14 outubro 2010

III Encontro Brasileiro de Pessoas que Gaguejam

     Data: 23 de outubro de 2010
Horário: 8h30 às 18h
Local: Faculdade Novo Milênio - Campus Vila Velha
Av. Santa Leopoldina nº 840 - Coqueiral de Itaparica - Vila Velha/ES
Público-alvo: Pessoas que gaguejam, familiares, fonoaudiólogos, educadores e demais interessados
Realização: Associação Brasileira de Gagueira e Faculdade Novo Milênio

13 outubro 2010

Dia Internacional de Atenção à Gagueira - 2010

Dia 22 de Outubro

Em 2010, Brasil, Argentina, Uruguai e Venezuela uniram-se na campanha do Dia Internacional 
de Atenção à Gagueira.

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Baixe a apresentação (PDF) em Português e/ou em Espanhol.

[Associação Iberoamericana de Gagueira (Nosotros los Tartamudos) disponibiliza apresentação para comunidade espanhola. Clique aqui.]


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O trabalho foi organizado pelo "Núcleo de Estudos e Pesquisas em Fluência da Fala - NEPFF" em conjunto com a "Associación Iberoamericana de la Tartamudez" (Venezuela), com a "Fundación para la Tartamudez" (Argentina), com a "Licenciatura en Fonoaudiologia - UDELAR - Universidade de la República" e com o "Centro Hospitalário Pereira Rossel" (Uruguai).

A campanha teve apoio do "Institudo CEFAC - Ação Social em Saúde e Educação" e da "Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP".

Este é mais um passo para um melhor entendimento sobre gagueira. A campanha deste ano diferencia-se das outras pois direciona-se às pessoas que gaguejam. Procura dar claridade a uma característica da gagueira que não está no eixo das aparências, que não pode ser vista ou ouvida, não é detectável nem mensurável em um exame, mas pode se esconder na subjetividade do falante que gagueja: a antecipação da fala gaguejada.


As reações sociais à gagueira, geralmente o riso, a chacota e as tentativas de correção, tem o potencial de gerar na pessoa que gagueja a sensação de rejeição, de fazer com que a pessoa sinta-se (um falante) diferente, por não ter falado/por não falar "corretamente", do modo idealizado pelo outro. Com o intuito de evitar as costumeiras reações, o sujeito, em determinadas situações discursivas, prevê/antecipa a manifestação da gagueira em algumas palavras ou sons, para evitar, esconder ou controlar a gagueira. A gagueira torna-se algo indesejado e sua previsão gera temor, soa como um alerta de perigo, de medo. Consequentemente, a musculatura envolvida nos órgãos fonoarticulatórios tensiona-se, dificultando ainda mais a fluência, aumentando a gagueira. Este funcionamento subjetivo/discursivo interfere na espontaneidade da fala. Em outras situações, quando o sujeito não observa este funcionamento, os relatos mostram que a fluência está presente.


Com as reflexões que podem ser feitas a partir da nossa proposta, do nosso tema, desejamos que o material possa ser útil no processo de aceitação da gagueira. Com isso, esta deixe de ser vista como algo indesejável, que qualifica negativamente e que possa ser compreendida também a partir do conhecimento da situação discursivo-subjetiva.
Por outro lado, o material também destina-se para toda a sociedade, que tem a possibilidade de perceber o quanto o riso, a chacota, a rejeição, os apelidos destinados às pessoas que gaguejam tem o potencial de prejudicar a espontaneidade da fala.

O conhecimento abre para a transformação para a mudança.



09 abril 2010

Gagueira Tem Cura?

O saite IFONO - Fonoaudiologia em Ação, divulgou em sua coluna "Mito ou Verdade" que é mito afirmar que gagueira não tem cura. Para embasar essa afirmação solicitaram a participação da Fga Dra Silvia Friedman. Segue o texto:




Embora existam profissionais que considerem a gagueira uma patologia incurável, mas com controle, há quem sustente que ela tem cura sim.

A visão de que a gagueira não tem cura está apoiada na hipótese de que sua causa é orgânica. Com base nisso, cientistas têm investigado aspectos neurológicos e genéticos que possam explicá-la. Nenhuma pesquisa, entretanto, chegou, até o momento, a uma resposta conclusiva que demonstre de modo irrefutável o quê, no organismo, explica a gagueira.


