21 agosto 2006

Técnica da Visualização - Parte I

Dando continuidade à postagem anterior, nesta disponibilizarei para vocês um pequeno texto, mas muito interessante, sobre a Técnica da Visualização. Como será possível observar, esta técnica não é nada nova, data de 1963. É algo bastante utilizado em esportista, para que estes visualizem movimentos precisos e assim na hora "H" possam realizá-los. Porém, seus benefícios não são restristos a esta área. Na próxima postagem relacionarei a "Técnica da Visualização" com a "Gagueira".


A Técnica da Visualização

"O caminho mais fácil e óbvio para formular uma idéia é visualizá-la, vê-la nos olhos da mente tão real como se estivesse mesmo acontecendo. Você pode ver com o olho nu apenas o que já existe no mundo exterior; da mesma forma, o que você pode visualizar nos olhos da mente é o que já existe nos reinos invisíveis da sua mente. Qualquer imagem que você tenha em sua mente é a substância de coisas esperadas e a evidência de coisas não vistas. O que você forma em sua imaginação é tão real quanto qualquer parte do seu corpo. A idéia e o pensamento são reais e um dia aparecerão em seu mundo objetivo, se você tiver fé em sua imagem mental.

Esse processo de pensar forma impressões em sua mente; essas impressões, por seu turno, tornam-se manifestas como fatos e experiências em sua vida. O construtor visualiza o tipo de construção que deseja; ele a vê como quer que seja ao ficar pronta. As suas imagens e processos de pensamento tornam-se um molde plástico do qual emergirá a construção - feia ou bela, um arranha-céu ou um edifício acachapado. Sua imagem mental é projetada quando desenhada no papel. Posteriormente, o empreiteiro e seus operários reúnem os materiais essenciais e o prédio se ergue até o fim, em conformidade perfeita com os padrões mentais do arquiteto.

Tenho utilizado a técnica da visualização antes de falar em qualquer tribuna. Acalmo as engrenagens da minha mente a fim de poder apresentar à mente subconsciente minhas imagens de pensamento. Depois, faço um quadro do auditório inteiro e dos assentos ocupados por homens e mulheres, cada um deles iluminado e inspirado pela infinita presença curadora que existe dentro de cada um. Vejo-os radiantes, alegres e livres.

Tendo primeiro construído a idéia em minha imaginação, calmamente a mantenho lá como um quadro mental, enquanto imagino ouvir homens e mulheres dizendo: "Estou curado"; "Sinto-me maravilhosamente bem"; "Tive uma cura instantânea"; "Estou outro". Fico pensando assim por dez minutos ou mais, sabendo o sentindo que a mente e o corpo de cada pessoa estão saturados de amor, harmonia, beleza e perfeição. Minha percepção amplia-se até o ponto em que posso realmente ouvir as vozes da multidão proclamando saúde e felicidade; liberto então todo o quadro e vou para a tribuna. Quase todos os domingos algumas pessoas declaram que suas orações foram atendidas."

Fonte: MURPHY, Joseph. O Poder do Subconsciente. Record, 31ª Edição, 1963.

15 agosto 2006

Falar ou não falar? Eis a questão

"O Sujeito que apresenta gagueira relaiona-se com uma sociedade que, por conceitos culturalmente adquiridos, rejeita essa produção linguística e o marginaliza, estigmatizando-o ou negando a sua linguagem. Sheehan (1975) se refere a um conflito de aproximação e evitação, que se materializa no desejo de falar e não falar, complementado por Friedman (1986) como falar e falhar, ou não falar, referindo-se à dúvida pela qual passa o indivíduo, sempre que há a possibilidade de utilizar a linguagem. Dessa forma, há, por parte do sujeito gago, um evidente conflito em todas as situações de discurso: falar (e preocupar-se com a forma do discurso, expondo-se à falha) ou não falar (e assumir a posterior frustração pelo insucesso)". Azevedo (2000)

Fonte: AZEVEDO, Nadia Pereira Gonçalves. Gagueira: a estrutura da língua desestruturando o discurso. Revista SymposiuM, Ano 4 - Número especial, novembro, 2000.

