"6 - A lógica paradoxal que determina a produção da gagueira e nos permite entender que ela é um problema de identidade dos sujeitos, permite-nos entender, também, que ela possa desaparecer, dando lugar à fluência, sempre que as situações contenham elementos em função dos quais essa lógica não seja ativada. Isso funciona a partir das características dos sistema de valores do sujeito em relação a si, aos outros e às situações que vivencia no mundo. A ausência do outro não ativa a lógica. Geralmente ela também não se ativa quando o sujeito representa personagens; quando dubla a fala; quando conversa com pessoas que considera hierarquicamente inferiores ou que considera mais ignorantes. Já a conversa com pessoas consideradas amigas, por exemplo, pode ativar a lógica para uns e não para outros, em função da pessoa empenhar-se em lutar para esconder a gagueira que prevê. O que está em jogo, nessas circunstâncias, é o valor que o sujeito atribui à imagem de si em reciprocidade ao valor que atribui aos outros e às situações. Nessa atribuição de valores pesam, a favor da fluência, o deslocamento da imagem de si para algum personagem (caso da dublagem, da representação de personagens) e a diminuição do sentimento de cobrança e responsabilidade pelo ato de fala (ausência do outro, conversa com pessoas amigas e com pessoas consideradas mais ignorantes), o que nos recoloca diante da visão da gagueira com problema de identidade."
Enfim, chegamos a sexto tópico. Neste, Friedman deixa bem claro que há cura para gagueira. É possível dar lugar à fluência! Como exemplos, são dados a dublagem, a representação de personagens, a conversa com pessoas "inferiores" entre outros exemplos. Nestes casos e em outros, o lugar à fluência varia de pessoa para pessoa, vai muito do que o sujeito pensa de si, dos outros e da situação (reciprocidade de valor). Cada sujeito tem suas crenças e regras individuais das situações e dos outros com os quais "podem" e "não podem" gaguejar. Recentemente, li no "Grupo Discutindo Gagueira" (endereço nos vínculos, ao lado direito), que um sujeito tem sua gagueira piorada sempre no mês de agosto! O que não é isto além de uma crença pessoal? Sempre que agosto chega, ele deve se encher de pensamentos negativos, a duvidar de si como falante, a antecipar situações comunicativas, passa a se cobrar mais para falar bem, está formada a identidade de "mau falante". Chegou setembro, creio, de acordo com suas palavras, que ele deva relaxar mais e "permitir" que a fluência esteja mais presente. Acredito que se olharmos para dentro de nós, perceberemos diversas situações que acreditamos que gaguejaremos e outras que falaremos bem. Gostaria que os comentários também tivessem este conteúdo. Claro que outros comentários são bem-vindos.
Toda esta lógica de pensamento pode ser quebrada. Sei que não é fácil. Se fosse, a gagueira não seria um assunto de fácil discussão e de difícil consenso. é preciso desfazer os atuais rituais de fala, porém eles estão automatizados pelo uso. Friedman, no Tratado da Fonoaudiologia (1997), afirma que "para que se possa chegar a desfazê-los é fundamental que o paciente tenha chegado a algum patamar de aceitação da gagueira, sendo capaz de compreendê-la não como um problema de fala, mas como produto de seu comportamento de prevê-la."
A terapia fonoaudiológica especializada pode (e tem que) ajudar. A literatura está repleta de casos bem sucedidos, de pessoas que se superaram e superaram a gagueira como um sofrimento, com este tipo de tratamento. Neste saite vocês também poderão ler diversos depoimentos que comprovam a eficiência desta teoria.
Gagueira sob uma perspectiva que articula linguagem, subjetividade e sociedade.
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09 julho 2007
06 julho 2007
A Manifestação da Gagueira (parte V)
"5 - A lógica paradoxal que move a gagueira, por tudo quanto dela foi dito até aqui, permite-nos entender porque quanto mais uma pessoa tenta falar bem, mais ela gagueja e porque isso é algo ligado à presença dos outros. A dialética entre subjetividade e a objetividade que caracteriza o comportamento de gaguejar, ou seja, os conteúdos latentes e o que eles provocam quando em mútua determinação com a atividade de falar, revelam que a gagueira não é um problema da fala, mas um problema da identidade do sujeito que luta para não produzir um padrão de fala que prevê, ou seja, luta para não se mostrar com uma imagem estigmatizada de falante."
Este tópico, em minha opinião, é muito importante. Ele define a gagueira de maneira muito pertinente. "Gagueira é um problema da identidade do sujeito que luta para não produzir um padrão de fala que prevê". Acredito verdadeiramente que gagueira seja um problema de identidade. Já ouvi de muitos colegas que, quando sozinhos, são os melhores oradores. Esta afirmação contesta, muito bem, a relação gagueira x questões orgânicas. Caso contrário, não teria oratória perfeita, independentemente a qualquer fator o indivíduo gaguejaria. Porém, a gagueira está muito ligada à presença do outro e à subjetividade de cada indivíduo com gagueira (suas crenças, valores, posturas, pensamentos...). Estas questões latentes (implícitas), terminam por aflorarem na objetividade (nervosismo, repetição, hesitações, prolongamentos, movimentos associados...). Porém, o problema não está na fala. A fala gaguejada seria a consequência dos pensamentos (movimentos da consciência) que interferem na manifestação do espontâneo. O indivíduo prevê o gaguejar e não quer que isto acontença, acredita que não será aceito, imagina que os outros debocharão, faz uso de truques para tentar falar bem (troca palavras, utiliza-se de palavras desnecessárias...) e revelam o que não pretendiam, mas que acreditavam, e terminam por identificar-se como alguém que não fala bem, como um "mau falante". Porém, quando estão sozinhos este círculo vicioso não é criado, bem como em diversas situações (cada indivíduo tem as suas, por exemplo quando falam com animais, com crianças...) a fluência se instala e a identidade de "bom falante" marca presença.
Este tópico, em minha opinião, é muito importante. Ele define a gagueira de maneira muito pertinente. "Gagueira é um problema da identidade do sujeito que luta para não produzir um padrão de fala que prevê". Acredito verdadeiramente que gagueira seja um problema de identidade. Já ouvi de muitos colegas que, quando sozinhos, são os melhores oradores. Esta afirmação contesta, muito bem, a relação gagueira x questões orgânicas. Caso contrário, não teria oratória perfeita, independentemente a qualquer fator o indivíduo gaguejaria. Porém, a gagueira está muito ligada à presença do outro e à subjetividade de cada indivíduo com gagueira (suas crenças, valores, posturas, pensamentos...). Estas questões latentes (implícitas), terminam por aflorarem na objetividade (nervosismo, repetição, hesitações, prolongamentos, movimentos associados...). Porém, o problema não está na fala. A fala gaguejada seria a consequência dos pensamentos (movimentos da consciência) que interferem na manifestação do espontâneo. O indivíduo prevê o gaguejar e não quer que isto acontença, acredita que não será aceito, imagina que os outros debocharão, faz uso de truques para tentar falar bem (troca palavras, utiliza-se de palavras desnecessárias...) e revelam o que não pretendiam, mas que acreditavam, e terminam por identificar-se como alguém que não fala bem, como um "mau falante". Porém, quando estão sozinhos este círculo vicioso não é criado, bem como em diversas situações (cada indivíduo tem as suas, por exemplo quando falam com animais, com crianças...) a fluência se instala e a identidade de "bom falante" marca presença.
04 julho 2007
A Manifestação da Gagueira (parte IV)
"4 - A lógica paradoxal, essência da gagueira na qual se observa tensão, materializa-se na tentativa de falar bem (tentar o espontâneo). Esse modo de produção da fala desestrutura-a, porque o sujeito acredita saber de antemão o que irá acontecer com sua articulação e acredita em algo que não quer que aconteça. Assim, o movimento espontâneo de elevação do diafragma para produzir a voz é acompanhado de um movimento de fechamento das cordas vocais, que segura a produção automática dos movimentos da fala para poder prevenir o suposto gaguejar. Frequentemente é esse o comportamento motor que promove a ruptura do fluxo da fala. A ele vão-se somando toda uma série de outros comportamentos motivados pela tentativa de evitar a fala que ficou presa ou de desencadeá-la, sendo que tudo isso é feito para falar bem. Esses comportamentos, de modo geral, incluem a substituição rápida das palavras em que a gagueira é prevista por outras de significado semelhante, por modos diferentes de expressar o mesmo conteúdo ou até mesmo por mudanças no conteúdo da fala. Incluem também a repetição das palavras do discurso que antecedem a palavra em que a gagueira foi prevista; a inclusão de inspirações, expirações, sons ou palavras desnecessárias antes das palavras em que a gagueira é prevista; o uso de movimentos de outras partes do corpo, tudo isso como meio de se ajudar a produzir as palavras em que a gagueira é prevista."