Como existem outros modelos, além do orgânico, por meio dos quais o conhecimento científico pode ser construído, há quem pesquise como a gagueira se constitui a partir da “vida de relação”. Este tipo de pesquisa está apoiado na compreensão de que nossa vida em sociedade e as relações que estabelecemos com os outros podem imprimir marcas em circuitos neuronais, sem que o corpo tenha qualquer predisposição prévia para tal; marcas que influenciam o modo de ser da pessoa: seus pensamentos, sentimentos e ações.


As duas marcas que se revelaram nas pessoas com gagueira estão associadas entre si: uma imagem negativa de falante e um funcionamento discursivo desviante.


A imagem negativa de falante tem sua origem numa visão de senso comum que considera a fluência como sendo absoluta, ou seja, sem lapsos, pausas ou disfluências, e leva as pessoas (na família, na escola) a rejeitarem o padrão disfluente na fala infantil. Em decorrência disso, a criança passa a querer evitar ou esconder esse padrão, recorrendo à materialidade da língua. Ou seja, passa a supor em que lugar da frase estará a palavra disfluente, geralmente, a mais importante; por exemplo, se tem que dizer seu nome, suporá que é aí que ocorrerá a disfluência. E sendo a disfluência indesejada, essa suposição trava seus movimentos articulatórios para impedir a palavra de sair. A trava, por sua vez, faz parecer que, de fato, o falante sabia onde a disfluência ocorreria, o que perpetua a previsão. Com o tempo, ele cria novas estratégias para atingir a fluência; embora geralmente funcionem, elas também enchem a fala de comportamentos bizarros.
Com base nesse tipo de compreensão, que mostra o funcionamento subjetivo da gagueira, uma abordagem terapêutica que construa um novo sentido para a imagem de falante de uma pessoa gaga e modifique o funcionamento subjetivo aqui descrito tem demonstrado ser eficaz para curá-la.

Vale a dica: A rejeição à fala da criança disfluente frequentemente se materializa por frases do tipo “calma, pense antes de falar, respire”, que em nada ajudam a criança a falar sem disfluir, mas fazem com que entenda que não falou adequadamente; que o modo como fala desagrada. Assim, se você conhece uma criança ou pessoa que seja disfluente, não a interrompa, nem antecipe suas falas, nem peça para ter calma ou respirar melhor. Mantenha-se atento ao diálogo, respondendo ao que ela tem a lhe dizer, porque quem diz algo quer resposta a isso, e não ao seu modo de falar.

*Por Silvia Friedman, fonoaudióloga, docente da PUC-SP, doutora em Psicologia Social e responsável pelo site http://www.gagueiraesubjetividade.info/.



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Um pouco sobre o saite IFONO - Fonoaudiologia em ação:


É organizado pelas Fonoaudiólogas Cláudia Perrota e Lúcia Masini, bem como pelo Fonoaudiólogo Jason Gomes. Desde 1988, o IFONO desenvolve um trabalho fonoaudiológico diferenciado, marcado pela trajetória que visa desmistificar a ideia de que há um modelo de desenvolvimento e apreensão da linguagem. O IFONO procura encorar as pessoas a fazer uso efetivo de sua linguagem no contidiano, superando inibições , preconceitos e tentativas de exclusão social.


Vale a pena acompanhar as publicações desse grupo, bem como assistir aos filmes indicados com frequência.

01 abril 2010

Rir da gagueira pode ser assédio moral



No Dia Internacional de Atenção à Gagueira de 2009, o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Fluência de Fala (NEPFF) desenvolveu o tema "Gagueira e Assédio Moral".

A relação entre gagueira e assédio moral foi desenvolvida com base no livro Assédio Moral - A violência perversa no cotidiano, de Marie-France Hirigoyen.

O assédio moral é mais comumente associado às situações que ocorrem no ambiente de trabalho, mas também existe nas famílias, nas escolas... Quando buscamos a sua definição, percebe-se que muitos gagos passaram/passam por isso.

De acordo com Hirigoyen, entende-se por assédio "toda e qualquer conduta abusiva manifestando-se sobretudo por comportamentos, palavras, atos, gestos, escritos que possam trazer dano à personalidade, à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa".

