24 dezembro 2007

Como a Gagueira se Manifesta

A atual postagem é originada de uma conversa ocorrida no Grupo Gagueira. Realizei alguns ajustes e acréscimos.

Olá fulano, seja bem-vindo ao nosso grupo. Use e abuse dele. Não é por não ter grupo de apoio na sua cidade que você ficará sem um espaço para conversar e se sentir bem.

Sua primeira mensagem está muito interessante, ela retrata muito bem como a gagueira se manifesta. Vou colocar alguns trechos de sua fala na seqüência que acredito, baseado em estudos, ser a correta da manifestação da gagueira: "tudo que eu mais queria é poder falar bem", "que planeja uma coisa na sua cabeça e na hora não sai aquilo que você planejou", "o nervosismo entra em campo".

1 - "tudo que eu mais queria é poder falar bem"

O desejo de querer falar bem, demonstra que nós temos uma imagem estigmatizada de falante, de alguém que quer falar bem, mas que não acredita nesta competência. Além do mais, desejar algo que é natural, espontâneo (a fluência), não nos leva a esse objetivo. É paradoxal. Quanto mais desejamos falar bem, menos conseguimos. Porém, quando estamos descontraídos, quando até "esquecemos da gagueira", é o que muitos muitas vezes afirmam, somos fluentes. Isso é muito comum acontecer, basta que prestemos atenção em nós mesmos: falar com crianças, com animais são apenas alguns exemplos mais comuns que comprovam isso. Porém, cada pessoa cria as situações, as pessoas com quem "podem falar sem problemas" e também são fluentes.

2 - "que planeja uma coisa na sua cabeça e na hora não sai aquilo que você planejou"

O planejamento da fala é o que simboliza a tentativa de querer falar bem. Por diversas vezes, ao longo do dia, estamos programando o que será dito. Às vezes encontramos uma "palavra difícil" e já tratamos de substituí-la. Outras vezes isso não é possível. Quando perguntam nosso nome, não tem como trocar, por isso que muitos temem essa pergunta, pois já havia sido várias vezes imaginada com qualidades negativas. Ao planejarmos, ficamos presos à forma não ao conteúdo do falar. As pessoas consideradas fluentes preocupam-se com o conteúdo, por isso fluem (ou não, pois existem muitas pessoas disfluentes que não se importam com a forma). Nós, muitas vezes agimos desta forma, como falei no parágrafo anterior: quando esquecemos a forma, somos fluentes.

Ser fluente, em minha opinião, não significa não disfluir. Estudos indicam que a disfluência faz parte da fluência. O sujeito fluente, muitas vezes utiliza-se, de modo inconsciente, de disfluências em seu discurso. Isso torna a fala muitas vezes mais atraente. Logo, se tivermos uma disfluência em nosso falar, não devemos encarar como desmérito, mas sim como algo que é comum ocorrer em falantes. Sair dessas situações com dignidade é muito importante. Diante de risos, questionamentos, afirmar que realmente gaguejou, que se isso os faz rir, a nós já nos fez sofrer muito, mas que nem por isso vamos deixar de falar e de demonstrarmos o que estamos intencionados.

3 - "o nervosismo entra em campo"

As emoções são consequências, não causas, da gagueira patológica. Antes mesmo de falar, o sujeito já está tomado por um quadro de ansiedade e nervosismo, pois prever que terá que falar em determinada situação e esse pensamento é, de um modo geral, negativo. O sujeito deseja a fluência, duvida dessa sua capacidade (planejando, trocando palavras, etc.) e fica emocionalmente abalado. A situação se agrava, pois ao longo de anos a sociedade riu do nosso modo de falar, portanto tudo que já vivemos é recapitulado diante de um situação de falar em público, por exemplo. Diante de um possível fracasso, tal momento será acrescentado dentro da nossa consciência, confirmando a nossa duvida, "incapacidade para falar" e imagem estigmatizada falante (que é o fim e começo de um círculo vicioso que se mantém).

É preciso resolver esse problema. A mesma solução em maior dose não resolve!

3 comentários:

blogger disse...

Boa tarde.

Gostei mto do texto escrito. è exatamente o que ocorre comigo.
Gostaria de saber se existe grupo de gagueira em Belo Horizonte pq gostaria de participar.
Mauricea

VIDOTTI disse...

Dislexia, gagueira, síndrome de down, dificuldade de expressão, dificuldade na escrita e outras patologias clínicas, acesse: www.daniellelins.com.br

Fonoaudióloga
BH/MG

Fonoaudiologia disse...

Olá! Gostei bastante desse post sobre o grupo da gagueira e como discorreu sobre ele. Coloquei este post no meu blog também ok? Depois dê uma conferida http://www.fonoaudialogando.com
Abraço!