Este quarto tópico, que esclarece muito bem como a gagueira do desenvolvimento se manifesta, nos traz uma sorte de comportamentos que as pessoas com gagueira executam sempre na tentativa de falar bem, de não gaguejar, mas isso já é uma manifestação da gagueira, para o sujeito já é a gagueira dele. Algumas pessoas conseguem disfarça tão bem que não apresentam qualquer disfluência articulatória em sua fala, mas os truques, as crenças, as substituições de palavras (entre outros ditos acima) estão presentes em seus discursos e só elas sabem disso. Os outros não as vêem como pessoas com gagueira, mas elas apresentam a "lógica paradoxal" e possuem a "imagem de mau falante". Em virtude disso, de acordo com a literatura, muitos procuram a fonoaudiologia pois estes comportamentos são capazes de gerar grandes preocupações nestas pessoas, que ficam presas à movimentação de suas consciências. Isso comprova que a essência da gagueira é realmente a "lógica paradoxal".
Neste quarto tópico outra coisa me chama a atenção. Foi dito que "o sujeito acredita saber de antemão o que irá acontecer com sua articulação e acredita em algo que não quer que aconteça". A fala é espontânea porque, de modo geral, não sabemos como ela se produz. O indivíduo com gagueira não é exceção. Além disso, tem o agravante que é a forma com a fala se produz. Algo que não faz parte da fala é saber de antecipadamente onde ocorrerá alguma quebra de fluência. Nenhum "falante normal" tem essa previsão, mas as pessoas com gagueira prevêem esta quebra. Sabem que não conseguirão falar bem, apesar de assim não desejarem. Porém, em inúmeras situações esse pensamento não se faz presente e a fluência se instala, surpreendendo o falante, que não sabe como isso aconteceu!
No tópico 6, falaremos mais sobre a instalação da fluência.
Este quarto tópico, que esclarece muito bem como a gagueira do desenvolvimento se manifesta, nos traz uma sorte de comportamentos que as pessoas com gagueira executam sempre na tentativa de falar bem, de não gaguejar, mas isso já é uma manifestação da gagueira, para o sujeito já é a gagueira dele. Algumas pessoas conseguem disfarça tão bem que não apresentam qualquer disfluência articulatória em sua fala, mas os truques, as crenças, as substituições de palavras (entre outros ditos acima) estão presentes em seus discursos e só elas sabem disso. Os outros não as vêem como pessoas com gagueira, mas elas apresentam a "lógica paradoxal" e possuem a "imagem de mau falante". Em virtude disso, de acordo com a literatura, muitos procuram a fonoaudiologia pois estes comportamentos são capazes de gerar grandes preocupações nestas pessoas, que ficam presas à movimentação de suas consciências. Isso comprova que a essência da gagueira é realmente a "lógica paradoxal".
Neste quarto tópico outra coisa me chama a atenção. Foi dito que "o sujeito acredita saber de antemão o que irá acontecer com sua articulação e acredita em algo que não quer que aconteça". A fala é espontânea porque, de modo geral, não sabemos como ela se produz. O indivíduo com gagueira não é exceção. Além disso, tem o agravante que é a forma com a fala se produz. Algo que não faz parte da fala é saber de antecipadamente onde ocorrerá alguma quebra de fluência. Nenhum "falante normal" tem essa previsão, mas as pessoas com gagueira prevêem esta quebra. Sabem que não conseguirão falar bem, apesar de assim não desejarem. Porém, em inúmeras situações esse pensamento não se faz presente e a fluência se instala, surpreendendo o falante, que não sabe como isso aconteceu!
No tópico 6, falaremos mais sobre a instalação da fluência.
02 julho 2007
A Manifestação da Gagueira (parte III)
"3 - Do ponto de vista fenomênico podemos ver que a gagueira é tensão. Essa tensão, porém, não é sua essência, mas seu produto. Sua essência está no padrão do movimento da consciência do sujeito, determinado por conteúdos latentes, como os da "ideologia do bem falar" e do "falante estigmatizado", que mobilizam uma lógica paradoxal articulada à produção da fala. As condições subjetivas funcionam em relação dialética com as condições objetivas de produção da tensão muscular na atividade articulatória. As condições subjetivas, por sua vez, são determinadas por um modelo idealizado de falante que se descola das relações sociais."
Neste terceiro aspecto da manifestação da gagueira, Friedman fala um pouco sobre a tensão gerada nos sujeitos com gagueira. Ela afirma que apesar da tensão ser algo muito visível em indivíduos com gagueira, ela não é a essência deste distúrbio. A tensão é determinada pelo pensamento paradoxal do indivíduo. Eu diria, também, que todas as emoções negativas (nervosimo, ansiedade, medo...) são, essencialmente, consequências. Porém, com a tentativa de falar, causa e consequência se misturam. O padrão comportamentamental de ficar nervoso, por exemplo, foi determinado por inúmeras outras tentativas frustradas de comunicação vividas no passado. Além disso, para que se fique nervoso, com medo é preciso que exista algo com que se fique nervoso, com medo.
O pensamento paradoxal, como já dito na postagem anterior, é tudo que o sujeito faz com a intenção de falar bem, de falar sem gaguejar, de tentar o espontâneo. Porém, é justamente esse "tudo" que o faz gaguejar. Por isso que Sílvia chama de "lógica paradoxal". A intenção é uma, mas o fruto é outro. Ocorre o imprevisto.
Para eliminar a tensão, é preciso quebrar esta lógica. Não existe uma receita de bolo para isso, mas um bom começo é aceitar-se como falante. Aceitar a fala gaguejada. Deixar-se falar do modo que for, sem tentativas, sem antecipações nem planejamentos do que vai ser falado (de como vai sair), sem sofrimentos, sem sentimentos negativos em relação à fala. Desta forma a lógica paradoxal é quebrada.
O que será da gagueira sem a "lógica paradoxal"?
Neste terceiro aspecto da manifestação da gagueira, Friedman fala um pouco sobre a tensão gerada nos sujeitos com gagueira. Ela afirma que apesar da tensão ser algo muito visível em indivíduos com gagueira, ela não é a essência deste distúrbio. A tensão é determinada pelo pensamento paradoxal do indivíduo. Eu diria, também, que todas as emoções negativas (nervosimo, ansiedade, medo...) são, essencialmente, consequências. Porém, com a tentativa de falar, causa e consequência se misturam. O padrão comportamentamental de ficar nervoso, por exemplo, foi determinado por inúmeras outras tentativas frustradas de comunicação vividas no passado. Além disso, para que se fique nervoso, com medo é preciso que exista algo com que se fique nervoso, com medo.
O pensamento paradoxal, como já dito na postagem anterior, é tudo que o sujeito faz com a intenção de falar bem, de falar sem gaguejar, de tentar o espontâneo. Porém, é justamente esse "tudo" que o faz gaguejar. Por isso que Sílvia chama de "lógica paradoxal". A intenção é uma, mas o fruto é outro. Ocorre o imprevisto.
Para eliminar a tensão, é preciso quebrar esta lógica. Não existe uma receita de bolo para isso, mas um bom começo é aceitar-se como falante. Aceitar a fala gaguejada. Deixar-se falar do modo que for, sem tentativas, sem antecipações nem planejamentos do que vai ser falado (de como vai sair), sem sofrimentos, sem sentimentos negativos em relação à fala. Desta forma a lógica paradoxal é quebrada.
O que será da gagueira sem a "lógica paradoxal"?