Expressões como: "Fale direito! Até um papagaio fala melhor do que você!" ou "Fala logo! Parece um disco arranhado!", entre outros apelidos, comentários, gestos são exemplos de violências verbais ou não-verbais que ocorrem rotineiramente, que humilham e provocam dor, tristeza e sofrimento nas pessoas que gaguejam - ou seja são formas de assédio moral.


Este tipo de humilhação, no contexto social, atualmente, não parece ser tão grave a ponto de merecer atenção para que se fale a respeito. Pelo contrário. Na maioria das vezes, as pessoas em volta da agressão acham graça e se divertem às custas do sofrimento do outro. Em sujeitos que já apresentam dificuldades na fluência da fala, este sofrimento é marcante ao ponto de gerar efeitos importantes na relação entre o falante e sua fala. Ajuda a gerar ou manter um quadro de gagueira, marcado pela previsão do erro para não ser rejeitado pelo ouvinte, para evitar ser ridicularizado.

Em alguns casos extremos, como bullying (veja vídeo) a saída é realmente abrir um processo judicial. Tal atitude faz com que o fenômeno comece a ser trazido à mídia, o que leva a própria sociedade a questionar-se. Por outro lado, acredito, na maioria das vezes a violência não é tão intensa a ponto de haver condições de se abrir um processo. Então, o que pode-se fazer para fugir do assédio? Não existe um modelo universal de atitudes para pessoas que gaguejam poderiam seguir e não serem agredidas ou não se sentirem agredidas. Acredito que o começo de tudo é encontrar dignidade por gaguejar. Quando passamos a nos aceitar, a nos conhecer, a aceitar que a gagueira faça parte da nossa fala, quando damos outros valores a ela, quando mudamos a nossa postura estamos em condições de exigir que o outro também assim o faça, nos aceite e nos respeite.


Muitos que gaguejam se julgam responsáveis pelas agressões sofridas ("Eles riram de mim porque gaguejo", por exemplo). Transferir esta responsabilidade e configurá-la como evidência da moralidade (ou falta dela!) da parte de quem as executa é também uma possibilidade para não se deixar humilhar. Atitudes preconceituosas ou de não-aceitação revelam mais sobre a conduta do "agente" das atitudes do que sobre o "paciente".

Para quem desejar ler um pouco mais sobre assédio moral, ou ler a resenha do livro citado acima, ou conhecer um pouco mais da campanha do NEPFF, bem como baixar o power point pode clicar nas palavras em destaque neste parágrafo.

Para melhor visualizar as figuras desta postagem basta clicar sobre elas.


Quem se sentir vítima de assédio moral por conta da gagueira, entre em contato. Tenho um advogado que se disponibiliza a ajudar.

30 janeiro 2008

Novas Soluções, Novos Resultados

Na postagem passada falei sobre a formação de problemas. Diversas situações problemáticas surgem justamente quando algumas soluções encontradas não produzem o efeito desejado. Isto é, a própria solução torna-se o problema. O que antes poderia ser apenas uma dificuldade, na utilização do mesmo remédio, torna-se um verdadeiro problema. Diversos exemplos estão relatados na postagem anterior.

A gagueira também é originada de uma dificuldade. Muitas crianças apresentam disfluências normais (alguns pesquisadores chamam também de disfluência fisiológica) em suas falas, em razão de vivenciarem um período de desenvolvendo desta habilidade. Muitas conseguem sozinhas o amadurecimento necessário ao automatismo da fala. Não vivenciaram gagueira, propriamente dita, mas um período de disfluência, comum a muitas.

Em muitas outras situações, o que se observa é que disfluências normais à fala não são aceitas pelo meio social da criança. Pais, familiares, colegas, professores, amigos não aceitam a fala disfluente, rotulam como gagueira, entendem-na como algo indesejado, a criança termina por ser estigmatizada. De acordo com Friedman (2002), "a não aceitação da forma de falar tem sido vista como um dado real".

