04 dezembro 2006

Reportagem Sobre Gagueira

Amigos,

Não, este blog não está abandonado! É que a faculdade tem tomado meu tempo. Estou retomando as atividades por aqui.


Na Viver Mente Cérebro, número 167, ano XIV, foi abordado a gagueira. No saite da revista, infelizmente, a referida reportagem não foi disponibilizada para a leitura. Para facilitar o acesso de vocês, digitalizei a matéria e agora compartilho as informações. Para baixar a reportagem basta clicar aqui.

Para baixar o arquivo, após clicar na palavra "aqui" acima, clique em "NEXT PAGE" até aparecer o "link" para "download".

18 novembro 2006

O Que é o Bem Falar?

Rementendo-nos à postagem anterior, gostaria de tocar no assunto "Bem Falar". Bem Falar é diferente de Falar Bem. O Bem Falar seria colocar prazer no ato de falar, procurar sentir despretensiosamente a articulação, os movimentos, os sons... Seria perceber que as palavras podem fluir sem haver a presença da tensão, do nervosismo, da ansiedade, do medo... Por enquanto que "Falar Bem" está mais voltado para pronunciar as palavras corretamente, sem erros de português, com discurso coerente e coesivo, entonação adequada e, por final, conseguir transmitir a mensagem para o público-alvo.

As pessoas que gaguejam podem desenvolver estas duas habilidades. Porém, para se alcançar a segunda, tem-se primeiro que passar pela primeira. Condições nós temos! Só falta-nos a orientação adequada. Esta postagem está longe disso. Trata-se de somente algumas reflexões pessoais, baseadas na terapia fonoaudiológica que frequentei durante um ano e um mês.


É bastante comum ouvirmos/vermos que a pessoa que gagueja quando fala diante do espelho e sozinha, fala perfeitamente. Também temos conhecimento que diante de crianças e animais a gagueira também tende ao desaparecimento. Nestas situações estamos sentido o "Bem Falar". Não estamos preocupados com outra coisa se não com a mensagem. A forma fica de lado. O conteúdo nessas horas é mais importante. Ocorre uma interrupção da imagem que temos de mal falantes. Não há dúvidas. Só certezas!


Vamos fazer uma brincadeira? Depois eu explico a razão dela. Você vai ter que pensar em tudo que eu descrever abaixo. Vamos a ela: pense em um fusca amarelo, cor de ouro, bem novinho e brilhando. Escostado no fusca está um vendedor de picolés, com os bolsos volumosos, possivelmente cheios de dinheiro. Ele está de boné vermelho, camisa amarela e calção preto. Pronto! Final da brincadeira. Tenho a certeza de que você visualizou perfeitamente tudo que foi aqui descrito. Criou tudo na mais profunda realidade, como se estivesse vendo o fusca, o vendedor de picolés e sua vestimenta. Esta brincadeira serve para demonstrar que não há diferença entre o que é visualizado e o que é real. Nosso cérebro forma as duas imagens do mesmo jeito.

Então, quando perdemos a imagem de mal falante estamos liberando-nos para e sentido o "Bem Falar". A imagem que fazemos de nós, duvindando da nossa condição de bom falante, é real para o nosso cérebro. Ele passa a acreditar nisso cegamente. Quem já não se pegou falando "fluentemente" e quando percebeu este "algo de errado" e começou a gaguejar? Estranhamos até mesmo o nosso principal sonho, que é "falar fluente" (não há ninguém fluente o tempo todo). Devemos trabalhar para, como disse Sílvia Friedman (veja a postagem anterior) "estranhar esse estranhamento de si mesmo fluente e fortalecer a fé na imagem de si fluente".

A dúvida de nós como falantes ocorre em decorrência da perda da espontaneidade de nossas falas. O ato de falar é espontâneo por natureza. A fala é automática. Não é necessário haver planejamentos, preocupações, crenças negativas, enfim, quaisquer espécie de controle. A fala não funciona dessa forma. O que ocorre é que a imagem que possuímos de nós mesmos, termina por influenciar na maneira como falamos, na antecipação da gagueira, na previsão de não conseguir pronunciar determinada palavra...

Portanto, trabalhar o "bem falar" é essencial. Falar com crianças, animais, consigo... Perceber o quanto a fala pode ser prazerosa. Deixar que ela saia se amarras, muito possivelmente lhe levará a uma outra condição. Sem enganação, claro que este processo não é fácil, nem rápido. Persistência e mudança andam juntas.

Para maiores esclarecimentos, é necessário um acompanhamento fonoaudiológico especializado em gagueira.

