29 junho 2011

Falar, uma atividade muitas vezes desagradável - Parte I





Chama-me bastante atenção os relatos de sujeitos, as imagens do filme “O Discurso do Rei”, bem como as minhas próprias experiências, que demonstram que falar tornou-se algo desagradável ou traumático.


Como chegou a esse ponto? Por que este significado? Estudando na literatura, encontrei em Friedman e em Azevedo e Freire que a experiência comunicativa entre uma criança e outras pessoas pode tornar-se desagradável ou traumática porque o conhecimento cotidiano não fornece informações sobre como a fluência e a disfluência funcionam no discurso.


Tais experiências, por envolver o ato de falar, envolvem um outro, como pai, mãe, avós, professores, todos influentes para a formação subjetiva da pessoa. O desconhecimento sobre o funcionamento da fluência e da disfluência faz com que as pessoas rejeitem os trechos disfluentes e tentem corrigi-los. Surgem os famosos conselhos: “Calma, respira e fala devagar”. Ou em outros contextos sociais, o riso, o deboche, a piada. Para a pessoa que os recebe, isso tem um potencial de rejeição, o que sugere que não se falou como deveria, que tem algo de errado com a sua fala, que não é permitido falar assim e que se tem que fazer algo para falar de um modo mais adequado.


A interferência na espontaneidade da fala é problemático. Uma atividade que é inconsciente, torna-se consciente para evitar que a fala seja novamente rejeitada pelo interlocutor. A atenção discursiva deixa de ser o conteúdo, a mensagem, e passa a ser a forma, a palavra a ser dita em seguida.


É um funcionamento discursivo problemático, mas que não ocorre sempre. Quando a atenção é no conteúdo, observa-se fluência.

3 comentários:

Anônimo disse...

Como faço para entrar em contato com você?, estou precisando de ajuda.

Wladimir disse...

Escreva para mim: wladimirdamasceno@gmail.com

Laís Saldanha. disse...

Parabéns pela sua história! Mas falando de mim, sofro de gagueira desde quando nasci, só que só comecei a me importar com isso quando entrei na adolescência, e percebia que as pessoas riam de mim ou faziam piadinhas. Fiquei um bom tempo me odiando por isso, deixando de fazer amizades, e cheguei a pensar que não conseguiria ser alguém na vida por causa da minha dificuldade. O pior era chegar na escola, em um dia de apresentação de trabalho, e ter de apresentar sem querer, ou ter que explicar pro professor por que você não tem condições de apresentar. Isso me deixava nervosa e eu gaguejava ainda mais. Fiquei anos pedindo pra minha mãe ir na escola e conversar com os professores, explicando que eu me sentia constrangida, e os professores me mandavam fazer trabalhos enormes, impossíveis, em pouco tempo, como se fosse um "castigo" pra mim porque eu não conseguia falar. Isso quando algum professor não fazia questão de perguntar na frente de todo mundo o porquê de eu não querer apresentar um trabalho, e eu não querer explicar na frente de todo mundo. Ainda o que me deixava mais constrangida (e ainda deixa), nem é o fato de ter de apresentar um trabalho. Porque bem ou mal, é uma coisa que você tem tempo de conversar com o educador, mas o pior é quando você é pego de surpreso na sala, e o professor pede pra você ler algo ou responder alguma pergunta, daí a turma toda olha pra vc, vc diz que não quer responder e o professor insiste, vc responde, gagueja e se sente a pior pessoa do mundo.
Fiz tratamento fonoaudiológico por quase um ano, e pra ser sincera, melhora NA GAGUEIRA não houve. A melhora que houve foi que eu passei a me aceitar e entender que eu sou assim e pronto! Passe a apresentar mais trabalhos, e me sinto mais segura pra falar. Isso não quer dizer que eu não gagueje mais, mas quer dizer que eu estou mais confiante. Apresentei vários trabalhos de forma normal, quase sem gaguejar, daí essa semana, devido meu problema de asma, fiquei sem ar no meio do trabalho e não consegui apresentar. Gaguejei como não gaguejava há muito tempo, teria sido uma situação muito constrangedora se tivesse acontecido antes do meu tratamento. Mas reagi normal. A turma riu, e eu ri junto. Fiquei chateada só por dois motivos: o primeiro foi porque eu não consegui explicar tudo que eu teria que apresentar, e por causa desse motivo acho que perdi pontos. O segundo é que, depois do trabalho, uma menina que se dizia minha amiga, fez questão de expor pra toda turma o que tinha acontecido comigo. Ela repetia e me imitava, me colocando em situação constrangedora. A parte legal, foi que ninguém achou graça nela. Graças a Deus agora estou me dando melhor com isso, e ofereço minha ajuda a quem quiser, principalmente a adolescentes, porque eu sou adolescente, tenho 16 anos e aprendi a lidar com isso. Sei que esta é a pior fase que existe para se assumir que é gago. Deixo meu e-mail e meu blog para quem quiser: lr_saldanha@hotmail.com // www.failteen.blogspot.com