31 janeiro 2007

Nunca Desista! (02-03)

Continuação - Parte 02

Nunca Desista
Peter R. Ramig, Ph.D.


Não recue ao gaguejar, ao invés, siga em frente.

Uma vez que nós entendamos a importância de eliminar muito do empurrar e forçar em nossa língua, lábios e cordas vocais, nós podemos começar a gaguejar mais audivelmente e com menos esforços, ao “segurar” no momento de gaguejar enquanto seguimos em frente para o próximo som.
Quando nós trabalhamos em gaguejar audivelmente, nós estamos mais hábeis para mudar e continuar nossa respiração e vocalização: dois dos ingrediente primários necessários para a produção da fala normal. Em contraste, devido ao embaraço e frustração ocasionalmente associados com a gagueira, muitas pessoas que gaguejam aprendem a bloquear silenciosamente na língua, lábios, ou cordas vocais, e/ou recuar repetitivamente de seus bloqueios e outros momentos disfluentes.
A tentativa de falar desta maneira interrompe tanto o fluxo de ar e a necessária vocalização criada pela vibração das cordas vocais. Este processo comum de tentar conciliar e minimizar a gagueira audível na verdade complica a fala e com o tempo, geralmente aumenta a visibilidade e severidade da gagueira.
Manter o ar e a voz “ligados” quando gaguejamos requer tempo e prática no início, porque nós estamos forçando-nos a confrontar algo que parece e soa desagradável e anormal. Ainda assim, este é um passo necessário no processo de aprender a gaguejar seguindo em frente.

Preste atenção em sentir “Como” e “Quando” seus lábios, língua e cordas vocais fazem sons específicos.

Uma vez que nós tenhamos aprendido como o mecanismo físico da fala funciona, e tivermos trabalhado em diminuir nossos comportamentos de recuo, nós podemos começar a concentrar em como é que fazemos sons e palavras enquanto falamos. A vasta maioria das pessoas dão deixas no som de suas falas enquanto conversam. Há evidências científicas de que “deixas” audíveis podem ser uma presente causa de gagueira. Em contraste, muitos de nós encorajam pessoas que gaguejam a focalizarem mais no “sentir” de falar do que em escutar sua fala.

Abra sua boca quando conversar.

Para neutralizar a tendência de reprimir a abertura da boca enquanto você fala, pratique deliberadamente abrir a boca enquanto você repete a seqüência esboçada acima. A tendência para pessoas que gaguejam de “trincar” ou reduzir a abertura da boca é um problema que acho necessário abordar ao trabalhar com muitas crianças e adultos. Esta “tendência de trincamento” é na verdade a abertura da boca reduzida que nós aprendemos durante o tempo como resultado de nossa dificuldade de antecipar sons e palavras. Esta mudança física na abertura da boca (trincamento) parece resultar do processo de “segurar” a gagueira.

Continua...

29 janeiro 2007

Nunca Desista! (01-03)

Amigos,

A postagem de hoje não é de minha autoria. Estou apenas publicando aqui o texto "Nunca Desista", traduzido e colocado no Orkut, em diversas comunidades sobre gagueira, entre elas "Gagueira Não Tem Graça, Tem Tratamento", pelo amigo Rafael Veloso. Ele ressalva que quem desejar conferir o orginal na íntegra, basta acessar "Never Give Up", pois o inglês dele "não é 100% confiável." O texto é de autoria de Peter R. Ramig.

Eu não concordo com algumas coisas que são ditas no texto. Porém, a essência dele, em querer ajudar pessoas com gagueira, deve ser valorizada. Por isso está aqui. Talvez, se houver comentários que levem a um debate, ao completar o texto, eu faça algumas considerações.


Para facilitar mais a leitura de vocês, dividirei o texto em 03 partes.

Parte 01:

Nunca Desista!
Peter R. Ramig, Ph.D.

O processo da recuperação auto-iniciada.


