16 setembro 2006

Gagueira no Vídeo Show

No dia 16 de março de 2006, foi ao ar no Programa Vídeo Show, da TV Globo, uma matéria sobre gagueira. O programa aproveitou a oportunidade na qual o ator Marcelo Médici fazia o papel de Fladson, um personagem com gagueira, na Novela Belíssima, e convidou as Fonoaudiólogas Sandra Merlo e Ignês Maia para abordarem o assunto. Infelizmente, o vídeo termina no momento em que o ator vai entrevistar o colega Roberto Tadeu. Não sei o motivo deste corte. Consegui o vídeo na página do CEFAC.



Aproveitem!

12 setembro 2006

Extra! Extra!

"A procura de um especialista é uma questão de qualidade de vida. Durante a terapia, há exercícios específicos para o desenvolvimento de uma fala mais natural, além do trabalho sobre a auto-estima do paciente e sua inserção social. "O gago tem vergonha de falar, de ir a uma loja, por exemplo, e fazer um pedido. A gagueira passa a ser a prioridade e acaba impedindo muitos contatos. Na terapia, nós frisamos que isso não pode acontecer", relata Leila Nagib."

Fonte: Olhar Virtual

"A droga pagoclone foi inicialmente testada como um tratamento para disfunções de pânico e ansiedade. Os resultados eram diferenciados, e a Pfizer, que tem os direitos sobre a droga, enviou o medicamento de volta para os laboratórios da Indevus. Mas naqueles testes, algumas pessoas que gaguejavam diziam que sua capacidade de locução havia melhorado. Então a Indevus conseguiu uma patente que colocava a droga na ordem de tratamento de gagueira e começou a testá-la clinicamente, onde 88 pacientes ingeriram a substância e outros 22 um placebo."

Fonte: Último Segundo

"Galos pretos poderão ser alugados nesta quinta-feira na Festa de São Bartolomeu do Mar, em Esposende, distrito de Braga, na região norte de Portugal, para que os peregrinos possam cumprir uma tradição que prevê a cura de crianças de doenças como gagueira, problemas renais, epilepsia e medo."

Fonte: Lusa Agência de Notícia

Que Novidade!!!

"Quem Gagueja Pensa Com Pressa

Durante anos a gagueira foi atribuída à timidez e a possíveis problemas psíquicos. Essa interpretação perdeu hoje grande parte de seu apelo: se é verdade que os gagos têm dificuldades de se relacionar com os outros, isso pode bem ser a conseqüencia e não a causa do problema.

Também nessa área, o desenvolvimento da neuroimagem forneceu a explicação anatômica para uma "doença da linguagem" bastante comum. Dois pesquisadores da Universidade de Toronto, Luc de Nill e Robert M. Kroll, demonstraram, graças à PET (Tomografia por Emissão de Pósitrons), que, quando se solicita a uma pessoa gaga e a uma não gaga que leiam silenciosamente um texto, as mesmas áreas do cérebro são ativadas, mas na que sofre de gagueira a atividade é muito mais intensa. Se a leitura é feita em voz alta, além das áreas mais especificamente linguística necessárias à leitura silenciosa, é ativado também o córtex motor primário: também nesse caso há um excesso de atividade nos gagos.


"A explicação é simples", afirma o neurocientista Eric Kandel, professor na Universidade de Colúmbia, em Nova Iorque: "Quando uma pessoa gaga começa a pensar e proncunciar uma palavra, seu cérebro opera de modo incongruente e excessivamente veloz, a tal ponto que não é possível a boa coordenação entre pensamento e movimento". Para demonstrar essa tese, Kandel verificou os efeitos da reabilitação no cérebro das pessoas que sofriam de gagueira. Após o treinamento adequado de recuperação, a PET assinalou a diminuição da atividade das áreas motoras, o que facilitou a transformação do pensamento em palavra."

Fonte: Revista Viver Mente & Cérebro. Agosto, 2005.

