21 novembro 2005

Entrevista para o RN TV - Repercussão



Antes de falar como foi a repercussão da entrevista, vou abordar o dia antes, o domingo. Este dia foi meio complicado, pois eu estava meio ressecado de algumas cerveja que bebi com meu futuro sogro. Passei o domingo todo indisposto, mas nada comparado com o finalzinho da tarde, adentrando à noite. O enjôo tomou conta por completo. Comecei a sentir calafrios, dores na barriga, ânsia de vômito, entre outras coisa típicas de quando eu ficava nervoso por ter que falar em uma entrevista de emprego, apresentação de trabalhos...Então, eu liguei essas sensações à entrevista que daria na segunda-feira. A noite toda fiquei deitado e conversando com minha namorada. Falei para ela que eu não estava me sentido capacitado para ser entrevistado e abrir para todo mundo o lado mais íntimo e mais sensível da minha vida. Cheguei a ligar para o meu contato dentro da TV Cabugi para desmarcar, mas (na hora) infelizmente não consegui falar com ele. Minha namorada percebendo o meu "nervosismo", sentou-se ao meu lado e começou a escrever algo que dizia ser a preparação da sua aula. E por ali ficou escrevendo até que ao final surpreendeu-me com uma cartinha de incentivo, dando-me como conselho fazer a matéria, pois o lado social seria muito compensador. Algum tempo depois de ler a cartinha, senti um forte enjôo e vomitei. Ainda bem que depois disso eu mudei completamente. Como eu não sou de beber demasiadamente, como nunca ficara enjoado por causa de bebida, relacionei tudo que eu estava sentido com a matéria que faria no dia seguinte. Ledo engano. Era tudo decorrente da bebida e eu não sabia. Depois disso e da leitura da cartinha da minha namorada, a disposição e a vontade de ser entrevistado, de falar sobre a gagueira de modo sério, de fazer a minha parte para mudar a imagem qua a sociedade tem dos gagos e da gagueira, tomou conta de mim (sem falar que eu sempre solicitei a programas de TV que abordassem o assunto, eu não poderia amarelar). Vamos à repercussão...

Após a veiculação da matéria sobre gagueira, no RN TV 1ª Edição, ocorreram (e ainda ocorrem) algumas reações das pessoas. Assim que terminou, um vizinho bem antigo me ligou, super-emocionado, parabenizando-me e dizendo-se surpresso porque não sabia que eu era gago, que eu era "muito macho" para ter ido à televisão falar sobre isso e que imaginava as dificuldades que eu enfrentara. Agradeci o gesto e disse-lhe que também estava emocionado (assisti à matéria o tempo todo com lágrimas nos olhos). Além dele, muito familiares e amigos falaram que a reportagem ficou muito bem feita; meu pai disse que eu fiz um belo trabalho social; minha futura sogra elogiou bastante a entrevista; minha irmã parabenizou-me pelo desafio vencido; meu cunhado também ficou impressionado com a seriedade dada ao assunto; meus avós gostaram muito também; tios e tias ficaram muito contentes por mim; minha namorada ficou super-orgulhosa e eu estou muito bem comigo, nunca senti emoção igual. Além de ser a realização de um sonho que sempre imaginei (dar entrevistas - só não sabia que seria sobre o meu maior dos calos), mas que era visto com muitas limitações, foi algo que fiz pensando em todos os meus amigos e colegas que enfrentam diversos obstáculos por causa da gagueira.


