"É importante lembrar que algumas crianças apresentam episódios de gagueira. Devemos considerar que a capacidade de falar, durante esse período, é um aprendizado e, diante disso, a criança é colocada e/ou se coloca, muitas vezes, em situações de insegurança diante dos outros e do domínio do conteúdo, demonstra ansiedade para se expressar e, ainda, algumas vezes, observamos situações de competição para falar. Nesse contexto, referimos Friedman e Cunha (2001, p. 135), quando designa a 'gagueira natural' como a 'possibilidade que qualquer falante tem de gaguejar no contexto de sua produção falada, na medida que a fluência não é absoluta em ninguém... seu aparecimento tem sempre algum sentido peculiar para a pesssoa que fala, situado na articulação entre as dimensões cognitiva, afetiva e motora perpassadas pela dimensão sociocultural da pessoa que fala'. Sendo assim, podemos afirmar que os adultos devem lidar com os episódios de gagueira (durante a aquisição da fala) como parte do processo, já que, esse envolve: ansiedade, insegurança e, muitas vezes, competição para falar, além de ser uma possibilidade de qualquer falante. Salientamos a importância de não chamar a atenção da criança ao fato e não completar a frase ou a palavra pela criança, mas ficar sempre atento, se esses episódios de gagueira persistirem por um longo tempo e/ou forem muito freqüentes, é necessário buscar as orientações de um fonoaudiólogo."
Fonte:
CELIA, Luciana dos Santos. Aquisição e desenvolvimento da linguagem na infância. In Aquisição e desenvolvimento infantil (0-12 anos): um olhar multidisciplinar. RS: Educas, 2003.
Gagueira sob uma perspectiva que articula linguagem, subjetividade e sociedade.
12 agosto 2006
07 agosto 2006
Pesquise!
A postagem de hoje é uma indicação de alguns trabalhos sobre gagueira que encontrei no "Google Acadêmico", a partir da palavra "gagueira". Exceção feita para o primeiro que foi encontrado no Google normal.
1º) Gagueira Severa em Adultos - de Hélio Beraldo. Trabalho muito interessante. Faz um apanhado de diferentes teorias que abordam a gagueira. É um excelente trabalho para quem deseja conhecer um pouco mais sobre este assunto.
2º) Proposta de Análise de Performance e de Evolução em Crianças com Gagueira Desenvolvimental - de Cláudia Regina Furquim de Andrade e Fabíola Juste. Apresenta uma linguagem mais técnica. É mais indicado para quem é da área.
3º) Fluir ou disfluir: eis a questão! Uma discussão sobre a gagueira e a psicanálise - de Roberta Ecleide de Oliveira Gomes-Kelly. Tendo em vista Freud ter tratado a Baronesa Fanny Moser, a autora tenta relacionar a gagueira e a psicanálise. O trabalho apresenta algumas curiosidades sobre o assunto. Pessoalmente, não me traz grandes ensinamentos. O final é decepcionante.
4º) Aspectos Vocais na Gagueira - de Olga Maria de Freitas Lippi. Faz um levantamento de autores que já abordaram o assunto e suas teorias, bem como os sintomas da gagueira e estímulos que diminuem o surgimento desta patologia.
5º) O Papel do Professor na Formação da Imagem de Falante do Aluno - de Daniela Leite Gomes. Trabalho bem interessante, principalmente para pais e mestres de crianças com gagueira. Estes muitas vezes tentam ajudar, mas ajudam de maneira equivocada. Provocando na criança a tentativa de controlar o espontâneo, a partir da ideologia de bem falar que os pais e mestres possuem.
Tais trabalhos não refletem necessariamente a opinião deste blog. É somente um facilitador para aqueles que querem conhecer mais sobre este universo. Boa leitura!
1º) Gagueira Severa em Adultos - de Hélio Beraldo. Trabalho muito interessante. Faz um apanhado de diferentes teorias que abordam a gagueira. É um excelente trabalho para quem deseja conhecer um pouco mais sobre este assunto. 2º) Proposta de Análise de Performance e de Evolução em Crianças com Gagueira Desenvolvimental - de Cláudia Regina Furquim de Andrade e Fabíola Juste. Apresenta uma linguagem mais técnica. É mais indicado para quem é da área.
