10 outubro 2006

Revista da Fonoaudiologia

O "Conselho Regional de Fonoaudiologia - 2ª Região" publicou a " A Revista da Fonoaudiologia", de número 69, setembro/outubro de 2006, uma matéria de 12 páginas, dando ênfase à campanha do Dia Internacional de Atenção à Gagueira deste ano. A matéria abordou diversos aspectos, enfatizando sempre a questão de não haver graça na gagueira. Além do mais, falou sobre as possíveis causas da gagueira; trouxe uma entrevista com o amigo Roberto Tadeu; contou um pouco da história da amiga Sandra Merlo; conversou com a competente Fonoaudióloga Ignês Maia Ribeiro e com a Fonoaudióloga Eliana Nigro (a qual está prestes a lançar um livro que terá um depoimento meu); a Presidente da ABRA Gagueira Daniela Verônica orienta e dá algumas dicas para pais e professores; além de todas essas personalidades, a matéria encerra com a participação do ator Marcelo Médici (o Fladson da passada novela das oito) que afirma está totalmente à disposição da campanha e solidário à causa.

Para baixar e ler a matéria completa acesse: Instituto Brasileiro de Fluência

Fonoaudiologia da São Lucas alerta sobre gagueira

Notícia sobre gagueira direto de Rondônia:

"A percepção pela criança da dificuldade para articular as palavras gera sinais de ansiedade (tiques), como fazer caretas ou bater o pé. "Nestes casos, onde a criança tem consciência do problema e percebe que sua fala está sendo julgada como fora do padrão normal, ela pode ter sua auto-estima prejudicada", acentua Elisangela Hermes, orientando aos pais para que não interferiram ou chamem a atenção para o fato. "A contribuição dos pais está em proporcionar uma linguagem simples e com fluxo calmo, assim como ter paciência e tempo disponíveis para permitir à criança organizar a coordenação de seus pensamentos com a fala", esclarece."

Continue a leitura!
Fonte: Rondonotícias

09 outubro 2006

A Faca e o Queijo

Primeiramente, quero pedir desculpas pelo tempo sem novidades neste blog. O que ocorre é que a faculdade de Fonoaudiologia acaba tomando bastante tempo. Sem falar em outras atividades concomitantes que tenho de realizar. Tentarei atualizar este espaço pelo menos duas vezes por semana, porém quando perceberem a não-atualização, já saibam qual o motivo.

Aproveito esta oportunidade para tentar responder a um comentário deixado na postagem anterior, por um "anônimo". Quem desejar ler o comentário dele, basta clicar em "comentários" da postagem "Vídeos Disfluentes".


Amigo, Entendo sua angústia e preocupação em relação ao seu futuro. Também passei por isso. Se eu passei por isso, significa que "Gagueira Tem Tratamento".

Esta afirmação é muito importante, pois é muito comum lermos afirmações e até mesmo termos o pensamento que "fonoaudiólogo só quer ganhar dinheiro" ou que "fonoaudiólogo não sabe tratar gagueira", entre outras semelhantes. Em relação à sentença em destaque acima, eu a reformularia para:
Gagueira Tem Tratamento Fonoaudiológico Adequado. Desta forma, estamos definindo que não são todos os tratamentos fonoaudiológicos que resultam em melhoras para o indivíduo que gagueja e, portanto, não são todos os profissionais da fonoaudiologia que estão capacitados adequadamente para o trato desta nossa patologia.

Na faculdade, este e outros distúrbios de linguagem são vistos muitas vezes de maneira rápida. Se o futuro profissional desejar adquirir maiores conhecimentos, é importante a realização de uma pós-graduação, na qual terá melhores possibilidades de estudar e desenvolver novos métodos ou aprimorar os já existentes.

Diante deste quadro, deve surgir a seguinte pergunta: como saber se o fonoaudiólogo que vou procurar é capacitado ou não para me tratar? Para responder a esta pergunta, é preciso fazer uma série de outras perguntas diretamente para o eventual profissional.