A reportagem acima, na minha opinião, reforça um antigo mito em torno da gagueira: a pessoa gagueja porque pensa muito rápido. É este o senso comum da população leiga. O incrível é que está cientificamente (com)provado (???)! Duvido em muitos aspectos do estudo realizado na Universidade de Toronto. Talvez o indivíduo que gagueja processe mais informações, pois para ele ler não é somente ler. Ler envolve ser aceito pelos outros, por si, atingir um ideal de fala. É estranho acreditar que a partir de uma atividade mais intensa no cérebro, se possa afirmar que é "pressa" no pensamento. Creio que exista muita diferença entre uma coisa e outra. Se fosse assim, a cura da gagueira seria extremamente simples. Na minha infância, quantas vezes a minha mãe não pediu para eu me acalmar antes de falar? Ah, se eu tivesse antendido o pedido dela...

09 setembro 2006

Carta de Sensibilização Sobre o DIAG - 2006

Texto de Sensibilização sobre 22 de Outubro
Dia Internacional de Atenção à Gagueira/2006.

"Gagueira não tem Graça. Tem tratamento."


O dia 22 de outubro é o "Dia Internacional de Atenção à Gagueira". Em 2005, pela primeira vez, houve uma Campanha Nacional no Brasil e o tema foi "Tratamentos para a Gagueira". Neste ano de 2006, a Campanha Nacional prossegue e o tema é "Causas da Gagueira".

Muito se fala sobre as causas da gagueira. Você sabe dizer se a gagueira é causada:

- Por um susto?
- Pelo nervosismo?
- Por imitação?
- Pela ansiedade?
- Por um trauma ou problemas psicológicos?
- Pelo excesso de cobrança e repreensão dos pais?
- Pela hereditariedade?
- Por um mal funcionamento do cérebro?

Existem diversas teorias que procuram explicar as causas da gagueira. O mais aceito na comunidade científica mundial é que a gagueira seja de origem multifatorial: existiria uma tendência genética que, despertada por fatores psicológicos e/ou sociais, dispararia o mal funcionamento de algumas áreas do cérebro responsáveis pela fala. Os sintomas típicos da gagueira seriam, portanto, a parte mais visível desta complexa interação entre fatores. Entretanto, também existem outros sintomas bem menos visíveis para a sociedade, mas igualmente importantes para a pessoa que gagueja: o sofrimento e a frustração por não conseguir falar fluentemente, o medo e a vergonha de gaguejar em determinadas situações. E, além disso, a pessoa que gagueja também precisa lidar com o preconceito e o estigma social.

Apesar de haver várias teorias diferentes sobre as causas sobre a gagueira, todas concordam em um ponto: a gagueira é involuntária. Isto quer dizer que a pessoa que gagueja não consegue evitar a ocorrência da gagueira e, por mais que se esforce, não consegue ter controle absoluto sobre sua fala. Por isso, para superar a gagueira, não basta ter força de vontade, ficar calmo, respirar ou pensar antes de falar. É necessário um tratamento personalizado com fonoaudiólogos especializados em gagueira.

Na semana de 15 a 22 de outubro, estão programados diversos eventos em todo o Brasil para comemorar o "Dia Internacional de Atenção à Gagueira". Informe-se sobre os eventos na sua cidade! Maiores informações:

CEFAC - Educação e Saúde: www.cefac.br
ABRA GAGUEIRA - Associação Brasileira de Gagueira: www.abragagueira.org.br
HSPE - Hospital do Servidor Público Estadual: www.iamspe.sp.gov.br
IBF - Instituto Brasileiro de Fluência: www.gagueira.org.br

A Comissão Organizadora

Ignês Maia Ribeiro
Eliana Maria Nigro Rocha
Sandra Merlo
Daniela Verônica Zackiewicz

Amigos,

O Dia Internacional de Atenção à Gagueira, 22 de Outubro, está se aproximando. Esta é uma ótima oportunidade para que a população conheça mais e melhor sobre esta patologia da linguagem. Não é este o seu desejo? Você não gostaria que a sociedade respeitasse mais as pessoas que gaguejam? Então, esteja você onde estiver, fique certo de que pode fazer algo com esta finalidade. Interesse-se por esta campanha! Mobilize-se! A Comissão Organizadora deste movimento tem dois emails disponíveis para que os interessados possam se unir e juntar forças. São eles: gagueira@uol.com.br e ignes@uol.com.br. Ano passado foi desenvolvido um trabalho muito bonito. Nesse ano poderemos fazer mais! Junte-se a nós! "Quem sabe faz a hora, não espera acontecer!"

06 setembro 2006

Gagueira na TV é coisa séria!

