02 junho 2006

Novo Vínculo

Adicionei o blog "La Tartamudez e La Medicina", em espanhol, à coluna "Vínculos", aqui ao lado.



Trata-se de um médico que escreve sobre a gagueira e relaciona-a sempre (ou quase sempre) à medicina.

OBS.: Em espanhol existe uma meia dúzia de blogs sobre "tartamudez". Em português, só este que você está lendo. Apesar de eu incentivar, há algum tempo, as pessoas a criarem outros, ninguém se dispôs a tal. Que pena...

Pagoclone

Encontrei um texto sobre este medicamento, no blog "La Tartamudez e La Medicina". O texto foi escrito em dezembro de 2005. Traduzo para vocês:


"Pagoclone é uma droga que pertence à família dos ciclopirrolonas. Há anos que seus efeitos, em problemas diversos da ansiedade, eram investigados. Em um de seus testes verificavam sua utilidade nos transtornos do pânico, distúrbio em que os pacientes observam uma série de manifestações físicas e de psíquicas que lhes produz um sensação de enfermidade muito séria, incluive de morte iminente.
Pois bem, nestes testes havia um pequeno grupo de pacientes que além do mais gaguejavam. Resulta que ao ingerir o Pagoclone sua gagueira diminuiu de maneira muito importante. Diante desta descoberta, o laboratório (Indevus Pharmaceuticals) decidiu fazer um estudo na gagueira, que se encontra atualmente na fase II, e seus resultados serão vistos em meados de 2006."


Os resultados da fase II já estão disponíveis. A Fonoaudióloga Sandra Merlo, na lista Discutindo Gagueira, socializa as seguintes novidades:

"Os resultados na gagueira indicam que o medicamento reduz de forma significativa os sintomas primários e secundários da gagueira. Os sintomas primários incluem as rupturas involuntárias (bloqueios, repetições, prolongamentos). Os sintomas secundários incluem as reações às rupturas involuntárias (p. ex., a ansiedade). A fase II durou 8 semanas. 132 pacientes com gagueira crônica participaram do estudo. 88 pacientes ingeriram pagoclone, sendo que as doses gradualmente cresceram de 0,3 até 0,6 mg por dia. 44 pacientes receberam placebo. 79% dos pacientes eram homens.

A melhora na fluência foi avaliada quantitativamente (freqüência e duração das rupturas) e qualitativamente (impressão global dos pacientes). A fluência foi avaliada na 2ª, 4ª e 8ª semanas. Ao final da 8ª semana, 55% dos pacientes tratados com pagoclone haviam melhorado a fluência, em comparação com 36% dos pacientes tratados com placebo.

O medicamento foi considerado bem tolerado. Efeitos colaterais mais freqüentes: dor de cabeça, fadiga, sonolência e sedação.

O pagoclone é considerado um modulador seletivo dos receptores de GABA. Acredita-se que as concentrações do neurotransmissor GABA estejam alteradas no cérebro de pessoas que gaguejam. Acredita-se que o pagoclone melhore a atividade nos circuitos cerebrais que envolvem GABA, entretanto o exato mecanismo de ação ainda é desconhecido."

Para maiores informações, acessem: http://www.stutteringstudy.com/ e http://www.stutteringhelp.org/default.aspx?tabindex=515&tabid=525



M
inhas considerações:

Não sei como será o efeito do Pagoclone. Será que ele "cura" a gagueira de uma vez por todas? Ou será que o paciente deverá tomar doses frequentes para poder comprar um pão na padaria? Se a segunda opção estiver mais correta, não acredito que este medicamento veio para ajudar. Será uma espécie de amuleto, onde o indivíduo só falará bem se estiver com ele por perto. Se for assim, vou preferirir a minha terapia fonoaudiológica, que fiz durante um ano e um mês. Agora falo sem ela por perto...

Vamos esperar pra ver.

26 maio 2006

Reunião Adiada

Amigos,

O encontro do Grupo de Auto-Ajuda de Natal, para pessoas que gaguejam, foi adiado para o dia 03 de junho. Amanhã, não teremos nossa reunião, em virtude da presença da maioria dos membros está comprometida.