3º) Fluir ou disfluir: eis a questão! Uma discussão sobre a gagueira e a psicanálise - de Roberta Ecleide de Oliveira Gomes-Kelly. Tendo em vista Freud ter tratado a Baronesa Fanny Moser, a autora tenta relacionar a gagueira e a psicanálise. O trabalho apresenta algumas curiosidades sobre o assunto. Pessoalmente, não me traz grandes ensinamentos. O final é decepcionante.
4º) Aspectos Vocais na Gagueira - de Olga Maria de Freitas Lippi. Faz um levantamento de autores que já abordaram o assunto e suas teorias, bem como os sintomas da gagueira e estímulos que diminuem o surgimento desta patologia.
5º) O Papel do Professor na Formação da Imagem de Falante do Aluno - de Daniela Leite Gomes. Trabalho bem interessante, principalmente para pais e mestres de crianças com gagueira. Estes muitas vezes tentam ajudar, mas ajudam de maneira equivocada. Provocando na criança a tentativa de controlar o espontâneo, a partir da ideologia de bem falar que os pais e mestres possuem.
Tais trabalhos não refletem necessariamente a opinião deste blog. É somente um facilitador para aqueles que querem conhecer mais sobre este universo. Boa leitura!
06 agosto 2006
Dica para parar de gaguejar
Recentemente, uma visitante deste blog deixou o comentário abaixo. Por questões de privacidade, vou trocar seu nome."Oi me chamo Flor tenho 25 anos e tenho problema na fala, sou gaga, não muito, mas em algumas palavras, não sei porque mas quanto mais íntima de uma pessoa eu sou, mais eu gaguejo. Não era gaga quando criança. Não sei quando começou, não me recordo, mas minha mãe diz que foi devido eu ficar imitado uma prima que era gaga...podem me dar alguma dica pra eu parar de gaguejar".
Flor, desculpe-me talvez decepcioná-la, mas não existe "dica" para este intuito de suas palavras. Não há lâmpada mágica que com o esfregar das mãos sairá um gênio, que possamos fazer três pedidos. Dentre estes estaria, com certeza(!), o "quero falar fluentemente", "Plim!". Pronto! Todos os males estariam resolvidos. Eu também procurei por muito tempo o gênio da lâmpada, não o encontrei. Porém, descobri um universo muito interessante que envolve a gagueira. Com o qual pude melhorar em muitos aspectos a minha fala. Só abrindo um parêntese, para você perceber o quanto é possível melhorar. No Grupo Gagueira, diante de uma polêmica que ali surgiu, um colega pediu que eu parasse de me esconder por detrás da internet e ligasse para ele para "resolvermos esta discussão". Não deixei esta oportunidade passar. Liguei para ele. Logo, nas minhas primeiras palavras ele surpreso perguntou-me: "Bah! mas você não era gago?!" Fecha parênteses. Esta melhora eu não consegui sozinho e nem foi fácil. Freqüentei durante um ano e um mês uma fonoaudióloga especilizada no trato da gagueira. Se fosse em outros tempos eu não teria coragem de nem ligar para aquele colega e muito menos teria falado bem.
Flor, ao ler seu comentário, identifico algumas coisas que eu também possuía. Você relatou que além de gaguejar em "algumas palavras" também gagueja mais dependendo do grau de intimidade que tem com o interlocutor. Quando você diz "algumas palavras", isso parece demonstrar que você sabe em quais palavras gagueja. Penso que isso deva ser muito doloroso, pois toda vez que você identifica tais palavras em seu discurso começa uma tentativa frenética para trocá-las. Esse é um aspecto interessante na gagueira: ao substituir uma "palavra difícil" por outra "fácil", resolvemos um problema de fala com a própria fala. Deixamos de falar uma palavra, para falar outra. A capacidade está presente! É um modo de falar mais complexo do que o dos falantes típicos, mas o objetivo de falar é alcançado. Falar gaguejando é mais complexo do que falar sem gaguejar. Logo, o falante gago é muito competente.