29 junho 2007
A Manifestação da Gagueira (parte II)
(continuação)


"2 - O estudo da gagueira permite-nos ver que existem relações de mútua determinação entre a manifestação motora (atividade articulatória), os conteúdos psíquicos (movimento cognitivo e afetivo da consciência no qual está contido também o território inconsciente ou latente) e as relações sociais (relações de comunicação perpassadas pela “ideologia do bem falar”). À luz da compreensão das características dessas relações de reciprocidade e múltipla determinação, podemos compreender um pouco melhor a natureza e o desenvolvimento da manifestação da gagueira na qual existe tensão muscular. Nas características dessas relações, ainda, encontraremos os elementos e caminhos norteadores para a sua superação."
Manifestação motora, conteúdos psíquicos e relações sociais, segundo Sílvia Friedman determinam-se mutuamente. Não há como separar esses três aspectos ao se estudar a manifestação da gagueira que apresenta tensão muscular. A manifestação motora é o aspecto visível, é a aparência externa da gagueira do ponto de vista articulatório (repetições, prolongamentos, hestitações, bloqueios, movimentos corporais associados, entre outros). Por não aceitar o padrão articulatório, vivido de forma significativa ao longo do tempo, o sujeito desenvolve, em sua cognição/consciência uma "imagem de mau falante" (que prever o gaguejar e tenta evitar; sabe que irá gaguejar, mas não quer gaguejar; tenta falar bem, enquanto acredita que não o fará. FRIEDMAN, 2002). Esta imagem está intimamente ligada à "ideologia de bem falar". Termo criado por Friedman para representar a regra imposta nas relações sociais, onde todos devem falar perfeitamente bem, não sendo aceitável o padrão articulatório do indivíduo com gagueira, por exemplo. Esta não aceitação pode ser tanto da sociedade quanto do próprio sujeito. O fato de não aceitar o padrão articulatório, leva o indivíduo a tentar o espontâneo (a fala), gerando mais tensão nesta articulação, afastando-a do padrão idealizado. O que reativa a não aceitação e o indivíuo fica sem ter como sair deste círculo vicioso, pois como bem afirma Sílvia "é movido por um desejo impossível de ser alcançado dentro do movimento de consciência que determina sua atividade de fala".
(continua)
27 junho 2007
A Manifestação da Gagueira
A postagem "A Manifestação da Gagueira" será dividida em seis partes. Nela, será explicado, de acordo com a teoria de Sílvia Friedman, como a gagueira se manifesta. Após a explanação teórica da referida autora/fonoaudióloga (textos entre aspas), darei o meu ponto de vista, tentando explicar um pouco mais o que está sendo dito por Friedman. Não estou dizendo que o que ela diz precise ser "traduzido". Creio que seja algo muito interessante de ser lido, pois ajuda a conhecer a gagueira.

Os textos foram retirados de um capítulo do livro "Fonoaudiologia: recriando seus sentidos", organizado por Maria Consuêlo Passos, quem desejar adquiri-lo, basta clicar no título ou na imagem ao lado e realizar a compra, da qual este blog não tem qualquer relação capital.
Para alguma citação bibliográfica, favor buscar as referências corretas.
"1 - Pelo estudo da relação da gagueira com o movimento da consciência, a gagueira é uma manifestação que encerra características bastante peculiares do ponto de vista da subjetividade que a acompanha para que possa ser pensada, simplesmente, como um que era um fenômeno praticamente sem tensão, na infância e que evolui linearmente para quantidades crescentes de tensão, por condições que estariam circunscritas apenas ao organismo do indivíduo que a manifesta;"
Para Friedman, gagueira é muito mais do que tensão. Gagueira envolve identidade, consciência, subjetividade. A movimentação da consciência diz respeito à maneira paradoxal com que os sujeitos que se consideram gagos vivem suas falas. Os discursos dos sujeitos estudados pela auutor evidenciaram um padrão nesta movimentação. "Truques e inúmeros esforços para não gaguejar ou para falar bem, sentimentos negativos em relação ao ato de fala e antecipação do ato de gaguejar" foram encontrados em todos os sujeitos da pesquisa, bem como nos mais de quinze/vinte anos de clínica da referida fonoaudióloga. A partir disso, ela concluiu que os "indivíduos prevêem o gaguejar, tentam de tudo para evitá-lo, sabem que irão gaguejar, tentam falar bem, enquanto acreditam que não o farão." Esta lógica paradoxal, de tentar falar bem e não acreditar nesta capacidade, é onde a gagueira localiza-se. É onde ela se perpetua. É o que gera toda a tensão e quebra o espontâneo da fala. Algo que é espontâneo não pode ser tentado, visto que rompe-se a espontaneidade. Ninguém (com exceção dos bebês), tenta andar. Mas, se for pedido que você ande em cima de uma linha tênue, você terá muitas dificuldades.
Quando na infância, a criança gaguejava praticamente sem tensão. No entanto, com as intervenções negativas dos adultos, as crianças passaram a perceber que havia algo de errado com suas falas, com isso passaram a se preocupar com a falar, a tentar falar do modo idealizado pelos adultos e a se identificarem com alguém que "não consegue falar bem". Alguém que tem que "pensar antes de falar", que tem que "falar mais devagar", que tem que "ficar calmo", que "respirar antes de falar", entre outras intervenções que os indivíduos com gagueira ouvem em sua infância. A criança teve sua identidade formada e a lógica paradoxal tornou-se presente. O tratamento fonoaudiológico deve ser voltado para quebrar esta consciência. Os resultados são altamente satisfatórios.

Os textos foram retirados de um capítulo do livro "Fonoaudiologia: recriando seus sentidos", organizado por Maria Consuêlo Passos, quem desejar adquiri-lo, basta clicar no título ou na imagem ao lado e realizar a compra, da qual este blog não tem qualquer relação capital.
Para alguma citação bibliográfica, favor buscar as referências corretas.
"1 - Pelo estudo da relação da gagueira com o movimento da consciência, a gagueira é uma manifestação que encerra características bastante peculiares do ponto de vista da subjetividade que a acompanha para que possa ser pensada, simplesmente, como um que era um fenômeno praticamente sem tensão, na infância e que evolui linearmente para quantidades crescentes de tensão, por condições que estariam circunscritas apenas ao organismo do indivíduo que a manifesta;"
Para Friedman, gagueira é muito mais do que tensão. Gagueira envolve identidade, consciência, subjetividade. A movimentação da consciência diz respeito à maneira paradoxal com que os sujeitos que se consideram gagos vivem suas falas. Os discursos dos sujeitos estudados pela auutor evidenciaram um padrão nesta movimentação. "Truques e inúmeros esforços para não gaguejar ou para falar bem, sentimentos negativos em relação ao ato de fala e antecipação do ato de gaguejar" foram encontrados em todos os sujeitos da pesquisa, bem como nos mais de quinze/vinte anos de clínica da referida fonoaudióloga. A partir disso, ela concluiu que os "indivíduos prevêem o gaguejar, tentam de tudo para evitá-lo, sabem que irão gaguejar, tentam falar bem, enquanto acreditam que não o farão." Esta lógica paradoxal, de tentar falar bem e não acreditar nesta capacidade, é onde a gagueira localiza-se. É onde ela se perpetua. É o que gera toda a tensão e quebra o espontâneo da fala. Algo que é espontâneo não pode ser tentado, visto que rompe-se a espontaneidade. Ninguém (com exceção dos bebês), tenta andar. Mas, se for pedido que você ande em cima de uma linha tênue, você terá muitas dificuldades.
Quando na infância, a criança gaguejava praticamente sem tensão. No entanto, com as intervenções negativas dos adultos, as crianças passaram a perceber que havia algo de errado com suas falas, com isso passaram a se preocupar com a falar, a tentar falar do modo idealizado pelos adultos e a se identificarem com alguém que "não consegue falar bem". Alguém que tem que "pensar antes de falar", que tem que "falar mais devagar", que tem que "ficar calmo", que "respirar antes de falar", entre outras intervenções que os indivíduos com gagueira ouvem em sua infância. A criança teve sua identidade formada e a lógica paradoxal tornou-se presente. O tratamento fonoaudiológico deve ser voltado para quebrar esta consciência. Os resultados são altamente satisfatórios.