O primeiro passo no processo de recuperação é encarar o fato de que é improvável que nossa gagueira vá desaparecer magicamente por ela própria. Nós devemos aceitar o fato de que serão necessários perseverança e determinação para mudar a maneira que nós temos gaguejado durante anos. Embora isto possa soar difícil ou impossível, o trabalho construtivo de mudar a gagueira geralmente requer menos esforço e frustração do que continuar a temê-la. Nós gastamos grande quantidade de energia em tentativas de tentar escondê-la, e/ou empurrar ou fazer força para falar. E isto aumenta o sentimento de desamparo no despertar de sua presença.

Como nós estamos convencidos de que a gagueira pode ser mudada com determinação e esforço auto-iniciado, eu quero resumidamente esboçar alguns fatores adicionais que podemos usar em nossos esforços para enfraquecer e até eliminar completamente a gagueira.

Entendendo o processo físico da fala.

Produzir a fala é um processo altamente complexo. Entretanto, prestar atenção em como nós usamos fisicamente nossa língua, lábios, e cordas vocais enquanto nós produzimos sons, pode nos ajudar a entender como regularmente criamos mais gagueira. Nós fazemos isso ao tencionar e forçar estas estruturas enquanto tentamos lidar com os momentos desagradáveis do gaguejar. Evidentemente estas estruturas de fala consistem em músculos que precisam ser tensionados em um nível normal para produzir fala fluente.

Porém, em contraste, pessoas que gaguejam regularmente tencionam estes músculos excessivamente, bloqueiam, e depois fazem força para empurrar e “quebrar” o bloqueio em suas urgências de livrarem-se do sentimento de aprisionamento. Este padrão desenvolve-se durante o tempo, como reação ao pouco entendimento da causa central da gagueira, à qual alguns de nós se referem como “gatilho da gagueira” [stuttering trigger]. Em essência, o gatilho da gagueira é a presente causa da gagueira. Ele pode ser associado à predisposição inata de ser disfluente, que é encontrada na pequena porcentagem da população que gagueja. Mas isso não significa que não possa ser controlado.

Uma vez que nós comecemos a prestar atenção em nossas estruturas de fala, poderemos entender melhor como interferimos em seu funcionamento regular durante o gaguejar. Enquanto nós melhor desenvolvermos e refinarmos estas habilidades de monitoramento, não apenas produziremos formas mais fáceis de gagueira, mas nos tornaremos mais fluentes e menos condicionados a “puxarmos o gatilho da gagueira”.

Continua...

14 janeiro 2007

10.000 Visitas!

Amigos,

Esta semana receberemos a visita de número 10.000! Sinceramente, assim que este espaço foi criado, nunca imaginei que pudesse tomar tamanha proporção. Não posso negar a minha enorme felicidade diante deste cenário, principalmente por está trocando experiências, conhecendo novas pessoas; por tentar ajudar outros que deixam comentários, bem como aqueles que não os deixam; por tá sabendo que pessoas de países tão distantes estão marcando presença neste blog, como por exemplo: Portugal, Espanha, Estados Unidos, Japão, Dinamarca, Peru, Chile e, até mesmo(!!!), do Quênia; por tá sendo indicado por diversos outros saites (o que demonstra o apoio incondicional que estou recebendo). Enfim, tudo isso me deixa muito feliz.

Se for você o visitante de número 10.000, deixe um pequeno comentário com esse registro!

Como disse, eu não tinha esta intenção, mas gostei deste retorno. Logo, pretendo chegar a 20.000, 30.000...100.000, 200.000, 300.000...1.000.000...Quem sabe...?

Fico 10.000 vezes muito agradecido a todos vocês!!!

12 janeiro 2007

CBOX

Amigos,

Quem desejar deixar um comentário para este blog, poderá fazê-lo também através da CBOX, do lado direito, abaixo do meu perfil. O único problema é que ela tem limite de caracteres. Caso o comentário seja maior do que o limitado, a melhor alternativa é em "comentários", como todos conhecem.

Espero que com esta ferramente possamos trocar mais idéias. Sugestões, críticas, elogios, todo tipo de mensagem será bem-vinda.

08 janeiro 2007

Enquete 002: Silêncio Sobre o Assunto

Recentemente, o grupo para pessoas que gaguejam de Natal teve como participante um amigo do Rio de Janeiro, que veio rever parentes em terras natalenses. Ao conversarmos, ele tocou na questão do silêncio que existe em relação à gagueira, em boa parte das famílias que tem membros com tal patologia. Esta situação é vivenciada por ele, o qual relatou sentir-se um pouco incomodado com esta realidade.