09 novembro 2006

Exercícios Para Sentir o Bem Falar

No saite da Fonoaudióloga Sílvia Friedman, encontrei o exercício abaixo. Quem desejar conhecer melhor o contexto em que ele foi proposto, poderá fazê-lo na seção "Internautas . Dialogos", na conversa do dia 26 de julho de 2006.

O exercício é mais destinado para aquelas pessoas que se estranham quando estão falando fluente, pois acreditam que a gagueira se manifestará. As orientações têm como objetivo proporcionar ao falante a percepção do automatismo da fala. Como mesmo afirmou a referida fonoaudióloga, “os exercícios são para sentir o bem falar e não para falar bem”.
Vamos a eles:
“Os exercícios que valem a pena de ser feitos são:
1- perceber a presença da imagem de mau falante, ou seja, a sensação de que vai haver gagueira na fala que ainda não aconteceu e a relação dela com a produção efetiva da gagueira (exercício mental);
2- estranhar o estranhamento de si mesmo fluente (exercício mental);
3- fortalecer a fé na imagem de si fluente, apoiado na compreensão de que a fala é automática e deixando-a acontecer. Para esse último item é importante começar a sentir a fala, enquanto você fala. Sentir, assim como você pode sentir neste momento tuas pernas, teus pés, o contato da roupa com o corpo...
Falar lentamente, como uma brincadeira voluntária, pode ser um meio para desenvolver a capacidade para sentir a fala como processo automático, ou seja, como movimentos que vão se sucedendo uns aos outros sem que saibamos como.
Outra estratégia pode ser dublar a fala de alguém. Isso pode ser feito em frente ao televisor. Simplesmente escute atentamente o que o falante diz e trate de fazer os movimentos para falar, ao mesmo tempo que ele(a), só que sem voz. Imediatamente você começará a perceber o automático da fala.” Sílvia Friedman.

30 outubro 2006

DIAG em São Paulo - Minhas Considerações

Apesar do "Dia Internacional de Atenção à Gagueira" ser 22 de Outubro, em São Paulo o evento ocorreu no sábado, dia 21. Teve início às 9h e terminou lá para às 15h, como tava previsto. Chegamos (eu e minha namorada) ao local do evento às 10h, pois não conhecemos a cidade e saímos da casa dos nossos amigos um pouco tarde. Podemos presenciar do segundo depoimento em diante, que foi da jovem Bianca Lisboa. Desde já, adianto que não consegui gravar as palestras. A dinâmica do evento e o fato de eu ter chegado atrasado, tudo isso não me deu condições para combinar com os depoentes para gravar seus discursos.

O melhor deste tipo de evento é a troca de experiências; é conhecer pessoas que viveram coisas muito parecidas com as suas; é poder transmitir mensagens incentivadoras de que a gagueira não é o bicho de sete cabeças que costumamos pintar e que existe tratamento eficaz para o indivíduo.

No quesito pessoas, a galera de São Paulo é muito legal!!! Eu já tinha alguns amigos por lá, do Grupo de Apoio da ABRA GAGUEIRA, do qual participei uma vez ano passado, e desta vez pude ampliar o leque de amizades. Neste evento pude conhecer a atual presidenta da ABRA, Daniela Verônica, as fonoaudiólogas Eliana Nigro, Ignês, Polyana, Ísis Meira e Fernanda Papaterra. Conheci também o colega Tiago Pereira, que palestrou sobre genética, e Elaine Gonçalves, que prestou seu depoimento, o qual me causou bastante impacto. Foi através dele que soube do desejo dela de não querer ter filhos com receio de transmitir a gagueira para ele, já que eu sua família há diversas pessoas que gaguejam. Entendo a situação dela, mas é muito triste saber disso. Caso o possível filho dela apresentasse algum sinal de gagueira, ela poderia levâ-lo a um fonoaudiólogo capacitado para tratar gagueira, que muito possivelmente seria curado.

É por causa dessas realidades que eventos como este, que ocorre em todo o Brasil, são extremamente importantes. Aos poucos vai-se transmitindo conhecimentos e desensibilizando as pessoas em relação à gagueira. Muito possivelmente Elaine não vivenciou experiêcias deste tipo anteriormente. Desta forma, ela carregou sozinha, por muito tempo, o peso da gagueira, o estereótipo de "gaga", o preconceito da sociedade e talvez tenha se visto muitas vezes sozinha, apesar da família ter diversos casos de gagueira. Atualmente, as pessoas que procuram ajuda (ou se ajudar), tratamentos, etc., têm grandes possibilidades de reverter o quadro, antes que ele torne-se insuportável ou motivo de restrições sociais.