(continua)
02 fevereiro 2007
Nunca Desista! (03-03)
Continuação - Parte 03
Nunca Desista
Peter R. Ramig, Ph.D.
De maneira despropositada, reconheça que você gagueja.
Sabemos que gagos geralmente vêem sua gagueira como embaraçosa e vergonhosa. Como resultado de tais percepções, podemos encobrir nossa gagueira numa “conspiração de silêncio”. Não é de surpreender que nossa família, amigos e colegas de trabalho saibam que nós gaguejamos, e usualmente não estamos certos de manter ou não contato de olhos, desviamos o olhar, ou substituímos as palavras, etc. Tal incerteza pode criar dificuldade e desconforto em nossos ouvintes como em nós mesmos.
Porém, muita da dificuldade e incerteza experimentada por ambos pode ser significantemente reduzida pelo reconhecimento de maneira aberta e despropositada que nós gaguejamos. Por exemplo, diga algo simples como, “A propósito, eu vou usar esta oportunidade para praticar algumas técnicas de fala que eu tenho exercitado ultimamente. Esta não é uma tarefa fácil, mas eu sei que você irá entender porque é importante para mim usar esta oportunidade para praticar enquanto conversamos.”
Este exemplo de observação dá aos nossos ouvintes uma oportunidade de perguntar sobre a gagueira, um problema de comunicação que muitos acham intrigante. Se nós escolhermos, também teremos uma oportunidade de falar sobre isso e “permissão” para praticar abertamente alguns dos passos esboçados neste capitulo e durante este livro. O desaprisionamento é uma estratégia proativa que nos permite a oportunidade de abordar nossa gagueira de maneira despropositada e indiferente. Fazer isto aumente nosso nível de conforto porque nós começamos a ver nosso problema por uma perspectiva positiva. Esta nova percepção, por fim, facilita a mudança da visão da gagueira como “vergonhosamente proibida de mencionar”.
Confronte a gagueira ao inserir ocasionalmente “pseudogagueiras” em sua fala fluente.
Muitos gagos contraem-se na primeira sugestão de que às vezes eles deveriam propositalmente inserir um som prolongado e repetido enquanto falam. Paradoxicalmente, a inserção voluntária de uma gagueira suave, fácil, pode auxiliar sua missão de diminuir seus medos e apreensões de gaguejar. Apesar de você escutar a si mesmo fazendo isto, os ouvintes estão menos atentos ao que você está fazendo, porque suas disfluências voluntárias são pequenas e produzidas sem nenhuma tensão excessiva. Aqueles que estão recuperando-se da gagueira geralmente citam esta tarefa como a que mais os ajudou a manter seu desenvolvimento durante seu processo de recuperação.
Nunca desista
Controlar a gagueira requer persistência e determinação. Porém, na verdade, nosso processo de recuperação demanda menos esforço, luta, e embaraço do que a experiência emocional negativa de quando vivemos uma vida focada em esconder, conciliar e lutar contra a gagueira. Esconder e lutar requer uma imensa quantidade de vigilância, e isto apenas tende a alimentar o ciclo destrutivo da gagueira. Nós conhecemos muitas pessoas que gaguejam, clientes com quem nós trabalhamos pessoalmente, colegas e profissionais com quem aprendemos, que tiveram ganhos substanciais em livrarem-se do obstáculo contencioso da gagueira. Muitos se tornaram tão fluentes que a maioria das pessoas não percebe que eles ainda gaguejam algumas vezes.
Este foi nosso sonho. Este foi o sonho deles. Este pode ser realisticamente o seu sonho.
Extraído do capítulo “Never Give Up” no livro “Advice to those who stutter”(Conselho para aqueles que gaguejam) do Dr. Ramig, publicado pela "Stuttering Foundation of America".
Tradução de Rafael Veloso.
Peter R. Ramig, Ph.D.
De maneira despropositada, reconheça que você gagueja.
Sabemos que gagos geralmente vêem sua gagueira como embaraçosa e vergonhosa. Como resultado de tais percepções, podemos encobrir nossa gagueira numa “conspiração de silêncio”. Não é de surpreender que nossa família, amigos e colegas de trabalho saibam que nós gaguejamos, e usualmente não estamos certos de manter ou não contato de olhos, desviamos o olhar, ou substituímos as palavras, etc. Tal incerteza pode criar dificuldade e desconforto em nossos ouvintes como em nós mesmos.
Porém, muita da dificuldade e incerteza experimentada por ambos pode ser significantemente reduzida pelo reconhecimento de maneira aberta e despropositada que nós gaguejamos. Por exemplo, diga algo simples como, “A propósito, eu vou usar esta oportunidade para praticar algumas técnicas de fala que eu tenho exercitado ultimamente. Esta não é uma tarefa fácil, mas eu sei que você irá entender porque é importante para mim usar esta oportunidade para praticar enquanto conversamos.”
Este exemplo de observação dá aos nossos ouvintes uma oportunidade de perguntar sobre a gagueira, um problema de comunicação que muitos acham intrigante. Se nós escolhermos, também teremos uma oportunidade de falar sobre isso e “permissão” para praticar abertamente alguns dos passos esboçados neste capitulo e durante este livro. O desaprisionamento é uma estratégia proativa que nos permite a oportunidade de abordar nossa gagueira de maneira despropositada e indiferente. Fazer isto aumente nosso nível de conforto porque nós começamos a ver nosso problema por uma perspectiva positiva. Esta nova percepção, por fim, facilita a mudança da visão da gagueira como “vergonhosamente proibida de mencionar”.
Confronte a gagueira ao inserir ocasionalmente “pseudogagueiras” em sua fala fluente.
Muitos gagos contraem-se na primeira sugestão de que às vezes eles deveriam propositalmente inserir um som prolongado e repetido enquanto falam. Paradoxicalmente, a inserção voluntária de uma gagueira suave, fácil, pode auxiliar sua missão de diminuir seus medos e apreensões de gaguejar. Apesar de você escutar a si mesmo fazendo isto, os ouvintes estão menos atentos ao que você está fazendo, porque suas disfluências voluntárias são pequenas e produzidas sem nenhuma tensão excessiva. Aqueles que estão recuperando-se da gagueira geralmente citam esta tarefa como a que mais os ajudou a manter seu desenvolvimento durante seu processo de recuperação.
Nunca desista
Controlar a gagueira requer persistência e determinação. Porém, na verdade, nosso processo de recuperação demanda menos esforço, luta, e embaraço do que a experiência emocional negativa de quando vivemos uma vida focada em esconder, conciliar e lutar contra a gagueira. Esconder e lutar requer uma imensa quantidade de vigilância, e isto apenas tende a alimentar o ciclo destrutivo da gagueira. Nós conhecemos muitas pessoas que gaguejam, clientes com quem nós trabalhamos pessoalmente, colegas e profissionais com quem aprendemos, que tiveram ganhos substanciais em livrarem-se do obstáculo contencioso da gagueira. Muitos se tornaram tão fluentes que a maioria das pessoas não percebe que eles ainda gaguejam algumas vezes.
Este foi nosso sonho. Este foi o sonho deles. Este pode ser realisticamente o seu sonho.
Final
_________________________________Extraído do capítulo “Never Give Up” no livro “Advice to those who stutter”(Conselho para aqueles que gaguejam) do Dr. Ramig, publicado pela "Stuttering Foundation of America".
Tradução de Rafael Veloso.
31 janeiro 2007
Nunca Desista! (02-03)
Continuação - Parte 02
Não recue ao gaguejar, ao invés, siga em frente.
Uma vez que nós entendamos a importância de eliminar muito do empurrar e forçar em nossa língua, lábios e cordas vocais, nós podemos começar a gaguejar mais audivelmente e com menos esforços, ao “segurar” no momento de gaguejar enquanto seguimos em frente para o próximo som.
Quando nós trabalhamos em gaguejar audivelmente, nós estamos mais hábeis para mudar e continuar nossa respiração e vocalização: dois dos ingrediente primários necessários para a produção da fala normal. Em contraste, devido ao embaraço e frustração ocasionalmente associados com a gagueira, muitas pessoas que gaguejam aprendem a bloquear silenciosamente na língua, lábios, ou cordas vocais, e/ou recuar repetitivamente de seus bloqueios e outros momentos disfluentes.