O mesmo ocorre quando você fala com as pessoas "mais íntimas". Qual a diferença entre um íntimo e um desconhecido quando nos referimos ao ato de falar? Deveria ser nenhuma, mas para você, o fato de uma pessoa ser íntima provoca mais dificuldade. Com ela deve surgir algum "alarme de perigo" e a confiança em você, enquanto falante, se perde. O fato da pessoa saber que você gagueja, talvez seja esse o seu "alarme de perigo", produz algum efeito em você que prejudica sua fala. Com um desconhecido o efeito não é o mesmo, já que ele não sabe que você gagueja.
Tudo gira em torno do medo de gaguejar e as crenças são criadas: tal palavra, com tal pessoa, em tal situação... O "alarme de perigo" não ajuda em nada. Ele só existe porque gaguejar foi associado a algo errado desde a infância. Falar tornou-se uma experiência desagradável, mas gaguejar pode ganhar um outro olhar. O medo, de um modo geral, tem a função de nos proteger, de garantir a nossa integridade. O medo de gaguejar não nos protege, só atrapalha.
Comece a pensar diferente! Conheça o modo como você funciona para falar: suas crenças, seus pensamentos. Perceba que tudo que você faz para não gaguejar não adianta. Provoca mais gagueira. O que prejudica a sua fluência é a antecipação da gagueira, pelo medo de gaguejar. Quando isso não ocorre a fala pode sair muito mais fácil. Comunique-se positivamente com você. Capacidade você tem. Não se torture, nem se cobre. Não negue a gagueira, assuma. Diga para seu ouvinte: "não se preocupe com a forma da minha fala e sim com o conteúdo da minha mensagem". Você vai ter mais confiança em você enquanto falante. Se gaguejar, dê um sorriso. O sorriso é transformador.
Hora de Agradecer
Agradeço a todos e a todas que passaram por aqui e desejaram-me sucesso na Fonoaudiologia, bem como boas vindas por eu ter entrado nesta área.
Agradecimentos em especial a Nilson Bispo, Lilian Dantas e Priscilla Silveira que deixaram carinhosos comentários. A força que me dão será muito importante nesta nova jornada. Tenho a convicção que dará bons frutos para mim, para a Fonoaudiologia e, em particular, para os indivíduos que gaguejam.
Agradecimentos em especial a Nilson Bispo, Lilian Dantas e Priscilla Silveira que deixaram carinhosos comentários. A força que me dão será muito importante nesta nova jornada. Tenho a convicção que dará bons frutos para mim, para a Fonoaudiologia e, em particular, para os indivíduos que gaguejam.
31 julho 2006
Reflexo Condicionado

"A experiência clássica de Pavlov é aquela do cão, a campainha e a salivação à vista de um pedaço de carne. Sempre que apresentamos ao cão um pedaço de carne, a visão da carne e sua olfação provocam salivação no animal. Se tocarmos uma campainha, qual o efeito sobre o animal? Uma reação de orientação. Ele simplesmente olha, vira a cabeça para ver de onde vem aquele estímulo sonoro. Se tocarmos a campainha e em seguida mostrarmos a carne, dando-a ao cão, e fizermos isso repetidamente, depois de certo número de vezes o simples tocar da campainha provoca salivação no animal, preparando o seu aparelho digestivo para receber a carne. A campainha torna-se um sinal da carne que virá depois. Todo o organismo do animal reage como se a carne já estivesse presente, com salivação, secreção digestiva, motricidade digestiva etc. Um estímulo que nada tem a ver com a alimentação, meramente sonoro, passa a ser capaz de provocar modificações digestivas."
Fonte: http://www.cerebromente.org.br/n09/mente/pavlov.htm
Talvez vocês estejam se pergutando: o que é que este texto acima tem a ver com gagueira? O que faz aqui neste blog? Esse cara tá ficando louco? Talvez seja uma loucura minha, sim. Talvez coisa de aluno muito empolgado com o curso que acaba de iniciar. Quando o professor de Psicologia do Desenvolvimento falava sobre a experiência de Pavlov, eu relacionei-a com o comportamento do indivíduo que gagueja (IG). Tentarei explicar para vocês.
