Na postagem do dia 04 de dezembro, eu disponibilizei para vocês baixarem a matéria sobre gagueira, que havia sido publicada na Revista Mente & Cérebro. Naquela oportunidade, creio que a revista não havia colocado a matéria no seu saite. Porém, agora a situação já é diferente. Pode-se ler diretamente na página do periódico. Acessem aqui e leiam a matéria na íntegra, sem qualquer outro procedimento.
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Aproveitando a oportunidade, gostaria de informá-los que em Vídeos Disfluentes há vídeo novo. Não deixem de assistir.
Gagueira sob uma perspectiva que articula linguagem, subjetividade e sociedade.
20 dezembro 2006
15 dezembro 2006
Prêmio Nobel de Literatura Também Gagueja
Para muitas pessoas que se isolam, se reprimem e se limitam por causa da gagueira, talvez essa seja uma boa notícia e sirva de motivação para levantar a cabeça e realizar todos os sonhos.
O escritor português José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura em 1998, revelou, em entrevista ao periódico O Estado de São Paulo, que sofreu com a gagueira em sua infância e adolescência. Sozinho ele criou técnicas para ter uma melhor fluência e hoje controla melhor o seu "débito verbal".
"Os meus problemas não foram os de uma simples e passageira dislexia. O meu problema foi, e continua a ser, o tartamudeio, a gagueira. Aqueles que gozam da sorte de uma palavra solta, de uma frase fluida, não podem imaginar o sofrimento dos outros, esses que no mesmo instante em que abrem a boca para falar já sabem que irão ser objeto da estranheza ou, pior ainda, do riso do interlocutor. Com a passagem do tempo acabei por criar, sem ajuda, pequenos truques de elocução, usar os bloqueios leves como pausas propositadas, perceber com antecipação a sílaba onde irei ter dificuldades e mudar a construção da frase, etc. Curiosamente, se tiver de falar para cinco mil pessoas estarei mais à vontade do que a falar com uma só. Salvo em situações de extremo cansaço nervoso, hoje sou capaz de controlar adequadamente o meu débito verbal. A gagueira, no meu caso, passou a ser uma pálida sombra do que foi na infância e na adolescência. Aprendi à minha própria custa." José Saramago
Leia a entrevista na íntegra aqui.
Para quem deseja ver e ouvir Saramago, indico o vídeo abaixo. Nele o Nobel fala sobre sua percepção do mundo atual, enfatizando a questão da miséria, do capitalismo e da democracia.
O escritor português José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura em 1998, revelou, em entrevista ao periódico O Estado de São Paulo, que sofreu com a gagueira em sua infância e adolescência. Sozinho ele criou técnicas para ter uma melhor fluência e hoje controla melhor o seu "débito verbal".
"Os meus problemas não foram os de uma simples e passageira dislexia. O meu problema foi, e continua a ser, o tartamudeio, a gagueira. Aqueles que gozam da sorte de uma palavra solta, de uma frase fluida, não podem imaginar o sofrimento dos outros, esses que no mesmo instante em que abrem a boca para falar já sabem que irão ser objeto da estranheza ou, pior ainda, do riso do interlocutor. Com a passagem do tempo acabei por criar, sem ajuda, pequenos truques de elocução, usar os bloqueios leves como pausas propositadas, perceber com antecipação a sílaba onde irei ter dificuldades e mudar a construção da frase, etc. Curiosamente, se tiver de falar para cinco mil pessoas estarei mais à vontade do que a falar com uma só. Salvo em situações de extremo cansaço nervoso, hoje sou capaz de controlar adequadamente o meu débito verbal. A gagueira, no meu caso, passou a ser uma pálida sombra do que foi na infância e na adolescência. Aprendi à minha própria custa." José SaramagoLeia a entrevista na íntegra aqui.
Para quem deseja ver e ouvir Saramago, indico o vídeo abaixo. Nele o Nobel fala sobre sua percepção do mundo atual, enfatizando a questão da miséria, do capitalismo e da democracia.
11 dezembro 2006
Marcadores
Amigos,
Talvez alguns de vocês já tenham percebido que este blog agora possui "marcadores". Trata-se de um facilitador para reunir as postagens que abordam determinado assunto em uma única página. Para tanto basta clicar no marcador, localizado logo abaixo de cada postagem, que poderá ser visto tudo que já foi falado relacionado àquela palavra.