A tentativa de falar desta maneira interrompe tanto o fluxo de ar e a necessária vocalização criada pela vibração das cordas vocais. Este processo comum de tentar conciliar e minimizar a gagueira audível na verdade complica a fala e com o tempo, geralmente aumenta a visibilidade e severidade da gagueira.
Manter o ar e a voz “ligados” quando gaguejamos requer tempo e prática no início, porque nós estamos forçando-nos a confrontar algo que parece e soa desagradável e anormal. Ainda assim, este é um passo necessário no processo de aprender a gaguejar seguindo em frente.
Preste atenção em sentir “Como” e “Quando” seus lábios, língua e cordas vocais fazem sons específicos.
Uma vez que nós tenhamos aprendido como o mecanismo físico da fala funciona, e tivermos trabalhado em diminuir nossos comportamentos de recuo, nós podemos começar a concentrar em como é que fazemos sons e palavras enquanto falamos. A vasta maioria das pessoas dão deixas no som de suas falas enquanto conversam. Há evidências científicas de que “deixas” audíveis podem ser uma presente causa de gagueira. Em contraste, muitos de nós encorajam pessoas que gaguejam a focalizarem mais no “sentir” de falar do que em escutar sua fala.
Abra sua boca quando conversar.
Para neutralizar a tendência de reprimir a abertura da boca enquanto você fala, pratique deliberadamente abrir a boca enquanto você repete a seqüência esboçada acima. A tendência para pessoas que gaguejam de “trincar” ou reduzir a abertura da boca é um problema que acho necessário abordar ao trabalhar com muitas crianças e adultos. Esta “tendência de trincamento” é na verdade a abertura da boca reduzida que nós aprendemos durante o tempo como resultado de nossa dificuldade de antecipar sons e palavras. Esta mudança física na abertura da boca (trincamento) parece resultar do processo de “segurar” a gagueira.
Nunca Desista
Peter R. Ramig, Ph.D.
Peter R. Ramig, Ph.D.
Não recue ao gaguejar, ao invés, siga em frente.
Uma vez que nós entendamos a importância de eliminar muito do empurrar e forçar em nossa língua, lábios e cordas vocais, nós podemos começar a gaguejar mais audivelmente e com menos esforços, ao “segurar” no momento de gaguejar enquanto seguimos em frente para o próximo som.
Quando nós trabalhamos em gaguejar audivelmente, nós estamos mais hábeis para mudar e continuar nossa respiração e vocalização: dois dos ingrediente primários necessários para a produção da fala normal. Em contraste, devido ao embaraço e frustração ocasionalmente associados com a gagueira, muitas pessoas que gaguejam aprendem a bloquear silenciosamente na língua, lábios, ou cordas vocais, e/ou recuar repetitivamente de seus bloqueios e outros momentos disfluentes.
A tentativa de falar desta maneira interrompe tanto o fluxo de ar e a necessária vocalização criada pela vibração das cordas vocais. Este processo comum de tentar conciliar e minimizar a gagueira audível na verdade complica a fala e com o tempo, geralmente aumenta a visibilidade e severidade da gagueira.
Manter o ar e a voz “ligados” quando gaguejamos requer tempo e prática no início, porque nós estamos forçando-nos a confrontar algo que parece e soa desagradável e anormal. Ainda assim, este é um passo necessário no processo de aprender a gaguejar seguindo em frente.
Preste atenção em sentir “Como” e “Quando” seus lábios, língua e cordas vocais fazem sons específicos.
Uma vez que nós tenhamos aprendido como o mecanismo físico da fala funciona, e tivermos trabalhado em diminuir nossos comportamentos de recuo, nós podemos começar a concentrar em como é que fazemos sons e palavras enquanto falamos. A vasta maioria das pessoas dão deixas no som de suas falas enquanto conversam. Há evidências científicas de que “deixas” audíveis podem ser uma presente causa de gagueira. Em contraste, muitos de nós encorajam pessoas que gaguejam a focalizarem mais no “sentir” de falar do que em escutar sua fala.
Abra sua boca quando conversar.
Para neutralizar a tendência de reprimir a abertura da boca enquanto você fala, pratique deliberadamente abrir a boca enquanto você repete a seqüência esboçada acima. A tendência para pessoas que gaguejam de “trincar” ou reduzir a abertura da boca é um problema que acho necessário abordar ao trabalhar com muitas crianças e adultos. Esta “tendência de trincamento” é na verdade a abertura da boca reduzida que nós aprendemos durante o tempo como resultado de nossa dificuldade de antecipar sons e palavras. Esta mudança física na abertura da boca (trincamento) parece resultar do processo de “segurar” a gagueira.
Continua...
29 janeiro 2007
Nunca Desista! (01-03)
Amigos,
A postagem de hoje não é de minha autoria. Estou apenas publicando aqui o texto "Nunca Desista", traduzido e colocado no Orkut, em diversas comunidades sobre gagueira, entre elas "Gagueira Não Tem Graça, Tem Tratamento", pelo amigo Rafael Veloso. Ele ressalva que quem desejar conferir o orginal na íntegra, basta acessar "Never Give Up", pois o inglês dele "não é 100% confiável." O texto é de autoria de Peter R. Ramig.
Eu não concordo com algumas coisas que são ditas no texto. Porém, a essência dele, em querer ajudar pessoas com gagueira, deve ser valorizada. Por isso está aqui. Talvez, se houver comentários que levem a um debate, ao completar o texto, eu faça algumas considerações.
Para facilitar mais a leitura de vocês, dividirei o texto em 03 partes.
Parte 01:
O primeiro passo no processo de recuperação é encarar o fato de que é improvável que nossa gagueira vá desaparecer magicamente por ela própria. Nós devemos aceitar o fato de que serão necessários perseverança e determinação para mudar a maneira que nós temos gaguejado durante anos. Embora isto possa soar difícil ou impossível, o trabalho construtivo de mudar a gagueira geralmente requer menos esforço e frustração do que continuar a temê-la. Nós gastamos grande quantidade de energia em tentativas de tentar escondê-la, e/ou empurrar ou fazer força para falar. E isto aumenta o sentimento de desamparo no despertar de sua presença.
Como nós estamos convencidos de que a gagueira pode ser mudada com determinação e esforço auto-iniciado, eu quero resumidamente esboçar alguns fatores adicionais que podemos usar em nossos esforços para enfraquecer e até eliminar completamente a gagueira.
Entendendo o processo físico da fala.
Produzir a fala é um processo altamente complexo. Entretanto, prestar atenção em como nós usamos fisicamente nossa língua, lábios, e cordas vocais enquanto nós produzimos sons, pode nos ajudar a entender como regularmente criamos mais gagueira. Nós fazemos isso ao tencionar e forçar estas estruturas enquanto tentamos lidar com os momentos desagradáveis do gaguejar. Evidentemente estas estruturas de fala consistem em músculos que precisam ser tensionados em um nível normal para produzir fala fluente.
Porém, em contraste, pessoas que gaguejam regularmente tencionam estes músculos excessivamente, bloqueiam, e depois fazem força para empurrar e “quebrar” o bloqueio em suas urgências de livrarem-se do sentimento de aprisionamento. Este padrão desenvolve-se durante o tempo, como reação ao pouco entendimento da causa central da gagueira, à qual alguns de nós se referem como “gatilho da gagueira” [stuttering trigger]. Em essência, o gatilho da gagueira é a presente causa da gagueira. Ele pode ser associado à predisposição inata de ser disfluente, que é encontrada na pequena porcentagem da população que gagueja. Mas isso não significa que não possa ser controlado.
Uma vez que nós comecemos a prestar atenção em nossas estruturas de fala, poderemos entender melhor como interferimos em seu funcionamento regular durante o gaguejar. Enquanto nós melhor desenvolvermos e refinarmos estas habilidades de monitoramento, não apenas produziremos formas mais fáceis de gagueira, mas nos tornaremos mais fluentes e menos condicionados a “puxarmos o gatilho da gagueira”.
