09 setembro 2006

Carta de Sensibilização Sobre o DIAG - 2006

Texto de Sensibilização sobre 22 de Outubro
Dia Internacional de Atenção à Gagueira/2006.

"Gagueira não tem Graça. Tem tratamento."


O dia 22 de outubro é o "Dia Internacional de Atenção à Gagueira". Em 2005, pela primeira vez, houve uma Campanha Nacional no Brasil e o tema foi "Tratamentos para a Gagueira". Neste ano de 2006, a Campanha Nacional prossegue e o tema é "Causas da Gagueira".

Muito se fala sobre as causas da gagueira. Você sabe dizer se a gagueira é causada:

- Por um susto?
- Pelo nervosismo?
- Por imitação?
- Pela ansiedade?
- Por um trauma ou problemas psicológicos?
- Pelo excesso de cobrança e repreensão dos pais?
- Pela hereditariedade?
- Por um mal funcionamento do cérebro?

Existem diversas teorias que procuram explicar as causas da gagueira. O mais aceito na comunidade científica mundial é que a gagueira seja de origem multifatorial: existiria uma tendência genética que, despertada por fatores psicológicos e/ou sociais, dispararia o mal funcionamento de algumas áreas do cérebro responsáveis pela fala. Os sintomas típicos da gagueira seriam, portanto, a parte mais visível desta complexa interação entre fatores. Entretanto, também existem outros sintomas bem menos visíveis para a sociedade, mas igualmente importantes para a pessoa que gagueja: o sofrimento e a frustração por não conseguir falar fluentemente, o medo e a vergonha de gaguejar em determinadas situações. E, além disso, a pessoa que gagueja também precisa lidar com o preconceito e o estigma social.

Apesar de haver várias teorias diferentes sobre as causas sobre a gagueira, todas concordam em um ponto: a gagueira é involuntária. Isto quer dizer que a pessoa que gagueja não consegue evitar a ocorrência da gagueira e, por mais que se esforce, não consegue ter controle absoluto sobre sua fala. Por isso, para superar a gagueira, não basta ter força de vontade, ficar calmo, respirar ou pensar antes de falar. É necessário um tratamento personalizado com fonoaudiólogos especializados em gagueira.

Na semana de 15 a 22 de outubro, estão programados diversos eventos em todo o Brasil para comemorar o "Dia Internacional de Atenção à Gagueira". Informe-se sobre os eventos na sua cidade! Maiores informações:

CEFAC - Educação e Saúde: www.cefac.br
ABRA GAGUEIRA - Associação Brasileira de Gagueira: www.abragagueira.org.br
HSPE - Hospital do Servidor Público Estadual: www.iamspe.sp.gov.br
IBF - Instituto Brasileiro de Fluência: www.gagueira.org.br

A Comissão Organizadora

Ignês Maia Ribeiro
Eliana Maria Nigro Rocha
Sandra Merlo
Daniela Verônica Zackiewicz

Amigos,

O Dia Internacional de Atenção à Gagueira, 22 de Outubro, está se aproximando. Esta é uma ótima oportunidade para que a população conheça mais e melhor sobre esta patologia da linguagem. Não é este o seu desejo? Você não gostaria que a sociedade respeitasse mais as pessoas que gaguejam? Então, esteja você onde estiver, fique certo de que pode fazer algo com esta finalidade. Interesse-se por esta campanha! Mobilize-se! A Comissão Organizadora deste movimento tem dois emails disponíveis para que os interessados possam se unir e juntar forças. São eles: gagueira@uol.com.br e ignes@uol.com.br. Ano passado foi desenvolvido um trabalho muito bonito. Nesse ano poderemos fazer mais! Junte-se a nós! "Quem sabe faz a hora, não espera acontecer!"

06 setembro 2006

Gagueira na TV é coisa séria!

Atendendo a pedidos, estou disponibilizando novamente a entrevista que dei dia 16 de novembro de 2005, sobre Gagueira.

A matéria foi veiculada na Inter TV Cabugi, afiliada à Rede Globo, no Estado do Rio Grande do Norte. Ela está basicamente dividida em duas partes: uma externa e outra nos estúdio da emissora. Na externa, eu falo sobre algumas dificuldades enfrentadas pelas pessoas que gaguejam em seus cotidianos e do meu desafio pessoal diante deste sério distúrbio de linguagem. Já nos estúdios, a Fonoaudióloga Priscilla Silveira esclarece as dúvidas sobre o assunto.

Agora ficou mais fácil de assisti-la. Não precisa baixar nem descompactar o arquivo. A entrevista ficará "para sempre" no You Tube. Mas você também poderá vê-la diretamente aqui no blog.



Espero que gostem!

