16 junho 2006

"Deus é Brasileiro" e cura gagueira

No filme "Deus é Brasileiro", dirigido por Cacá Diegues, baseado no conto de João Ubaldo Ribeiro, Deus, interpretado por Antônio Fagundes, decidiu voltar à terra.



"Eu cansei dessa esculhambação de vocês e resolvi tirar umas férias que ninguém é de ferro, então preciso de um santo descansado que tome conta das coisas na minha ausência."



Ele resolveu procurar o santo no Brasil, que é um país muito religioso, mas não tem um santo reconhecido oficialmente. Após uma longa busca, encontra "o escolhido", Quinca das Mulas, e descobre que este é gago e ateu. Na tentativa de provar para o ateu quem Ele é, Deus realiza alguns milagres. Faz o tempo andar mais rápido, joga com muita força Quinca no meio de um rio e inclusive cura-lhe de uma severa gagueira. Todos estes milagres são em vão. O ateu é reticente e não aceita torna-se santo e ficar no lugar de Deus durante as férias deste nas estrelas. Com muita raiva Deus desiste, devolve-lhe a gagueira e o abandona.

Ao assistir a este filme e a esta cena, obviamente não pude deixar de pensar em algumas coisas: será a gagueira o maior castigo de Deus? Será que só Ele tem o poder de curar todos os gagos? quem trocaria a sua gagueira para ficar no lugar de Deus e ter que ouvir os seres humanos reclamando da vida, exigindo sua ajuda e destruindo o mundo? Ou seja, tem problemas bem maiores do que a gagueira. Não teriam os indivíduos que gaguejam demonstrações, em seus cotidianos, que comprovam-lhes a competência para falar "fluente" e, mesmo assim, continuam incrédulos em relação a isso?

Com certeza, se eu "matutasse" mais um pouco, me viriam outras reflexões. Gostaria que você também assisitisse a essa película e discutisse um pouco aqui comigo. Indico, para os Grupos de Apoio do Rio de Janeiro e de São Paulo, o debate deste filme.

Não sei se o autor do conto, em que baseou-se o filme, tem alguma convivência com a gagueira, se o aparecimento deste distúrbio da fala foi propositadamente representado, mas é algo que merece alguma atenção.

Mais sobre o filme: http://www2.uol.com.br/columbiapictures/hotsites/deus_brasileiro/

14 junho 2006

Repetição, bloqueio, prolongamento e...

...SILENCIAMENTO.


É comum lermos em livros e reportagens de fonoaudiólogos que a disfemia se caracteriza pela repetição, bloqueio e prolongamento. Concordo que realmente estas três ações surgem no momento da fala do indivíduo que gagueja. Porém, um outro fenômeno muito comum, que eu chamo de "gaguejar em silêncio" também representa a gagueira.


Com certeza, este também deveria ser incluído na teoria fonoaudiológica.

Concordam?

10 junho 2006

É Preciso Mudar! (continuação)

Na postagem do dia 26 de maio, de título "É Preciso Mudar!", afirmei que "Para uma terapia fonoaudiológica ter resultado positivo no trato da gagueira, ela deve mudar o modo do indivíduo encarar a sua fala, a gagueira, a si mesmo e o mundo em que vive." Conforme prometido, volto a tocar no assunto.

Ao meu ver, em virtude das minhas experiências negativas com fonoaudiólogas, que trataram-me com exercícios fonoarticulatórios, creio que este método de tratamento não leva a pessoa a lugar algum. Em uma dessas minhas fonos, o negócio era tão puxado que eu saía do consultório com a boca toda dolorida, de tanto malabarismo bucal que fazia. Com técnicas de relaxamento os resultados eram momentâneos, mas com AAAA-EEEEE-IIIIII-OOOOOO-UUUUU nunca melhorei nada.

Esta questão é tão notória que até piada sobre isso existe. Vejam isso:

"Um gago, desesperado com seu problema, lamenta-se profundamente com um amigo, e este lhe indica um fonoaudiólogo da maior confiança. Meses depois, encontram-se de novo e o gago vai logo dizendo: - Toco preto, porco crespo. O rato roeu a roupa do rei de Roma. Caraguatatuba, Itaquaquecetuba, Pindamonhangaba. - Maravilha, é um milagre! - Exclamou o amigo. - Tá-t-t-tá ce-ce-ce-certo, ma-ma-mas onde é que-que eu v-vou us-usar uma imbe-imbe-imbecilidade dessas?"

