27 outubro 2005

Dia Internacional em Manaus

A postagem de hoje é um relato do amigo Renato Cruz, de Manaus, sobre o Dia Internacional de Atenção à Gagueira em sua cidade. Vale a pena ler até o final. Renato, agradeço-o pelo envio deste texto.

Segue o texto:

O evento alusivo ao Dia Internacional de Atenção à Gagueira em Manaus foi realizado no dia 19 de outubro, quarta-feira, na Universidade Nilton Lins, tendo a frente as fonoaudiólogas Elizabeth Williams e Cláudia de Lucca, ambas do corpo docente da referida
instituição.

Fui convidado pela Elizabeth (Beth) cerca de duas semanas antes e recebi tranqüilamente a notícia, pois como ela já foi minha fono, eu já havia me disponibilizado para qualquer necessidade que ela tivesse da minha presença. O fato de hoje em dia eu receber este tipo de convite com tanta naturalidade me faz sentir o quanto já dissipei o medo de falar em público: há pouco tempo atrás (pelo menos há três anos) eu ficaria completamente
desesperado com um convite desse tipo.

Nos dias que se antecederam ao evento eu e a coordenação local(através de e-mails e telefonemas) entramos em contato com a mídia, solicitando cobertura. Não fiquei sabendo se foi publicada alguma nota em jornal, mas o importante foi que tivemos cobertura da principal emissora de TV de Manaus.

Chegado o dia me surpreendi com a organização: o local foi uma espécie de miniauditório da universidade, com capacidade para pelo menos 80 pessoas. O público foi chegando lentamente (na entrada todos receberam folders) e em pouco tempo o lugar estava tomado de estudantes e outras pessoas(e eu tão tranqüilo quanto qualquer pessoa que tivesse ido só pra assistir). Como material de apoio havia um datashow com telão e um sistema de som, instalados no local. Fui convidado então para participar da composição da mesa juntamente com a Beth, Cláudia e a profª Luciana Barbarena, coordenadora do curso de Fonoaudiologia. Pode parecer falta de modéstia, mas me senti honrado ao ocupar aquele lugar (ganhei até uma pasta personalizada!)

Na primeira parte foi feita uma apresentação sobre o tema do evento, o Dia Internacional de Atenção à Gagueira (22 de outubro), o tema deste ano(Gagueira Não Tem Graça, Tem Tratamento), etc. Em seguida a Beth apresentou slides sobre a importância da abordagem fonoaudiológica, descrição do problema da gagueira e tipos de tratamentos existentes, tanto para adultos quanto para crianças. Uma hora depois eu fui convidado a prestar meu depoimento. Confesso que por uma certa comodidade preferi seguir um roteiro mental para apresentação, ao invés de apresentar slides, porém já decidi que numa próxima oportunidade pretendo usar todos os recursos que estiverem disponíveis.

De posse do microfone comecei a contar minha história com a gagueira por cerca de 40 minutos e todos pareceram bem atentos. Até embarguei a voz em determinado momento, lembrando dos progressos que já obtive(ou quem sabe das derrotas). Interessante também que consegui até ser engraçado(como a maioria dos gagos, não tenho talento pra humorista) ao contar que minha mãe batia na minha cabeça com uma colher de pau quando eu era criança, seguindo uma simpatia ensinada por uma vizinha.

Após o meu relato foi realizada uma mesa-redonda muito proveitosa com as três fonos.

Ao final das explanações houve uma agradável bateria de perguntas onde fui tão questionado quanto qualquer uma das fonos. Respondi a todas as perguntas que me foram feitas, com muita tranqüilidade, procurando ser o mais esclarecedor possível. Pude perceber o quanto os estudantes têm curiosidade em conhecer o ponto de vista da pessoa que gagueja.