02 setembro 2006

Mensagem ao Gago - Parte III de III

(Continuação)

Muitas terapias antigas fracassaram e se desmancharam no círculo vicioso, porque trataram de prevenir ou evitar a gagueira. Você pode ser mais feliz reduzindo a pena, o ódio e a culpa ao gaguejar, que são as causas mais imediatas do temor.

Sua gagueira não quer dizer que você é menos adaptado que a pessoa que está ao seu lado, também não quer dizer que você seja biologicamente inferior ou mais neurótico que ela. Usando modernos métodos de investigação no campo da personalidade e avaliando sistemática e objetivamente pessoas, demonstrou-se que não existe um padrão de personalidade típico dos gagos e não se encontraram diferenças consideráveis entre os gagos e os que não o são. Talvez esse conhecimento o ajude a se aceitar cais como gago e a estar mais aberto para a gagueira.

As pessoas dispostas a começar na direção correta podem progredir muito por si mesmas. Qualquer coisa que você faça deve ser feita para proveito próprio, utilizando para isso essas idéias e princípios. O tratamento clínico, na maioria dos casos, permitirá fazer um progresso mais sistemático. Isto é particularmente acertado para casos em que, além da gagueira, existam problemas emocionais e de personalidade.

Tratei de assinalar algumas idéias básicas que são válidas e mais manipuláveis que a maioria das coisas que se têm dito, em outras oportunidades, à maioria dos gagos.

Você deve trabalhar da seguinte maneira: da próxima vez que for a um empório ou responder ao telefone, lembre que pode seguir em frente e falar encarando seu temor. Veja se pode aceitar sua gagueira e seu ouvinte pode fazer o mesmo. Em todas as outras situações, veja se pode começar a aceitar abertamente seu papel como sendo alguém que por um tempo gaguejou tendo temor e bloqueios ao falar. Mas mostre a todos que você não tem a intenção de deixa que a gagueira o mantenha apartado da vida. Expresse-se de todas as maneiras possíveis e práticas. Não deixe que a gagueira afete a relação entre você e as outras pessoas; veja se consegue chegar a um ponto em que sejam mínimas as situações evitadas e que possa enfrentar com êxito a maioria delas. Quando gagueja, você será você mesmo. Não perca tempo e não se frustre tratando de falar com perfeita fluência. Se você chegou à vida adulta como gago, as oportunidades são num sentido: você será sempre gago. Porém, não tem que ser como tem sido até agora. Você pode gaguejar facilmente e quase sem obstáculos.

A idade não é um fator importante, mas a maturidade emocional é. Uma de nossas recuperações de maior êxito foi a de um diretor de orquestra aposentado, de 78 anos de idade, que decidiu que antes de morrer deveria superar seu problema e conseguiu.

Em resumo, veja quanto mais de seu bloco de gelo pode vir para a superfície. Quando chegar ao ponto em que não esconda nada de si mesmo, nem para seu ouvinte, terá deixado boa parte de seu problema de lado. Você pode gaguejar à sua maneira, sem tensão, se for suficientemente valente e assumir uma posição aberta ante seu problema.

Joseph Sheehan

(FIM)

Este é Joseph Sheehan. Para saber mais sobre ele, separei para vocês alguns saites em espanhol, que é uma língua muito parecida com a nossa. Você pode visitar o "ttmib" e ler a "Mensaje al tartamudo". Pode também ler "la definición de Joseph Sheehan" para a gagueira. E ver o "iceberg da gagueira" que é mencionado no texto acima.

31 agosto 2006

Mensagem ao Gago - Parte II de III

(Continuação)

Somente sendo você mesmo e permanecendo aberto à gagueira poderá dar um grande descanso à tensão que sente.

Existem dois princípios que você pode usar em seu benefício e que entenderá facilmente:

1. Sua gagueira não faz mal

2. Sua fluência não é nada boa para você. Não há motivo pelo qual você deva sentir pena pelo fato de ser gago; de modo igual, não há motivo pelo qual você deva se orgulhar quando fala fluentemente.

A maioria dos gagos retrocedem a cada bloqueio, pensam que tiveram um fracasso, uma falta. Por essa razão, para não gaguejar, esforçam-se muito e é por isso que gaguejam mais. Eles mesmos encerram-se em um círculo vicioso que pode ser desenhado do seguinte modo:


Gagueira → Ódio/Pena/Culpa → Susto/Evitação → Gagueira...

Gaguejar é uma experiência pouco freqüente. Possivelmente você não viu muitos gagos e evitou os que viu como uma praga. Assim como há pessoas que talvez o conheçam, o viram, ou somente o ouviram, há quem não saiba que você gagueja e que esconde a gagueira, como muitos outros que têm um problema similar ao seu. Por essa razão, poucos se dão conta que quase 1% da população gagueja e que somente nos Estados Unidos há quase um milhão de gagos.