Neste evento, eu pude observar bem esta busca pelo conhecimento: um casal estava procurando informações para seu filho, de 14 anos aproximadamente, com gagueira. Isto foi particularmente interessante porque eu pude me imaginar com 14 anos e relacionar com meus pais tentando me ajudar procurando profissionais da fonoaudiologia para me tratar. Assim que eu sentei atrás desse casal e seu filho (o filho sentado no meio dos dois), eu senti o que eles estavam pretendendo. O pai mais questionador fazia perguntas em todas as palestras, a mãe era mais quieta e o filho muitas vezes parecia está mais interessado em, talvez, sair dali. Infelizmente, quando somos adolescentes perdemos
oportunidades únicas. Pude trocar uma idéia com o pai e tentei orientá-lo em razão da minha experiência vivida.

Ao final do evento, uma repórter do Conselho Regional de Fonoaudiologia 2ª Região - São Paulo (creio que foi deste conselho) procurou-me e me entrevistou. Não sei se minha entrevista vai ser publicada (espero que sim!), caso seja vocês terão notícias.

Como sugestão para a comissão organizadora, para qual inclusive eu já falei pessoalmente, é de deixar mais espaço para as palestras científicas sobre gagueira. Isto poderia ser organizado, caso o evento seja iniciado às 9h e terminado às 17h. Quando começávamos a gostar da palestra, a entendê-la, o tempo estava esgotado. Como por exemplo, a palestra sobre Gagueira e Psicanálise, de Roberta Ecleide. Foi muito rápida. Comprometendo o entendimento.

Espero que vocês tenham participado do DIAG em suas cidades e gostado como eu gostei do de São Paulo. Que tal vocês me contarem como foi? Deixem um comentário! Agradeço desde já!

29 outubro 2006

Minhas Perguntas e Suas Respostas

Disponibilizo aqui para vocês as perguntas que este blogueiro formulou durante o "Segundo Fórum Online", no saite da ABRA GAGUEIRA. As perguntas foram baseadas nos textos das fonoaudiólogas participantes do fórum. Para acessá-los basta clicar sobre o nome da profissional.

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Primeira Pergunta:
Anelise, com relação às causas neurofisológicas tenho lá minhas dúvidas ainda com relação a este ponto. As neuroimagens mencionadas em seu texto, creio que foram fotografadas de cérebros de indiví­duos adultos que gaguejam. Para uma pessoa que gagueja, como você sabe, falar não é simplesmente "abrir a boca e falar". Falar envolve uma série de fatores como o julgamento do interlocutor, de si mesmo como falante, se vai conseguir transmitir a mensagem, etc. Creio que todos esses pensamentos juntos devam interferir no momento da captação da neuroimagem. Logo, em minha primeira opinião, a imagem não seria um sinal de uma falha de determinada área do cérebro, simplesmente. O que comprovaria, em minha opinião, a deficiência na ativação normal do lóbulo temporal do hemisfério esquerdo, seria esta detectação antes mesmo do indivi­duo, ainda criança, apresentar sinais de gagueira. Portanto, gostaria de saber se essas imagens já foram detectadas/estudadas neste grupo de pessoas. Agradeço.

Primeira Resposta:
Olá Wladimir, gostei muito desta tua pergunta. Ela me dá a oportunidade de entrar um pouco em assuntos que são mais complexos, e que requerem uma linguagem um pouco mais técnica do que a pretendida pelo Fórum.

Primeiro, como bem podes imaginar, é muito difícil fazer pesquisa de neuroimagens em crianças. Precisa haver concordância da família, a criança precisa ser submetida a uma série de procedimentos complexos, a captação da imagem através da ressonância magnética funcional exige que o sujeito se mantenha o mais imóvel possível dentro de um tubo, receba contrastes específicos, entre tantos. Nada disso é muito facilitador. Os cientistas têm desenvolvido técnicas que mostram a atividade cerebral de crianças com e sem gagueira, para efeitos de comparação, através de formas menos invasivas, como o eletroencefalograma (EEG) e a magnetoencefalografia (MEG).

As investigações têm focado aspectos como lentidão de maturação cerebral, assimetrias de hemisférios, e mudanças de atividades neuronais durante estados de hiperventilação e repouso. Diferenças significativas nestas áreas têm sido relatadas na literatura, especialmente nas regiões parieto-ocipital e fronto-central do cérebro, na comparação entre cérebros de crianças com e sem gagueira.

