27 junho 2007

A Manifestação da Gagueira

A postagem "A Manifestação da Gagueira" será dividida em seis partes. Nela, será explicado, de acordo com a teoria de Sílvia Friedman, como a gagueira se manifesta. Após a explanação teórica da referida autora/fonoaudióloga (textos entre aspas), darei o meu ponto de vista, tentando explicar um pouco mais o que está sendo dito por Friedman. Não estou dizendo que o que ela diz precise ser "traduzido". Creio que seja algo muito interessante de ser lido, pois ajuda a conhecer a gagueira.


Os textos foram retirados de um capítulo do livro "Fonoaudiologia: recriando seus sentidos", organizado por Maria Consuêlo Passos, quem desejar adquiri-lo, basta clicar no título ou na imagem ao lado e realizar a compra, da qual este blog não tem qualquer relação capital.

Para alguma citação bibliográfica, favor buscar as referências corretas.


"1 - Pelo estudo da relação da gagueira com o movimento da consciência, a gagueira é uma manifestação que encerra características bastante peculiares do ponto de vista da subjetividade que a acompanha para que possa ser pensada, simplesmente, como um que era um fenômeno praticamente sem tensão, na infância e que evolui linearmente para quantidades crescentes de tensão, por condições que estariam circunscritas apenas ao organismo do indivíduo que a manifesta;"

Para Friedman, gagueira é muito mais do que tensão. Gagueira envolve identidade, consciência, subjetividade. A movimentação da consciência diz respeito à maneira paradoxal com que os sujeitos que se consideram gagos vivem suas falas. Os discursos dos sujeitos estudados pela auutor evidenciaram um padrão nesta movimentação. "Truques e inúmeros esforços para não gaguejar ou para falar bem, sentimentos negativos em relação ao ato de fala e antecipação do ato de gaguejar" foram encontrados em todos os sujeitos da pesquisa, bem como nos mais de quinze/vinte anos de clínica da referida fonoaudióloga. A partir disso, ela concluiu que os "indivíduos prevêem o gaguejar, tentam de tudo para evitá-lo, sabem que irão gaguejar, tentam falar bem, enquanto acreditam que não o farão." Esta lógica paradoxal, de tentar falar bem e não acreditar nesta capacidade, é onde a gagueira localiza-se. É onde ela se perpetua. É o que gera toda a tensão e quebra o espontâneo da fala. Algo que é espontâneo não pode ser tentado, visto que rompe-se a espontaneidade. Ninguém (com exceção dos bebês), tenta andar. Mas, se for pedido que você ande em cima de uma linha tênue, você terá muitas dificuldades.
Quando na infância, a criança gaguejava praticamente sem tensão. No entanto, com as intervenções negativas dos adultos, as crianças passaram a perceber que havia algo de errado com suas falas, com isso passaram a se preocupar com a falar, a tentar falar do modo idealizado pelos adultos e a se identificarem com alguém que "não consegue falar bem". Alguém que tem que "pensar antes de falar", que tem que "falar mais devagar", que tem que "ficar calmo", que "respirar antes de falar", entre outras intervenções que os indivíduos com gagueira ouvem em sua infância. A criança teve sua identidade formada e a lógica paradoxal tornou-se presente. O tratamento fonoaudiológico deve ser voltado para quebrar esta consciência. Os resultados são altamente satisfatórios.

(continua)

26 junho 2007

Voltei

Olá pessoal, depois de tanto tempo sem postar, em decorrência da correria desse primeiro semestre do ano, eis que estou de volta...

Estou com bastante material para postar...

09 abril 2007

Basculhador, espanador...

Amigos,
Este blog não está entregue às aranhas. Talvez, o máximo que ele precise é de um espanador para tirar um pouco a poeira por aqui. O fato é que estou construindo minha futura casa, onde morarei com minha eterna namorada e futura esposa. Conseqüentemente, "construção mais faculdade" não rima com "idéias para postar". A boa notícia é que a casa já está ficando pronta! Ou seja, muitas postagens sobre gagueira virão por aí.

27 fevereiro 2007

Novidade

Amigos,

Sei que estou ausente. Não é porque eu quero. Estou bastante ocupado durante o dia e cansado à noite. Mas não fiquem sem ter o que ler. Visitem o histórico aqui ao lado. Tem muita coisa interessante para ser lida.


Além disso, vocês podem visitar o blog "Vídeos Disfluentes".

Coloquei um vídeo novo por lá.

12 fevereiro 2007

Comentários Respondidos

Mais especificamente para Roberto Lent, Suzana, Pablo, Gabriel Fernandes e Adhemar:

Amigos, acho que respondi, ou repliquei (espero que tenha tréplica), os comentários de vocês. Está nos "comentários" da postagem "Nunca Desita! (Minhas Considerações)".Adorei todas as mensagens. Dessa forma poderemos fazer deste blog um espaço para mais conhecimentos e informações sobre a gagueira.

03 fevereiro 2007

Nunca Desista! (Minhas Considerações)

O texto "Nunca Desista", de Peter Ramig, é bem interessante. Infelizmente não temos todo o livro, apenas o capítulo em questão. De tal maneira, por não conhecer o trabalho do autor em todas as suas delicadezas, não tenho condições para fazer críticas definitivas (construtivas ou não). O que farei são apenas algumas considerações em cima do pouco que foi lido. Espero que o leitor também participe das considerações. Caso queira que algo seja postado aqui, basta deixar um comentário com tal solicitação.

O mais importante do texto é que o método mostra-se eficiente. Pelo menos é isso que nos é transmitido ao final do texto: muitos clientes do autor livraram-se do obstáculo contencioso da gagueira. Isso deve dar muito ânimo para aqueles que leram o texto e ainda estão discrentes de tratamentos adequados.

O que eu discordo inteiramente é com a expressão "controle da gagueira". Para mim, a fala não pode ser controlada. Logo, a gagueira também não. A fala é um movimento espontâneo. Deve ser livre. Quer ver só uma coisa: pergunte para alguém próximo a você se ele/ela controla a fala. Ao contrário, as pessoas que gaguejam produzem toda sorte de movimentos, truques para "tentar falar bem". Porém, o espontâneo não deve ser tentado. O espontâneo é simplesmente produzido. A gagueira é uma quebra desta espontaneidade, justamente porque a fala não está solta.


O autor caracteriza como a origem da gagueira, o que ele chamou de "gatilho da gagueira". O bloqueio e a sua quebra no momento da fala serviram de analogia com o gatilho de uma arma. Não acredito que essa seja a origem da gagueira. Há algo por detrás do simples gatilho. Sílvia Friedman caracteriza muito bem o que é. Friedman explica que existe uma identidade do indivíduo como ser que gagueja. Tal identidade é pressuposta e reposta freqüentemente no momento de falar (um ótimo assunto para falarmos em outra oportunidade), dando a impressão de ser definitiva, estática, única. Porém, "Identidade é movimento, é desenvolvimento do concreto...é metamorfose". (Ciampa, 1987 p.74 - A estória do Severino e a história da Severina).

Concordo em gênero, número e grau com o autor, quando ele fala na "conspiração do silêncio". Este movimento precisa ser determinantemente eliminado. O silêncio não faz bem a nenhum problema que a pessoa venha a tê-lo. A conversa, o conhecimento, a aceitação, são passos imprescindíveis para transcender qualquer dificuldade. O isolamento, esconder-se, calar-se requer muito mais esforço do que a postura pró-ativa. Enfrentar o problema exige muito menos trabalho do que ocultá-lo.

Nunca desista!