Comentei também sobre a minha vontade de montar um grupo de apoio e pedi a colaboração de todos para divulgarem a notícia. Por falar nisso, compareceram ao evento três pessoas com problema de gagueira, atraídas por um anúncio que coloquei no jornal local de maior circulação e que manifestaram seu interesse em participar do referido grupo. Isso para fim foi um desfecho com chave de ouro. Mas ainda tinha uma surpresinha: no finalzinho de tudo fui agraciado com um belo certificado de participação concedido pela universidade. Quanta honraria para um reles mortal! Foi muita alegria para um dia só.

E o melhor de tudo: saí de lá com uma incrível sensação de que poderei fazer muito melhor no futuro, quem sabe falando de qualquer assunto, em qualquer oportunidade. Espero sinceramente que muitos outros colegas passem por essa mesma experiência: é muito empolgante!

Finalizando, quero então aproveitar a ocasião para parabenizar a todas as pessoas que coordenaram e participaram (local e nacionalmente) da realização do Dia Internacional de
Atenção à Gagueira, sem esquecer também de agradecer a todos os colegas das listas que participo, com os quais aprendo todos os dias. Certamente muitas pessoas foram sensibilizadas sobre o tema e espero que as próximas campanhas atinjam resultados tão estimuladores e favoráveis quanto os que foram conseguidos neste ano de 2005. Como você bem disse Wladimir, isso tudo é apenas o início de uma nova era e espero que também seja um verdadeiro divisor de águas!

Renato Cruz - Manaus-AM

25 outubro 2005

Uma Nova Era


Quem acompanha este blog sabe que para mim, o Dia Internacional de Atençao à Gagueira (DIAG) estava sendo aguardado como um divisor de águas, como um marco para a Gagueira. Eu estava certo. Não foi preciso ter uma bola de cristal para adivinhar que uma nova era estaria surgindo. Após a realização de todos os eventos, o saldo é mais que positivo.

Cada cidade tem o seu balanço: em São Paulo foi ótimo, em Natal maravilhoso, em Fortaleza muito bom, em Manaus foi show, em Brasília valeu a pena, na Bahia teve até entrevista...

É bem verdade que o evento de São Paulo foi o "principal" e que eu e outros colegas também gostaríamos de está presente. Eu, particularmente, conheço algumas pessoas de Sampa e sei que o negócio foi realmente muito legal, por ter sido feito por pessoas legais. Mas o fato de morarmos distante também fez com que o evento ganhasse maiores proporções e alcançasse muito mais pessoas. Outras cidades foram presenteadas com palestras, distribuição de panfletos, entrevistas na TV, debates, entre outras ações. Serviços de formiguinhas.

Todos estão realmente de parabéns. Em especial aos que mostraram a cara e falaram sobre a gagueira. Esse obstáculo é o que deve ser vencido por nós. Cada vez que falamos sobre o assunto mais ele fica fraco, mais ficamos fortes. Uma nova era para cada um de nós que abordamos o tema.

Se me pedissem para resumir o Dia Internacional de Atenção à Gagueira eu repetiria as palavras de Letícia Albanese. Na lista Discutindo Gagueira ela falou: "Sábado, eu senti isso mesmo, um incentivo, senti que tem um caminho". É ou não é uma nova era?

Gostaria que você também resumisse o DIAG. Deixe seu comentário. Não precisa se indentificar. Basta clicar em anônimo.

19 outubro 2005

Significado do Evento

A Fonoaudióloga Daniela Verônica Zackiewicz respondeu-me a seguinte pergunta:

- Em sua opinião, o que representa, para as pessoas que gaguejam e para a área da fonoaudiologia, o evento Dia Internacional de Atenção à Gagueira?

O Dia Internacional de Atenção à Gagueira representa, em um primeiro momento, a união de pessoas que gaguejam e fonoaudiólogos com o objetivo de mobilizar a sociedade, prestando esclerecimentos e contribuindo para uma mudança na consciência coletiva a respeito da gagueira. A qualidade de vida de uma pessoa com gagueira depende diretamente do grau de consciência que as pessoas que a cercam tem a respeito do problema - pais, professores, amigos, conhecidos, chefes, funcionários, comerciantes...
O Dia Internacional de Atenção à Gagueira é também uma oportunidade para que haja, além da mobilização, uma confraternização das pessoas envolvidas com o tema gagueira. Essa troca de experiências pessoas e profissionais tem uma riqueza inestimável para todos.
Enfim, é um dia que nos lembra o quanto precisamos trabalhar para tornar o sonho de um mundo de respeito e dignidade para as pessoas que gaguejam. E também para comemorarmos os passos que demos em direção a isso.