Baixe o arquivo e leia-o na íntegra: Revista SymposiuM

O artigo em questão é muito interessante. A autora é uma das fonoaudiólogas de maior expressão quando o assunto é gagueira. A sua reflexão poderá trilhar algum caminho para aquele que busca explicações e orientações em relação à gagueira. O conflito que a passagem acima menciona é bastante comum no indivíduo que gagueja. Não se sabe qual é o mais frustrante. Falar ou calar-se. A briga interna que o sujeito vive, muito possivelmente teve origem na infância, nos primeiros sinais de desarmonia verbal. Em tais momentos os adultos começaram a introjetar na criança pensamentos paradoxais em relação à fala. Fale direito! Respire e fale lentamente! Foram algumas orientações que recebemos em nossas infâncias. Crescemos com este paradoxo. As orientações tinha a mais pura intenção de nos ajudar. Porém, quanto mais éramos repreendidos, menos conseguíamos "falar direito". Nossa imagem de sujeito mal falante nos acompanhou, confundindo-nos, fazendo com que antecipemos momentos de discurso. A antecipação é quase sempre negativa. Não vou conseguir! Vou gaguejar! Palavra "tal" eu não consigo articular! O resultado também é quase sempre negativo. É preciso romper este processo. O cérebro está acostumado a pensar desta forma. Ele tem que conhecer um novo pensar, um novo olhar sobre a situação. Pensamentos positivos! No Grupo de Auto-Ajuda que mantenho aqui em Natal, no mais recente encontro eu levei um texto que fala sobre a "Técnica da Visualização". Quem desejar já pode ir pesquisando na internet. Mas na próxima postagem falarei sobre ela.

12 agosto 2006

Rede de Tratamento Fonoaudiológico

Distrito Federal

Centro de Atendimento Médico Psicopedagógico (Comp) da Secretaria de Saúde do Distrito Federal. Endereço: W-3 Norte, quadra 501, Asa Norte — Tel.: 325-4946. Atendimento: de 2ª a 6ª feiras (exceto às quartas) às 7h30 e às 13h30 Clínica-Escola de Fonaudiologia do Centro de Ensino Unificado de Brasília (Cesubra). Endereço: SGAS 913, Asa Sul — Tel.: 345-9177 . Atendimento: de 2ª a 6ª feira das 8h às 12h e das 14h às 18h.

Paraíba

Clínica-Escola de Fonoaudiologia, do UNIPÊ. A inscrição para os atendimentos fonoaudiológicos é feita na própria Clínica-Escola, situada dentro do campus universitário, no 1º andar do bloco “O”, ou pelo telefone 2160.9216 / 2160-9270. Horário de funcionamento: 8h às 12h e 13h às 17h. Saite: http://www.unipe.br/graduacao/fonoaudiologia/infra_estrutura.html
Paraná

Clínica-Escola de Fonoaudiologia da Universidade Tuiuti do Paraná. Localiza-se no Campus Champagnat, à rua Marcelino Champagnat, 505. Mercês. Telefone: 331-7833. Saite: http://www.utp.br/servicos/clinicas/cod104.asp

Pernambuco

Clínica de Fonoaudiologia da Universidade Católica de Pernambuco. Endereço eletrônico: clifono@unicap.br. O telefone da secretaria do curso é 2119-4172. Saite da Clínica: http://www.unicap.br/cursos/html/fono_clinica.html
Rio de Janeiro

O Ambulatório de Fluência da Universidade Federal do Rio de Janeiro, do Curso de Fonoaudiologia, funciona das 8h às 12h e das 13h às 17h, todas as terças-feiras. O atendimento é individual e em grupo, para crianças, adolescentes e adultos. Localiza-se no Instituto de Neurologia Deolindo Couto, na Avenida Wenceslau Brás, 95, Botafogo (ao lado do PINEL).

Rio Grande do Norte

Clínica-Escola de Fonoaudiologia da Universidade Potiguar. Localiza-se na Avenida Salgado Filho, 1610, Lagoa Nova. Atende das 7 às 18h, de segunda a sexta. Telefone para contato é o 3215-1237.
Rio Grande do Sul

Clínica Escola de Fonoaudiologia, da FEEVALE, em Novo Hamburgo. O curso de Fonoaudiologia dispõe de uma moderna clínica de atendimento à comunidade, localizada no 4º andar do prédio Branco, no campus II. Horário de Atendimento: Segunda, quarta e quinta-feira: Das 8h15min às 13h15min e das 14h15min às 17h.Terça-feira: 8h15min às 12h e das 13h30min às 17h. Sexta-feira: 8h15min às 13h15min. Telefones: 3586 - 8800, ramal 8789, com Franciele. Saite: http://www.feevale.br/internas/default.asp?intIdSecao=303&intIdConteudo=1460

São Paulo

CEFAC - Clínica / Escola - Endereço: Rua Aimberê, 436 - Perdizes. Telefone: 3675-3637 - 3865-2702 - Fax: 0xx11 - 3675-1677 (Ramal:222). Email: clinicaescola@cefac.br Saite: http://www.cefac.br/publicar/conteudo.php?id=37 Responsáveis: Jaime Luis Zorzi e Irene Queiroz Marchesan.