O melhor de tudo é que depois da reportagem, eu tenho conversado com diversas pessoas sobre mim, sobre a minha evolução e também sobre a gagueira. O que antes eu nunca conseguiria fazer, conversar sobre gagueira, hoje é o meu assunto predileto. Tenho grande prazer em abordar o assunto, em conscientizar os meus interlocutores e sempre tenho mostrado a realidade dos gagos e que realmente Gagueira Não Tem Graça, Tem Tratamento. Por falar nisso, sobre esta frase gostaria de dizer algo mais para terminar esta postagem: amigos, percebam que ela tem duas partes. A primeira é "Gagueira Não tem Graça" e é direcionada para a população em geral, para conscientizá-la da seriedade do assunto. A segunda, "Tem Tratamento", é para nós, os gagos, que devemos buscar ajudar capacitada, tem muita fono preparada para tratar-nos (mas informe-se bem, nem toda fonoaudióloga sabe tratar gagueira) e ajudar-nos a sairmos de dentro do casulo e voarmos sobre os nossos obstáculos. Só depende de cada um. O tratamento fonoaudiológico exige muita entrega, dedicação e trabalho pessoais para mudar o nosso modo de pensar a fala e de falar.

15 novembro 2005

Relatos de um Paciente - Parte II

continuando...

Minha Terapia (Parte II)

Como, pois, eliminar estes hábitos de tensão, intensificados pela não aceitação e pelo desequilíbrio emocional? Os dois pontos primeiros me foram bastante fáceis de compreensão e de modificação, mas o terceiro só há pouco tempo eu o compreendi. Mas, ainda era muito nebuloso e eu só compreendia e experimentava em algumas situações. Os conteúdos com que devia trabalhar não eram mais palpáveis e nem externos, mas apenas sentimentais, espirituais e internos. Por isso me foram muito difíceis de compreensão e de análise e só foram compreendidos quando muito trabalhados na terapia.
Comecei a trabalhar-me mais com relação a este ponto. Foi um trabalho intenso na análise das situações e de seu significado para lidar com o meu medo. Tudo me trazia medo. Descobri que o meu medo provinha da fantasia da realidade. Esta, por sua vez provocava-me a tendência de antecipar as situações e com isso a ansiedade. Analisei detalhadamente como ocorria a ansiedade e vi que provinha de medos que minha fantasia criava. Lutei então para me livrar das fantasias e quis conhecer toda a realidade de meu corpo e a realidade que me cercava. Percebi que tinha toda uma idéia e uma concepção errada das coisas que me cercavam durante toda a minha vida. Com o conhecimento da realidade mais acentuado, a fantasia e a ansiedade foram diminuindo progressivamente; assim também o medo. Desse modo comecei a sentir a vida como ela realmente é, pois comecei a viver o momento presente com coisas reais e já comecei a me identificar como pessoa e a tomar uma posição diante da vida. Minha vida começou a ficar mais clara e meu modo de viver também foi tomando novos rumos. Mas nesse meio tempo de conquistas internas ocorreram muitas operações tartarugas, isto é, uma parada, talvez acomodação, para depois haver uma conscientização maior de todas as descobertas que eu fizera.
A tensão do corpo já tinha diminuído muito e eu percebia-me sob novos horizontes e novos aspectos da vida. Porém as descobertas que eu havia feito não eram todas, ainda me restava um longo caminho, talvez, de uma vida toda.
Percebendo a realidade sob novos aspectos e sem emoção, quis trabalhar-me mais especificamente com respeito à fala. Vi que enquanto falava o que ocorria em mim era realmente alteração da tensão, naturalmente muitas vezes influenciada pela emoção inadequada e não-aceitação da gagueira, que estavam já sendo trabalhadas. Passei então a combinar todas as descobertas que havia feito com respeito à tensão, às emoções e aos hábitos de fala, para modificar minha fala e meus gaguejos. Para isso tive que conscientizar-me de todo o meu mecanismo de produção de fala e também analisar como deveria ser o seu funcionamento normal.
A verbalização é um mecanismo que serve para a comunicação de sentimentos, de palavras, de sons e de conceitos, mas ela, em si, não deve trazer nenhuma alteração da tensão e não pode, habitualmente, ser tão alterada pela emoção. Percebi que eu sou o responsável pela inadequada alteração da tensão e pelo inadequado uso da emoção na minha comunicação. Por isso o que deveria ser feito era:
1) conscientizar-me de minha realidade, percebê-la como distorcida, lidar com minhas emoções de uma forma mais equilibrada;
2) perceber meu corpo, reconhecer as alterações de tensão e as ações musculares inadequadas e;
3) partir para as modificações.
Minha atitude interna aos poucos foi se firmando e eu fui começando a perceber toda a inadequação do meu posicionamento anterior. Descobri também que na comunicação existiam dois papéis, o de receptor e o de emissor, e para que a comunicação fosse boa, era preciso assumir-los integralmente. Percebi que a antecipação que ocorria pela fantasia, me tirava da realidade e o medo aparecia e interferia em meus papéis de emissor e receptor. Assumindo todos estes papéis na íntegra, minha comunicação se tornava uma participação e um aproveitamento de novos conteúdos e novas descobertas. Vi também que se eu assumisse todos os meus papéis de receptor e de emissor adequadamente e "controlasse" todos os distúrbios e desequilíbrios internos, eu permaneceria vivendo o presente da situação e não ocorreria mais a fantasia e os medos exagerados
e infundados.