Fga. Me. Daniela Veronica Zackiewicz
Vice-presidente da ABRA GAGUEIRA
daniela.veronica@itelefonica.com.br
www.abragagueira.org.br

17 outubro 2005

Fórum Aberto

Amigos visitantes deste blog, informo-lhes que o Fórum on-line já está disponível para todos. Abaixo segue o convite da Comissão Organizadora do evento. Acessem o sítio da ABRA GAGUEIRA e tenham um bom proveito. A oportunidade é agora!

Oportunidade para todos


"GAGUEIRA NÃO TEM GRAÇA. TEM TRATAMENTO"

Convite:

A partir deste dia 16 de outubro haverá um fórum de discussão sobre gagueira e suas múltiplas abordagens no site da ABRA GAGUEIRA (
www.abragagueira.org.br) ou diretamente na página http://abragagueira.org.br/forumonline.html.

Serão disponibilizados textos de doze profissionais cujo foco de interesse principal é a gagueira. Eles abordarão seus embasamentos teóricos e suas visões terapêuticas. Será possível elaborar perguntas para que estes profissionais possam responder às dúvidas. Isto tudo estará à disposição das pessoas que gaguejam, dos que as cercam, e de todos os interessados no tema. Teremos assim a possibilidade de conhecer um pouco mais sobre a sofisticada e complexa condição da pessoa que gagueja e as alternativas terapêuticas disponíveis.

Haverá um formulário próprio para o envio das questões no final do texto de cada autor. Estas serão encaminhadas a eles e as respostas constarão no site para que todos tenham acesso às mesmas. Os textos serão de autoria dos seguintes profissionais:

Profª Drª Ana Schiefer
Profª Drªnda Anelise Junqueira Bohnen
Profª Drª Beatriz Ferriolli
Profª Drª Claudia Regina Furquim de Andrade
Profª Drª Cristiane Oliveira
Me. Eliana Maria Nigro Rocha
Me. Fernanda Papaterra Limongi
Profª Drª Ísis Meira
Profª Drª Maria Cláudia Cunha
Profª Drª Mônica Britto Pereira
Profª Drª. Regina Jakubovicz
Profª Drª Sílvia Friedman

Com certeza, todos aproveitarão intensamente esta oportunidade de diálogo que muito nos enriquecerá.

PARTICIPEM!

Um grande abraço da Comissão Organizadora Nacional

Fga. Me. Ignês Maia Ribeiro -
ignes@uol.com.br
Fga. Me. Eliana Maria Nigro Rocha -
eliananigrorocha@uol.com.br
Fga. Mestranda Sandra Merlo -
sgmerlo@yahoo.com.br
Fga. Me. Daniela Verônica Zackiewicz -
daniela.veronica@itelefonica.com.br

15 outubro 2005

Novos Ventos

Kibô = Esperança


A Semana Internacional de Atenção à Gagueira está iniciando. A partir de segunda-feira eventos no Brasil todo começarão a pipocar. Algo nunca visto antes por aqui. Sempre a gagueira ficou escondida. Fala-se de tudo na televisão: obesidade, tabagismo, cegueira, surdez, síndrome de down, entre outras coisas. Sempre de maneira séria. A gagueira quando é abordada é de maneira engraçada, cheia de mitos, tabus e com pessoas oportunistas.

A coisa começa a mudar.

A ABRA GAGUEIRA (da qual sou associado) está fazendo um excelente trabalho. Não deixem de participar do fórum on-line. Mandem sua pergunta, sua dúvida, seu depoimento. Muitas fonoaudiólogas capacitadas para tratar gagueira estarão ao nosso dispor.

