31 julho 2006

Reflexo Condicionado



"A experiência clássica de Pavlov é aquela do cão, a campainha e a salivação à vista de um pedaço de carne. Sempre que apresentamos ao cão um pedaço de carne, a visão da carne e sua olfação provocam salivação no animal. Se tocarmos uma campainha, qual o efeito sobre o animal? Uma reação de orientação. Ele simplesmente olha, vira a cabeça para ver de onde vem aquele estímulo sonoro. Se tocarmos a campainha e em seguida mostrarmos a carne, dando-a ao cão, e fizermos isso repetidamente, depois de certo número de vezes o simples tocar da campainha provoca salivação no animal, preparando o seu aparelho digestivo para receber a carne. A campainha torna-se um sinal da carne que virá depois. Todo o organismo do animal reage como se a carne já estivesse presente, com salivação, secreção digestiva, motricidade digestiva etc. Um estímulo que nada tem a ver com a alimentação, meramente sonoro, passa a ser capaz de provocar modificações digestivas."
Fonte: http://www.cerebromente.org.br/n09/mente/pavlov.htm

Talvez vocês estejam se pergutando: o que é que este texto acima tem a ver com gagueira? O que faz aqui neste blog? Esse cara tá ficando louco? Talvez seja uma loucura minha, sim. Talvez coisa de aluno muito empolgado com o curso que acaba de iniciar. Quando o professor de Psicologia do Desenvolvimento falava sobre a experiência de Pavlov, eu relacionei-a com o comportamento do indivíduo que gagueja (IG). Tentarei explicar para vocês.

Para ficar mais parecido e de mais fácil compreensão, imaginemos o soar do telefone. Muitos IG´s, nesta hora, ficarão extremamente alterados, nervosos, suarão frio ou terão qualquer outro comportamento, que naturalmente é incondicionado, que ocorre de maneira involuntária, sem a nossa vontade (como a contração da pupila, a salivação), mas que torna-se condicionado quando associado (ou quando associamos) a um estímulo. O estado emocional que a pessoa é levada a assumir, nestas situações, é conflitante com aquele que permite a fala sair de maneira suave. Portanto, a postura que o IG está determinando para si mesmo é favorável a uma fala tensa, cheia de repetições e bloqueios. A fluência verbal é muito prejudicada por todas aquelas alterações comportamentais.

Como seres pensantes e livres, temos a plena condição de mudarmos nossas reações diante de qualquer estímulo. Se no momento da chamada em sala de aula, ao pedir ou dar informação, ao ter que falar seu nome ou em qualquer outra situação, se isso lhe causa temor, você é capaz de reagir diante destas situações. Seu cérebro é altamente poderoso para gerar um outro comportamento, uma atitude mais positiva, uma postura que lhe ajude e não uma que lhe atrapalhe.

Espero que tenha fica claro a minha analogia. O que vocês acham? Faz algum sentido?

Um comentário:

Priscilla Silveira disse...

Oi, Wladimir! A influência do Behaviorismo nas teorias sobre gagueira existe. Há autores que a vêem como um comportamento adquirido, mas daí, por vê-lo desta forma, propões técnicas para modificar o comportamento, promovendo uma fala mais aceitável(controle da gagueira). Procure por livros(artigos) de Jakubovicz e Andrade...