Perguntas do tipo:
- Qual sua linha de tratamento?;
- Qual sua experiência com pacientes com gagueira?;
- Quais os resultados obtidos com estes pacientes?;
- O que posso esperar de um provável tratamento?;
- Tem pós-graduação? Em que? Estudou gagueira?;
- Possui trabalhos apresentados em congressos? (esta pergunta se respondida negativamente, não siginifca que ele não sabe tratar pacientes com gagueira. É só um diferencial);
- Qual é o "Dia Internacional de Atenção à Gagueira"?;
- Entre outras que você mesmo poderá elaborar ao pesquisar na internet sobre gagueira. Na coluna vínculos, aqui do lado direito, você terá boas opções para conhecer mais sobre o seu distúrbio.

Estes questionamentos são vitais para evitarmos fonoaudiólogos não preparados, os quais nos tratam com língua de sogra, rolha de vinho, balão de encher, mudança de tom de voz, etc. Além do mais, o profissional perceberá que você sabe o que está procurando e você também perceberá o grau de capacitação dele nesta área. A contratação de um fonoaudiólogo é um ato extremamente importante, mais até do que a de um médico "qualquer". O médico, geralmente, você o verá uma vez ou duas (no retorno), no máximo. Já o fonoaudiólogo, para tratar gagueira, será visitado pelo menos uma vez por semana, durante, possivelmente, por no mínimo um ano.

Anônimo, desculpe-me chamá-lo assim, mas não sei o seu nome, em seu comentário você se queixa de maiores dificuldades para falar com pessoas conhecidas (quando elas são estranhas você não gagueja) e ao telefone. Creio que no seu íntimo ocorra uma guerra entre dois personagens: um bom falante e outro mal falante. Quando a pessoa não lhe conhece intimamente, não sabe que você gagueja, você libera o "bom falante" dentro de você. Aos poucos, você "permite" que o mal falante tome conta. Seus pensamentos, limitações e crenças (não falar bem ao telefone, por exemplo) lhe empurram cada vez mais para baixo.

Essas
crenças que desenvolvemos geram mais gagueira. Já ouviu falar que somos aquilo que pensamos? Que a palavra tem poder? Pois é! Como nos libertaremos para falar ao telefone se toda vez que ele toca nossos pensamentos nos torturam? Como falaremos com conhecidos com desenvoltura, se temos a certeza de que a partir do momento que a barreira estranho/conhecido é quebrada "aí começo a gaguejar"?

Perceba o quanto você interfere em sua fala. O que deveria ser um ato espontâneo, está recheado de interferências indevidas. O "pense antes de falar" e "respire antes de falar" são exemplos disso. Em minha bem sucedida terapia, percebi que ninguém, dos ditos fluentes, possuía as mesmas preocupações que eu. Ninguém pensava antes de falar ou respirava antes de falar sem que lhe fosse espontâneo. A partir disso, elaborei a seguinte teoria:
se eu quero falar como eles, tenho que agir/pensar como eles.

A mudança de tom de voz, realmente nos proporciona maior fluência. Existem pseudos-tratamentos que incentivam isso. Porém, não nos garantem melhoras a longo prazo, por isso devem ser evitados. A mudança de tom de voz é um truque que temos para falar bem. É a quebra do espontâneo. Sem falar que a artificialidade gerada por uma mudança de tom é muito grande. Há tempos tentei fazer isso e parecia não ser eu falando.

Você também se refere a medicamentos. Não incentivo este tipo de atitude. Principalmente, sem receita médica. Tomá-los em uma situação estressante, como ter que falar em público, dar uma palestra, é aceitável. Alguns palestrantes não acostumados com a situação fazem uso de calmantes, tranquilizantes... Para nós, não faz sentido algum nos medicarmos para irmos a uma padaria comprar pão, por exemplo.

Você afirma que tem esperança de falar fluentemente. Eu acredito que somos capazes. Entretanto, cuidado com este desejo! Falar fluentemente significa não ter bloqueios, prolongamentos, hesitações, repetições... Isso, nem o melhor dos oradores consegue. A fala é um ato motor extremamente delicado. Ao caminhar torpeçamos, ao falar também estamos sujeito a alguns tropeções. O que não significa ficarmos depressivos, tristes, desenganados quando eles acontecem. No um ano e um mês de terapia, eu tinha algumas recaídas, o que é normal do processo evolutivo. Logo no início, as minha recaídas eram na fluência e no meu psicológico. Com o passar dos meses, passei a sentir somente recaídas na fluência. O abalo emocional já estava pequenininho. O que gera cada vez mais fluência.

