10 junho 2006

É Preciso Mudar! (continuação)

Na postagem do dia 26 de maio, de título "É Preciso Mudar!", afirmei que "Para uma terapia fonoaudiológica ter resultado positivo no trato da gagueira, ela deve mudar o modo do indivíduo encarar a sua fala, a gagueira, a si mesmo e o mundo em que vive." Conforme prometido, volto a tocar no assunto.

Ao meu ver, em virtude das minhas experiências negativas com fonoaudiólogas, que trataram-me com exercícios fonoarticulatórios, creio que este método de tratamento não leva a pessoa a lugar algum. Em uma dessas minhas fonos, o negócio era tão puxado que eu saía do consultório com a boca toda dolorida, de tanto malabarismo bucal que fazia. Com técnicas de relaxamento os resultados eram momentâneos, mas com AAAA-EEEEE-IIIIII-OOOOOO-UUUUU nunca melhorei nada.

Esta questão é tão notória que até piada sobre isso existe. Vejam isso:

"Um gago, desesperado com seu problema, lamenta-se profundamente com um amigo, e este lhe indica um fonoaudiólogo da maior confiança. Meses depois, encontram-se de novo e o gago vai logo dizendo: - Toco preto, porco crespo. O rato roeu a roupa do rei de Roma. Caraguatatuba, Itaquaquecetuba, Pindamonhangaba. - Maravilha, é um milagre! - Exclamou o amigo. - Tá-t-t-tá ce-ce-ce-certo, ma-ma-mas onde é que-que eu v-vou us-usar uma imbe-imbe-imbecilidade dessas?"

Não considero uma imbecilidade. Respeito os profissionais que utilizam estes métodos. A questão é que, além de mim, diversos colegas, vez ou outra, testemunham sobre esta questão. Muitos afirmam que não fazem terapia fonoaudiológica porque terão que se submeter a estas técnicas. Eu, por exemplo, após passar por três outras fonoaudiólogas, e não melhorar em nada, estava completamente descrente com este tipo de profissional no trato da gagueira. O que é extremamente preocupante. Tanto para as pessoas que gaguejam, que perdem suas esperanças, quanto para os profissionais desta área, que ficam desacreditados e desprestigiados.

A terapia que deu certo comigo, não limitava-se a exercícios motores, relaxamento, leitura ou técnicas de respiração, aliás, não realizei nada disso com minha última fonoaudióloga, Priscilla Silveira. Apesar de toda a minha descrença com este tipo de profissional, contei com a ajuda da Fonoaudióloga Sandra Merlo, que identificou para mim, uma que era especializada no trato da gagueira. Nesta terapia a questão mais importante era o que estava por trás da disfemia.

Lembram-se do "Iceberg da Gagueira"? O que estava acima da linha da água, a parte visível da minha disfemia, era o de menor importância em meu tratamento. Os sentimentos, as emoções negativas que eu sentia, as crenças e mitos que eu possuía em relação a mim como falante, à minha fala e aos "outros", tudo isso foi muito bem trabalhado. A mudança dentro de mim, representou uma melhora significativa na minha fala.

Esse trabalho durou 13 meses. Não foi nada fácil. É necessário muita disposição, entrega e compromisso do indivíduo.

Disponibilizo, aqui, o espaço para que algum(a) profissional da Fonoaudiologia explique os métodos fonoarticulatórios e suas razões de serem utilizados no trato da disfemia.

09 junho 2006

Novo Vínculo

Amigos,

Lembram-se do desafio que lancei para termos outro blog, no Brasil, que abordasse a disfemia (popularmente conhecida por gagueira) como tema principal? Pois é, eu desafiei e eu mesmo agarrei o desafio.

Acabei de criar o Unidos Pela Fala. Trata-se do blog do Grupo Gagueira, lista de discussão do Yahoo. Espero que seja mais um espaço para abordarmos a gagueira de maneira séria. Há muito, as pessoas que gaguejam solicitam respeito dos outros na abordagem do assunto. Essa mudança externa só ocorrerá se houver primeiramente uma mudança interna. É necessário que conheçamos a disfemia e a nós mesmos para podermos cobrar algo e para estarmos preparados para esta mudança exterior.

O Unidos Pela Fala ficará permanentemente na coluna ao lado.

Espero também que todos (sem querer ser unânime) gostem.

03 junho 2006

Curiosidade Sobre o Pagoclone

Um grupo de pacientes, ao ser tratado com o Pagoclone, relatou retardo no processo ejaculatório. Em virtude desta descoberta, a Indevus Pharmaceuticals também solicitou, em março deste ano, a patente para as aplicações no combate à ejaculação precoce.