continua...

Entrevista para o RN TV

Amigos, ontem fui entrevistado para a TV Cabugi, filiada à Rede Globo, para transmissão do sinal aqui no Rio Grande do Norte. O programa será trasmitido amanhã, quarta-feira. Passará no quadro "Como vai sua saúde?", do RN TV 1ª Edição, minha fono também será entrevistada.

Apesar do repórter ter chegado para a entrevista com alguns preconceitos, espero ter passado para ele a seriedade que o assunto merece. Estou ansioso para ver a matéria montada. Nunca se sabe o tom que eles darão ao editá-la. Mas uma coisa é certa, eles não podem alterar o conteúdo sério das minhas palavras.

08 novembro 2005

Relatos de um Paciente - Parte I

Amigos, primeiramente quero me desculpar pela ausência de novas postagens neste blog. É que estou muito ocupado, estudando bastante.

Mas, para não deixar este espaço muito abandonado, colocarei um relato do paciente G.A. que li no livro "Tratando Gagueira - Diferentes Abordagens", organizado pela Fonoaudióloga Isís Meira, ela também foi a responsável pelo tratamento do paciente em destaque.

O relato é relativamente extenso, por esse motivo dividirei-o em três partes. Uma breve introdução: o paciente teve o nome preservado pela fonoaudióloga. G.A é formado em Administração de Empresas, seu trabalho exigia bastante comunicação verbal, o que o deixava muito ansioso e preocupado. O medo, a vergonha de se mostrar gago estava interferindo na sua carreira profissional e o impedindo de crescer. G.A. dedicou-se à terapia, evoluiu bastante em relção à fala e em sua última sessão, surpreendeu a fono “com um relato sobre todo o seu processo, cheio de dificuldades, de altos e baixos, de idas e vindas, mas que evidenciava uma tomada de consciência progressiva, uma mudança trabalhada, que aos poucos se tornava definitivamente parte de seu modo de pensar a gagueira”.

Decidi colocar este relato aqui, pois tem muita coisa parecida com a minha evolução, está muito bem escrito e pode/deve servir de estímulo a todos que sofrem por gaguejar. Tenham todos uma boa leitura.


Minha Terapia (parte I)


