29 julho 2005

A Gagueira e a Técnica de Alexander II



A analogia que fiz entre a Técnica de Alexander e a Gagueira é muito em decorrência do que percebi da terapia, que segue a linha desenvolvida por Silvia Friedman, que venho frequentando a mais ou menos oito meses. Aparentemente não existe relação alguma entre essas duas coisas. Porém, na essência, possuem suas convergências. Assim como a técnica de Alexander surgiu da observação de um comportamento errado e da busca para corrigi-los, acredito que Friedman realizou pesquisas comportamentais com pessoas gagas e percebeu diversos hábitos e costumes, da mesma forma equivocados, que só levam as pessoas a gaguejarem mais e mais. Só para melhor ilustrar: no livro "O aprendizado do Corpo", tem uma passagem que afirma que os pacientes de Alexander ficavam surpresos ao entrar no consultório e não ser pedido a eles que tirassem a roupa para verificar um problema na coluna. Da mesma forma eu fiquei surpreso, na clínica da minha fonoaudióloga, a não ser induzido a assoprar língua da sogra, aparelhos de respiração, realizar técnicas de relaxamento..."métodos" que exercitei com três fonos anteriores e que não preciso afirmar que em muito pouco melhoraram a minha fluência.

A linha de Silvia Friedman leva o paciente a ser agente de suas ações; a conhecer o ciclo vicioso da gagueira (pensa que vai gaguejar --> gera tensão --> cria truques para falar bem --> gera emoções negativas --> gagueja); a verificar seus comportamentos típicos de gago e buscar eliminá-los; a se ver como bom falante; a valorizar os momentos de fluência que todos temos; a levar a confiança para ocasiões que julgamos críticas; a se aceitar melhor diante da gagueira, entre outros valores.

Como é que podemos nos curar da gagueira, se não mudamos os nossos hábitos de gagos? Como pode uma pessoa invejosa deixar de ser, se mantém os mesmos pensamentos, as mesmas reações diante das outras pessoas? Dessa forma é impossível! Sei que é difícil. Não é de uma hora para outra, muitas pessoas gaguejam e pensam como gago a décadas, o cérebro tomou isso como padrão. Mas a recompensa é proporcional ao esforço. Para alterar isso, existe uma frase que ilustra muito bem: "primeiro você faz o hábito, depois o hábito te faz".

5 comentários:

Priscilla disse...

OI, Wladimir!Não li o livro `O aprendizado do corpo`(inclusive fiquei curiosa para lê-lo, mas o que posso acrescentar de forma geral as idéias de Friedman é que ela, ao estudar a gagueira, vai além da análise da objetividade(o que se dá no corpo). Ela relaciona esta com a subjetividade(crenças, imagens) que a determina.A mesma, portanto, defende que o enfoque terapêutico deverá ser exatamente no qu determina a gagueira:a subjetividade, isto é, a imagem de mau falante formada na infância.Creio que poderia se abrir uma discussão aqui com outros sujeitos que estão em tratamento...

mariangela disse...

oi wladimir.a Priscila já colocou a idéia principal.quero acrescentar que a pesquisa de Silvia, de forma nenhuma é comportamental.Sua fundamentação é na dialética, no materialismo histórico. A mudança, em terapia, ocorre pela possibilidade de desmitificação de uma crença, que leva a pessoa, no seu processo de desenvolvimento de identidade,vivenciar uma situação paradoxal sobre a sua fala, sobre o que pensa de si mesmo.
É resgatando na história de vida os fatores que a levaram a tal comportamento, que se encontra a possibilidade de RE- encontrar o bom falante. É uma mudança de pensamento e não, apenas, uma mudança de comportamento.

Wladimir disse...

Concordo com as duas fonoaudiólogas. Talvez não tenha me expressado integralmente, mas quando eu falei em "pesquisas comportamentais" ou "comportamentos típicos de gagos" eu estava me referindo ao modo de pensar, também!

Alex SC disse...

Olá Wladimir! Meu nome é Alex, tenho 16 anos e convivo com a gagueira a pelo menos 10 com a separação dos meus pais. A gagueira para mim no inicio foi algo que me impediu muito de realizar muitas atividades sociais... Então eu resolvi, aprender a conviver com a gagueira, obviamnete não estou "curado" porém consigo controlar meus "picos de nervosismo" e consequentementa a gagueira. Esta é a primeira vez que acesso seu blog e gostei muito das postagens, gostaria de deixa aqui o meu e-mail e pedir para que você me ajudasse com a recomendação algum material para mim aprender a conviver cada vez melhor com este problema simples mas que implica muito em nossas vidas! Abraço...

(alex_canoinhas@hotmail.com)

Anônimo disse...

olá!A gagueira em minha vida desencadeou na infância hoje tenho 22 anos e só na fase adulta procurei tramento e estou a caminho da cura.