Não considero uma imbecilidade. Respeito os profissionais que utilizam estes métodos. A questão é que, além de mim, diversos colegas, vez ou outra, testemunham sobre esta questão. Muitos afirmam que não fazem terapia fonoaudiológica porque terão que se submeter a estas técnicas. Eu, por exemplo, após passar por três outras fonoaudiólogas, e não melhorar em nada, estava completamente descrente com este tipo de profissional no trato da gagueira. O que é extremamente preocupante. Tanto para as pessoas que gaguejam, que perdem suas esperanças, quanto para os profissionais desta área, que ficam desacreditados e desprestigiados.

A terapia que deu certo comigo, não limitava-se a exercícios motores, relaxamento, leitura ou técnicas de respiração, aliás, não realizei nada disso com minha última fonoaudióloga, Priscilla Silveira. Apesar de toda a minha descrença com este tipo de profissional, contei com a ajuda da Fonoaudióloga Sandra Merlo, que identificou para mim, uma que era especializada no trato da gagueira. Nesta terapia a questão mais importante era o que estava por trás da disfemia.

Lembram-se do "Iceberg da Gagueira"? O que estava acima da linha da água, a parte visível da minha disfemia, era o de menor importância em meu tratamento. Os sentimentos, as emoções negativas que eu sentia, as crenças e mitos que eu possuía em relação a mim como falante, à minha fala e aos "outros", tudo isso foi muito bem trabalhado. A mudança dentro de mim, representou uma melhora significativa na minha fala.

Esse trabalho durou 13 meses. Não foi nada fácil. É necessário muita disposição, entrega e compromisso do indivíduo.

Disponibilizo, aqui, o espaço para que algum(a) profissional da Fonoaudiologia explique os métodos fonoarticulatórios e suas razões de serem utilizados no trato da disfemia.

09 junho 2006

Novo Vínculo

Amigos,

Lembram-se do desafio que lancei para termos outro blog, no Brasil, que abordasse a disfemia (popularmente conhecida por gagueira) como tema principal? Pois é, eu desafiei e eu mesmo agarrei o desafio.

Acabei de criar o Unidos Pela Fala. Trata-se do blog do Grupo Gagueira, lista de discussão do Yahoo. Espero que seja mais um espaço para abordarmos a gagueira de maneira séria. Há muito, as pessoas que gaguejam solicitam respeito dos outros na abordagem do assunto. Essa mudança externa só ocorrerá se houver primeiramente uma mudança interna. É necessário que conheçamos a disfemia e a nós mesmos para podermos cobrar algo e para estarmos preparados para esta mudança exterior.

O Unidos Pela Fala ficará permanentemente na coluna ao lado.

Espero também que todos (sem querer ser unânime) gostem.

03 junho 2006

Curiosidade Sobre o Pagoclone

Um grupo de pacientes, ao ser tratado com o Pagoclone, relatou retardo no processo ejaculatório. Em virtude desta descoberta, a Indevus Pharmaceuticals também solicitou, em março deste ano, a patente para as aplicações no combate à ejaculação precoce.

Os medicamentos desta empresa famacêutica passam por quatro etapas antes de chegar ao mercado (pré-clínica, fase I, fase II e fase III). As pesquisas relativas à ejaculação precoce ainda estão na fase I (em relação à gagueira, estão na fase II), mas, pelo jeito, já deve ter gente ansiosa para o início das vendas.

Da família das ciclopirrolonas, o Pagoclone promete ser um "santo remédio".

Grupo de Auto-Ajuda de Natal - Sexto Encontro


Ocorrerá hoje, às 10h, o sexto encontro do Grupo de Auto-Ajuda de Natal, para pessoas que gaguejam. Nesta oportunidade discutiremos o texto "Fluência, Disfluência, Gagueira", de Silvia Friedman.

Quem desejar discuti-lo por aqui, é só deixar um comentário.

À propósito, gostaria de solicitar a fonoaudiólogas a indicação de textos interessantes para serem discutidos em nossas reuniões. Agradeço, desde já, pelo interesse e participação.