A proibição para ser disfluente é o motor para que a criança busque soluções na tentativa de ter sua fala aceita e deixar de ser rejeitada, porém a solução encontrada gera cada vez mais gagueira, pois a fala perde espontaneidade, passa a ser controlada. Sai do eixo do sentido, para o da forma (Friedman e Passos).
Proibição para gaguejar
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Esta ilustração pode ser comprovada a todo instante. Principalmente quando o indivíduo deseja incondicionalmente a fluência. Porém, em inúmeras outras situações de fala a fluência se faz presente, para a surpresa do falante que não entende como isso foi possível. Vejam um relato, retirado do Grupo Gagueira, de um indivíduo (com privacidade mantida) que atualmente está sofrendo muito com sua gagueira, e que serve de comprovação para a teoria aqui debatida:
Perceberam o que ele disse? "Não sei da onde saiu tanta fluência".
Mesmo após já ter gaguejado, em determinado momento a fluência marcou presença. Muito provavelmente, este sujeito, na hora em que foi fluente, esqueceu-se de todas as soluções, por ele já tentadas, para falar bem. Deixou de se preocupar com a forma, para se ater ao sentido do que iria falar. Esqueceu-se de procurar palavras difíceis para substituí-las. Quando isso ocorre, o sujeito não tem dúvidas em relação à sua capacidade para falar; não deseja conscientemente a fluência como algo que deve ser alcançado. Não desejando-a, ela aparece. É o que ocorre com os outros falantes.
Sem ter medo de errar, afirmo que isso ocorre em muitas outras situações e com todas as pessoas com gagueira, o que demonstra claramente que há integridade fonoarticulatória.
Conforme venho falando nas postagens mais recentes, a mudança é possível! Superar a gagueira como um sofrimento para falar, é possível! Continuarei este assunto na próxima postagem.
"Também ao telefone, fui cancelar um chip da operadora X, e como eu gaguejei, o cara se recusou a cancelar a linha, dizendo que eu não era o titular e que era uma pessoa se passando pelo titular. Não sei da onde saiu tanta fluência, mas na hora eu fiquei p. de raiva e consegui falar: 'Olha Fulano, eu também estou gravando esta ligação e estou anotando que horas são. Eu vou entrar com um pedido na justiça para o senhor pagar a minha mensalidade desse celular, porque você é o único que está me impedindo de cancelar. Eu não quero mais, não vou pagar, então como fica? Você paga? Se você se recusar a cancelar agora, vou entrar com o pedido para a cobrança passar para o seu nome.' "
Perceberam o que ele disse? "Não sei da onde saiu tanta fluência".
Mesmo após já ter gaguejado, em determinado momento a fluência marcou presença. Muito provavelmente, este sujeito, na hora em que foi fluente, esqueceu-se de todas as soluções, por ele já tentadas, para falar bem. Deixou de se preocupar com a forma, para se ater ao sentido do que iria falar. Esqueceu-se de procurar palavras difíceis para substituí-las. Quando isso ocorre, o sujeito não tem dúvidas em relação à sua capacidade para falar; não deseja conscientemente a fluência como algo que deve ser alcançado. Não desejando-a, ela aparece. É o que ocorre com os outros falantes.
Sem ter medo de errar, afirmo que isso ocorre em muitas outras situações e com todas as pessoas com gagueira, o que demonstra claramente que há integridade fonoarticulatória.
Conforme venho falando nas postagens mais recentes, a mudança é possível! Superar a gagueira como um sofrimento para falar, é possível! Continuarei este assunto na próxima postagem.
*FRIEDMAN, S. ; PASSOS, M. C. . O Grupo Terapêutico em Fonoaudiologia: Uma Experiência com Pessoas Adultas.In:Santana, AP; Berberian, AP; Guarinello, AC; Massi, G.(Org.). Abordagens Grupais em Fonoaudiologia. 1 ed. São Paulo: Plexus Editora,2007, v. 1, p.138-163.