Espero que vocês gostem. Praticamente todas as postagens deste blog já foram "marcadas".
Talvez alguns de vocês já tenham percebido que este blog agora possui "marcadores". Trata-se de um facilitador para reunir as postagens que abordam determinado assunto em uma única página. Para tanto basta clicar no marcador, localizado logo abaixo de cada postagem, que poderá ser visto tudo que já foi falado relacionado àquela palavra.
Espero que vocês gostem. Praticamente todas as postagens deste blog já foram "marcadas".
04 dezembro 2006
Reportagem Sobre Gagueira
Amigos,
Não, este blog não está abandonado! É que a faculdade tem tomado meu tempo. Estou retomando as atividades por aqui.
Na Viver Mente Cérebro, número 167, ano XIV, foi abordado a gagueira. No saite da revista, infelizmente, a referida reportagem não foi disponibilizada para a leitura. Para facilitar o acesso de vocês, digitalizei a matéria e agora compartilho as informações. Para baixar a reportagem basta clicar aqui.
Para baixar o arquivo, após clicar na palavra "aqui" acima, clique em "NEXT PAGE" até aparecer o "link" para "download".
Não, este blog não está abandonado! É que a faculdade tem tomado meu tempo. Estou retomando as atividades por aqui.
Na Viver Mente Cérebro, número 167, ano XIV, foi abordado a gagueira. No saite da revista, infelizmente, a referida reportagem não foi disponibilizada para a leitura. Para facilitar o acesso de vocês, digitalizei a matéria e agora compartilho as informações. Para baixar a reportagem basta clicar aqui.
Para baixar o arquivo, após clicar na palavra "aqui" acima, clique em "NEXT PAGE" até aparecer o "link" para "download".
18 novembro 2006
O Que é o Bem Falar?
Rementendo-nos à postagem anterior, gostaria de tocar no assunto "Bem Falar". Bem Falar é diferente de Falar Bem. O Bem Falar seria colocar prazer no ato de falar, procurar sentir despretensiosamente a articulação, os movimentos, os sons... Seria perceber que as palavras podem fluir sem haver a presença da tensão, do nervosismo, da ansiedade, do medo... Por enquanto que "Falar Bem" está mais voltado para pronunciar as palavras corretamente, sem erros de português, com discurso coerente e coesivo, entonação adequada e, por final, conseguir transmitir a mensagem para o público-alvo.As pessoas que gaguejam podem desenvolver estas duas habilidades. Porém, para se alcançar a segunda, tem-se primeiro que passar pela primeira. Condições nós temos! Só falta-nos a orientação adequada. Esta postagem está longe disso. Trata-se de somente algumas reflexões pessoais, baseadas na terapia fonoaudiológica que frequentei durante um ano e um mês.
É bastante comum ouvirmos/vermos que a pessoa que gagueja quando fala diante do espelho e sozinha, fala perfeitamente. Também temos conhecimento que diante de crianças e animais a gagueira também tende ao desaparecimento. Nestas situações estamos sentido o "Bem Falar". Não estamos preocupados com outra coisa se não com a mensagem. A forma fica de lado. O conteúdo nessas horas é mais importante. Ocorre uma interrupção da imagem que temos de mal falantes. Não há dúvidas. Só certezas!
Vamos fazer uma brincadeira? Depois eu explico a razão dela. Você vai ter que pensar em tudo que eu descrever abaixo. Vamos a ela: pense em um fusca amarelo, cor de ouro, bem novinho e brilhando. Escostado no fusca está um vendedor de picolés, com os bolsos volumosos, possivelmente cheios de dinheiro. Ele está de boné vermelho, camisa amarela e calção preto. Pronto! Final da brincadeira. Tenho a certeza de que você visualizou perfeitamente tudo que foi aqui descrito. Criou tudo na mais profunda realidade, como se estivesse vendo o fusca, o vendedor de picolés e sua vestimenta. Esta brincadeira serve para demonstrar que não há diferença entre o que é visualizado e o que é real. Nosso cérebro forma as duas imagens do mesmo jeito.
