19 abril 2006

Texto para a Wikipédia

Agradeço aos amigos Arnoud e Olavo que incentivaram-me (nos comentários) a escrever sobre gagueira e incrementar o assunto na Wikipédia. Não prometo realizar isso dentre em breve, mas amadurecerei a idéia. Apesar de acreditar que ficaria mais embasado se o trabalho fosse feito por alguma fonoaudióloga, também tenho convicção que alguma pessoa que gagueja pode fazer bem feito.

12 abril 2006

A gagueira está nos ouvidos dos pais, dos professores...


“Um menino de quatro anos de idade que apresenta um desenvolvimento de fala normal. Até que num determinado dia Timothy hesita um pouco mais do que o normal (considerando que todas as pessoas, principalmente as crianças pequenas, hesitam enquanto falam) e com alguma tensão. É claro que ele, ao contrário de sua mãe, não o percebe.

No outro dia, a mãe esquece-se de tudo, até a hora em que Timothy apresenta um leve sinal de tensão em uma de suas muitas palavras.

Após alguns meses, a tensão persiste e aí, a mãe tem "certeza" de que Timothy tem uma gagueira.

A mãe tenta, então, convencê-lo a parar com isso, e quando ele gagueja ela lhe diz: “Não tenha pressa”, “Respire fundo antes de falar”, ou “Por que você está falando assim ?”.

Timothy que não havia percebido que fazia alguma coisa diferente, agora, quando gagueja um pouquinho e a mãe faz algum comentário, ele também começa a tomar consciência da sua gagueira.

Quanto mais ela se preocupa, mais ele se preocupa. Tenta então não “fazer isso”. Quanto mais tenta, mais “isso” piora. Ele acaba por fazer “isso”, porque “isso” existe, mas não pode fazê-lo porque deseja que sua fala seja agradável aos pais; quer a aprovação deles. Esse é o conflito. Aí está o início de uma verdadeira gagueira para Timothy que, agora, poderá nunca mais sentir os prazeres de uma comunicação fluente”.


Texto retirado da monografia de conclusão de curso de especialização em linguagem, de autoria de Daniela Leite Gomes.

Para ler o trabalho na íntegra clique aqui.

11 abril 2006

Contribuir para a Wikipédia

Quero lançar mais um desafio. Este agora é direcionado para fonoaudiólogas(os) e pesquisadoras(res) que investigam o tema Gagueira.

É gritante a diferença entre as páginas em espanhol e em inglês, da página em português sobre gagueira (disfemia), na Wikipédia. O assunto desenvolvido em português está muito pobre. Para comprovar basta clicar aqui para ler em espanhol, ou aqui para ler em inglês. Agora compare com a em português.

O que achou?
Eu, como disse antes, considero que a em português está bem carente. Apresenta muito potencial para crescer.


Já que a Wikipédia é feita pelos próprios leitores/escritores, espero que as pessoas que pesquisam sobre gagueira no Brasil, ou em outro país de idioma português, contribuam para a Wikipédia. Não precisa necessariamente ser uma cópia, uma tradução literal das outras páginas. Na página principal da Wikipédia, na coluna do lado direito, estão disponibilizadas algumas dicas para ajudar a Enciclopédia Livre. Descubra "Como contribuir para a Wikipédia".

05 abril 2006

Gagueira e Deficiência

A questão de considerar a gagueira como uma deficiência é uma grande polêmica entre as pessoas que gaguejam. Alguns que possuem uma gagueira mais severa e/ou que já se sentiram prejudicados em alguma prova oral e/ou concurso público, tendem a pensar, ver e sentir a gagueira como uma deficiência. Por outro lado, os que conseguiram transcender as dificuldades comunicativas, mas que de uma forma ou outra ainda gaguejam, são completamente contra a inclusão da gagueira no rol das deficiências fisicas legalmente reconhecidas.

Inclu-o me no segundo grupo. Não considero a gagueira como uma deficiência física. Creio que a gagueira do desenvolvimento é uma espécie de comportamento adquirido. Toda criança apresenta, em suas idades mais remotas, alguma dificuldade no amadurecimento da fala. Porém, o meio ambiente vivido e alguma predisposição genética levaram alguns a desenvolverem a gagueira sofrimento. A partir deste sofrimento, aspectos emocionais, comportamentais e psíquicos foram sendo criados no cérebro do indivíduo, de maneira que induziu este órgão a considerar aquelas informações como "normais". Reprogramar o cérebro em relação à fala, não é nada simples. Principalmente se o indivíduo pensa de tal maneira durante décadas. Mas existe tratamento adequado.

Querendo discutir esta questão, publico aqui algumas palavras da respeitada fonoaudióloga Ana Maria, de Brasília-DF, onde ela nos relata uma situação de um paciente que sentiu-se despretigiado em um concurso público e pretendia recorrer da situação baseando-se no Decreto Nº 3.298. Além do mais, a fonoaudióloga nos compartilha uma nota, publicada em Correio Braziliense, na qual uma leitora questiona um Procurador da Fazenda sobre a questão dos concursos.

Quem desejar debater e ter o seu texto aqui publicado, é só deixar um comentário com endereço eletrônico que entrarei em contato.