A postagem de hoje não é de minha autoria. Estou apenas publicando aqui o texto "Nunca Desista", traduzido e colocado no Orkut, em diversas comunidades sobre gagueira, entre elas "Gagueira Não Tem Graça, Tem Tratamento", pelo amigo Rafael Veloso. Ele ressalva que quem desejar conferir o orginal na íntegra, basta acessar "Never Give Up", pois o inglês dele "não é 100% confiável." O texto é de autoria de Peter R. Ramig.
Eu não concordo com algumas coisas que são ditas no texto. Porém, a essência dele, em querer ajudar pessoas com gagueira, deve ser valorizada. Por isso está aqui. Talvez, se houver comentários que levem a um debate, ao completar o texto, eu faça algumas considerações.
Para facilitar mais a leitura de vocês, dividirei o texto em 03 partes.
Parte 01:
Nunca Desista!
Peter R. Ramig, Ph.D.
O processo da recuperação auto-iniciada.
Peter R. Ramig, Ph.D.
O processo da recuperação auto-iniciada.
O primeiro passo no processo de recuperação é encarar o fato de que é improvável que nossa gagueira vá desaparecer magicamente por ela própria. Nós devemos aceitar o fato de que serão necessários perseverança e determinação para mudar a maneira que nós temos gaguejado durante anos. Embora isto possa soar difícil ou impossível, o trabalho construtivo de mudar a gagueira geralmente requer menos esforço e frustração do que continuar a temê-la. Nós gastamos grande quantidade de energia em tentativas de tentar escondê-la, e/ou empurrar ou fazer força para falar. E isto aumenta o sentimento de desamparo no despertar de sua presença.
Como nós estamos convencidos de que a gagueira pode ser mudada com determinação e esforço auto-iniciado, eu quero resumidamente esboçar alguns fatores adicionais que podemos usar em nossos esforços para enfraquecer e até eliminar completamente a gagueira.
Entendendo o processo físico da fala.
Produzir a fala é um processo altamente complexo. Entretanto, prestar atenção em como nós usamos fisicamente nossa língua, lábios, e cordas vocais enquanto nós produzimos sons, pode nos ajudar a entender como regularmente criamos mais gagueira. Nós fazemos isso ao tencionar e forçar estas estruturas enquanto tentamos lidar com os momentos desagradáveis do gaguejar. Evidentemente estas estruturas de fala consistem em músculos que precisam ser tensionados em um nível normal para produzir fala fluente.
Porém, em contraste, pessoas que gaguejam regularmente tencionam estes músculos excessivamente, bloqueiam, e depois fazem força para empurrar e “quebrar” o bloqueio em suas urgências de livrarem-se do sentimento de aprisionamento. Este padrão desenvolve-se durante o tempo, como reação ao pouco entendimento da causa central da gagueira, à qual alguns de nós se referem como “gatilho da gagueira” [stuttering trigger]. Em essência, o gatilho da gagueira é a presente causa da gagueira. Ele pode ser associado à predisposição inata de ser disfluente, que é encontrada na pequena porcentagem da população que gagueja. Mas isso não significa que não possa ser controlado.
Uma vez que nós comecemos a prestar atenção em nossas estruturas de fala, poderemos entender melhor como interferimos em seu funcionamento regular durante o gaguejar. Enquanto nós melhor desenvolvermos e refinarmos estas habilidades de monitoramento, não apenas produziremos formas mais fáceis de gagueira, mas nos tornaremos mais fluentes e menos condicionados a “puxarmos o gatilho da gagueira”.
Continua...
19 setembro 2006
Ih! Nosso filho está gaguejando
A postagem de hoje é voltada para uma colega da Faculdade de Turismo (minha primeira formação). Encontramo-nos em um shopping da cidade e tivemos uma conversa bem interessante sobre seu filho que está apresentando gagueira há aproximadamente um ano e está há três meses com uma fonoaudióloga. Por esta razão disponibilizo um trecho de um texto de Sílvia Friedman.
Para ler o texto na íntegra, beba a água na fonte. Indico também, para pais que procuram orientações sobre como reagir diante de um filho com gagueira, o texto "Gagueira infantil: Como e Quando Ajudar", de Daniela Verônica, Presidente da ABRA GAGUEIRA. (Boa sorte, Fê e Leo!)
Ih! Nosso filho está gaguejando
Quantas vezes esta frase é repetida na vida de muitas famílias desde tempos muito antigos. Mas, afinal, o que significa estar gaguejando? Porque as crianças gaguejam, às vezes, já com dois anos de idade? Este é o objetivo deste artigo, ou seja, esclarecer aos pais o que é gaguejar. É perigoso? É contagioso? É hereditário? O que fazer diante da gagueira? Foi depois que ele levou um susto, explicam alguns pais.Dá um susto nele que isso passa, aconselham outros. Qual a verdade contida nisso tudo? Para entender o comportamento de gaguejar precisamos falar um pouquinho de EMOÇÃO.
Vocês já repararam que quando mostramos nossas emoções, nossos músculos se mexem. Os músculos do rosto se colocam numa posição quando sentimos alegria, noutra quando sentimos tristeza, e noutra ainda para braveza e assim por diante. Além disso, quando sentimos emoções, a respiração também muda, fica lenta, rápida, apertada, conforme a emoção. Muda também a batida cardíaca, suamos, trememos, enfim, várias mudanças no corpo acompanham as emoções. Vamos agora analisar um pouquinho a fala. Para falar, é preciso usar o ar dos nossos pulmões, pondo-o para fora. Fale um pouco e sinta se é verdade. Para falar é preciso também mexer vários músculos: os dos lábios, língua, céu da boca e pescoço. Agora a conclusão fica fácil. Se as emoções influem no movimento dos nossos músculos, na nossa forma de respirar e se a fala depende de movimentos de músculos e da respiração, é claro que conforme a emoção que sentimos, nossa fala pode se alterar.
Para ler o texto na íntegra, beba a água na fonte. Indico também, para pais que procuram orientações sobre como reagir diante de um filho com gagueira, o texto "Gagueira infantil: Como e Quando Ajudar", de Daniela Verônica, Presidente da ABRA GAGUEIRA. (Boa sorte, Fê e Leo!)
15 agosto 2006
Falar ou não falar? Eis a questão
"O Sujeito que apresenta gagueira relaiona-se com uma sociedade que, por conceitos culturalmente adquiridos, rejeita essa produção linguística e o marginaliza, estigmatizando-o ou negando a sua linguagem. Sheehan (1975) se refere a um conflito de aproximação e evitação, que se materializa no desejo de falar e não falar, complementado por Friedman (1986) como falar e falhar, ou não falar, referindo-se à dúvida pela qual passa o indivíduo, sempre que há a possibilidade de utilizar a linguagem. Dessa forma, há, por parte do sujeito gago, um evidente conflito em todas as situações de discurso: falar (e preocupar-se com a forma do discurso, expondo-se à falha) ou não falar (e assumir a posterior frustração pelo insucesso)". Azevedo (2000)
Fonte: AZEVEDO, Nadia Pereira Gonçalves. Gagueira: a estrutura da língua desestruturando o discurso. Revista SymposiuM, Ano 4 - Número especial, novembro, 2000.
Baixe o arquivo e leia-o na íntegra: Revista SymposiuM
Fonte: AZEVEDO, Nadia Pereira Gonçalves. Gagueira: a estrutura da língua desestruturando o discurso. Revista SymposiuM, Ano 4 - Número especial, novembro, 2000.
Baixe o arquivo e leia-o na íntegra: Revista SymposiuM
O artigo em questão é muito interessante. A autora é uma das fonoaudiólogas de maior expressão quando o assunto é gagueira. A sua reflexão poderá trilhar algum caminho para aquele que busca explicações e orientações em relação à gagueira. O conflito que a passagem acima menciona é bastante comum no indivíduo que gagueja. Não se sabe qual é o mais frustrante. Falar ou calar-se. A briga interna que o sujeito vive, muito possivelmente teve origem na infância, nos primeiros sinais de desarmonia verbal. Em tais momentos os adultos começaram a introjetar na criança pensamentos paradoxais em relação à fala. Fale direito! Respire e fale lentamente! Foram algumas orientações que recebemos em nossas infâncias. Crescemos com este paradoxo. As orientações tinha a mais pura intenção de nos ajudar. Porém, quanto mais éramos repreendidos, menos conseguíamos "falar direito". Nossa imagem de sujeito mal falante nos acompanhou, confundindo-nos, fazendo com que antecipemos momentos de discurso. A antecipação é quase sempre negativa. Não vou conseguir! Vou gaguejar! Palavra "tal" eu não consigo articular! O resultado também é quase sempre negativo. É preciso romper este processo. O cérebro está acostumado a pensar desta forma. Ele tem que conhecer um novo pensar, um novo olhar sobre a situação. Pensamentos positivos! No Grupo de Auto-Ajuda que mantenho aqui em Natal, no mais recente encontro eu levei um texto que fala sobre a "Técnica da Visualização". Quem desejar já pode ir pesquisando na internet. Mas na próxima postagem falarei sobre ela.
