Esse viver de maneira a esconder que é gaga, começa a associar-se até ao seu nome – Eu sou...!. Eu sou quem? O gago tem de se esconder e, como o nome o identifica, revela quem ele é, ele passa a ter dificuldade nas coisas mais simples como: dizer seu nome, dizer o número de seu telefone, pedir informações, responder “presente” em uma sala de aula, fazer leituras, apresentar trabalhos, pedir alimento em um restaurante, falar ao telefone ou interfone etc. E, assim, vai se sucedendo uma fase por fase até chegar às situações mais exageradas, quando o cérebro passa a disparar o alarme de perigo naquelas situações em que é convocado a falar. Nesse momento, aparecem todos os sintomas do ataque de ansiedade (taquicardia, sufoco, tremor nas mãos, suor, descontrole de raciocínio e vontade de fugir). Ele não consegue compreender mais porque aquilo, que seria simplesmente o ato de falar, passa a representar um perigo tão grande, que aparece de maneira tão automática. A pessoa não raciocina assim, mas simplesmente acontece. Ela nem mesmo sabe que esses são sintomas de ansiedade. Simplesmente, numa sala de aula ou em qualquer lugar público, quando pedem que ela se apresente, ela tem um ataque de ansiedade tão grande, que ela acha que está ficando louca. “Por que tudo isso acontece? Eu sei que sou uma pessoa normal, “diz ela. – “Eu não tenho medo de escuro, de ficar sozinho, estar na multidão, nem de água, nem de viajar etc... Posso trabalhar, exercer qualquer profissão.... Por que, então, na hora de falar eu sou um covarde?”
No fundo, essa pessoa sabe que não é covarde, mas não entende porque seu cérebro dispara o sinal de perigo. Ela tem consciência de que esse não é um problema físico, mas que é o fato de que sua condição de gaga será revelada, ou seja, o que ela quer esconder será revelado. É a sensação de humilhação, de ser diferente, de saber que será interpretada como insegura, incapaz, incompetente. Essa é a situação do gago.