"Será que a gagueira vai ser o maior obstáculo, a qual impedirá a minha realização profissional e a dos meus sonhos?" A reposta para esta pergunta, amigo, está dentro de você. Faça de tudo para quando, futuramente, você olhar para trás, ver que fez o que tinha de ser feito. Nossa vida não é fácil, mas, depois que você transcende a gagueira, com muita luta, muita disposição, pode sorrir e afirmar categoricamente:
valeu a pena!

Amigo, espero ter lhe dado a faca e o queijo, conforme você solicitou. Agora só falta cortá-lo. De contra-partida gostaria que você, futuramente, me procurasse, estarei na internet ou em algum outro local que discuta gagueira, e me dissesse como foi que você cortou o queijo.

25 setembro 2006

Vídeos Disfluentes

Amigos, temos mais um espaço dedicado à gagueira. É o Vídeos Disfluentes. Disponibilizarei vídeos, imagens, entre outros tipos de comunicação gráfica encontrados no You Tube, Google Vídeos ou outros sítios, que tratem da gagueira. Para isto, espero contar com a participação de todos vocês. Avisem-me (wladimirdamasceno@gmail.com) quando encontrarem algo referente à nossa área e que seja interessante de ser postado. Já postei quatro vídeos. Dêem uma olhadinha lá também.

21 setembro 2006

Vida Longa ao Instituto Brasileiro de Fluência


É com enorme alegria que vejo nascer um bebê de seis quilos e quatrocentos gramas (!!). É novinho mas já nasceu grande, é o Instituto Brasileiro de Fluência. A concepção foi muito bem produzida, o parto se deu sem maiores problemas, a escolha do nome e dos seus ideais foi de muito boa qualidade. Parabéns às mães e ao pai: Ignês, Sandra e Roberto. Vocês superaram todas as expectativas que tínhamos a respeito deste novo ser. O próximo passo de todos agora é "fazer algo para melhorar" e caminharmos juntos "pela superação da gagueira". Aos que ainda não viram a criança, não deixem de visitá-la e fazer-lhe um carinho.

19 setembro 2006

Ih! Nosso filho está gaguejando

A postagem de hoje é voltada para uma colega da Faculdade de Turismo (minha primeira formação). Encontramo-nos em um shopping da cidade e tivemos uma conversa bem interessante sobre seu filho que está apresentando gagueira há aproximadamente um ano e está há três meses com uma fonoaudióloga. Por esta razão disponibilizo um trecho de um texto de Sílvia Friedman.

Ih! Nosso filho está gaguejando

Quantas vezes esta frase é repetida na vida de muitas famílias desde tempos muito antigos. Mas, afinal, o que significa estar gaguejando? Porque as crianças gaguejam, às vezes, já com dois anos de idade? Este é o objetivo deste artigo, ou seja, esclarecer aos pais o que é gaguejar. É perigoso? É contagioso? É hereditário? O que fazer diante da gagueira? Foi depois que ele levou um susto, explicam alguns pais.Dá um susto nele que isso passa, aconselham outros. Qual a verdade contida nisso tudo? Para entender o comportamento de gaguejar precisamos falar um pouquinho de EMOÇÃO.

Vocês já repararam que quando mostramos nossas emoções, nossos músculos se mexem. Os músculos do rosto se colocam numa posição quando sentimos alegria, noutra quando sentimos tristeza, e noutra ainda para braveza e assim por diante. Além disso, quando sentimos emoções, a respiração também muda, fica lenta, rápida, apertada, conforme a emoção. Muda também a batida cardíaca, suamos, trememos, enfim, várias mudanças no corpo acompanham as emoções. Vamos agora analisar um pouquinho a fala. Para falar, é preciso usar o ar dos nossos pulmões, pondo-o para fora. Fale um pouco e sinta se é verdade. Para falar é preciso também mexer vários músculos: os dos lábios, língua, céu da boca e pescoço. Agora a conclusão fica fácil. Se as emoções influem no movimento dos nossos músculos, na nossa forma de respirar e se a fala depende de movimentos de músculos e da respiração, é claro que conforme a emoção que sentimos, nossa fala pode se alterar.

Para ler o texto na íntegra, beba a água na fonte. Indico também, para pais que procuram orientações sobre como reagir diante de um filho com gagueira, o texto "Gagueira infantil: Como e Quando Ajudar", de Daniela Verônica, Presidente da ABRA GAGUEIRA. (Boa sorte, Fê e Leo!)