Comunicações verbais do tipo "fale direito, fale devagar, acalme-se e/ou pense antes de falar" foram vivenciadas tanto por pais como por pacientes adultos a respeito de sua fala na infância, afirma a pesquisadora. É o que ela nomeia de "Ideologia do Bem Falar", o entendimento popular de só aceitar os momentos fluentes de fala, os disfluentes são alvos de "correção". Porém, todos, inclusive as crianças, sabem falar, mas não sabem como o faz. Logo, de nada ajudará objetivamente, na superação daquela dificuldade, os conselhos ditos acima. Ao contrário, levará a criança a ter a atenção e a consciência* voltadas para a fala, dificultando na espontaneidade e automatização que a fala exige. Além disso, constantemente, a criança dentro desta situação, ela pode vê-se punida (tendo em vista não saber como fazer para superar e atender aos pedidos externos) e sentir-se culpada pela sua forma de falar (FRIEDMAN, 2002). É interessante observar que o meio é tendencioso a cada vez mais (pais e professores mal orientados) aumentar a dose do remédio ou imitar e fazer chacotas (coleguinhas inocentes) diante de repetições, bloqueios, hesitações e prolongamentos, aumentando também a atenção da criança para sua fala negada.

Diante deste cenário, o que era disfluência torna-se gagueira. O que era uma dificuldade, torna-se um problema. É como afirmam
Watzlawick et al (1977), "em certas circunstâncias surgirão problemas meramente em consequência de tentativas errôneas de alterar uma dificuldade existente".

Além das tentativas de solucionar o problema, mencionada pelos outros significativos, diversas outras soluções também serão elaboradas pelo próprio sujeito com gagueira, na intenção de falar bem ou não gaguejar: planejar o discurso, encontrar e substituir palavras difíceis por fáceis, julgar situações/pessoas fáceis ou difíceis para falar, introdução de palavras desnecessárias (é, então...), esforços associados, fechar os olhos ou desviar o olhar, entre outros tantos. Cada pessoa pode apresentar um específico, mas é interessante como as soluções são praticamente as mesmas em diversos países.

É interessante salientar que a literatura está repleta de relatos de pessoas que afirmaram falar fluentemente em diversas situações, as quais não estavam "se lembrando" da gagueira, que eram gagos, que não pensaram nas soluções outrora tentadas. Portanto, esses rituais para tentar falar bem devem ser percebidos como parte da própria gagueira.

Portanto, todas essas soluções citadas acima não possuem alcançaram o que almejavam. São necessárias outras intervenções. É importante perceber que a gagueira não deve ser o alvo a ser eliminado, pois quando esquecemos das soluções, da gagueira, quando não nos sentimos julgados, pressionados para falar bem, não gaguejamos. Uma pequena solução que sugiro, baseado em Friedman (In Lopes, 1997) é irmos de encontro a tudo que nos foi "ensinado":
- Aprendemos que é proibido gaguejar --> Devemos perceber que gaguejar é normal, natural;
- Percebemos que os outros não aceitavam nossa fala --> Devemos perceber até que ponto estamos vítimas dessa ideologia. Entender a gagueira como um momento da fala e da emoção e aceitá-la rompe a necessidade de ter de falar bem e a frustração por não ter conseguido;
- Aprendemos a buscar soluções para falar bem --> Devemos entender essas estratégias como parte da gagueira e que geram sofrimento;
- Aprendemos que nossa fala era gaguejante --> Devemos perceber que em diversas situações nossa fala é fluente;
- Aprendemos que a nossa auto-imagem é de alguém que fala de modo inadequado --> Devemos mudar essa auto-imagem, tendo em vista sermos bons falantes em diversas situações.

É claro que não é fácil modificar rituais para falar bem, tendo em vista eles estarem automatizados ao longo dos anos, mas somos capazes de qualquer coisa. Nosso cérebro é capaz de automatizar uma outra forma de funcionar de falar.

* "Atenção e consciência são os alicerces sobre os quais criamos um entendimento do mundo. Juntos formam a base sobre a qual construímos um sentimento do que somos e como nos definimos em relação à miríade de mundos físicos e sociais que habitamos. Também são as funções básicas que dão origem à 'mente' " (Ratey, 2002).


Os que desejarem a referência completa das obras aqui citadas, favor entrar em contato.

25 janeiro 2008

A Mudança Desejada

"O nosso próprio livre-arbítrio pode ser a mais poderosa força a dirigir o desenvolvimento de nossos cérebros e, portanto, nossas vidas. (...) Experiências, pensamentos, ações e emoções mudam-lhe a estrutura."