Eu também já tive este sentimento. Na minha adolescência, eu sentia-me meio deslocado, incomodado, isolado... Mesmo tendo pais sempre interessados em procurar ajuda profissional (fonoaudiólogas e psicólogos), o silêncio dentro de casa reinava. Meus pais nunca foram muito de conversar sobre a situação emocional, pessoal, social de seus filhos. Quanto à gagueira, esta também não ganhou tratamento diferente. O engraçado é que pensamos que a culpa pelo silêncio é da gagueira...



Hoje em dia, eu analiso esta questão sobre uma outra ótica. É perfeitamente compreensível que haja a ausência de interação. Alguns fatores podem explicar isto: primeiro, é um assunto muito desconhecido (tanto dos pais, quantos dos indivíduos que a tem); segundo, muitos indivíduos não conhecem nem querem conhece; terceiro, muitas famílias não conhecem nem querem conhecer; quarto, na maioria das vezes é extremamente delicado (tanto para os pais, quanto para o indivíduo que a tem). Esses fatores, aliados à peculiaridade de cada família (meus pais não costumavam conversar com os filhos, por exemplo) tornam a gagueira mais vítima do que culpada.



Além disso, o que queremos que seja conversado? O que queremos que eles nos digam? Queremos que perguntem como nos sentimos, como eles devem reagir, como podem ajudar, como podem atrapalhar... Se o silêncio incomoda, por que não conversar sobre todas essas coisas com eles? Não podemos ficar esperando as coisas acontecerem. Sair da passividade para a atividade é mais gratificante. Mudar! Deve-se ir atrás do que se deseja, ao invés de esperar do outro alguma coisa.



A propósito...



Conversa-se sobre a Gagueira em sua família?

Sim
Às Vezes
Não











29 dezembro 2006

Para Pais de Crianças com Gagueira

Ontem, eu me acordei com a idéia desta postagem na cabeça. Talvez eu sonhara com isso durante a noite. Não sei! Só sei que ao me acordar minha mente estava inquieta e preocupada com pais de crianças com gagueira.

É bastante comum sabermos das dificuldades que os pais possuem em lidar com os gaguejos das crianças. Creio que muitos de nós quando crianças já vivenciaram essa situação. Os pais, em virtude do desconhecimento não sabem como agir para ajudar seu filho. Ou, muitas vezes, com muito amor e preocupação pela criança acabam fazendo coisas que talvez não ajudem muito. É bem verdade que não deve ser nada fácil assistir à sua criança travar, tensionar e ter dificuldades para falar "mamãe" ou "papai", por exemplo. Os sentimentos que os pais sentem nesta hora são indescritíveis.

O que é importante dos pais saberem é que episódios de gagueira na infância são muito comuns. Trata-se de um aprendizado e de um amadurecimento do aparelho fonoarticulatório. Portanto, pode ser algo passageiro, que dure alguns meses. Mesmo sabendo desse detalhe, os pais não ficarão inertes à dificuldade dos filhos. Portanto, além de ser imprescindível a ida a um fonoaudiólogo, também é extremamente necessário que os adultos não transmitam ansiedade, preocupação
e negatividade para a criança. Os pais devem aceitar a gagueira na criança. Aceitação é muito diferente de acomodação, omissão ou passividade. Aceitação é o primeiro passo para transcender qualquer dificuldade na vida. Deve-se aceitar para que a própria criança sinta-se aceita com aquele padrão de se comunicar, para que ela não se sinta rejeitada. Sintindo-se rejeitada a criança criará toda sorte de "truques" para falar de um modo aceitável pelo outro. O que gerará tensão, o que proporcionará que a gagueira se instale de modo mais perene. A criança deve crescer confiante em si e em seus pais. Deve sentir-se "great", como na figura ao lado.

A figura acima foi retirada do endereço
http://www.stutteringtherapy.org/index.html .
Trata-se da representação do estado emocional
de uma criança após um tratamento adequado.
"I Feel Great!" = "Eu me sinto ótima!"