07 agosto 2006
Pesquise!
A postagem de hoje é uma indicação de alguns trabalhos sobre gagueira que encontrei no "Google Acadêmico", a partir da palavra "gagueira". Exceção feita para o primeiro que foi encontrado no Google normal.
1º) Gagueira Severa em Adultos - de Hélio Beraldo. Trabalho muito interessante. Faz um apanhado de diferentes teorias que abordam a gagueira. É um excelente trabalho para quem deseja conhecer um pouco mais sobre este assunto.
2º) Proposta de Análise de Performance e de Evolução em Crianças com Gagueira Desenvolvimental - de Cláudia Regina Furquim de Andrade e Fabíola Juste. Apresenta uma linguagem mais técnica. É mais indicado para quem é da área.
3º) Fluir ou disfluir: eis a questão! Uma discussão sobre a gagueira e a psicanálise - de Roberta Ecleide de Oliveira Gomes-Kelly. Tendo em vista Freud ter tratado a Baronesa Fanny Moser, a autora tenta relacionar a gagueira e a psicanálise. O trabalho apresenta algumas curiosidades sobre o assunto. Pessoalmente, não me traz grandes ensinamentos. O final é decepcionante.
4º) Aspectos Vocais na Gagueira - de Olga Maria de Freitas Lippi. Faz um levantamento de autores que já abordaram o assunto e suas teorias, bem como os sintomas da gagueira e estímulos que diminuem o surgimento desta patologia.
5º) O Papel do Professor na Formação da Imagem de Falante do Aluno - de Daniela Leite Gomes. Trabalho bem interessante, principalmente para pais e mestres de crianças com gagueira. Estes muitas vezes tentam ajudar, mas ajudam de maneira equivocada. Provocando na criança a tentativa de controlar o espontâneo, a partir da ideologia de bem falar que os pais e mestres possuem.
Tais trabalhos não refletem necessariamente a opinião deste blog. É somente um facilitador para aqueles que querem conhecer mais sobre este universo. Boa leitura!
1º) Gagueira Severa em Adultos - de Hélio Beraldo. Trabalho muito interessante. Faz um apanhado de diferentes teorias que abordam a gagueira. É um excelente trabalho para quem deseja conhecer um pouco mais sobre este assunto. 2º) Proposta de Análise de Performance e de Evolução em Crianças com Gagueira Desenvolvimental - de Cláudia Regina Furquim de Andrade e Fabíola Juste. Apresenta uma linguagem mais técnica. É mais indicado para quem é da área.
3º) Fluir ou disfluir: eis a questão! Uma discussão sobre a gagueira e a psicanálise - de Roberta Ecleide de Oliveira Gomes-Kelly. Tendo em vista Freud ter tratado a Baronesa Fanny Moser, a autora tenta relacionar a gagueira e a psicanálise. O trabalho apresenta algumas curiosidades sobre o assunto. Pessoalmente, não me traz grandes ensinamentos. O final é decepcionante.
4º) Aspectos Vocais na Gagueira - de Olga Maria de Freitas Lippi. Faz um levantamento de autores que já abordaram o assunto e suas teorias, bem como os sintomas da gagueira e estímulos que diminuem o surgimento desta patologia.
5º) O Papel do Professor na Formação da Imagem de Falante do Aluno - de Daniela Leite Gomes. Trabalho bem interessante, principalmente para pais e mestres de crianças com gagueira. Estes muitas vezes tentam ajudar, mas ajudam de maneira equivocada. Provocando na criança a tentativa de controlar o espontâneo, a partir da ideologia de bem falar que os pais e mestres possuem.
Tais trabalhos não refletem necessariamente a opinião deste blog. É somente um facilitador para aqueles que querem conhecer mais sobre este universo. Boa leitura!
14 março 2006
Tá na Enciclopédia Livre
Direto da Wikipedia, A enciclopédia livre:
Disfemia
A disfemia, conhecida popularmente como gagueira, é um distúrbio da linguagem em que o indivíduo repete sílabas ou faz longas pausas ao pronunciar palavras. Também usam-se os termos disfemismo ou disfluência; além de gago o indivíduo que apresenta disfemia recebe o nome de tartamudo, balbo (de balbuciar) ou tardíloquo.
Cerca de 75% das crianças entre dois e quatro anos de idade apresenta episódios de disfemia, sendo geralmente episódios transitórios que duram poucos meses, ocorrendo em conseqüência de uma combinação de vários fatores durante o desenvolvimento da fala. Um destes fatores é a presença de um raciocino mental muito mais veloz do que a capacidade de articular palavras e organizar frases nesta idade.
O rápido fluxo de pensamentos, geralmente associado à ansiedade para contar rapidamente algo importante ou que impressionou muito, também contribui para que a criança apresente alguma dificuldade para produzir um ritmo regular e suave em sua fala. Esta disfluência pode aumentar quando a criança está ansiosa, cansada ou doente e quando está tentando dominar muitas palavras novas.
Normalmente, este distúrbio é transitório, apenas uma minoria das crianças que apresentam disfemia em tenra idade, cerca de 1% ou 2%, necessitará de tratamento especializado. Estes poucos casos que persistem por mais tempo do que o habitual podem estar associados a uma história familiar de gagueira, sugerindo uma predisposição hereditária. Uma característica que pode estar relacionada com a tendência da gagueira tornar-se um problema persistente é a percepção pela criança da dificuldade para articular as palavras, gerando sinais de ansiedade como fazer caretas, ou bater o pé. Nestes casos, onde a criança tem consciência do problema e percebe que sua fala está sendo julgada como fora do padrão normal, ela pode ter sua auto-estima prejudicada.
A disfemia que persiste após os cinco anos de idade ou está associada a outros distúrbios da linguagem necessita de avaliação e tratamento.
Disfemia
A disfemia, conhecida popularmente como gagueira, é um distúrbio da linguagem em que o indivíduo repete sílabas ou faz longas pausas ao pronunciar palavras. Também usam-se os termos disfemismo ou disfluência; além de gago o indivíduo que apresenta disfemia recebe o nome de tartamudo, balbo (de balbuciar) ou tardíloquo.
Cerca de 75% das crianças entre dois e quatro anos de idade apresenta episódios de disfemia, sendo geralmente episódios transitórios que duram poucos meses, ocorrendo em conseqüência de uma combinação de vários fatores durante o desenvolvimento da fala. Um destes fatores é a presença de um raciocino mental muito mais veloz do que a capacidade de articular palavras e organizar frases nesta idade.
O rápido fluxo de pensamentos, geralmente associado à ansiedade para contar rapidamente algo importante ou que impressionou muito, também contribui para que a criança apresente alguma dificuldade para produzir um ritmo regular e suave em sua fala. Esta disfluência pode aumentar quando a criança está ansiosa, cansada ou doente e quando está tentando dominar muitas palavras novas.
Normalmente, este distúrbio é transitório, apenas uma minoria das crianças que apresentam disfemia em tenra idade, cerca de 1% ou 2%, necessitará de tratamento especializado. Estes poucos casos que persistem por mais tempo do que o habitual podem estar associados a uma história familiar de gagueira, sugerindo uma predisposição hereditária. Uma característica que pode estar relacionada com a tendência da gagueira tornar-se um problema persistente é a percepção pela criança da dificuldade para articular as palavras, gerando sinais de ansiedade como fazer caretas, ou bater o pé. Nestes casos, onde a criança tem consciência do problema e percebe que sua fala está sendo julgada como fora do padrão normal, ela pode ter sua auto-estima prejudicada.