Clínica-Escola de Fonoaudiologia da FATEA (Faculdades Integradas Teresa D'Ávila). Av. Peixoto de Castro, 539 - Vila Celeste, Lorena-SP. O horário de atendimento ao público é de segunda à sexta-feira, das 8 às 18 horas. Telefone da Faculdade: 3153-2888. Saite: http://www.fatea.br/padrao.php?table=pp&type=2&id=37


Clínica-Escola de Fonoaudiologia da Uniara. Localiza-se na rua Voluntários da Pátria, nº 1523, no Centro de Araraquara. Maiores informações através do telefone (16) 3333-7313

Clínica-Escola de Fonoaudiologia, do Centro Universitário São Camilo. Localiza-se na Av. Nazaré, 1501 - Ipiranga. Horário de Atendimento: Segunda a Sexta-feira das 7h às 18h. Telefones: 6169-4082 / 6169-4083. Endereço eletônico: clinica@scamilo.edu.br. Saite: http://www.scamilo.edu.br/index.php?pag=servicos/clinica_escola



Ajude-me a ampliar esta rede. Sabe de alguma outra instituição que promove tratamentos fonoaudiológicos? Deixe um comentário. Para que esta postagem não se "perca" entre os arquivos, colocarei um vínculo aqui na coluna do lado direito.

Gagueira Natural

"É importante lembrar que algumas crianças apresentam episódios de gagueira. Devemos considerar que a capacidade de falar, durante esse período, é um aprendizado e, diante disso, a criança é colocada e/ou se coloca, muitas vezes, em situações de insegurança diante dos outros e do domínio do conteúdo, demonstra ansiedade para se expressar e, ainda, algumas vezes, observamos situações de competição para falar. Nesse contexto, referimos Friedman e Cunha (2001, p. 135), quando designa a 'gagueira natural' como a 'possibilidade que qualquer falante tem de gaguejar no contexto de sua produção falada, na medida que a fluência não é absoluta em ninguém... seu aparecimento tem sempre algum sentido peculiar para a pesssoa que fala, situado na articulação entre as dimensões cognitiva, afetiva e motora perpassadas pela dimensão sociocultural da pessoa que fala'. Sendo assim, podemos afirmar que os adultos devem lidar com os episódios de gagueira (durante a aquisição da fala) como parte do processo, já que, esse envolve: ansiedade, insegurança e, muitas vezes, competição para falar, além de ser uma possibilidade de qualquer falante. Salientamos a importância de não chamar a atenção da criança ao fato e não completar a frase ou a palavra pela criança, mas ficar sempre atento, se esses episódios de gagueira persistirem por um longo tempo e/ou forem muito freqüentes, é necessário buscar as orientações de um fonoaudiólogo."

Fonte:
CELIA, Luciana dos Santos. Aquisição e desenvolvimento da linguagem na infância. In Aquisição e desenvolvimento infantil (0-12 anos): um olhar multidisciplinar. RS: Educas, 2003.

07 agosto 2006

Pesquise!

A postagem de hoje é uma indicação de alguns trabalhos sobre gagueira que encontrei no "Google Acadêmico", a partir da palavra "gagueira". Exceção feita para o primeiro que foi encontrado no Google normal.

1º) Gagueira Severa em Adultos - de Hélio Beraldo. Trabalho muito interessante. Faz um apanhado de diferentes teorias que abordam a gagueira. É um excelente trabalho para quem deseja conhecer um pouco mais sobre este assunto.

2º) Proposta de Análise de Performance e de Evolução em Crianças com Gagueira Desenvolvimental - de Cláudia Regina Furquim de Andrade e Fabíola Juste. Apresenta uma linguagem mais técnica. É mais indicado para quem é da área.

3º) Fluir ou disfluir: eis a questão! Uma discussão sobre a gagueira e a psicanálise - de Roberta Ecleide de Oliveira Gomes-Kelly. Tendo em vista Freud ter tratado a Baronesa Fanny Moser, a autora tenta relacionar a gagueira e a psicanálise. O trabalho apresenta algumas curiosidades sobre o assunto. Pessoalmente, não me traz grandes ensinamentos. O final é decepcionante.

4º) Aspectos Vocais na Gagueira - de Olga Maria de Freitas Lippi. Faz um levantamento de autores que já abordaram o assunto e suas teorias, bem como os sintomas da gagueira e estímulos que diminuem o surgimento desta patologia.

5º) O Papel do Professor na Formação da Imagem de Falante do Aluno - de Daniela Leite Gomes. Trabalho bem interessante, principalmente para pais e mestres de crianças com gagueira. Estes muitas vezes tentam ajudar, mas ajudam de maneira equivocada. Provocando na criança a tentativa de controlar o espontâneo, a partir da ideologia de bem falar que os pais e mestres possuem.