Então, quando perdemos a imagem de mal falante estamos liberando-nos para e sentido o "Bem Falar". A imagem que fazemos de nós, duvindando da nossa condição de bom falante, é real para o nosso cérebro. Ele passa a acreditar nisso cegamente. Quem já não se pegou falando "fluentemente" e quando percebeu este "algo de errado" e começou a gaguejar? Estranhamos até mesmo o nosso principal sonho, que é "falar fluente" (não há ninguém fluente o tempo todo). Devemos trabalhar para, como disse Sílvia Friedman (veja a postagem anterior) "estranhar esse estranhamento de si mesmo fluente e fortalecer a fé na imagem de si fluente".
A dúvida de nós como falantes ocorre em decorrência da perda da espontaneidade de nossas falas. O ato de falar é espontâneo por natureza. A fala é automática. Não é necessário haver planejamentos, preocupações, crenças negativas, enfim, quaisquer espécie de controle. A fala não funciona dessa forma. O que ocorre é que a imagem que possuímos de nós mesmos, termina por influenciar na maneira como falamos, na antecipação da gagueira, na previsão de não conseguir pronunciar determinada palavra...
Portanto, trabalhar o "bem falar" é essencial. Falar com crianças, animais, consigo... Perceber o quanto a fala pode ser prazerosa. Deixar que ela saia se amarras, muito possivelmente lhe levará a uma outra condição. Sem enganação, claro que este processo não é fácil, nem rápido. Persistência e mudança andam juntas.
Para maiores esclarecimentos, é necessário um acompanhamento fonoaudiológico especializado em gagueira.
09 novembro 2006
Exercícios Para Sentir o Bem Falar
No saite da Fonoaudióloga Sílvia Friedman, encontrei o exercício abaixo. Quem desejar conhecer melhor o contexto em que ele foi proposto, poderá fazê-lo na seção "Internautas . Dialogos", na conversa do dia 26 de julho de 2006.
O exercício é mais destinado para aquelas pessoas que se estranham quando estão falando fluente, pois acreditam que já a gagueira se manifestará. As orientações têm como objetivo proporcionar ao falante a percepção do automatismo da fala. Como mesmo afirmou a referida fonoaudióloga, “os exercícios são para sentir o bem falar e não para falar bem”.
Vamos a eles:
“Os exercícios que valem a pena de ser feitos são:
1- perceber a presença da imagem de mau falante, ou seja, a sensação de que vai haver gagueira na fala que ainda não aconteceu e a relação dela com a produção efetiva da gagueira (exercício mental);
2- estranhar o estranhamento de si mesmo fluente (exercício mental);
3- fortalecer a fé na imagem de si fluente, apoiado na compreensão de que a fala é automática e deixando-a acontecer. Para esse último item é importante começar a sentir a fala, enquanto você fala. Sentir, assim como você pode sentir neste momento tuas pernas, teus pés, o contato da roupa com o corpo...
Falar lentamente, como uma brincadeira voluntária, pode ser um meio para desenvolver a capacidade para sentir a fala como processo automático, ou seja, como movimentos que vão se sucedendo uns aos outros sem que saibamos como.
Outra estratégia pode ser dublar a fala de alguém. Isso pode ser feito em frente ao televisor. Simplesmente escute atentamente o que o falante diz e trate de fazer os movimentos para falar, ao mesmo tempo que ele(a), só que sem voz. Imediatamente você começará a perceber o automático da fala.” Sílvia Friedman.
1- perceber a presença da imagem de mau falante, ou seja, a sensação de que vai haver gagueira na fala que ainda não aconteceu e a relação dela com a produção efetiva da gagueira (exercício mental);
2- estranhar o estranhamento de si mesmo fluente (exercício mental);
3- fortalecer a fé na imagem de si fluente, apoiado na compreensão de que a fala é automática e deixando-a acontecer. Para esse último item é importante começar a sentir a fala, enquanto você fala. Sentir, assim como você pode sentir neste momento tuas pernas, teus pés, o contato da roupa com o corpo...
Falar lentamente, como uma brincadeira voluntária, pode ser um meio para desenvolver a capacidade para sentir a fala como processo automático, ou seja, como movimentos que vão se sucedendo uns aos outros sem que saibamos como.
Outra estratégia pode ser dublar a fala de alguém. Isso pode ser feito em frente ao televisor. Simplesmente escute atentamente o que o falante diz e trate de fazer os movimentos para falar, ao mesmo tempo que ele(a), só que sem voz. Imediatamente você começará a perceber o automático da fala.” Sílvia Friedman.
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