Dr. John J. Ratey, 2002 - Em "O Cérebro - um guia para o usuário"



A postagem passada encerrei-a afirmando que a mudança é possível. Por experiência própria acredito muito nela. A postagem de hoje é baseada no conteúdo do livro "Mudança - Princípios de Formação e Resolução de Problemas" de Paul Watzlawick, John Weakland e Richard Fish, pesquisadores do Instituto de Pesquisas Psiquiátricas, de Palo Alto, Califórnia, Estados Unidos. Esta publicação é de 1977 e acredito já não está mais disponível para venda.

O título do capítulo do livro nos dá uma boa noção do seu conteúdo. " 'O MESMO REMÉDIO EM MAIOR DOSE' OU QUANDO A SOLUÇÃO VIRA PROBLEMA". Até já falei um pouco sobre isso em uma das postagens mais recentes. Agora vamos nos aprofundar mais.

Em geral, para promover alguma mudança é preciso o desvio de alguma norma. Isso se aplica também a campos como a Fisiologia, Neurologia, Física e Economia. Se estamos com frio a solução é o agasalho. Mais frio, mais agasalho. "A mudança desejada se obtém em resultado de aplicar o oposto daquilo que produziu o desvio". Porém, nem todo problema pode ser combatido com a oposição deliberada. O alcoolismo, que representa um sério problema social, se for proibido, gerará todo um mecanismo clandestino a fim de suprir tal necessidade. Para problemas desse tipo " 'a solução' contribui enormemente para agravar o problema' ". A proibição não produz a mudança desejada.

"Muitas das dificuldades enfrentadas pelos seres humanos não permanecem imutáveis. A situação pode permanecer estruturalmente semelhante ou idêntica, mas a intensidade da dificuldade e do sofrimento decorrente aumenta, especialmente se se reforçar a solução errônea", afirmam Watzlawick et al.

Os referidos autores também se referem à pornografia. Seria este um mal social? Para muitos, sim! Porém, a liberação na Dinamarca levou muitas pessoas a ridicularizá-la e a ignorá-la. Até mesmo dentro de casa podemos perceber isso quando crianças (pré-adolescentes) são proibidas de ver revistas, filmes adultos. Tal proibição tem um enorme potencial de gerar nos pré-adolescentes uma enorme vontade de rompê-la. Planos serão arquitetados para descobrir o que é proibido. A repressão não somente é o pior dos males, como poderá tornar-se o próprio problema, já que sem a "solução" não haveria problema. Dentro de casa, o diálogo, o acolhimento, a orientação seriam atitudes mais facilitadoras, do que a proibição geral e irrestrita.

O que podemos perceber em diversas situações problemáticas é que "o mesmo remédio em maior dose é a receita para a mudança, e esta solução é o que constitui o problema". Com freqüência ocorre nas famílias a tentativa de gerar determinados sentimentos em seus filhos. Os autores nos mostram que alguns pais ao perceberem que seus filhos estão com alguma tristeza ou irritação no semblante, ordenam que estes dirijam-se aos seus quartos e só retornem quando tiverem um sorriso no rosto. Diante dessa situação, a criança tende a sentir-se culpada por não se sentir como deveria, a fim de tornar-se aceita e boazinha, ou até "sentir ódio estéril em face do que lhe estão fazendo", somando-se à lista dos sentimentos que os pais não gostariam que os filhos tivessem.

Uma outra solução equivocada é a tentativa de forçar-se de algum modo a dormir diante da falta de sono. Este é "um fenômeno que só pode ocorrer espontaneamente. Não pode sobrevir espontaneamente quando desejado". O que era anteriormente somente uma dificuldade, pode tornar-se um problema com possível dependência de drogas e medicações soníferas; "e cada uma dessas providências, em lugar de resolver, só faz intensificar o problema ainda mais".

Diante de um problema já tornado crônico, é muito interessante saber quais as soluções já tentadas para solucioná-lo. Tais soluções, já está mais que comprovado, não são capazes de produzir a mudança desejada, são tentativas errôneas que em certas circunstâncias produzirão problemas maiores.

Na próxima postagem farei a analogia de tudo que disse aqui e a gagueira. Acredito que vocês estejam pensando nas soluções que possuem para não gaguejar. Gostaria que elas fossem relatadas nos comentários. Deixe uma mensagem contando o que faz/fez para deixar de gaguejar. Conto com sua participação. Agradeço.