Tais trabalhos não refletem necessariamente a opinião deste blog. É somente um facilitador para aqueles que querem conhecer mais sobre este universo. Boa leitura!

06 agosto 2006

Dica para parar de gaguejar

Recentemente, uma visitante deste blog deixou o comentário abaixo. Por questões de privacidade, vou trocar seu nome.



"Oi me chamo Flor tenho 25 anos e tenho problema na fala, sou gaga, não muito, mas em algumas palavras, não sei porque mas quanto mais íntima de uma pessoa eu sou, mais eu gaguejo. Não era gaga quando criança. Não sei quando começou, não me recordo, mas minha mãe diz que foi devido eu ficar imitado uma prima que era gaga...podem me dar alguma dica pra eu parar de gaguejar".

Flor, desculpe-me talvez decepcioná-la, mas não existe "dica" para este intuito de suas palavras. Não há lâmpada mágica que com o esfregar das mãos sairá um gênio, que possamos fazer três pedidos. Dentre estes estaria, com certeza(!), o "quero falar fluentemente", "Plim!". Pronto! Todos os males estariam resolvidos. Eu também procurei por muito tempo o gênio da lâmpada, não o encontrei. Porém, descobri um universo muito interessante que envolve a gagueira. Com o qual pude melhorar em muitos aspectos a minha fala. Só abrindo um parêntese, para você perceber o quanto é possível melhorar. No Grupo Gagueira, diante de uma polêmica que ali surgiu, um colega pediu que eu parasse de me esconder por detrás da internet e ligasse para ele para "resolvermos esta discussão". Não deixei esta oportunidade passar. Liguei para ele. Logo, nas minhas primeiras palavras ele surpreso perguntou-me: "Bah! mas você não era gago?!" Fecha parênteses. Esta melhora eu não consegui sozinho e nem foi fácil. Freqüentei durante um ano e um mês uma fonoaudióloga especilizada no trato da gagueira. Se fosse em outros tempos eu não teria coragem de nem ligar para aquele colega e muito menos teria falado bem.

Flor, ao ler seu comentário, identifico algumas coisas que eu também possuía. Você relatou que além de gaguejar em "algumas palavras" também gagueja mais dependendo do grau de intimidade que tem com o interlocutor. Quando você diz "algumas palavras", isso parece demonstrar que você sabe em quais palavras gagueja. Penso que isso deva ser muito doloroso, pois toda vez que você identifica tais palavras em seu discurso começa uma tentativa frenética para trocá-las. Esse é um aspecto 
interessante na gagueira: ao substituir uma "palavra difícil" por outra "fácil", resolvemos um problema de fala com a própria fala. Deixamos de falar uma palavra, para falar outra. A capacidade está presente! É um modo de falar mais complexo do que o dos falantes típicos, mas o objetivo de falar é alcançado. Falar gaguejando é mais complexo do que falar sem gaguejar. Logo, o falante gago é muito competente.


O mesmo ocorre quando você fala com as pessoas "mais íntimas". Qual a diferença entre um íntimo e um desconhecido quando nos referimos ao ato de falar? Deveria ser nenhuma, mas para você, o fato de uma pessoa ser íntima provoca mais dificuldade. Com ela deve surgir algum "alarme de perigo" e a confiança em você, enquanto falante, se perde. O fato da pessoa saber que você gagueja, talvez seja esse o seu "alarme de perigo", produz algum efeito em você que prejudica sua fala. Com um desconhecido o efeito não é o mesmo, já que ele não sabe que você gagueja.


Tudo gira em torno do medo de gaguejar e as crenças são criadas: tal palavra, com tal pessoa, em tal situação... O "alarme de perigo" não ajuda em nada. Ele só existe porque gaguejar foi associado a algo errado desde a infância. Falar tornou-se uma experiência desagradável, mas gaguejar pode ganhar um outro olhar. O medo, de um modo geral, tem a função de nos proteger, de garantir a nossa integridade. O medo de gaguejar não nos protege, só atrapalha.



Comece a pensar diferente! Conheça o modo como você funciona para falar: suas crenças, seus pensamentos. Perceba que tudo que você faz para não gaguejar não adianta. Provoca mais gagueira. O que prejudica a sua fluência é a antecipação da gagueira, pelo medo de gaguejar. Quando isso não ocorre a fala pode sair muito mais fácil. Comunique-se positivamente com você. Capacidade você tem.  Não se torture, nem se cobre. Não negue a gagueira, assuma. Diga para seu ouvinte: "não se preocupe com a forma da minha fala e sim com o conteúdo da minha mensagem". Você vai ter mais confiança em você enquanto falante. Se gaguejar, dê um sorriso. O sorriso é transformador.