Atualmente, muitas pessoas gaguejam mundo afora. Ao longo da história, sabe-se que muita gente famosa teve o mesmo problema, incluindo Moisés, Demóstenes, Charles Lamb, Charles Darwim e Carlos I da Inglaterra. Mais recentemente Jorge IV da Inglaterra, Marilyn Monroe e personalidades da TV em algum momento de suas vidas foram gagas.

Você não é o único em seu problema de linguagem e não está tão só como havia pensado.

Cada gago tem seu estilo individual, usualmente finge com truques e movimentos supérfluos que estão condicionados ao temor e se tornam automáticos. Todos sofrem basicamente do mesmo problema, procuram nomes diferentes para chamá-lo, dizem que “falam com pausas”, que é um “impedimento de linguagem” ou algo parecido.

A forma que você gagueja é muito importante; você não tem alternativa sobre quando gaguejar, mas pode eleger como gaguejar. Há muitos gagos que, como eu, aprenderam que é possível gaguejar mais facilmente e com muito pouco esforço ou tensão. A chave mais importante para aprender a fazê-lo está em fazê-lo abertamente; deixando sair cada vez mais o bloco de gelo que está abaixo da superfície, sendo você mesmo, não forçando nem brigando quando bloqueia, olhando calmamente nos olhos da pessoa que o ouve, nunca evitando as palavras escondendo-se de situações, tomando a iniciativa, mesmo que gagueje muito. Tudo isso é fundamental para qualquer recuperação da gagueira.

Você pode gaguejar a sua maneira, sem ter problemas e sem apresentar a gagueira com ódio, pena ou culpa toda vez que fala. Você sente medo de falar e evita fazê-lo; esse medo e essa evitação poderão ser manipulados e assim a gagueira diminuirá.

(Continua)

29 agosto 2006

Mensagem ao Gago - Parte I de III

A postagem de hoje, bem como as duas seguintes, eu as considero extremamente importante para todas as pessoas que gaguejam e que procuram um rumo, uma orientação para melhorarem sua forma de falar. Já no primeiro parágrafo, percebe-se que o autor (Joseph G. Sheehan, Ph.D.) conhece o assunto de maneira íntima. Justamente em virtude disso, ele traça algumas premissas extremamente interessantes que com as quais, de acordo com as palavras do autor, "as pessoas dispostas a começar na direção correta podem progredir muito por si mesmas." Creio que o texto também seja muito interessante para fonoaudiólogos que desconhecem como tratar eficazmente a gagueira.

Como dito anteriormente, por ser um texto relativamente longo, dividirei-o em três partes. Postarei uma hoje, a outra quinta-feira e a
última no sábado.

O texto original foi traduzido para o espanhol por Luísa Elena Pachano e revisado e adaptado por Pedro R. Rodrigues C. Do espanhol para o português foi traduzido por Silvia Friedman. Inclusive o texto foi extraído do livro Gagueira e Subjetividade - Possibilidades de Tratamento de Silvia Friedman e Maria Cláudia Cunha.

Espero que gostem!

Mensagem ao Gago

Joseph G. Sheehan, Ph.D.

Se sua experiência como gago é parecida com a minha, você perdeu boa parte de sua vida ouvindo conselhos e sugestões tais como: “relaxe, pense no que tem a dizer, tenha confiança, faça uma respiração profunda.” Ou, então: “fale com pedras na boca.” Por ora, você deve ter aprendido que essas coisas não somente não ajudam, mas que algumas delas o fizeram piorar.

Essa é uma boa razão pela qual todas essas teorias legendárias caíram. Todas significam reprimir a gagueira, encobrindo-a, fazendo coisas e movimentos artificiais. E quanto mais você encobrir e tratar de evitar a gagueira, mais gaguejará.

Sua gagueira é como um bloco de gelo, a parte na superfície é o que as pessoas ouvem e é realmente a parte menor. A parte maior é a que está abaixo da superfície, na qual se encontra a vergonha, o temor, a culpa, e todos os sentimentos que temos quando tratamos de falar ou dizer uma frase simples e não podemos.

Você, como eu, provavelmente tratou de manter esse bloco de gelo em baixo da superfície o maior tempo possível. Tratou de encobrir e manter a aparência de pessoa que fala com facilidade e, apesar de ter longos bloqueios e pausas demasiado penosas, tanto para você como para pessoas que o ouvem, isto é muito difícil de ignorar. Você deve estar cansado de representar esse falso papel. Igualmente, quando produz movimentos supérfluos você não se sente bem com eles. Quando seu truque falha, você se sente muito mal. Mesmo assim, provavelmente você não se dá conta de quanto foge ou quanto encobre no círculo vicioso da gagueira.