A disfemia que persiste após os cinco anos de idade ou está associada a outros distúrbios da linguagem necessita de avaliação e tratamento.
08 agosto 2005
Penso que vou gaguejar e gaguejo
O texto abaixo é de autoria da Fonoaudióloga Mariângela Zulian, participante do "Grupo Gagueira", pela qual passei a ter apreço devido às suas colocações nas discussões do grupo.
..............................................
A gagueira é um comportamento que a pessoa desenvolve durante o período de aquisição da linguagem, mais especificamente a linguagem verbal, o que ocorre numa fase muito importante da apropriação da realidade, da tomada de consciência do seu mundo e de si mesma. Ao mesmo tempo em que está desenvolvendo a linguagem e outras capacidades a criança está se apropriando da ideologia e dos valores do seu grupo, vivendo em uma relação carregada de emoção.
Um indivíduo se torna um gago pelas relações de comunicação que tem com os seus outros significativos que vivem e impõem a ele a ideologia do bem falar, colocando-o numa situação paradoxal, pois lhe solicitam que fale direito e para isso ele se esforça, o que torna a sua fala tensa e difícil.
A fala sendo um automatismo contém elementos que estão alienados da consciência, ou seja, quando falamos, pensamos em “o que falar” e não nos movimentos articulatórios ou no “como falar”. Estes estão alienados da nossa consciência.
Gaguejar é normal ao ser humano, mas em determinadas pessoas se torna patológico devido ao valor que se dá à fala totalmente fluente, dentro da visão de mundo dos seus grupos e que elas assumem como sendo a sua própria.
Quando está aprendendo a falar, a criança vive a possibilidade de erros, hesitações e repetições que são componentes da própria fala em função da aptidão de cada um e das situações de emoção que envolvem o ato de falar.
Se isso não é compreendido e aceito pelas pessoas responsáveis por ela, ela é solicitada a falar direito. Não tendo condições de operacionalizar essa mensagem, pela falta de consciência dos movimentos articulatórios, desenvolve um padrão de fala inadequado.
Encontra-se diante de duas alternativas: “parar de falar” ou “se esforçar para falar bem“. A primeira é inviável, portanto parte para a segunda. Neste processo vai tomando consciência de si como mau falante, acreditando na sua incapacidade articulatória, idéia que se reforça sempre, pois, quanto mais se esforça, mais conselhos ouve sobre o seu modo de falar : “calma“ , “fale devagar”.
Com a freqüência destas situações vive momentos de frustração e ansiedade para conseguir ter o desempenho que lhe é cobrado. Com isso, desenvolve a fala num padrão de tensão, que se incorpora e começa a acontecer antes mesmo de começar a falar.
Falar se torna uma situação difícil, para a qual a pessoa tem que se preparar. Antecipando a sua falha, o que significa duvidar do seu potencial para falar, aumenta o seu esforço para vencer a sua dificuldade.
Portanto, o gago tenta solucionar o seu problema partindo de uma premissa falsa, que é a sua irreal incapacidade de falar bem. Esse plano de fundo na sua mente interrompe a sua fala espontânea.
Pensa constantemente que vai gaguejar e, portanto, gagueja, porque coloca o elemento tensão em movimentos que são naturalmente soltos.
Sua mente trabalha para não gaguejar e a emoção negativa o leva de encontro ao se esforçar para falar bem, e, então, gaguejar.
Dessa forma, o gago só se verá livre disso quando mudar o seu pensamento; quando sensibilizar-se para mudar a sua falsa premissa, vivenciando a sua possibilidade de soltura.
Mudando o seu ponto de vista a respeito de sua fala, não se envolverá mais com valores antigos e se desvinculará da força.
Quando se perceber como um falante normal, que tem lutado contra uma idéia falsa, pois é capaz de falar bem, então, estará experimentando a sua verdadeira possibilidade de estar no mundo como falante.
Saindo do paradoxo de tentar falar bem fazendo esforço, o gago percebe como ele próprio produz o seu comportamento e começa a viver com uma nova perspectiva que é a de poder falar isento de emoções negativas e viver a sua fala espontânea que também comporta a gagueira, mas sem tensões.
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A gagueira é um comportamento que a pessoa desenvolve durante o período de aquisição da linguagem, mais especificamente a linguagem verbal, o que ocorre numa fase muito importante da apropriação da realidade, da tomada de consciência do seu mundo e de si mesma. Ao mesmo tempo em que está desenvolvendo a linguagem e outras capacidades a criança está se apropriando da ideologia e dos valores do seu grupo, vivendo em uma relação carregada de emoção.Um indivíduo se torna um gago pelas relações de comunicação que tem com os seus outros significativos que vivem e impõem a ele a ideologia do bem falar, colocando-o numa situação paradoxal, pois lhe solicitam que fale direito e para isso ele se esforça, o que torna a sua fala tensa e difícil.
A fala sendo um automatismo contém elementos que estão alienados da consciência, ou seja, quando falamos, pensamos em “o que falar” e não nos movimentos articulatórios ou no “como falar”. Estes estão alienados da nossa consciência.
Gaguejar é normal ao ser humano, mas em determinadas pessoas se torna patológico devido ao valor que se dá à fala totalmente fluente, dentro da visão de mundo dos seus grupos e que elas assumem como sendo a sua própria.
Quando está aprendendo a falar, a criança vive a possibilidade de erros, hesitações e repetições que são componentes da própria fala em função da aptidão de cada um e das situações de emoção que envolvem o ato de falar.
Se isso não é compreendido e aceito pelas pessoas responsáveis por ela, ela é solicitada a falar direito. Não tendo condições de operacionalizar essa mensagem, pela falta de consciência dos movimentos articulatórios, desenvolve um padrão de fala inadequado.
Encontra-se diante de duas alternativas: “parar de falar” ou “se esforçar para falar bem“. A primeira é inviável, portanto parte para a segunda. Neste processo vai tomando consciência de si como mau falante, acreditando na sua incapacidade articulatória, idéia que se reforça sempre, pois, quanto mais se esforça, mais conselhos ouve sobre o seu modo de falar : “calma“ , “fale devagar”.
Com a freqüência destas situações vive momentos de frustração e ansiedade para conseguir ter o desempenho que lhe é cobrado. Com isso, desenvolve a fala num padrão de tensão, que se incorpora e começa a acontecer antes mesmo de começar a falar.
Falar se torna uma situação difícil, para a qual a pessoa tem que se preparar. Antecipando a sua falha, o que significa duvidar do seu potencial para falar, aumenta o seu esforço para vencer a sua dificuldade.
Portanto, o gago tenta solucionar o seu problema partindo de uma premissa falsa, que é a sua irreal incapacidade de falar bem. Esse plano de fundo na sua mente interrompe a sua fala espontânea.
Pensa constantemente que vai gaguejar e, portanto, gagueja, porque coloca o elemento tensão em movimentos que são naturalmente soltos.
Sua mente trabalha para não gaguejar e a emoção negativa o leva de encontro ao se esforçar para falar bem, e, então, gaguejar.
Dessa forma, o gago só se verá livre disso quando mudar o seu pensamento; quando sensibilizar-se para mudar a sua falsa premissa, vivenciando a sua possibilidade de soltura.
Mudando o seu ponto de vista a respeito de sua fala, não se envolverá mais com valores antigos e se desvinculará da força.
Quando se perceber como um falante normal, que tem lutado contra uma idéia falsa, pois é capaz de falar bem, então, estará experimentando a sua verdadeira possibilidade de estar no mundo como falante.
Saindo do paradoxo de tentar falar bem fazendo esforço, o gago percebe como ele próprio produz o seu comportamento e começa a viver com uma nova perspectiva que é a de poder falar isento de emoções negativas e viver a sua fala espontânea que também comporta a gagueira, mas sem tensões.
Mariângela Zulian
Fonoaudióloga Clínica
(este texto foi elaborado em grupo de estudos com a Dra. Silvia Friedman, sob sua orientação - 1989)
(este texto foi elaborado em grupo de estudos com a Dra. Silvia Friedman, sob sua orientação - 1989)
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Na próxima postagem farei alguns comentários sobre este texto.
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