É Preciso Mudar!

Recentemente, no Grupo Discutindo Gagueira, tenho lido algumas mensagens de colegas a respeito de "exercícios de suavização dos movimentos articulatórios". Um, inclusive, levantou a idéia de ser realizado um levantamento de todos os "métodos" e "técnicas" que ele e outros conheçam, para montar, desta forma, uma "apostila". A idéia ganhou um certo apoio de alguns membros do Grupo.

Diante da minha relativa experiência com lista de discussão sobre gagueira, tenho a convicção que esta apostila não sairá. Ainda bem! Pois, não vejo coisa mais bizarra, quando falamos em gagueira, do que "exercicios de suavização dos movimentos articulatórios".

Como exemplo destes exercícios, um colega, do referido grupo de discussão, nos enviou os seguintes:

  • "Inspire o ar calmamente, depois solte-o pronunciando uma vogal em tom alto, estendendo o máximo que conseguir, na seguinte ordem U-O-I-E-A-A-A-A-A-É-I-Ó-U, um por vez."; e
  • "Inspire calmamente uma boa quantidade de ar, em seguida expire como se estivesse soprando velhinhas de bolo de aniversário, porém, devagarinho, com a boca em forma de bico, apenas inspirar e expirar como recomendado mas, não se esqueça de que deverá faze-lo diariamente".

O colega também mencionou algumas "regras de fonética":

  • "Primeira Regra: Alongar a primeira vogal da frase, deslizando sobrea consoante inicial.
  • Segunda Regra: Acentuar a flexão e a força da voz sobre as vogais, praticamente ignorando as consoantes. Deve-se apenas posicionar aboca, a lingua, os dentes na forma de cada consoante, bem de leve deixando que as vogais façam o resto.
  • Terceira Regra: Cada frase deverá ser pronunciada como se fosse uma só palavra comprida. Fala-se toda a frase com uma só emissão de ar, sem pausas. É conveniente que inspire a cada nova frase.
  • Quarta Regra: Evitar que os lábios fiquem apertados uns contra os outros para evitar tensão. Deve-se falar tudo com cantilena na primeira palavra da frase.
  • Aplicação: Inspirar "DEEEVEMOS sempre seguir o exemplo dos campeões e vencedores". Final da expiração."
Considero tudo isto bizarro, pois já fui submetido a algo bem parecido, em duas fonoaudiólogas que em nada me ajudaram. Para quem acha interessante e quer praticar esses métodos, lembro-me de alguns:

  • Língua pra fora, ponta levemente tensa, e deve-se encostá-la nos cantos (nos encontros dos lábios) direito e esquerdo da boca; e
  • Boca aberta, coloca-se a língua na frente dos dentes, por trás do lábio superior e deve-se contornar com a língua o espaço entre os dentes e os lábios - 10 vezes para a direita, 10 vezes para a esquerda.

Eu poderia pesquisar nos meus cadernos da época e elencar mais alguns, mas fico por aqui.

Apesar da amiga e fonoaudióloga Sandra Merlo, pessoa que muito respeito, afirmar que um dos exercícios de relaxamento expostos acima, necessitar de 50 horas de treino, para se utilizar bem a estratégia (logo, é algo que faz algum efeito!), tenho muito receio dessas "técnicas". Coloco-as como algo que a fonoaudiologia deveria, URGENTEMENTE, extinguir das terapias que tratam gagueira. Não acredito que se obtenha resultados com pacientes gagos, nem com gagueira leve, muito menos gagueira severa.

Para uma terapia fonoaudiológica ter resultado positivo no trato da gagueira, ela deve mudar o modo do indivíduo encarar a sua fala, a gagueira, a si mesmo e o mundo em que vive. Em próxima postagem falarei mais um pouco sobre isso.

22 maio 2006

Entendendo a Árvore dos Desejos

No conceito indiano de paraíso existem árvores-dos-desejos. Você simplesmente senta debaixo delas, deseja qualquer coisa e imediatamente seu desejo é realizado não há intervalo entre o desejo e sua realização.