As palavras da Fonoaudióloga Ana Maria:


Outro dia fui procurada para analisar o Decreto Nº 3.298, de dezembro de 1999, pois o paciente se sentia prejudicado num processo seletivo em uma empresa privada. Passou em todas as provas objetivas e práticas, porém foi reprovado na entrevista e dinâmicas de grupo. Segundo ele, o motivo da reprovação era o seu desempenho comunicativo por causa da falta de fluência. Apesar de achar isso não tinha subsídios para provar que a gagueira o desclassificou.

Como pretendia prestar concurso público soube deste decreto e queria pleitear uma vaga como deficiente, porém, precisava de um laudo de um profissional da área para provar que se enquadrava nos parâmetros da deficiência do decreto.

Informei-o que a gagueira não se enquadrava no que é considerado deficiência pelo decreto, pois a referência que se faz a comunicação é nos casos de deficiência mental que compromete todo o desenvolvimento do indivíduo, inclusive suas habilidades comunicativas. Logo, a gagueira não estaria enquadrada e ele não poderia concorrer a essas vagas reservadas.

Na mesma semana saiu no jornal uma nota de um advogado respondendo a um questionamento de uma pessoa que gagueja sobre o assunto. Esta nota transcrevo abaixo:

"Eu sou gaga, em algumas situações a minha fala é muito ruim. Gostaria de saber se esse problema poderia ser alegado como falta de capacidade para o exercício de cargo público em que seja necessário o atendimento ao público. Já existe algum caso semelhante a esse na jurisprudência brasileira?”

A gagueira é normalmente considerada uma disfunção da fala. A gagueira é, na verdade, uma condição extremamente complexa que envolve mais do que a repetição das palavras, prolongamentos das sílabas e outras "disfunções" da fala. A gagueira afeta a pessoa como um todo e é mais adequadamente descrita como uma combinação de disfunções de fala, comunicação e comportamento. Por outro lado, a investidura em cargo público pressupõe como requisito básico a aptidão física e mental. Entendo que a gagueira por si só não deve ser tida com óbice para tal investidura, ainda mais porque seria necessária previsão legal para tanto, o que desconheço. Assim sendo, em uma hipótese remota de ocorrer desclassificação no concurso em face de tal distúrbio, entendo que seria plenamente o ajuizamento de uma ação no sentido de coibir tal abuso."


Correio Braziliense, Guia de Concursos, 12/02/2006.
Resposta dada pelo Procurador da Fazenda Nacional Leonardo Felipe Bueno Tierno.

Espero ter contribuído. Sei que o assunto é polêmico e já foi por muitas vezes discutido, mas também acho que ainda existem muitas lacunas na lei, nas ciências, nas terapias, na sociedade que merecem reflexões e lutas pela diminuição das diferenças.

Um grande abraço a todos.
Ana Maria Oliveira
Fono - Brasília

27 março 2006

Desafio

Quero lançar um desafio, quero ver quem agarra-o:

Gostaria de ter um(a) amigo(a) brasileiro(a) blogueiro(a). Estou sabendo de algumas pessoas que já vislumbram tal situação. Há algum tempo eu já havia pensado que no Brasil só existe um blog que trata sobre gagueira e que esta situação merece ser modificada. Conheço algumas pessoas que as considero bons futuros blogueiros, com boa contribuição a dar, são elas: Eleide Gonçalves, Sandra Merlo, Hélio Beraldo, Cristine Pombo, Renato Cruz, Roberto Tadeu, Eduardo Ribeiro e Cristina Teresa.

O desafio está lançado!

Grupo de Apoio de Natal - O Terceiro Encontro

O terceiro encontro foi bastante produtivo. Discutimos o texto "o que é gagueira", disponibilizado na postagem do dia 24 de março, e chegamos a diversas concordâncias com o que é abordado no texto. Aqui algumas das minhas considerações a respeito do texto e da discussão:

A nossa subjetividade foi sendo criada ao longo das nossas vidas. As interferências dos adultos, mesmo sendo feitas sem a intenção de causar-nos prejuízos, os risos das outras crianças e adultos acabaram por nos transformar, gerando em nós a idéia de que a nossa fala não era aceita pelos outros. Com isso, desejamos e criamos técnicas/truques para controlar a nossa fala, retirando-se dela toda a sua espontaneidade e automaticidade. O controle de controlar a fala direcionou-se para a forma como ela se processa. A palavra, o som, a letra foram alguns dos elementos que passaram a ser controlados. Desviando o funcionamento normal, gerando um novo modelo de falar. Modelo este problemático porque gera a atencipação de gagueira na fala que ainda não foi falada. Típico de quem foi vítima de uma idealização (por parte dos pais, professores, outras crianças) de bem falar. Esta idealização é bastante presente em frase do tipo "fale direito", "respire", "não precisa ficar nervoso", entre tantas outras, bem como através do riso. Estes fatores acabaram por gerar uma imagem estigmatizada de mau falante. Sempre que se vai falar algo esta imagem reaparece e se perpetua na tentativa de controlar a fala para falar bem. Então, para romper com este círculo vicioso que se forma, a idéia é conhecer bem o problema individual, localizar onde está perdendo a espontaneidade, cancelar o modo antigo de agir através do uso de um novo (que é o natural) e combater todos os pensamentos, crenças e paradigmas que temos. Vale salientar que não vale a pena lutar contra a gagueira. A luta deve ser travada com o que faz com que se gagueje.

Além dessa discussão, percebemos que a freqüência mensal está se tornando extensa por demais. Estamos pensando em tornar os nossos encontros mais freqüentes, talvez quinzenal.