Atendendo a pedidos, estou disponibilizando novamente a entrevista que dei dia 16 de novembro de 2005, sobre Gagueira.

A matéria foi veiculada na Inter TV Cabugi, afiliada à Rede Globo, no Estado do Rio Grande do Norte. Ela está basicamente dividida em duas partes: uma externa e outra nos estúdio da emissora. Na externa, eu falo sobre algumas dificuldades enfrentadas pelas pessoas que gaguejam em seus cotidianos e do meu desafio pessoal diante deste sério distúrbio de linguagem. Já nos estúdios, a Fonoaudióloga Priscilla Silveira esclarece as dúvidas sobre o assunto.

Agora ficou mais fácil de assisti-la. Não precisa baixar nem descompactar o arquivo. A entrevista ficará "para sempre" no You Tube. Mas você também poderá vê-la diretamente aqui no blog.



Espero que gostem!

02 setembro 2006

Mensagem ao Gago - Parte III de III

(Continuação)

Muitas terapias antigas fracassaram e se desmancharam no círculo vicioso, porque trataram de prevenir ou evitar a gagueira. Você pode ser mais feliz reduzindo a pena, o ódio e a culpa ao gaguejar, que são as causas mais imediatas do temor.

Sua gagueira não quer dizer que você é menos adaptado que a pessoa que está ao seu lado, também não quer dizer que você seja biologicamente inferior ou mais neurótico que ela. Usando modernos métodos de investigação no campo da personalidade e avaliando sistemática e objetivamente pessoas, demonstrou-se que não existe um padrão de personalidade típico dos gagos e não se encontraram diferenças consideráveis entre os gagos e os que não o são. Talvez esse conhecimento o ajude a se aceitar cais como gago e a estar mais aberto para a gagueira.

As pessoas dispostas a começar na direção correta podem progredir muito por si mesmas. Qualquer coisa que você faça deve ser feita para proveito próprio, utilizando para isso essas idéias e princípios. O tratamento clínico, na maioria dos casos, permitirá fazer um progresso mais sistemático. Isto é particularmente acertado para casos em que, além da gagueira, existam problemas emocionais e de personalidade.

Tratei de assinalar algumas idéias básicas que são válidas e mais manipuláveis que a maioria das coisas que se têm dito, em outras oportunidades, à maioria dos gagos.

Você deve trabalhar da seguinte maneira: da próxima vez que for a um empório ou responder ao telefone, lembre que pode seguir em frente e falar encarando seu temor. Veja se pode aceitar sua gagueira e seu ouvinte pode fazer o mesmo. Em todas as outras situações, veja se pode começar a aceitar abertamente seu papel como sendo alguém que por um tempo gaguejou tendo temor e bloqueios ao falar. Mas mostre a todos que você não tem a intenção de deixa que a gagueira o mantenha apartado da vida. Expresse-se de todas as maneiras possíveis e práticas. Não deixe que a gagueira afete a relação entre você e as outras pessoas; veja se consegue chegar a um ponto em que sejam mínimas as situações evitadas e que possa enfrentar com êxito a maioria delas. Quando gagueja, você será você mesmo. Não perca tempo e não se frustre tratando de falar com perfeita fluência. Se você chegou à vida adulta como gago, as oportunidades são num sentido: você será sempre gago. Porém, não tem que ser como tem sido até agora. Você pode gaguejar facilmente e quase sem obstáculos.

A idade não é um fator importante, mas a maturidade emocional é. Uma de nossas recuperações de maior êxito foi a de um diretor de orquestra aposentado, de 78 anos de idade, que decidiu que antes de morrer deveria superar seu problema e conseguiu.

Em resumo, veja quanto mais de seu bloco de gelo pode vir para a superfície. Quando chegar ao ponto em que não esconda nada de si mesmo, nem para seu ouvinte, terá deixado boa parte de seu problema de lado. Você pode gaguejar à sua maneira, sem tensão, se for suficientemente valente e assumir uma posição aberta ante seu problema.

Joseph Sheehan

(FIM)

Este é Joseph Sheehan. Para saber mais sobre ele, separei para vocês alguns saites em espanhol, que é uma língua muito parecida com a nossa. Você pode visitar o "ttmib" e ler a "Mensaje al tartamudo". Pode também ler "la definición de Joseph Sheehan" para a gagueira. E ver o "iceberg da gagueira" que é mencionado no texto acima.