Minha vida até antes da terapia de gagueira que eu estou agora fazendo era um caos interior. Tentei buscar por todos os meios imagináveis e possíveis, a solução imediata para meu problema. Vivia frustrado, ansioso, com medo das pessoas, com medo das situações, com medo das palavras, com medo de gaguejar, com medo de ser eu mesmo. Tinha pesadelos, dores de estômago, vontade de fugir; não queria que me identificassem como gago de jeito nenhum. Todas as tentativas feitas para “curar” minha gagueira tinham sido frustradas e eu me acreditava irremediavelmente condenado a viver minha vida como um “gago”. Tinha lido e sabia que muitos tinham conseguido vencer a gagueira e que agora eram pessoas de destaque. Mas eu já não me acreditava com possibilidades de vencer, ou seja, “curar” minha gagueira. Não tinha mais confiança em nenhum método ou forma que me curasse do problema e da situação desesperadora em que eu me encontrava.
Fiz muitos tratamentos com pessoas que se interessaram por meu caso, e obtive algumas melhoras temporárias, mas depois de algum tempo retornava ao meu velho hábito de gagueira e insatisfação interior. Fiz também um tratamento por correspondência, mas neste eu não obtive melhora. Foi quando comecei esta terapia como última tentativa para “curar” minha gagueira.
Pensei que então tinha achado a “pílula mágica” para resolver meu problema. Mas o que ocorreu não foi nada disso. A terapia desenvolveu-se em uma abordagem totalmente diferente daquela que eu esperava. Eu esperava que com algumas sessões ficaria curado de imediato. Foi quando soube que eu era o responsável pelo tempo que gastaria, ou seja, eu trabalharia no meu problema; e que apenas eu deveria e poderia “curar” minha gagueira. E soube de mais uma coisa: que era totalmente impossível eu deixar de ser gago, isto é, eu deixar de ter a possibilidade de gaguejar. Eu poderia não gaguejar, se me mantivesse cuidando da gagueira, mas eu continuaria sendo um gago, mesmo que a gagueira nunca mais aparecesse.
Comecei então minha terapia da gagueira. Percebi que na gagueira tinha um círculo vicioso onde se podia enumerar com exatidão dois pontos: a tensão acentuada no corpo, a emoção e a não-aceitação que eu sentia.
Tudo ainda me parecia nebuloso e difícil de compreender. Sabia que estes pontos, quando em equilíbrio, funcionavam conjuntamente. Por ora deveria trabalhá-los individualmente para percebê-los, mas naturalmente, para mais adiante, eles começariam a se complementar.
Aprendi que deveria detectar o que realmente sentia e o que ocorria em mim quando gaguejava.
Pelos exercícios de relaxamento fui percebendo o estado de tensão em que me encontrava. Meu corpo estava totalmente desregulado e desequilibrado. Aos poucos fui percebendo-me com todas as partes tensas; músculos, movimentos, gestos, juntas etc. Trabalhei com relaxamentos acentuados, para perceber minha tensão no corpo inteiro, já que no momento da gagueira muitas partes do corpo tinham a tensão alterada. Um pouco cada dia percebia que ia modificando meu estado de tensão em um estado de maior relaxamento e
bem-estar.
Toda a musculatura que participava especificamente da gagueira, atuando de uma forma imprópria, inadequada, foi também muito trabalhada. Além do trabalho executado durante as sessões, foi meu dado como tarefa trabalhar em casa, contato que este trabalho pudesse ser feito de forma consciente.
Conjuntamente a esse trabalho da tensão do corpo, trabalhei-me no aspecto ligado diretamente à fala. Quis modificar minha maneira de falar, ou seja, de gaguejar, de uma maneira tensa e afobada, apressada e rígida, para uma soltura geral. Também aqui percebi que houve um crescimento constante e uma mudança progressiva e importante com respeito aos gaguejos.
Mas isso não era tudo. Ainda sentia medo, frustração, vergonha, ansiedade, vontade de fugir. Procurei então, com a ajuda da terapia, enfrentar e descobrir o que me deixava neste estado de angústia interior e vontade de fugir. Aí foi que descobri o que de mais importante achei na terapia e que aos poucos foi se desenvolvendo para uma para uma maior segurança e posicionamento na realidade.
Descobri que o que era mais importante era o que se passava dentro de mim, o que eu sentia dentro de mim com respeito à gagueira. Aos poucos fui percebendo que o aspecto emocional está ligado intimamente à fala e ao equilíbrio interno. Meu equilíbrio interior estava totalmente desconcertado e desequilibrado, de modo que a não-aceitação da gagueira a angústia e a frustração iam aumentando cada vez mais. A minha grande descoberta então, foi com respeito à atitude interna, que ficava escondida ou reprimida. O que era mais importante não era o que aparecia, ou seja, a gagueira, mas o que me conduzia a ela. Percebi que a gagueira mais acentuada só aparecia quando eu me encontrava em um estado de medo, frustração, fuga, ansiedade e vergonha; isto é, quando internamente eu estava abalado e desequilibrado ela se intensificava e ficava mais difícil mudar os meus hábitos musculares que formavam a gagueira. Eu soube, então, que a gagueira era um hábito que sempre ocorria para mim em determinadas situações.