Esta é uma antiga parábola e de imenso significado. Sua mente é a árvore-dos-desejos - o que você pensa, mais cedo ou mais tarde, se realiza. Às vezes o intervalo é tão grande que você se esquece completamente que, de alguma maneira, "desejou" aquilo; então não faz a ligação com a fonte.
Mas se olhar profundamente, perceberá que todos os seus pensamentos, com medos/receios, estão criando você e sua vida.
Eles criam seu inferno ou criam seu paraíso. Criam seu tormento ou criam sua alegria.
Eles criam o negativo ou criam o positivo... Todos aqui são mágicos.
E todos estão fiando e tecendo um mundo mágico a seu redor... e aí são apanhados.
A aranha é pega em sua própria teia. Ninguém o está torturando... a não ser você mesmo. E uma vez que isso seja compreendido, mudanças começam a acontecer.
Então você pode dar a volta, pode mudar seu inferno em paraíso; É simplesmente uma questão de pintá-lo a partir de um ângulo diferente... A responsabilidade é toda sua. Seu "paraíso" depende de VOCÊ. (autor desconhecido)


* * *

Eu solicitei esta leitura para a colega do Grupo de Auto-Ajuda, pois este texto foi o primeiro, dentre vários, que a minha ex-fonoaudióloga me apresentou. Foi com ele que comecei a trabalhar a mudança da minha personalidade. Considerava-me "mau falante" e iniciei a me condicionar a ser um "bom falante". A nossa mente é realmente a nossa árvore dos desejos. Em relação à gagueira, é nossa mente que nos faz ser gagos. Nosso cérebro está acostumado a agir como um cérebro de um gago, para ele tudo está "normal". Ele desenvolveu-se dessa forma. Porém, todos nós sabemos que o cérebro é poderosíssimo. Ele é capaz de se adequar a qualquer coisa. Como costumo afirmar, se desejamos falar como os "fluentes", temos que pensar e agir como eles. Se queremos, mas agimos como "disfluentes", permaneceremos "disfluentes". Uma coisa leva a outra. É a lógica!

Antecipação, truques, tensão, crenças e mitos em relação a si como falante, sentimentos de culpa, vergonha, nervosismo, ansiedade, medo, tudo isso leva-nos a permanecer na mesma condição. Devemos mudar o nosso modo de agir. É preciso crer para (depois) ver. Para quem gagueja há mais de dez, vinte anos, a mudança de comportamento é mais difícil, mas não é impossível. Depende de muita persistência, perseverança e vontade, realmente.

Ao se pegarem agindo como gagos, percebam que este tipo de comportamento/pensamento não faz sentido (certa vez, peguei-me falando ao telefone, deitado na rede, completamente tenso, todo duro, dos pés à cabeça. Isso não me ajudava a falar). Conscientizem-se de que ele não é necessário para você falar melhor. Pelo contrário!!! Com ele, você só falará pior. Cada vez pior. Então, vá eliminando-os aos poucos. São comportamentos já enraizados. Para se retirar as raízes é preciso cavar mais fundo. O trabalho é mais demorado. A recompensa vale a pena. Combata o que está em volta da gagueira. Esqueça-a. A gagueira perde as forças quando está sozinha.

19 maio 2006

Flamenguista é gago!


Conversava com uma colega, que também é uma PQG (pessoa que gagueja), pelo MSN, e observei que no lugar da sua foto estava o brasão do Flamengo. Achei legal a coincidência, pois também torço por este time, e perguntei a ela:

- Será que existe alguma relação em ser flamenguista e ser gago?
Ela respondeu:
- É bem capaz!

Claro que ela entendeu que minha pergunta era uma brincadeira e respondeu dando continuidade à descontração.

Isso realmente foi uma brincadeira. É um absurdo imaginarmos que possa haver ligação entre coisas tão distintas. Porém, certa vez, no Grupo Gagueira (endereço ao lado), uma colega perguntou se poderia haver alguma relação no fato dela ser gaga e ser canhota...

O pior é que se ela acredita que há ligação, haverá!

Existem pessoas que mudam de nome por não o conseguirem falar. Só que quando estão com nome novo, conseguem falar o antigo e não mais o novo.