Essas investigações vão em busca de diferenças em cérebros ainda em crescimento, justamente para se tentar achar algumas respostas para perguntas como a que fazes. Uma das mais instigantes é saber se as diferenças fisiológicas vistas nas comparações entre adultos com e sem gagueira, são provocadas pela gagueira ao longo do tempo ou se estão lá desde sempre.

Como o cérebro aprende por repetição, alguns pensam que de tanto gaguejar, a gagueira faz lá suas "marcas". Outros dizem que se os aspectos genéticos são significativos no aparecimento da gagueira, então essas marcas já estariam lá.

Claro que nada em gagueira é assim tão simples e definido. A quantidade de fatores intervenientes é muito grande. Por isso, sempre é bom lembrar que, para que a fala seja fluente é necessária uma sincronia muito fina entre todos estes aspectos. E esta sincronia começa num comando central, que está no cérebro.

Anelise Junqueira Bohnen

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Segunda Pergunta:
Nadia, em sua opinião, por que é que uma pessoa que gagueja, não gagueja em determinadas situações, como por exemplo quando está sozinha, diante do espelho, com crianças, animais e quando estão bem seguras de si? - O que ocorre, também, quando a pessoa desenvolve certas crenças de que gagueja quando fala palavras começadas com determinadas letras, por exemplo? Como modificar esta crença? Agradeço pela atenção.

Segunda Resposta:
Oi, Wladimir,

Sob a ótica da Análise do Discurso, as situações que você descreve e muitas outras são condições de produção geradoras de fluência que, é claro, dependem da história de cada pessoa. Em princípio, o ouvinte não crítico, como a criança ou o animal não traz o efeito da gagueira, porque está claro que este interlocutor não colocado na posição de quem julga e rotula a pessoa que gagueja.

Uma outra questão é a crença na inabilidade articulatória, como você indica. A pessoa j chega à clínica com uma lista de “impossibilidades de dizer” e identifica sons e palavras que, em princípio, considera improváveis de serem articulados. Ao mesmo tempo, fala muito bem estes fonemas e palavras em seu relato. Isto necessita ser enfocado e trabalhado cuidadosamente na terapia fonoaudiológica, porque é a partir da quebra destas metáforas que o trabalho discursivo se dá.

Nadia Azevedo

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Terceira Pergunta:

Polyana, partindo-se do ponto que o corpo também é simbólico, como você afirmou em seu texto, como poderemos transformar um corpo simbólico "negativo" em um corpo simbólico "positivo"?

Terceira Resposta:
A transformação se dar dentro de um processo terapêutico no qual o que se fala está ligado com o corpo-fala. Para a clínica fonoaudiológica não-tradicional, a terapêutica não é prescrever exercícios, reeducar o movimento, modelar o comportamento, embora tais procedimentos possam ser abraçados por falantes que gaguejam em busca de uma solução para a gagueira. Não há problema nisso, pois nenhuma clínica dá conta, totalmente, da complexidade do humano. Em outras palavras: toda e qualquer clínica é sempre para alguns.

A clínica comprometida com o sujeito-linguagem, não negligencia o corpo, pois ele é a instância material onde a palavra (gaguejada/fluente) se inscreve, faz seu movimento, surpreende (porque se esperava gaguejar e não aconteceu), trai (porque se esperava falar fluentemente e a gagueira surgiu).

O que ela defende é que na abordagem do corpo-fala (voz, respiraão, musculatura, fonoarticulaão, tensão-soltura, som-silêncio, etc etc) busca-se a desalienaão da fala gaguejada, remetendo o dizer de uma forma que falha para formas de fala, produzindo sentidos (sempre singulares), dando sustentaão ao sofrimento (de quem gagueja e vive numa sociedade onde a ética e o respeito estão bastante fragilizados) e curando, no sentido de contrastar com o que se vivia antes, de libertar, de não mais se prender na/pela gagueira.

São efeitos que se produzem no corpo simbólico do sujeito-linguagem, para que a gagueira não mais se perpetue...... "e eu fiquei assim, calado, sem latim, coisas da vida" (Milton Nascimento).

Polyana Silva de Oliveira

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Quarta Pergunta:

Sandra, parabéns pelo seu trabalho. Gostaria de questioná-la em alguns aspectos do seu texto. - Como é que ficou comprovada a deficiência neurofisiológica de determinadas partes do nosso corpo? Como foram realizados os testes e a pesquisa com a população a ser estudada? Em quais situações de fala elas eram analisadas? - Seria possí­vel a detecção desta deficiência em uma criança, mesmo antes desta apresentar qualquer sinal de gagueira? - Como seriam receitados medicamentos para combater a gagueira? Em quais situações a pessoa deveria fazer uso deles? Gera dependência? Agradeço a atenção.