continua...

27 outubro 2005

Dia Internacional em Manaus

A postagem de hoje é um relato do amigo Renato Cruz, de Manaus, sobre o Dia Internacional de Atenção à Gagueira em sua cidade. Vale a pena ler até o final. Renato, agradeço-o pelo envio deste texto.

Segue o texto:

O evento alusivo ao Dia Internacional de Atenção à Gagueira em Manaus foi realizado no dia 19 de outubro, quarta-feira, na Universidade Nilton Lins, tendo a frente as fonoaudiólogas Elizabeth Williams e Cláudia de Lucca, ambas do corpo docente da referida
instituição.

Fui convidado pela Elizabeth (Beth) cerca de duas semanas antes e recebi tranqüilamente a notícia, pois como ela já foi minha fono, eu já havia me disponibilizado para qualquer necessidade que ela tivesse da minha presença. O fato de hoje em dia eu receber este tipo de convite com tanta naturalidade me faz sentir o quanto já dissipei o medo de falar em público: há pouco tempo atrás (pelo menos há três anos) eu ficaria completamente
desesperado com um convite desse tipo.

Nos dias que se antecederam ao evento eu e a coordenação local(através de e-mails e telefonemas) entramos em contato com a mídia, solicitando cobertura. Não fiquei sabendo se foi publicada alguma nota em jornal, mas o importante foi que tivemos cobertura da principal emissora de TV de Manaus.

Chegado o dia me surpreendi com a organização: o local foi uma espécie de miniauditório da universidade, com capacidade para pelo menos 80 pessoas. O público foi chegando lentamente (na entrada todos receberam folders) e em pouco tempo o lugar estava tomado de estudantes e outras pessoas(e eu tão tranqüilo quanto qualquer pessoa que tivesse ido só pra assistir). Como material de apoio havia um datashow com telão e um sistema de som, instalados no local. Fui convidado então para participar da composição da mesa juntamente com a Beth, Cláudia e a profª Luciana Barbarena, coordenadora do curso de Fonoaudiologia. Pode parecer falta de modéstia, mas me senti honrado ao ocupar aquele lugar (ganhei até uma pasta personalizada!)

Na primeira parte foi feita uma apresentação sobre o tema do evento, o Dia Internacional de Atenção à Gagueira (22 de outubro), o tema deste ano(Gagueira Não Tem Graça, Tem Tratamento), etc. Em seguida a Beth apresentou slides sobre a importância da abordagem fonoaudiológica, descrição do problema da gagueira e tipos de tratamentos existentes, tanto para adultos quanto para crianças. Uma hora depois eu fui convidado a prestar meu depoimento. Confesso que por uma certa comodidade preferi seguir um roteiro mental para apresentação, ao invés de apresentar slides, porém já decidi que numa próxima oportunidade pretendo usar todos os recursos que estiverem disponíveis.

De posse do microfone comecei a contar minha história com a gagueira por cerca de 40 minutos e todos pareceram bem atentos. Até embarguei a voz em determinado momento, lembrando dos progressos que já obtive(ou quem sabe das derrotas). Interessante também que consegui até ser engraçado(como a maioria dos gagos, não tenho talento pra humorista) ao contar que minha mãe batia na minha cabeça com uma colher de pau quando eu era criança, seguindo uma simpatia ensinada por uma vizinha.

