiro caminho...
Porque parte de nós é dúvida...
Mas a outra parte é crença...

Que você possa aprender a perder sem se sentir derrotado...
Que isso possa fazer você cada vez mais guerreiro...
Porque parte de nós é o que temos...
mas a outra parte é sonho...

Que durante a sua vida você possa construir sentimentos verdadeiros...
que você possa aceitar que só quem soube a sombra; pode saber a luz...
Porque parte de nós é angústia...
Mas a outra parte é conforto...

Que você nunca deixe de acreditar...
Que nunca perca sua fé...
Porque parte de Deus é amor...
E a outra parte também!