Quarta Resposta:
A hipoativação dos núcleos da base foi demonstrada através de exames de neuroimagem funcional. Estudos compararam as ativações encefálicas de pessoas com e sem gagueira durante atividades indutoras de fluência (como cantar e ler em coro). A diferença de ativação estava justamente nos núcleos da base (principalmente no estriado), o qual, mesmo durante fluência induzida, permanecia pouco ativo.

Estudos farmacológicos também vêm sugerindo alterações nos núcleos da base, porque as drogas que melhoram ou pioram a gagueira tendem a ser drogas que modificam direta ou indiretamente a concentração de dopamina (o principal neurotransmissor nos núcleos da base).

A hipótese para o envolvimento dos núcleos da base na gagueira é relativamente recente, sendo que ainda não se discutiu a possibilidade de detectar a alteração em crianças que não desenvolveram gagueira. Mas penso que, neste sentido, talvez o marcador seja a própria dopamina.

Diversos medicamentos já foram testados para a gagueira, mas ou não surtiram efeitos positivos ou os efeitos colaterais impossibilitaram o uso a longo prazo. Neste momento, o medicamento em fase de testes é o pagoclone. Caso o pagoclone realmente se mostre uma droga eficaz e segura, os critérios para receitar o medicamento provavelmente virão dos estudos que ainda estão sendo executados. Em termos gerais, já se demonstrou que estimulantes de dopamina tendem a melhorar a fluência de pessoas com gagueira pura, enquanto que bloqueadores de dopamina tendem a melhorar a fluência de pessoas com gagueira e taquifemia. Ou seja, neste caso, o diagnóstico clínico seria um dos guias para a seleção da medicação; entretanto, sabe-se que os estimulantes geram dependência e os bloqueadores produzem efeitos colaterais indesejáveis.

Sandra Merlo

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Quinta Pergunta:

Silvia, sua teoria aborda muito a questão de crenças, valores e auto-conceito. Diante desta situação, como você analisaria o uso da Programação Neurolinguí­stica em terapias fonoaudiológicas?

Quinta Resposta:
Sobre como o uso de teorias da Programaão Neurolinguística em terapias fonoaudiológicas, de modo geral, penso que não se pode fazer os já bastante criticados empréstimos de teoria para aplicaões pouco fundamentadas. Do ponto de vista da minha proposta, que fundamenta de modo detalhado o funcionamento subjetivo e discursivo do modo gaguejado de falar, penso que a abordagem da Programação Neurolinguística faz bastante sentido e ela me serve de apoio para o manejo terapêutico no modo como ela está formulada por Bandler e Grinder por exemplo, no livro Sapos em Príncipes, da editora Summus.

Sílvia Friedman

19 outubro 2006

Programação DIAG em São Paulo

Para quem está em São Paulo a programação é:

9:00 hs - Abertura
9:15 hs - Depoimentos vivenciais. Cada depoimento terá 20 minutos com mais 10 minutos para perguntas e comentários.
- Bianca Lisboa Jacom
- Elaine Gonçalvez
- Pablo Delmond Carballeira
- Sandra Mª Rodrigues Pereira de Oliveira
11:15 hs – Mini-Coffee
11:30 hs - Apresentações teóricas. Cada apresentação terá 20 minutos com mais 10 minutos para perguntas e comentários.
- Genética: Tiago Pereira
- Neurofisiologia: Sandra Merlo
- Psicanálise: Roberta Ecleide
- Psicologia Social: Polyana Oliveira
13:30 hs - Coffee-break
14:00 hs - Debate final
14:55 hs - Encerramento

Data: 21 de outubro (sábado). Local: CEFAC: Rua Caiowaá, 664, Perdizes - São Paulo - SP Inscrições: por telefone (11) 3675.1677 ou por e-mail (cefac@cefac.br)
Entrada franca. Vagas limitadas.

Comissão Organizadora Nacional: Ignês Maia Ribeiro, Eliana Maria Nigro Rocha, Sandra Merlo, Daniela Verônica Zackiewicz

Eu tentarei gravar o áudio de todas as palestras, para futuramente colocar aqui e dividir com vocês. Por enquanto, a informação que tenho é que não vai ser possível fazer qualquer gravação. Falarei lá, que diversos colegas do "...Fazer Algo Para Melhorar!" desejam ter conhecimento do que se passou por aqui (São Paulo). Para isso gostaria de ter comentários de vocês com esta solicitação.