Após o meu relato foi realizada uma mesa-redonda muito proveitosa com as três fonos.

Ao final das explanações houve uma agradável bateria de perguntas onde fui tão questionado quanto qualquer uma das fonos. Respondi a todas as perguntas que me foram feitas, com muita tranqüilidade, procurando ser o mais esclarecedor possível. Pude perceber o quanto os estudantes têm curiosidade em conhecer o ponto de vista da pessoa que gagueja.

Comentei também sobre a minha vontade de montar um grupo de apoio e pedi a colaboração de todos para divulgarem a notícia. Por falar nisso, compareceram ao evento três pessoas com problema de gagueira, atraídas por um anúncio que coloquei no jornal local de maior circulação e que manifestaram seu interesse em participar do referido grupo. Isso para fim foi um desfecho com chave de ouro. Mas ainda tinha uma surpresinha: no finalzinho de tudo fui agraciado com um belo certificado de participação concedido pela universidade. Quanta honraria para um reles mortal! Foi muita alegria para um dia só.

E o melhor de tudo: saí de lá com uma incrível sensação de que poderei fazer muito melhor no futuro, quem sabe falando de qualquer assunto, em qualquer oportunidade. Espero sinceramente que muitos outros colegas passem por essa mesma experiência: é muito empolgante!

Finalizando, quero então aproveitar a ocasião para parabenizar a todas as pessoas que coordenaram e participaram (local e nacionalmente) da realização do Dia Internacional de
Atenção à Gagueira, sem esquecer também de agradecer a todos os colegas das listas que participo, com os quais aprendo todos os dias. Certamente muitas pessoas foram sensibilizadas sobre o tema e espero que as próximas campanhas atinjam resultados tão estimuladores e favoráveis quanto os que foram conseguidos neste ano de 2005. Como você bem disse Wladimir, isso tudo é apenas o início de uma nova era e espero que também seja um verdadeiro divisor de águas!

Renato Cruz - Manaus-AM

25 outubro 2005

Uma Nova Era


Quem acompanha este blog sabe que para mim, o Dia Internacional de Atençao à Gagueira (DIAG) estava sendo aguardado como um divisor de águas, como um marco para a Gagueira. Eu estava certo. Não foi preciso ter uma bola de cristal para adivinhar que uma nova era estaria surgindo. Após a realização de todos os eventos, o saldo é mais que positivo.

Cada cidade tem o seu balanço: em São Paulo foi ótimo, em Natal maravilhoso, em Fortaleza muito bom, em Manaus foi show, em Brasília valeu a pena, na Bahia teve até entrevista...

É bem verdade que o evento de São Paulo foi o "principal" e que eu e outros colegas também gostaríamos de está presente. Eu, particularmente, conheço algumas pessoas de Sampa e sei que o negócio foi realmente muito legal, por ter sido feito por pessoas legais. Mas o fato de morarmos distante também fez com que o evento ganhasse maiores proporções e alcançasse muito mais pessoas. Outras cidades foram presenteadas com palestras, distribuição de panfletos, entrevistas na TV, debates, entre outras ações. Serviços de formiguinhas.

Todos estão realmente de parabéns. Em especial aos que mostraram a cara e falaram sobre a gagueira. Esse obstáculo é o que deve ser vencido por nós. Cada vez que falamos sobre o assunto mais ele fica fraco, mais ficamos fortes. Uma nova era para cada um de nós que abordamos o tema.

Se me pedissem para resumir o Dia Internacional de Atenção à Gagueira eu repetiria as palavras de Letícia Albanese. Na lista Discutindo Gagueira ela falou: "Sábado, eu senti isso mesmo, um incentivo, senti que tem um caminho". É ou não é uma nova era?

Gostaria que você também resumisse o DIAG. Deixe seu comentário. Não precisa se indentificar. Basta clicar em anônimo.