Mas a ABRA GAGUEIRA não está sozinha. O CEFAC e o HSPE também estão trabalhando na causa. Em diversas cidades do país, fonoaudiólogas co-organizadoras do evento estarão desenvolvendo ações de conscientização. Em todas as regiões brasileiras há pelo menos uma co-organizadora. Saiba quais cidades participam: Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Cuiabá e Várzea Grande (MT), Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), Ipiranga do Sul (RS), Itajaí (SC), Londrina (PR), Manaus (AM), Natal (RN), Porto Alegre (RS), Salvador, Ilhéus e Itabuna (BA), São José dos Campos, São Vicente, Ribeirão Preto, Marília, Jundiaí e Itaí (SP), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ) e Vitória (ES).

Além disso, há ainda as fonoaudiólogas colaboradoras e as pessoas que gaguejam. Estas distribuirão cartazes e panfletos, manterão contatos com meios de comunicação e/ou darão palestras em suas cidades. Estas eu faço questão de citar. Pois, para quem gagueja não é fácil dá a cara para bater. São elea: Dielha Maciel dos Santos (Anápolis-GO), Denison Tosta Mirandola (Cariacica - ES), Verusca Lino da Silva (Ilhéus - BA), Renato Cruz (Manaus - AM), Luiz Cláudio Nazaré de Mendonça Procópio (Ouro Preto - MG), Roberta Alves de Oliveira (Salvador - BA), Roberto Tadeu da Silva (São Paulo- SP), Fábio Bremenkamp (Vitória - ES) e eu (Natal-RN). Para todos o meu profundo respeito e congratulações. É verdade que são poucos gagos, oficialmente, participando da campanha. Nas listas que participo existem pelo menos 400 pessoas. Porém, somente nove se dispuseram a participar. Somos poucos, mas vamos fazer muito. Vamos fazer o nosso melhor. Outros, de maneira anônima também estarão fazendo algo.

13 outubro 2005

Sem Graça


Como o Dia Internacional de Atenção à Gagueira (DIAG) está aproximando-se, aproveito para publicar um texto escrito, em virtude deste dia, pela Fga. Priscilla Silveira, direcionado para as pessoas que sofrem com a gagueira. A mensagem vai ao encontro do tema da campanha pelo DIAG.

“Gagueira não tem graça. Tem tratamento.”

Meu desejo aqui não é teorizar sobre a gagueira, mas falar sobre a mesma a partir da perspectiva de alguém que lida com sujeitos gagos há alguns anos.

Assim, não falarei de uma patologia, mas de alguém que por ela se angustia, sofre, teme, foge de algo que todos julgam tão simples: falar. Não posso deixar de considerar, então, por outro lado, as pessoas que riem, contam piadas, mangam maldosamente deste assunto...

Pergunto-me: como podem achar graça? Saberiam eles o que é falar e não ser aceito? O que é querer ser falante como qualquer outro, mas não conseguir? Ou ficar com vontade de falar algo, mas preferir se silenciar a se expor? Creio que não.

Lembro-me agora de um paciente quando abordado sobre o que achava quando as pessoas completavam a fala dele e, surpreso, respondeu inocentemente: “não sei como as pessoas conseguem adivinhar o que vou falar! É sério! A palavra prende e elas já sabem o que vou falar!” Pergunto-me, mais uma vez: saberiam as pessoas o que é tentar falar e ser falado pelo outro?

Saiba que por trás de alguém que gagueja há alguém que tem a capacidade de falar, há alguém que busca incessantemente esta capacidade, porque quer ser igual a você, aceito por você. Mas a gagueira tem tratamento! O sujeito gago pode encontrar seu caminho. Concorda que será melhor se não colocarmos pedras que dificultem sua chegada?

Pois é, a gagueira é algo sério e você ainda não deve ter visto por esse lado. Quem sabe você também tenha um problema e não gostaria que agissem negativamente em relação a ele.

Chega de rir do que não tem graça! Eu não precisei ser gaga para achar isso...

Priscilla Silveira
Em homenagem a todos os sujeitos que buscam falar com liberdade!