Os medicamentos desta empresa famacêutica passam por quatro etapas antes de chegar ao mercado (pré-clínica, fase I, fase II e fase III). As pesquisas relativas à ejaculação precoce ainda estão na fase I (em relação à gagueira, estão na fase II), mas, pelo jeito, já deve ter gente ansiosa para o início das vendas.

Da família das ciclopirrolonas, o Pagoclone promete ser um "santo remédio".

Grupo de Auto-Ajuda de Natal - Sexto Encontro


Ocorrerá hoje, às 10h, o sexto encontro do Grupo de Auto-Ajuda de Natal, para pessoas que gaguejam. Nesta oportunidade discutiremos o texto "Fluência, Disfluência, Gagueira", de Silvia Friedman.

Quem desejar discuti-lo por aqui, é só deixar um comentário.

À propósito, gostaria de solicitar a fonoaudiólogas a indicação de textos interessantes para serem discutidos em nossas reuniões. Agradeço, desde já, pelo interesse e participação.

02 junho 2006

Novo Vínculo

Adicionei o blog "La Tartamudez e La Medicina", em espanhol, à coluna "Vínculos", aqui ao lado.



Trata-se de um médico que escreve sobre a gagueira e relaciona-a sempre (ou quase sempre) à medicina.

OBS.: Em espanhol existe uma meia dúzia de blogs sobre "tartamudez". Em português, só este que você está lendo. Apesar de eu incentivar, há algum tempo, as pessoas a criarem outros, ninguém se dispôs a tal. Que pena...

Pagoclone

Encontrei um texto sobre este medicamento, no blog "La Tartamudez e La Medicina". O texto foi escrito em dezembro de 2005. Traduzo para vocês:


"Pagoclone é uma droga que pertence à família dos ciclopirrolonas. Há anos que seus efeitos, em problemas diversos da ansiedade, eram investigados. Em um de seus testes verificavam sua utilidade nos transtornos do pânico, distúrbio em que os pacientes observam uma série de manifestações físicas e de psíquicas que lhes produz um sensação de enfermidade muito séria, incluive de morte iminente.
Pois bem, nestes testes havia um pequeno grupo de pacientes que além do mais gaguejavam. Resulta que ao ingerir o Pagoclone sua gagueira diminuiu de maneira muito importante. Diante desta descoberta, o laboratório (Indevus Pharmaceuticals) decidiu fazer um estudo na gagueira, que se encontra atualmente na fase II, e seus resultados serão vistos em meados de 2006."


Os resultados da fase II já estão disponíveis. A Fonoaudióloga Sandra Merlo, na lista Discutindo Gagueira, socializa as seguintes novidades:

"Os resultados na gagueira indicam que o medicamento reduz de forma significativa os sintomas primários e secundários da gagueira. Os sintomas primários incluem as rupturas involuntárias (bloqueios, repetições, prolongamentos). Os sintomas secundários incluem as reações às rupturas involuntárias (p. ex., a ansiedade). A fase II durou 8 semanas. 132 pacientes com gagueira crônica participaram do estudo. 88 pacientes ingeriram pagoclone, sendo que as doses gradualmente cresceram de 0,3 até 0,6 mg por dia. 44 pacientes receberam placebo. 79% dos pacientes eram homens.

A melhora na fluência foi avaliada quantitativamente (freqüência e duração das rupturas) e qualitativamente (impressão global dos pacientes). A fluência foi avaliada na 2ª, 4ª e 8ª semanas. Ao final da 8ª semana, 55% dos pacientes tratados com pagoclone haviam melhorado a fluência, em comparação com 36% dos pacientes tratados com placebo.

O medicamento foi considerado bem tolerado. Efeitos colaterais mais freqüentes: dor de cabeça, fadiga, sonolência e sedação.

O pagoclone é considerado um modulador seletivo dos receptores de GABA. Acredita-se que as concentrações do neurotransmissor GABA estejam alteradas no cérebro de pessoas que gaguejam. Acredita-se que o pagoclone melhore a atividade nos circuitos cerebrais que envolvem GABA, entretanto o exato mecanismo de ação ainda é desconhecido."

Para maiores informações, acessem: http://www.stutteringstudy.com/ e http://www.stutteringhelp.org/default.aspx?tabindex=515&tabid=525



M
inhas considerações:

Não sei como será o efeito do Pagoclone. Será que ele "cura" a gagueira de uma vez por todas? Ou será que o paciente deverá tomar doses frequentes para poder comprar um pão na padaria? Se a segunda opção estiver mais correta, não acredito que este medicamento veio para ajudar. Será uma espécie de amuleto, onde o indivíduo só falará bem se estiver com ele por perto. Se for assim, vou preferirir a minha terapia fonoaudiológica, que fiz durante um ano e um mês. Agora falo sem ela por perto...

Vamos esperar pra ver.