Em laboratórios de psicologia e de linguagem, descobrimos a evidência de que a gagueira é um conflito, um tipo especial de conflito entre ir pra frente e manter-se no anterior; é um conflito de aproximação e evitação. Você quer falar, mas esse querer falar está competindo com um temor que o obriga a ficar calado. Tanto para você como para outros gagos, o temor tem diferentes níveis e origens, o mais imediato e opressor é o temor de gaguejar e isso provavelmente é secundário a qualquer outra coisa que aquilo lhe causa, em primeiro lugar, o fato de gaguejar em si.

Seu temor de gaguejar está baseado na pena e no ódio que causam a forma como você fala. O medo está também baseado em desempenhar um falso papel pretendendo não ser gago. Você pode fazer alguma coisa com esse temor. Se tem valor suficiente para fazê-lo, você pode se abrir para a gagueira por cima da superfície do bloco de gelo. Pode aprender a seguir em frente e falar de qualquer maneira, mas encarando o temor. Em resumo, você pode ser você mesmo e perder a insegurança que se apossou do seu ser. Você pode reduzir a parte do bloco que está abaixo da superfície e esta é a primeira coisa a fazer.

Continua

23 agosto 2006

Técnica da Visualização - Parte II

Tudo que vamos realizar, antes de qualquer coisa nós pensamos sobre ele. Visualizamos o trajeto até o trabalho, imaginamos com qual roupa iremos àquela festa importante, o que falaremos diante de um público. Isso ocorre com todo mundo. Todos olham com os "olhos da mente", como afirma o texto da postagem anterior. Com as Pessoas Que Gaguejam não é diferente. O que pode mudar é que muitas vezes estes visualizam o evento de maneira excessivamente negativa. O medo toma conta, a ansiedade domina tudo, o nervosismo reina, enfim, é uma visualização negativa quando envolve principalmente situações de fala. Tais pensamentos são compreensíveis, pois enraizaram-se em virtude de situações desagradáveis, que de certa forma foram traumatizantes. Logo, o organismo procura formas de defesa. A fuga é uma delas. Porém, muitas vezes, fugir é inviável. Ao invés da fuga, surge a luta. Em indivíduos que gaguejam a luta é contra dois inimigos: a situação que para qualquer um poderia ser estressante (falar em público, por exemplo) e a fala. São nesses momentos que o pânico, juntamente com uma enxurrada de pensamentos negativos surgem: Não vou conseguir! Vou gaguejar! Sou incapaz! São algumas previsões que as pessoas que gaguejam fazem. O mais interessante é que muitos conseguem falar fluentemente em diversas outras situações. Em tais momentos de fluência é bem possível que o negativismo não esteve presente. É claro que somente a Técnica da Visualização Positiva (que já é algo importante!) talvez não lhe leve a uma melhor fluência. Mas é algo que devemos analisar com bastante carinho.

Ao pensar de maneira negativa, de visualizar-se não conseguindo realizar algum evento, os resultados também são da mesma forma negativos. O que aconteceria, então, se o pensar fosse positivo? Se a visualização tivesse como resultado o sucesso? Vou lá, vou falar muito bem! Eu sei que posso! Eu já provei isso para mim anteriormente! Dr. Joseph Murphy, afirmou em seu texto que as impressões que criamos em nossas mentes, "tornam-se manifestas como fatos ou experiências". Talvez na primeira vez o cérebro estranhe este novo jeito de pensar e agir, mas ele pode ser reprogramado.

Ainda não sei ao certo, não encontrei algo afirmando isso, mas parece-me que a "Técnica da Visualização" faz parte da Programação Neurolinguística - PNL. De acordo com a Sociedade Brasileira de PNL, "PNL é uma ciência, na qual suas experiências internas oferecem um meio de auto-conhecimento, para você desenvolver seu potencial criativo". O que seria a "visualização negativa" que não uma experiência interna? Perceber isso é o auto-conhecimento! Mudar de atitude, ou seja, estimular o desenvolvimento de pensamentos positivos, é desenvolver o potencial criativo! Como percebemos acima, pensamentos geram comportamentos. Pensamentos negativos, comportamentos negativos. Pensamentos positivos, comportamentos positivos.

Claro que existem outras coisas por trás da gagueira, mas no adulto que gagueja a imagem de mau falante que este possui de si, que o leva a sentir-se incapaz em situações de comunicação verbal, ocasionando pensamentos e comportamentos negativos, gerando uma gigantesca bola de neve, é algo que tem que ser trabalhado em terapias fonoaudiológicas.