Para ficar mais parecido e de mais fácil compreensão, imaginemos o soar do telefone. Muitos IG´s, nesta hora, ficarão extremamente alterados, nervosos, suarão frio ou terão qualquer outro comportamento, que naturalmente é incondicionado, que ocorre de maneira involuntária, sem a nossa vontade (como a contração da pupila, a salivação), mas que torna-se condicionado quando associado (ou quando associamos) a um estímulo. O estado emocional que a pessoa é levada a assumir, nestas situações, é conflitante com aquele que permite a fala sair de maneira suave. Portanto, a postura que o IG está determinando para si mesmo é favorável a uma fala tensa, cheia de repetições e bloqueios. A fluência verbal é muito prejudicada por todas aquelas alterações comportamentais.
Como seres pensantes e livres, temos a plena condição de mudarmos nossas reações diante de qualquer estímulo. Se no momento da chamada em sala de aula, ao pedir ou dar informação, ao ter que falar seu nome ou em qualquer outra situação, se isso lhe causa temor, você é capaz de reagir diante destas situações. Seu cérebro é altamente poderoso para gerar um outro comportamento, uma atitude mais positiva, uma postura que lhe ajude e não uma que lhe atrapalhe.
Espero que tenha fica claro a minha analogia. O que vocês acham? Faz algum sentido?
Vou Ser Fonoaudiólogo
Amigos,
É com imenso prazer que compartilho com vocês esta informação. Inciarei hoje minha segunda faculdade: a de Fonoaudiologia. Como alguns sabem, sou formado em Turismo, curso que pouco me acrescentou profissionalmente. A tomada desta decisão, em virtude de questões pessoais, levou algum tempo para se concretizar. Há mais de ano que vislumbro esta possibilidade, mas sempre adiava-a para tentar outras coisas.
A idéia de fazer Fonoaudiologia tem um aspecto especialmente interessante: há muito tempo, nas minhas idas e vindas a fonoaudiólogas, as quais não sabiam tratar a gagueira, eu considerava a Fonoaudiologia completamente incompetente para o cuidado desta patologia da linguagem. A minha última fonoaudióloga me mostrou o contrário. Com isso, a vontade de fazer tal curso foi amadurecendo, também em virtude das listas que participo, dos amigos que conquistei, deste blog que mantenho, dos comentários que aqui recebo de pais e parentes de crianças que gaguejam e do grupo que organizo aqui na minha cidade.
Tornei-me íntimo da gagueira, apaixonado pelo intrigante mistério que a envolve e um visionário de um futuro mais claro para esse meio (sem qualquer crítica ao presente). Entro nesta escola com muitos sonhos, projetos e intenções, bem como com muita vontade de trabalhar para que estes tornem-se realidade um dia. Sei que a Fonoaudiologia não é só gagueira. Com certeza conhecerei e me identificarei com outras patologias da linguagem, que inicialmente é em que pretendo me especializar.
Obrigado pelos pensamentos (ou comentários, já que poucos os deixam) de boa sorte.
É com imenso prazer que compartilho com vocês esta informação. Inciarei hoje minha segunda faculdade: a de Fonoaudiologia. Como alguns sabem, sou formado em Turismo, curso que pouco me acrescentou profissionalmente. A tomada desta decisão, em virtude de questões pessoais, levou algum tempo para se concretizar. Há mais de ano que vislumbro esta possibilidade, mas sempre adiava-a para tentar outras coisas.
A idéia de fazer Fonoaudiologia tem um aspecto especialmente interessante: há muito tempo, nas minhas idas e vindas a fonoaudiólogas, as quais não sabiam tratar a gagueira, eu considerava a Fonoaudiologia completamente incompetente para o cuidado desta patologia da linguagem. A minha última fonoaudióloga me mostrou o contrário. Com isso, a vontade de fazer tal curso foi amadurecendo, também em virtude das listas que participo, dos amigos que conquistei, deste blog que mantenho, dos comentários que aqui recebo de pais e parentes de crianças que gaguejam e do grupo que organizo aqui na minha cidade.
Tornei-me íntimo da gagueira, apaixonado pelo intrigante mistério que a envolve e um visionário de um futuro mais claro para esse meio (sem qualquer crítica ao presente). Entro nesta escola com muitos sonhos, projetos e intenções, bem como com muita vontade de trabalhar para que estes tornem-se realidade um dia. Sei que a Fonoaudiologia não é só gagueira. Com certeza conhecerei e me identificarei com outras patologias da linguagem, que inicialmente é em que pretendo me especializar.
Obrigado pelos pensamentos (ou comentários, já que poucos os deixam) de boa sorte.
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